ONU alerta para riscos crescentes que crianças e jovens enfrentam no ambiente digital
13 agosto 2026
Lançado pelo Departamento de Comunicação Global da ONU às vésperas do Dia Internacional da Juventude (12 de agosto), o documento temático “Reforçando a Integridade da Informação: Crianças, Jovens e Integridade da Informação” alerta para os crescentes riscos da desinformação, discurso de ódio, manipulação algorítmica e inteligência artificial.
A ONU defende uma resposta urgente e coordenada para fortalecer a transparência, a educação midiática e a proteção de direitos das crianças e dos jovens no ambiente digital, ancorada nos Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação.
As Nações Unidas defendem que a integridade da informação se tornou uma questão central para a proteção dos direitos das crianças e dos jovens na era digital. Em novo relatório do Departamento de Comunicação Global, a ONU alerta que estas populações estão entre as mais conectadas do mundo e, simultaneamente, entre as mais expostas aos riscos associados à desinformação, ao discurso de ódio, à manipulação algorítmica e às novas tecnologias de inteligência artificial.
Segundo o documento temático “Reforçando a Integridade da Informação: Crianças, Jovens e Integridade da Informação”, publicado às vésperas do Dia Internacional da Juventude (12 de agosto), mais de 82% das pessoas jovens entre 15 e 24 anos utilizam a Internet, o que lhes proporciona oportunidades sem precedentes de aprendizagem, participação cívica e inclusão econômica. No entanto, a crescente dependência dos ambientes digitais faz com que os impactos negativos das plataformas online tenham consequências profundas no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das novas gerações.
A ONU identifica três grandes categorias de riscos para a integridade da informação:
- Riscos tecnológicos, relacionados com o uso abusivo de ferramentas digitais e inteligência artificial.
- Riscos de acesso e distribuição, ligados a algoritmos, desigualdades digitais e enfraquecimento do jornalismo independente.
- Riscos associados aos conteúdos, incluindo desinformação, assédio online e discurso de ódio.
Estes desafios afetam particularmente crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo competências críticas para interpretar e avaliar a informação que consomem.
O relatório destaca ainda o papel das grandes plataformas tecnológicas na criação de ambientes digitais desenhados para maximizar a atenção dos utilizadores. Modelos de negócio baseados na coleta de dados e na publicidade comportamental incentivam práticas que podem explorar vulnerabilidades psicológicas de menores, expondo-os a conteúdos extremos, mecanismos de dependência e estratégias de marketing altamente personalizadas.
Diante desse grave cenário, governos de várias regiões do mundo têm avançado com novas medidas regulatórias para reforçar a segurança online das crianças. Entre as propostas mais debatidas estão as restrições de idade para acesso às redes sociais. Contudo, especialistas em direitos da criança alertam que tais medidas, isoladamente, não resolvem o problema e podem até limitar o acesso a espaços digitais importantes para a educação, a socialização e o apoio emocional.
O documento dedica igualmente atenção ao crescente protagonismo dos jovens na esfera pública digital. Movimentos liderados por jovens utilizam plataformas online para mobilizar apoio em torno de temas como mudança climática, direitos humanos e combate à corrupção. Ainda assim, esses grupos enfrentam frequentemente campanhas de desinformação, vigilância, ataques coordenados e censura, o que reforça a necessidade de ambientes informativos mais seguros e transparentes.
Como resposta, a ONU propõe a aplicação dos seus cinco Princípios Globais para a Integridade da Informação:
- Fortalecimento da confiança social.
- Estabelecimento de incentivos saudáveis para as empresas de tecnologia.
- Capacitação pública.
- Promoção de meios de comunicação livres e independentes.
- Fortalecimento da transparência e de pesquisas.
O relatório defende que as crianças e os jovens devem ser vistos não apenas como usuários digitais que devem ser protegidos, mas também como participantes ativos na construção do ecossistema informativo.
Neste contexto, a ONU apela a uma ação coordenada entre governos, empresas tecnológicas, meios de comunicação, investigadores, organizações da sociedade civil e os próprios jovens. A ONU enfatiza que a participação significativa das novas gerações, aliada a políticas baseadas em evidência científica e no respeito pelos direitos humanos, será determinante para garantir que a transformação digital contribua para sociedades mais resilientes, informadas e democráticas.
Para saber mais, leia o novo documento temático em inglês e espanhol e acesse os Princípios Globais para a Integridade da Informação em português.
Campanha da ONU Brasil de combate à desinformação
Lançada em 23 de julho, a campanha digital #InformaçãoDeVerdade é uma iniciativa do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) voltada à promoção da integridade da informação e ao enfrentamento da desinformação e do discurso de ódio nas plataformas digitais.
Com duração de 12 semanas, a série publica conteúdos explicativos nas redes sociais da @onubrasil, abordando temas como desinformação, verificação de fatos, pensamento crítico e uso responsável das plataformas digitais. O objetivo é fortalecer a capacidade do público de identificar conteúdos enganosos, compreender os impactos da desinformação e navegar de forma mais segura no ambiente digital.
Ao apresentar conceitos e recomendações das Nações Unidas em linguagem acessível, a campanha #InformaçãoDeVerdade busca capacitar a população para avaliar criticamente as informações que consome e compartilha.
Para saber mais, siga @onubrasil nas redes sociais.