A crise climática está se acelerando – e estamos agora a caminho de ultrapassar o limite de 1,5 grau nos próximos anos.
Nossa tarefa é manter esse excedente o menor, mais breve e seguro possível – e fazer com que as temperaturas voltem a baixar.
Isso não pode acontecer sem uma redução drástica das emissões, a partir de agora, e sem acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis, a partir de agora.
Legenda: O secretário-geral António Guterres discursa na Cúpula de Líderes Locais durante a Semana de Ação Climática de Londres, em 23 de junho de 2026.
Isso exige medidas para acabar com o desmatamento e proteger a natureza.
E exige que o mundo aja rapidamente em relação aos superpoluentes – gases de efeito estufa potentes responsáveis por quase metade do aquecimento até agora.
O metano é o superpoluente por excelência.
Invisível, inodoro – e responsável por quase um terço do aquecimento global atual.
Mas, ao contrário do dióxido de carbono, ele se decompõe em uma ou duas décadas.
Portanto, reduzir o metano é a medida mais rápida que podemos tomar para frear o aquecimento do planeta.
Na agricultura – reduzir as emissões com ferramentas comprovadas que protejam a segurança alimentar e os meios de subsistência dos agricultores.
Nos resíduos – reduzir o desperdício de alimentos, acabar com o despejo a céu aberto e capturar as emissões de aterros sanitários e águas residuais.
E, acima de tudo, nos combustíveis fósseis – onde a recompensa é maior e o caminho é mais claro.
Somente em 2025, 167 bilhões de metros cúbicos de gás foram queimados na atmosfera – o nível mais alto em seis anos e o equivalente ao consumo anual da África.
Segundo o Banco Mundial, esse gás desperdiçado tinha um valor estimado de 54 bilhões de dólares – cerca de três quartos do que custaria para acabar com a queima rotineira em todo o mundo.
A Agência Internacional de Energia constata que cerca de 70% do metano proveniente do petróleo e do gás pode ser eliminado com as tecnologias existentes – a um custo líquido baixo ou nulo.
E, graças aos satélites, podemos rastrear a poluição por metano – onde ela ocorre, no momento em que ocorre.
Por isso, exorto os governos e a indústria a agirem:
Primeiro: detectar e corrigir todos os vazamentos e eliminar a queima rotineira e a liberação a frio.
Segundo: tornar as emissões mensuráveis, reportáveis e verificáveis.
E terceiro: adotar um padrão global de metano baseado na ciência – e construir um mercado de energia com emissões de metano quase nulas.
Países como a Noruega já mostraram o caminho.
Se todos os produtores cumprissem esses padrões, o metano proveniente do petróleo e do gás cairia em 90%.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (segundo da direita) visita a Mansion House por ocasião da Semana de Ação Climática em Londres, no Reino Unido, em 23 de junho de 2026.
Este é o momento de regras e padrões claros – estabelecidos pelos governos e implementados pela indústria.
Já fizemos isso antes:
O mundo agiu para recuperar a camada de ozônio.
O mundo agiu para eliminar a gasolina com chumbo.
O mundo pode – e deve – agir contra a poluição por metano.
E devemos direcionar o foco para onde o problema – e as oportunidades – são maiores.
Mais de 70% do potencial de redução está no G20 e grande parte dele no setor de combustíveis fósseis.
É nesse ponto que devemos concentrar nossos esforços para zerar as emissões de metano.
Isso também é um teste à solidariedade climática.
Os países em desenvolvimento precisam de financiamento, tecnologia e capacidade para acelerar as ações nas áreas da agricultura, resíduos e combustíveis fósseis.
As Nações Unidas estarão ao lado de todas as nações prontas para agir.
É por isso que encarreguei o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) de levar adiante nosso Apelo à Ação. Com base em suas décadas de trabalho sobre o metano, ele ajudará governos, indústria, investidores e cientistas a estabelecer um padrão com base científica e de emissões quase nulas para o setor de petróleo e gás.
Caras e caros amigos,
A ação climática é frequentemente vista como um sacrifício hoje em troca de benefícios que se manifestarão ao longo de gerações.
Mas reduzir o metano é uma luta que podemos vencer – e da qual podemos nos beneficiar ainda em nosso tempo.
Respondamos ao apelo.
Sejamos a geração que aciona o freio de emergência climática a tempo.