“A humanidade, a solidariedade e a esperança devem prevalecer”
19 agosto 2026
Discurso do secretário-geral António Guterres na cerimônia em memória ao 23º aniversário do ataque à sede da ONU em Bagdá, em 19 de agosto.
Caros colegas, queridos amigos e amigas,
Este é um dia de lembrança.
Lembrança dos 22 colegas das Nações Unidas que perderam a vida no atentado à nossa sede em Bagdá.
Lembrança dos muitos que ficaram feridos.
Lembrança de suas famílias e entes queridos, cuja dor nunca cessou.
E lembrança de todos e todas cujas vidas mudaram para sempre naquele dia terrível.
Vinte e três anos é muito tempo.
E, no entanto, para muitos de nós – especialmente os sobreviventes aqui presentes hoje – isso não parece nada distante.
No ano passado, tive a honra de visitar o memorial em Bagdá dedicado aos nossos colegas falecidos.
O Canal Hotel era um lugar repleto de pessoas movidas por uma convicção comum: que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, a humanidade, a solidariedade e a esperança devem prevalecer.
Entre aqueles que perdemos estava Sérgio Vieira de Mello, um notável servidor da paz.
Legenda: O secretário-geral Kofi Annan (à direita) em reunião com Sergio Vieira de Mello, Alto Comissário Adjunto do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em 14 de novembro de 1997.
Ao lado dele estavam mulheres e homens de coragem e dedicação excepcionais, de diversos países e origens, unidos pelo compromisso de servir aos outros.
Os seus legado perduram em cada trabalhador humanitário que presta assistência em meio a conflitos, desastres e desespero.
Em cada colega [das Nações Unidas] que atua longe de casa, em condições difíceis e perigosas.
E em cada ato de solidariedade com pessoas cujo sofrimento muitas vezes passa despercebido e cujas vozes [tão] frequentemente não são ouvidas.
Legenda: O secretário-geral António Guterres discursa na cerimônia em memória ao 23º aniversário do atentado à sede das Nações Unidas em Bagdá, em 19 de agosto de 2026.
Em todo o mundo, as trabalhadoras e trabalhadores humanitários enfrentam perigos cada vez maiores – são atacados, detidos, feridos e mortos.
Enquanto isso, as regras destinadas a proteger civis – incluindo o pessoal humanitário – estão sendo violadas com frequência alarmante e impunidade.
No entanto, apesar desses desafios, os humanitários continuam presentes.
Entram em áreas hostis e em conflitos ativos.
Chegam a comunidades que outros não conseguem alcançar.
Levam alimentos, medicamentos, proteção e abrigo.
E levam esperança.
Ao longo de muitos anos, e em muitos lugares, tive a oportunidade de ver esse espírito de perto.
É um dos maiores privilégios da minha vida servir ao lado deles e de todos e todas vocês.
Hoje, homenageamos aqueles que perdemos em Bagdá e todos os humanitários que fizeram o sacrifício máximo.
E assumimos um compromisso:
A todos aqueles que se dedicam aos outros, dediquemo-nos a eles.
Levemos adiante o exemplo deles.
Honremos os valores pelos quais eles viveram.
Defendamos os princípios aos quais eles se dedicaram.
E garantamos que os humanitários em todos os lugares sejam protegidos, apoiados e nunca esquecidos.
Legenda: O secretário-geral António Guterres participa da cerimônia de deposição de coroa de flores em memória ao 23º aniversário do atentado à sede das Nações Unidas em Bagdá.