“O saber tradicional mostra que cultivar guaraná é muito mais que produzir”
10 junho 2026
Legenda: “É manter viva uma tradição, gerar renda com dignidade e fortalecer a raiz cultural que sustenta nossa família”, relata Cleberson sobre a produção de guaraná no sítio Surucucu, em Maués, no estado do Amazonas.
Do sítio Surucucu para o mundo, o guaraná de Claudomiro e Cleberson prova que a Amazônia tem muito a ensinar sobre equilíbrio, tradição e futuro.
Em Maués, no estado do Amazonas, município conhecido como a Terra do Guaraná, o sítio Surucucu é exemplo da combinação sustentável entre conservação, inovação e produção agrícola. À frente dessa história, estão Claudomiro de Souza e seu filho, Cleberson de Souza, que dão continuidade a uma herança cultivada há gerações: o guaraná amazônico.
Cleberson conta, com orgulho, que é a terceira geração de “guaranacultor”, como são chamados os produtores de guaraná. A história do sítio Surucucu, no entanto, não é isolada. Em Maués, cerca de mil famílias vivem direta ou indiretamente do guaraná. O fruto, considerado um dia moeda de troca entre povos indígenas, firma-se hoje como motor de uma bioeconomia em diálogo com a floresta e que sustenta as comunidades locais.
As famílias que se dedicam à cultura do guaraná, como Claudomiro e Cleberson, ajudam a preservar o bioma amazônico.
“O guaraná é um produto-prêmio da Amazônia. É a origem da nossa cidade, Maués, e é também o futuro para nós e para nossos filhos”, explica Cleberson.
Legenda: Em Maués (AM), cerca de mil famílias vivem direta ou indiretamente do guaraná.
Por meio da marca Flor do Guaraná, criada pelo pai e filho, o produto chega a todo o Brasil e alcança mercados europeus e dos Estados Unidos. A produção do sítio Surucucu mantém a área de vegetação nativa da propriedade conservada e possui certificação orgânica e Indicação Geográfica (IG) – garantindo não apenas qualidade, mas também o reconhecimento e validação das técnicas tradicionais de cultivo utilizadas.
Grande motor da economia local, o guaraná de Maués mantém vivas as práticas ancestrais de cultivo do pequeno produtor e mostra que é possível combinar conservação, saberes tradicionais e inovação.
Floresta como sustento: ação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
A trajetória de Claudomiro e Cleberson ganhou um novo capítulo com a chegada do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), pela Modalidade Conservação do Projeto Floresta+ Amazônia. Por conservar áreas de floresta nativa e manter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em dia, a família passou a receber apoio financeiro que se reverte em melhorias diretas para a produção e a vida comunitária.
“Com gratidão, lembro que não estamos sozinhos: o saber tradicional, aliado ao apoio de parceiros como o Projeto Floresta+ Amazônia, mostra que cultivar guaraná é muito mais que produzir. É manter viva uma tradição, gerar renda com dignidade e fortalecer a raiz cultural que sustenta nossa família”, afirma Cleberson.
Legenda: A trajetória de Claudomiro e Cleberson ganhou um novo capítulo com a chegada do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
Com os recursos do Floresta+ Amazônia, foi possível investir em embalagens modernas e atrativas, desenvolvidas também em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/Amazonas), além de garantir presença em feiras que conectam produtores locais a compradores de todo o Brasil e do mundo.
As técnicas de colheita seletiva dos frutos maduros, a torra das sementes e o beneficiamento artesanal resultam em pó e bastão de guaraná considerados entre os melhores do mundo. Hoje, os produtos da família chegam a mercados exigentes dos Estados Unidos e da Europa, conquistando espaço também nas feiras nacionais e internacionais, onde são apresentados sob a marca Flor do Guaraná.
Recentemente, os agricultores expuseram seus produtos orgânicos na Amazon Tech, que reuniu empreendedores de toda a América Latina e do Brasil.
“O Pagamento por Serviços Ambientais nos permitiu melhorar os tratos culturais, as embalagens e levar o nosso guaraná para competir de forma justa e valorizada. Estamos felizes e agradecidos pela parceria”, ressalta Claudomiro.