Mensagem do secretário-geral António Guterres sobre o 75º aniversário da Convenção de 1951 sobre Refugiados.
Há 75 anos, logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados assumiram uma promessa solene:
Que ninguém que fugisse da perseguição seria devolvido a um lugar onde sua vida ou liberdade estivessem ameaçadas por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política.
Por meio da Convenção de 1951 Relativa ao Estatuto dos Refugiados, os Estados conferiram a essa promessa força de lei. Desde então, ela salvou milhões de vidas e está entre as expressões mais claras de nossa humanidade comum.
Legenda: Na sede da ONU em Nova Iorque, o embaixador João Carlos Muniz, representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, assina a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, adotada pela Conferência de Plenipotenciários das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados e dos Apátridas, realizada em Genebra em julho de 1951. O secretário-geral adjunto do Departamento Jurídico da ONU, Constantin Stavropoulos (à esquerda), e Luiz Bastian-Pinto, da delegação brasileira na ONU, observam a cena.
Os conflitos se multiplicam, a perseguição persiste e um número cada vez maior de pessoas é forçado a fugir.
Enquanto isso, o direito de buscar asilo é frequentemente questionado, restringido ou negado.
A Convenção sobre Refugiados não é uma relíquia de outra época. Ela continua tão necessária hoje quanto quando foi adotada.
Não é um obstáculo a ser contornado, mas um alicerce a ser defendido — por meio do acesso à proteção, de procedimentos de asilo justos e humanos e do respeito total ao princípio da não-repulsão, tudo isso sem discriminação.
Isso também significa rejeitar políticas que externalizam as responsabilidades de proteção, ou que penalizam as pessoas por buscarem segurança, ou que condicionem a proteção à nacionalidade, religião, etnia ou rota de chegada.
Isso exige uma cooperação internacional genuína e a divisão de responsabilidades, incluindo o apoio aos países e comunidades — muitos deles com recursos limitados — que acolhem o maior número de refugiados.
A Convenção sobre os Refugiados nasceu do fracasso da humanidade em proteger as pessoas em seu momento de maior necessidade. Ao celebrarmos este 75º aniversário, não podemos correr o risco de repetir esse fracasso.
Faço um apelo a todos os Estados-membros para que renovem seu compromisso com a letra e o espírito da Convenção, escolhendo a solidariedade em vez da indiferença e a humanidade em vez do medo.