“Desenvolvi habilidades que eu não sabia que tinha”
Iara Lima supera o atraso escolar no Espírito Santo e mostra importância da educação acolhedora.
Em 2025, aos 16 anos, Iara Lima, estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio José de Caldas Brito, em Linhares (ES), iniciou o ano letivo no 6º ano, com cinco anos de atraso em relação à idade adequada para a série.
Por esse motivo, ingressou no Programa Sucesso Escolar (PSE) – iniciativa que faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) –, implementado pela Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo. O programa tem como objetivo o enfrentamento da distorção idade-série e a recomposição das aprendizagens para que os estudantes aprendam e avancem nos estudos.
“Eu estava bem defasada e vi o programa como uma oportunidade para conseguir progredir mais e alcançar meu objetivo. Eu entrei determinada a passar”, afirma.
Seu desempenho consistente consolidou sua progressão para o 9º ano e reforçou seu projeto de continuar os estudos e ingressar no ensino superior. Iara assumiu um papel de protagonismo na turma, foi eleita vice-líder de classe e passou a apoiar colegas que enfrentavam dificuldades semelhantes às que ela própria vivenciou.
“O professor me apoiou bastante, me deu conselhos, e eu conversava muito com ele. Percebi que tenho capacidade de liderar pessoas e desenvolvi habilidades que eu não sabia que tinha”, diz Iara.
Para a mãe, Camila da Silva, o retorno à escola marcou um novo momento na vida da filha:
“Fiquei muito feliz. Ela voltou mais esforçada e cada dia está se dedicando mais”.
Os planos para o futuro de Iara já estão desenhados. “Quero terminar a escola e fazer faculdade de psicologia”, afirma. O interesse surgiu a partir da convivência com outras pessoas no ambiente escolar. “Eu gosto de conversar, de ajudar quando vejo alguém mais isolado. Isso me chamou atenção”.
Ainda sobre o futuro, Iara conta:
“Eu penso muito em como vou me ver lá na frente. Quero ter um futuro melhor e estou aproveitando as oportunidades”.
Refletindo sobre sua trajetória, ela deixa um conselho para outros jovens que enfrentam dificuldades na escola: “Eu daria o conselho de não desistir. Com fé e perseverança, você vai conseguir”.
Escola como ambiente acolhedor
Ao longo de cinco anos de implementação, o Programa Sucesso Escolar (PSE) ganhou identidade própria e se consolidou como um espaço de acolhimento para estudantes em distorção idade-série na escola. Sem rótulos, os estudantes são acompanhados por meio de tutorias individualizadas e incentivados a desenvolver o sentimento de pertencimento à escola. Durante o ano letivo, a equipe pedagógica acompanha de perto cada estudante, observando seu desenvolvimento, amadurecimento e a construção de habilidades para definir, de forma responsável, o avanço mais adequado em sua trajetória escolar.
Para a coordenadora pedagógica, Carmen Gisele Martins da Silva, o acompanhamento individualizado e a tutoria são fundamentais para que os estudantes se engajem novamente:
“Quando o aluno percebe que tem alguém acompanhando de perto, cobrando, orientando e entendendo o que ele viveu, ele se sente mais seguro e passa a se envolver mais com a escola. Quando eles começam a se sentir importantes dentro da escola, o desenvolvimento aparece”.
A experiência de Iara reflete a de muitos estudantes atendidos pelo Programa Sucesso Escolar. Segundo o ex-professor de Iara na turma do programa, Bruno Gomes, os estudantes costumam chegar com histórico de interrupções na trajetória escolar e dificuldades acumuladas ao longo dos anos.
“Esses estudantes chegam com defasagens e, muitas vezes, com dificuldades de aprendizagem e de adaptação ao ambiente escolar. O trabalho começa mostrando que é possível avançar, mas com acompanhamento próximo, diálogo e com exigência, para que o resultado seja consistente”, explica.
Para a professora de Língua Portuguesa e nova tutora da turma, Andressa Alvarenga, o trabalho vai além do conteúdo escolar. “A gente procura trabalhar de forma dinâmica, com projetos, convivência, empatia e responsabilidade. Não é só aprender o conteúdo, mas também se desenvolver como pessoa e como estudante”, afirma.
Ação do UNICEF e estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar
Para a subgerente de Desenvolvimento Curricular no Estado, Débora Aparecida Furieri Matos, a parceria constante com o UNICEF tem sido fundamental para fortalecer a proposta do programa:
“O Programa Sucesso Escolar foi construído em diálogo com o UNICEF para enfrentar a distorção idade-série no estado. Desde então, mantemos uma parceria permanente, com reuniões, diálogos pedagógicos, visitas às escolas e apoio para o aprimoramento do programa. Essa cooperação tem sido fundamental para fortalecer a proposta, revisar o currículo ao longo dos anos e apoiar as equipes escolares no atendimento aos estudantes que chegam com maiores dificuldades”.
A estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE) é desenvolvida tendo a Roda Educativa como parceiro implementador. O objetivo é facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes.
A página da TSE disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.
Para a estratégia, o UNICEF Brasil conta com a parceria do Instituto Claro. Para ações gerais de Educação, temos também a parceria estratégica de TP, parceria da Fundação Itaú e o apoio de FTD Educação. Além disso, o UNICEF tem a XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil.
Para saber mais, acesse a página das Trajetórias de Sucesso Escolar e siga @unicefbrasil nas redes.