Notícias

Costa Rica recebe prêmio ambiental da ONU por combate às mudanças climáticas

23 setembro 2019

Vulcão na Costa Rica, país que venceu venceu prêmio ambiental da ONU na categoria Liderança Política. Foto: pixabay/InfiniteThought (CC)
Legenda: Vulcão na Costa Rica, país que venceu venceu prêmio ambiental da ONU na categoria Liderança Política. Foto: pixabay/InfiniteThought (CC)





A Costa Rica recebeu o prêmio Campeões da Terra de 2019, o maior prêmio ambiental da ONU, por seu papel na proteção da natureza e seu compromisso com políticas ambiciosas para o combate às mudanças climáticas.



A ONU Meio Ambiente reconheceu o país centro-americano na categoria Liderança Política, por seu plano detalhado para descarbonizar a economia até 2050. A iniciativa vai ao encontro das diretrizes do Acordo de Paris para o clima e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).



A expectativa é de que a Costa Rica sirva de modelo para que outros países reduzam as emissões que causam a rápida e desastrosa mudança climática. Para a ONU Meio Ambiente, ao colocar as preocupações ambientais no centro das políticas, o plano costarriquenho mostra que a sustentabilidade é economicamente viável.



"A Costa Rica tem sido pioneira na proteção da paz e da natureza, e é também um exemplo para toda sua região e para o mundo", disse Inger Andersen, diretora-executiva da ONU Meio Ambiente.



"A mudança climática exige ação urgente e transformadora de todos. Com seus planos ambiciosos para descarbonizar a economia, a Costa Rica está enfrentando esse desafio. As emissões globais estão atingindo níveis recordes e devemos agir agora e avançar para economias mais limpas e resilientes", acrescentou.



A necessidade de uma ação global urgente sobre mudanças climáticas é salientada na Cúpula de Ação Climática, realizada em Nova Iorque nesta segunda-feira (23). O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos líderes mundiais, empresas e sociedade civil ideias concretas sobre como reduzir as emissões em até 45% na próxima década e zerar as emissões até 2050, em linha com o Acordo de Paris e os ODS.



O Plano Nacional de Descarbonização da Costa Rica foi divulgado em fevereiro e inclui metas ousadas de médio e longo prazo para transformar o transporte, a energia, a geração de resíduos e o uso da terra. O objetivo é alcançar emissões líquidas zero até 2050, o que significa que o país não produzirá mais emissões do que aquelas que puder compensar por meio de ações como a manutenção e expansão de suas florestas.



Mais de 98% da energia da Costa Rica é renovável e sua cobertura florestal é superior a 53%, após um meticuloso trabalho para reverter décadas de desmatamento. Em 2017, o país bateu um recorde de 300 dias movido apenas a energia renovável. O objetivo é atingir 100% até 2030. Espera-se que 70% de todos os ônibus e táxis do país sejam elétricos até 2030, com total eletrificação projetada para 2050.



O papel inovador da Costa Rica na promoção de tecnologias limpas e sustentáveis é ainda mais notável diante do fato de que o país de cerca de 5 milhões de pessoas produz apenas 0,4% das emissões globais.



"Receber o prêmio Campeões da Terra em nome da Costa Rica, de toda sua população, das gerações passadas que protegeram o meio ambiente e das gerações futuras, me enche de orgulho e emoção pelo que a Costa Rica alcançou e pelo que podemos continuar fazendo. Podemos alcançar ainda mais. Me sinto muito orgulhoso de ser costarriquenho", disse o presidente Carlos Alvarado Quesada.



“Cerca de 50 anos atrás, o país começou a avançar uma série de políticas ambientais inovadoras porque o paradigma do desenvolvimento sustentável está muito presente no DNA dos costarriquenhos. O plano de descarbonização consiste em manter uma curva ascendente em termos de crescimento econômico do emprego e, ao mesmo tempo, gerar uma curva descendente no uso de combustíveis fósseis, a fim de parar de poluir. Como vamos conseguir isso? Por meio de transportes públicos limpos, cidades inteligentes e resilientes, gestão de resíduos; agricultura sustentável e melhor logística", disse ele.



O Prêmio Campeões da Terra reconhece as credenciais sustentáveis da Costa Rica e também destaca a necessidade urgente de encontrar soluções para a mudança climática. No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) descobriu que limitar o aquecimento global a 1,5° C exigiria mudanças sem precedentes para reduzir as emissões de carbono em 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, atingindo a neutralidade de emissões por volta de 2050.



O Campeões da Terra é o principal prêmio ambiental global das Nações Unidas. Foi criado pela ONU Meio Ambiente em 2005 para homenagear indivíduos de destaque cujas ações tiveram impacto positivo e transformador para o meio ambiente. De defensores ambientais a desenvolvedores de tecnologia, estas pessoas estão fazendo a diferença na proteção do nosso planeta para as próximas gerações.



A Costa Rica está entre os cinco Campeões da Terra este ano. As outras categorias são Visão Empreendedora e Ciência e Inovação. Os vencedores de 2019 serão homenageados durante a 74ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 26 de setembro de 2019, em Nova Iorque. Também serão homenageados no evento sete jovens empreendedores entre 18 e 30 anos, que levarão para casa o cobiçado prêmio Jovens Campeões da Terra.



Os vencedores anteriores da região incluem Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atual chefe de direitos humanos das Nações Unidas, por sua excelente liderança na criação de áreas marinhas protegidas e no impulso às energias renováveis (2017); Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil por sua liderança visionária e papel fundamental na reversão do desmatamento da Amazônia (2013); e José Sarukhán Kermez, ecologista mexicano, por uma vida de liderança e inovação na conservação da biodiversidade no México e no mundo (2016).

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa