Guterres: “Precisamos trabalhar juntos para promover a compreensão mútua”
Discurso do secretário-geral António Guterres na Conferência Global sobre Promoção do Diálogo Inter-Religioso e Intercultural e da Tolerância, em 17 de setembro
É uma grande honra para mim dar as boas-vindas a todos a esta Conferência Global sobre o Combate ao Discurso de Ódio.
A pauta de hoje reflete uma promessa expressa nas primeiras linhas da Carta das Nações Unidas.
Uma promessa de que “Nós, os povos”, iremos “praticar a tolerância e viver juntos em paz uns com os outros como bons vizinhos”.
Ao longo de oito décadas, nossa Organização tem se empenhado intensamente para cumprir esse compromisso:
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Buscando a resolução pacífica de disputas...
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Promovendo esforços para construir sociedades inclusivas e justas...
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Denunciando violações dos direitos humanos...
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E atuando como um fórum para o diálogo global — onde pessoas de todas as origens, culturas e crenças são acolhidas, ouvidas e valorizadas.
Mas o discurso de ódio sempre atuou contra essa visão.
E hoje, sua mensagem tóxica está se espalhando rapidamente e causando um impacto profundo.
Assumindo novas formas. Encontrando novos caminhos. E transformando novas tecnologias em armas, desde plataformas digitais e algoritmos até a inteligência artificial.
Seu alcance crescente está colocando à prova nossa humanidade comum.
Em todos os continentes, a retórica de ódio e incitação está minando a confiança, dividindo comunidades e desumanizando grupos inteiros.
Vemos pilares fundamentais de nossas sociedades — a saber, nossa capacidade de aceitação, empatia, compreensão e respeito pela diversidade — sendo atacados e enfraquecidos.
O racismo, a misoginia e a xenofobia estão sendo celebrados.
O antissemitismo, o ódio contra os muçulmanos, a discriminação contra comunidades cristãs minoritárias e o ódio contra outros grupos religiosos e étnicos são normalizados.
Os direitos humanos são violados.
E a dignidade humana é pisoteada.
Em suas piores formas, o discurso de ódio incita à violência, alimenta conflitos e contribui para a prática de crimes de atrocidade — incluindo genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e limpeza étnica.
Já vimos isso acontecer antes.
Vemos isso acontecendo agora.
E não podemos permitir que isso continue.
Excelências,
Devemos levantar nossa voz coletiva e rejeitar o ódio.
E devemos redobrar nossos esforços para combater o discurso de ódio, tanto online quanto offline.
Isso significa abordar as causas e os fatores subjacentes, bem como as consequências.
E significa fortalecer o diálogo entre nações, culturas e religiões.
Para dar frutos, esses esforços devem ser verdadeiramente inclusivos:
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Fundamentados no respeito e na equidade.
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Moldados por mulheres, homens e jovens.
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E abertos a líderes religiosos, tradicionais e comunitários, povos indígenas e grupos minoritários.
Seu conhecimento das realidades locais e a confiança entre as comunidades locais podem moldar comportamentos e narrativas ao longo de gerações, ajudando a amenizar tensões e a prevenir e resolver conflitos.
Combater narrativas de ódio e perigosas também requer educação…
Mais apoio às pessoas alvo de abusos…
Compromissos mais firmes por parte dos governos…
E maior responsabilização das empresas de tecnologia.
Deixem-me ser claro:
Combater o discurso de ódio não significa limitar a liberdade de expressão.
Mas a liberdade de expressão nunca deve ser uma desculpa para causar ou agravar danos.
Excelências,
Sabemos como impedir os danos causados pelo discurso de ódio.
E como abrir caminhos para o diálogo inter-religioso e intercultural.
Elogio os esforços para intensificar a ação coordenada em todo o sistema da ONU.
Em primeiro lugar, por meio da estratégia e do Plano de Ação da ONU sobre Discurso de Ódio, que define os princípios e compromissos fundamentais para orientar nossos esforços nas áreas de educação, parcerias, defesa de direitos e narrativas contrárias.
Fundamentalmente, ela se baseia nos direitos humanos internacionais — incluindo o direito à liberdade de opinião e expressão, e os princípios de igualdade e não discriminação.
E, em segundo lugar, por meio do Plano de Ação da ONU para Salvaguardar Locais Religiosos.
Também ancorado nos direitos humanos, ele apresenta recomendações concretas para apoiar os esforços dos Estados-membros no sentido de garantir que os locais religiosos estejam seguros…
Que os fiéis possam realizar seus rituais em paz…
E que os valores da compaixão e da tolerância possam florescer globalmente.
Juntos, esses planos fortalecem os esforços da ONU para combater a intolerância e promover a coexistência pacífica.
Mas não podemos vencer o discurso de ódio sozinhos.
Governos, organizações regionais e multilaterais, o setor privado e a sociedade civil — incluindo comunidades religiosas, a academia e a mídia — têm a responsabilidade compartilhada de ajudar a construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas.
Todas e todos nós temos um papel a desempenhar. Não há espectadores.
É por isso que venho até vocês hoje com uma mensagem urgente:
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Precisamos trabalhar juntos para promover a compreensão mútua.
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Para pôr fim aos trágicos ciclos de medo, ódio e violência.
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E para construir as sociedades coesas e estáveis previstas em nossa Carta.
Vamos enfrentar esse desafio.
E vamos cumprir nossa promessa comum às gerações atuais e futuras.
Obrigado.
Para saber mais, acesse as 10 Dicas das Nações Unidas para Combater o Discurso de Ódio e a página da campanha #InformaçãoDeVerdade, da ONU Brasil.