“O terrorismo é uma ameaça transnacional, e nenhuma nação pode enfrentá-la sozinha”
Discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, na Quarta Conferência de Alto Nível de Combate ao Terrorismo, em Nova Iorque, em 29 de junho.
Excelências, Senhoras e Senhores,
Cada um e cada uma de vocês que estão aqui hoje tem um dever excepcional: ajudar a liderar a resposta global ao terrorismo.
Agradeço pelo seu compromisso e sejam bem-vindos às Nações Unidas.
Reunimo-nos em um momento de grave instabilidade:
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Os conflitos estão provocando crises energéticas, inflação e fome em todo o mundo.
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As temperaturas estão subindo.
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Milhões de pessoas estão deslocadas.
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E outros milhões enfrentam dificuldades econômicas.
Essas condições — de carência, fragilidade e desconfiança — são o ambiente ideal para o terrorismo prosperar.
Da África ao Sul da Ásia, passando pelo Oriente Médio, filiais da Al-Qaeda, do Da’esh e de outros grupos terroristas persistem.
Narrativas extremistas violentas – incluindo aquelas baseadas na xenofobia, no racismo e em outras formas de intolerância, ou em nome da religião ou da crença – representam ameaças internas mortais em muitos países.
Terroristas de todos os tipos estão se adaptando.
As novas tecnologias facilitam o financiamento e o recrutamento.
Redes criminosas aceleram o fluxo de dinheiro e armas, agora incluindo drones letais.
Conflitos armados contribuem para a erosão do Estado de Direito, levando a padrões generalizados de impunidade em muitas regiões afetadas.
Conhecemos muito bem as consequências brutais:
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Vidas interrompidas.
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Meios de subsistência destruídos.
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E comunidades divididas por gerações.
Mulheres e meninas são afetadas de forma desproporcional, já que os grupos terroristas utilizam a violência sexual e de gênero para controlar as populações, minar os laços comunitários, facilitar o recrutamento e gerar receita.
É por isso que as vítimas e sobreviventes devem permanecer no centro de tudo o que fazemos.
Excelências,
Este ano marca o vigésimo aniversário da Estratégia Global das Nações Unidas contra o Terrorismo – nosso quadro comum de ação e resultados.
Este marco é uma oportunidade para avaliar o progresso e fortalecer nossa determinação.
Gostaria de agradecer aos cofacilitadores, os Representantes Permanentes da Finlândia e de Marrocos, por conduzirem a nona revisão da Estratégia.
Olhando para o futuro, vejo quatro prioridades.
Primeiro, a prevenção.
Devemos abordar as condições e as injustiças que permitem que o terrorismo se enraíze.
Muitas pessoas enfrentam pobreza, discriminação, privação de direitos e violações de seus direitos.
Essas injustiças não justificam o terrorismo. Nada pode justificá-lo.
Mas elas podem criar vulnerabilidades que os grupos terroristas se apressam em explorar.
É por isso que promover o desenvolvimento sustentável e defender os direitos humanos são vitais para o combate ao terrorismo.
Na prática, isso significa ampliar as oportunidades econômicas; garantir maior inclusão para as minorias; possibilitar a participação significativa de mulheres e jovens; apoiar os esforços locais de construção da paz; e proteger o espaço cívico.
Um mundo mais igualitário é um mundo mais seguro. Esse é o poder da prevenção.
Segundo, a cooperação.
O terrorismo é uma ameaça transnacional, e nenhuma nação pode enfrentá-la sozinha.
A Estratégia Global de Combate ao Terrorismo tem sido nossa base há duas décadas.
E o Escritório das Nações Unidas de Combate ao Terrorismo, liderando o Pacto Global de Coordenação das Nações Unidas contra o Terrorismo, apoia os Estados-membros em seus compromissos.
Ao aprofundar a colaboração entre os Estados, podemos preencher lacunas críticas, aprimorar a capacitação e aproveitar a especialização uns dos outros.
Mas podemos ir além – trabalhando com parceiros que conhecem suas comunidades e suas necessidades.
Os jovens estão criando iniciativas de prevenção que repercutem entre seus pares.
As organizações da sociedade civil trazem conexões comunitárias confiáveis e conhecimento local que fortalecem nossa eficácia e legitimidade.
As vítimas compartilham testemunhos impactantes que desafiam as narrativas terroristas.
E o setor privado desempenha um papel crucial no compartilhamento de ideias e na proteção das tecnologias que os terroristas buscam explorar.
Nossos aliados estão presentes em toda a sociedade – e, ao trabalharmos juntos, ampliamos nosso alcance e nossa legitimidade.
Terceiro, a tecnologia.
Os terroristas tornaram-se hábeis em explorar tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial, plataformas digitais e armas autônomas.
Essas ferramentas potencializaram sua capacidade de recrutar, financiar e planejar ataques.
Mas a tecnologia também oferece ferramentas poderosas para detectar ameaças precocemente, interromper o fluxo de ativos ilícitos e compreender os caminhos que levam à radicalização terrorista.
Com o Pacto para o Futuro e o Pacto Digital Global, os Estados-membros assumiram o compromisso de utilizar as ferramentas digitais em prol do bem público.
E o Painel Científico Internacional Independente sobre IA nos fornecerá informações ainda mais valiosas para orientar nosso trabalho.
Excelências,
Em quarto lugar, e o mais crucial de todos, nossos valores.
A experiência mostra que medidas antiterroristas severas ou inadequadas correm o risco de atiçar as chamas da divisão e fazer com que as pessoas percam a fé nas instituições que deveriam protegê-las.
Na pior das hipóteses, medidas que supostamente visam combater o terrorismo podem, na verdade, alimentar as condições propícias à radicalização e à violência.
É por isso que nossa resposta deve estar enraizada nos mesmos princípios que o terrorismo busca destruir:
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Justiça.
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Dignidade humana.
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E solidariedade.
Todos os nossos esforços devem estar firmemente baseados no Estado de Direito e nos direitos humanos.
E devem ser orientados por um envolvimento significativo com as pessoas e comunidades cujas vidas foram afetadas pelo terrorismo.
Manter-nos fiéis aos mais altos padrões é a forma de curarmos as feridas – e reconstruirmos a confiança onde ela foi quebrada.
Excelências,
O terrorismo está evoluindo, e nós também devemos evoluir.
Embora a tarefa que temos pela frente seja complexa, nosso rumo é claro.
Por meio da prevenção, da cooperação e do compromisso inabalável com os direitos humanos, podemos construir um mundo mais seguro, onde as pessoas em todos os lugares vivam livres do medo.
Obrigado.
Para saber mais, acesse a página da 4ª Conferência de Alto Nível dos Chefes das Agências dos Estados-membros de Combate ao Terrorismo e acompanhe a cobertura da ONU News em português sobre a Semana de Combate ao Terrorismo.