“Pintar a rua sempre representou muito mais do que futebol”
Nas ruas do Rio de Janeiro, a Copa do Mundo se encontra com o ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis
Com a aproximação da Copa do Mundo 2026 da FIFA, pessoas em todo o Brasil seguem uma antiga prática coletiva de preparação da torcida: a decoração das ruas.
Muito além do futebol, as iniciativas de pintura de rua são exemplos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis, promovendo os espaços públicos como lugar de convivência e conexão.
A união de comunidades e vizinhanças na decoração de ruas é uma tradição que fortalece os laços de pertencimento de uma comunidade com sua região. Em um mundo cada vez mais digital, mobilizar a população mais jovem para participar em atividades de rua vem se tornando um desafio. Em muitos lugares essa tradição perdeu força, e até chegou a ser descontinuada.
Na cidade do Rio de Janeiro, moradores das ruas Carlos de Vasconcelos, Capiberibe e na comunidade Mata Machado estão se organizando para reviver e dar continuidade à essa tradição. Em entrevistas concedidas ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), lideranças comunitárias compartilham suas experiências de reunir vizinhanças e visitantes para a Copa do Mundo 2026.
Na Rua Capiberibe, em Santo Cristo, as atividades foram organizadas pelo Centro Cultural Capiberibe 27, e patrocinadas por comerciantes do bairro — uma loja de tintas, um supermercado e um depósito de bebidas. Uma moradora doou cem picolés para o almoço coletivo da pintura. Isabela Boechat, do Centro Cultural Capiberibe 27 conta:
“Pintar a rua sempre representou muito mais do que futebol. É um símbolo de convivência, identidade e orgulho do lugar onde a gente vive. Quando a rua ganha cor, as pessoas também voltam a se encontrar, conversar e ocupar o espaço público de forma positiva.”
“Mais do que preparar a rua para a Copa, a iniciativa busca resgatar um sentimento que parecia adormecido: o prazer de viver a rua, de conviver, de celebrar juntos. É uma forma de reforçar o sentimento de pertencimento, mostrar a força da comunidade e lembrar que pequenos movimentos coletivos ainda conseguem transformar o ambiente e aproximar as pessoas.”
Na comunidade Mata Machado, no Alto da Boa Vista, o Instituto Casa Favela trouxe as crianças para misturar as tintas e decidir os desenhos. Guilherme Moraes, um dos idealizadores do programa, conta:
“(essa iniciativa) representa uma identidade ao território. Podemos dizer que pintando a rua a comunidade fica mais feliz, todo mundo torcendo, em prol do Brasil, pela Copa, e deixa a comunidade mais verde, deixa a comunidade mais colorida.”
“As crianças participaram de todo o processo, desde o início até o final. Elas que misturaram as tintas, foram elas que estavam pintando, a gente brincou, a gente riu, elas que deram ideias sobre o desenho, o que que ficaria melhor, o que que ficaria pior. Então, elas foram totalmente ativas, e foi muito interessante todo esse processo que a gente conseguiu realizar.”
Na Rua Carlos de Vasconcelos, na Tijuca, Pedro Bottoni conta que apesar de a tradição existir na rua desde 1986, não acontece há alguns anos por falta de mobilização e recursos:
“A Carlos Vasconcelos, ela começou em 86, a gente não era nem nascido, já tinha a Copa do Mundo. E depois de um tempo, foi parando, aquela coisa toda, e hoje a gente tentou resgatar. Hoje em dia são os nossos filhos que estão aqui. Então, esse resgate de fazer toda essa tradição foi mais por conta disso, entendeu?”
Em todas as entrevistas coletadas os idealizadores das atividades ressaltaram a importância de envolver as crianças em atividades fora de casa e de ter uma melhor integração dos moradores com o espaço comunitário.
“Na última Copa não teve, né, por dificuldades, mas esse ano, pegando nossos filhos para aprender, tá ali como você tá vendo: brincando, rindo…”, diz Bruno Oliveira, idealizador da atividade na Carlos de Vasconcelos.
Apesar de limitações financeiras e logísticas, uma das grandes motivações para continuarem se mobilizando é essa esperança de transmitir uma antiga tradição para as novas gerações.
ODS em ação
As iniciativas de decoração das ruas do Rio de Janeiro são ações práticas de promoção do ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis, fortalecendo os espaços públicos como lugar de convivência, pertencimento e cultura.
“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nasceram no Brasil. Do Rio em 1992 à Rio +20, o Brasil sempre foi uma voz de liderança para um modelo de desenvolvimento que integra as dimensões social, econômica e ambiental. Um modelo de desenvolvimento que coloca a transformação econômica no centro.” - Amina J. Mohammed, vice-secretária-geral das Nações Unidas, 1º de agosto de 2023
As negociações intergovernamentais e as consultas públicas que levaram à adoção unânime dos ODS foram lançadas no Brasil, durante a Conferência Rio+ 20, realizada no Rio de Janeiro em 2012
Para saber mais, siga @onubrasil e @onuhabitatbrasil nas redes e visite a página da ONU Brasil sobre os ODS.