“O UNICEF foi o lugar onde eu entendi que a minha voz tinha força’’
Da formação à mobilização, a experiência de Larissa mostra a potência da juventude brasileira.
Moradora da Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Larissa Lúcia cresceu acompanhando de perto os desafios que atravessam a juventude periférica: violência, falta de acesso a direitos e oportunidades que raramente chegam à borda da cidade.
Entre projetos, formações e mobilizações, Larissa construiu uma trajetória marcada pelo protagonismo juvenil e pela parceria contínua com o UNICEF, que se tornou referência e ponto de apoio ao longo de sua caminhada.
A relação de Larissa com a mobilização juvenil começou cedo, aos 16 anos, quando ainda buscava entender qual poderia ser seu lugar dentro das discussões sobre direitos, cidadania e transformação social. Foi por meio de iniciativas voltadas a adolescentes e jovens que ela começou a se aproximar de temas como educação, saúde e participação democrática.
“Eu sempre gostei de me envolver, de estar em grupo, de pensar projetos coletivos. Mas eu ainda não sabia que isso tinha nome, que isso era participação social.”
Esse despertar inicial abriu portas para outros espaços, nos quais ela pôde desenvolver habilidades, assumir responsabilidades e se reconhecer enquanto liderança.
A conexão com o UNICEF se deu de forma quase inevitável para quem já vinha observando o cotidiano do território com espírito crítico e desejo de mudança.
“O UNICEF foi o lugar onde eu entendi que a minha voz tinha força. Eu cheguei ali meio tímida, meio sem saber se eu tinha algo a dizer, mas percebi rápido que não só tinha como era necessário dizer”, conta.
Larissa participou de diferentes iniciativas do UNICEF, entre elas:
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Zona Nossa, onde começou a compreender a dimensão política das experiências que vivia.
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Chama na Solução, que a aproximou da educomunicação e da criação de projetos voltados ao território.
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Incubadora de Comunicação Popular (iComPop), no qual atuou como mentora, experiência em que passou a coordenar jovens e construir processos coletivos de comunicação no território.
Também participou de pesquisas, rodas de conversa e eventos que aproximavam jovens do debate sobre políticas públicas, como encontros voltados para saúde, prevenção e direitos sexuais e reprodutivos e atuação em momentos de mobilização sobre violência urbana, direitos humanos e garantia de acesso à escola. Aos poucos, os projetos se tornaram parte fundamental de sua trajetória.
“O UNICEF me ensinou a olhar para a minha comunidade com a lente da transformação. Não como um lugar condenado, mas como um lugar cheio de potência, onde a gente pode e deve construir alternativas.”
A parceria com o UNICEF não se limitou às atividades pontuais, ela se tornou uma presença constante: “O UNICEF estava ali através da Agenda, acompanhando, incentivando, abrindo caminhos. Não era só o projeto em si, era saber que existia uma instituição internacional, gigante, confiando no que a gente podia construir em nosso território.”
Essa confiança fortaleceu sua atuação. Larissa passou a facilitar encontros, participar de debates públicos e contribuir para discussões sobre juventude nos espaços do UNICEF. “Cada vez que eu participava de alguma coisa, eu crescia um pouco. Ganhei segurança, conhecimento, maturidade e clareza sobre o meu papel”, conta.
Esse processo se aprofundou quando Larissa assumiu o papel de mentora do iComPop (Incubadora de Comunicação Popular), projeto do UNICEF implementado pela Bem.TV. Larissa explica como essa experiência transformou sua trajetória e reflete sobre a importância de participar de um projeto do UNICEF em seu território.
“Eu acredito que a minha percepção enquanto comunicadora mudou a partir do momento que eu assumi a mentoria da iComPop. Me fez me entender enquanto comunicadora popular, enquanto liderança do meu território. Me fez entender que eu tinha um papel na minha comunidade. Eu tive a oportunidade de me redescobrir, me reinventar”, conta.
Hoje, depois de tantos caminhos construídos, a jovem de 21 anos é estudante de comunicação social pela universidade Estácio de Sá, atua como estagiária de comunicação Defensoria Pública do Rio de Janeiro e no Centro de Promoção de Saúde (CEDAPS). Ela aponta que os projetos tiveram efeitos profundos em sua trajetória, criando redes de apoio, de afeto, trabalho e de construção política.
“Eu conheci pessoas que mudaram minha forma de viver e de pensar. Gente que queria transformar junto, que tinha histórias parecidas com as minhas, que me fazia sentir parte de algo maior.”
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