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14 maio 2026
ONU Brasil lança Relatório Anual 2025
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Projeto Sertão Vivo levará resiliência climática a mais de 37 mil famílias no semiárido do Piauí
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Países definem ações para alimentar cidades frente ao desafio do clima e alta dos preços
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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14 maio 2026
ONU Brasil lança Relatório Anual 2025
O recém-lançado Relatório Anual das Nações Unidas destaca os principais resultados alcançados pelo Sistema ONU no Brasil ao longo de 2025. Por meio de planejamento integrado, coordenação interagencial e investimentos catalisadores, as 25 entidades da ONU atuaram em parceria com o Estado brasileiro e com os três níveis de governo para promover o desenvolvimento sustentável do país, considerando as necessidades específicas dos diferentes grupos populacionais e a proteção do meio ambiente.Em um ano de muito destaque internacional para o Brasil, com a Cúpula dos BRICS e a realização da COP30 na Amazônia, a ONU trabalhou incessantemente para apoiar o país e ajudou na formulação, aperfeiçoamento e implementação de 85 políticas públicas, além de 18 instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário.Seguindo as diretrizes do Marco de Cooperação, vigente de 2023 a 2027, ao longo de 2025 a ONU trabalhou em temas como direitos humanos, ação climática, combate à fome e à pobreza, comércio, justiça, prevenção de desastres e trabalho decente. Foram 338 iniciativas implementadas, às quais foram destinados US$ 213 milhões. Os benefícios alcançaram milhões de pessoas em todo o país. De acordo com a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, “o ano de 2025 marcou a consolidação do Sistema das Nações Unidas no Brasil como um parceiro estratégico, coerente e de alto valor agregado para o país, em um contexto nacional e internacional de elevada complexidade”. O relatório anual ressalta, além dos resultados, os desafios, a execução financeira, os principais doadores e os 253 parceiros que trabalham junto com o Sistema ONU para que o Brasil avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Apresenta, ainda, as principais conquistas de cada uma das 25 agências especializadas, fundos e programas da ONU que atuam no Brasil.Confira dez destaques de 2025:10 anos da Livres & Iguais no BrasilFundo Brasil-ONU para a Amazônia em açãoJovens indígenas ocupam redes da @ONUBrasilApoio aos BRICSPreparação da COP30Brasil fora do Mapa da Fome80 anos da ONUONU Brasil na COP30Revisão de meio termo do Marco de CooperaçãoEliminação da transmissão vertical do HIVMarco de CooperaçãoAssinado em 2023 com o Estado brasileiro, o Marco de Cooperação é o principal documento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação das ações da ONU no país. Ele organiza o trabalho das agências especializadas, fundos e programas das Nações Unidas com atuação no país em torno de cinco eixos temáticos:Transformação Econômica para o Desenvolvimento SustentávelInclusão Social para o Desenvolvimento SustentávelMeio Ambiente e Mudança do Clima para o Desenvolvimento SustentávelGovernança e Capacidades InstitucionaisRelação das Ações Humanitárias e de Desenvolvimento Sustentável Para saber mais, leia aqui o relatório completo e siga @onubrasil nas redes!Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
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07 maio 2026
Coordenadora residente da ONU no Brasil é homenageada no 29° Fórum de Governadores da Amazônia Legal
O reconhecimento à atuação da coordenadora residente em prol da Amazônia ocorreu durante o 29° Fórum de Governadores da Amazônia Legal, realizado pelo Consórcio Interestadual da Amazônia Legal no mês de março, em São Luís, Maranhão. O evento discutiu prioridades estratégicas e fortaleceu parcerias institucionais em torno da agenda amazônica. “Ao longo de sua missão no país, Silvia tem sido uma parceira essencial dos estados da Amazônia na construção de uma agenda comum voltada ao desenvolvimento sustentável da região”, afirmou a secretária executiva do Consórcio, Vanessa Duarte. “Seu trabalho incansável contribuiu para fortalecer o diálogo entre o Sistema das Nações Unidas, os governos estaduais, doadores internacionais e os todos os atores que atuam na Amazônia, aproximando ainda mais as prioridades da região das grandes agendas globais de clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável”, explicou.A tradicional carta dos governadores, que a cada Fórum explicita as prioridades comuns acordadas durante a reunião e que, tradicionalmente, leva o nome da cidade que sediou o encontro, recebeu um novo título. “Para que esse agradecimento fique registrado na história da nossa região, gostaríamos de dar um nome especial à Carta de São Luís deste ano, que passará a se chamar Carta Silvia Rucks”, informou Vanessa Duarte.ColaboraçãoONU e Consórcio trabalharam juntos ao longo dos últimos cinco anos para aproximar ainda mais a atuação dos estados amazônicos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O resultado mais palpável dessa colaboração foi o lançamento do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.Com uma doação do Canadá, os primeiros projetos financiados pelo Fundo começaram a ser implementados em 2025. No Maranhão, o projeto “Terras para Elas” procura garantir títulos de terra, capacitação sustentável e acesso a crédito a agricultoras. No Acre, o programa de resiliência socioambiental em áreas de proteção ambiental prioriza a restauração florestal e impulsiona a bioeconomia, a governança da terra e a conservação ambiental.O terceiro projeto, implementado por sete entidades da ONU, promove a redução da mortalidade materno-infantil, acesso à saúde reprodutiva, governança territorial e prevenção da violência para populações indígenas.“No último ano tive a honra de conhecer a implementação dos primeiros projetos do Fundo, e foi muito emocionante. O que vi vai além de propostas e documentos – é a esperança transformadora em movimento”, afirmou a coordenadora residente.Além das três iniciativas em andamento, foram lançados, em abril, dois novos projetos. O primeiro, “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia”, busca fortalecer cadeias produtivas de café e cacau, com foco em inclusão, sustentabilidade e igualdade de gênero. O segundo, “Promoção de Informação, políticas e educação no enfrentamento do crime ambiental na Amazônia Legal (INPOED)”, tem como objetivo principal, o combate ao crime ambiental. A experiência de conhecer a Amazônia, suas populações e ver de perto seus desafios e ideias inovadoras foi profundamente marcante para a coordenadora residente:“Ficou explícito que absolutamente qualquer solução para essa região tem que ter como princípio básico o foco nas pessoas, nas 29 milhões de pessoas que vivem, respiram e sonham nesse vasto território da Amazônia Legal”. Silvia Rucks destacou a importância da Amazônia Legal para cooperações institucionais e para o desenvolvimento de soluções sustentáveis. Ela finalizou seu discurso: “Registro aqui meu compromisso de que seguirei acompanhando vocês e defendendo o desenvolvimento sustentável da Amazônia qualquer que seja o meu destino.”Para saber mais, visite a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia e leia o discurso completo da coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.
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01 abril 2026
Fundo Brasil-ONU para Amazônia apresenta resultados e lança novos projetos com apoio do Canadá
O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia realizou nesta terça-feira (31/03), na sede da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília (DF), a quarta reunião de seu Comitê Diretor, apresentando resultados de três programas em andamento e anunciando dois novos projetos para áreas amazônicas.Participaram da reunião representantes da ONU Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), da Embaixada do Canadá, dos governos do Maranhão e de Rondônia, do Consórcio da Amazônia Legal e de diferentes agências, fundos e programas das Nações Unidas, além de instituições parceiras.
Durante a reunião, a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, destacou a importância da atuação conjunta de múltiplos parceiros: “O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia demonstra que, quando trabalhamos juntos, com visão compartilhada e compromisso genuíno, é possível transformar desafios complexos em oportunidades para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.”Novos projetosA reunião marcou o anúncio de dois novos programas apoiados pelo Fundo.O projeto “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia” tem o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas do café e do cacau no estado com foco em inclusão, sustentabilidade e igualdade de gênero. Liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e ONU Mulheres como agências implementadoras, a iniciativa será executada até dezembro de 2027, em parceria com o governo de Rondônia.O projeto combina ações de governança focadas em igualdade de gênero, capacitação técnica, produção sustentável e agregação de valor. Entre as atividades previstas estão o mapeamento de capacidades institucionais, treinamentos em governança e produção sustentável, criação de Unidades de Referência Tecnológica para cacau e café, fortalecimento de processos produtivos locais e apoio à formulação de políticas públicas inclusivas.O segundo programa aprovado, “Promoção de Informação, políticas e educação no enfrentamento do crime ambiental na Amazônia Legal (INPOED)”, será implementado nos estados de Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A proposta articula informação e fortalecimento institucional para apoiar respostas mais integradas ao crime ambiental em áreas amazônicas dos estados envolvidos.O projeto tem como objetivo enfrentar atividades ilegais e processos de degradação ambiental, com foco no combate ao desmatamento, às queimadas criminosas e à mineração ilegal. Ao mesmo tempo, busca responder à vulnerabilidade socioeconômica das populações afetadas, marcada por baixos índices de desenvolvimento e alta exposição à violência. A iniciativa também pretende superar lacunas na produção e integração de dados, promovendo maior interoperabilidade para apoiar decisões baseadas em evidências. Projetos em andamentoOs três programas em andamento são fruto do primeiro ciclo de doações do Fundo, com apoio do Governo do Canadá. Um deles é o programa “Proteção e promoção integral dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Bacia Amazônica Brasileira”. O programa é implementado por sete agências da ONU: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Internacional para as Migrações (OIM) e OPAS/OMS.A iniciativa atua nos biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado, assim como em Distritos Sanitários Especiais Indígenas, em parceria com os governos dos estados de Amazonas, Pará, Roraima, Acre, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. São executadas mais de 60 atividades em 6 eixos temáticos voltados para populações indígenas, incluindo refugiados e migrantes, com foco em redução da mortalidade materno-infantil e da desnutrição, acesso à saúde reprodutiva, governança territorial e prevenção da violência.O segundo programa apresentado durante a reunião, “Terras para Elas”, é implementado pela FAO em parceria com o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma). O objetivo é combater a desigualdade de gênero no campo e promover a regularização fundiária na Amazônia Legal, com foco em comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu, sertanejas, mulheres trans e grupos LGBTQIAPN+ rurais. O programa atua na regularização de 2.500 títulos de terra em nome de mulheres, capacitação de 5.000 mulheres em práticas sustentáveis e ampliação do acesso ao crédito para 1.250 beneficiárias.O terceiro projeto apresentado, “Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) – Igarapé São Francisco e Lago do Amapá”, é conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Acre (SEMA/AC) em parceria com a UNESCO. Com foco em restauração florestal, segurança hídrica e bioeconomia, o projeto trabalha para recuperar áreas degradadas, aprimorar infraestruturas de saneamento e fomentar práticas econômicas sustentáveis, com promoção da igualdade de gênero, participação de jovens e lideranças comunitárias.Além da apresentação dos projetos, o Comitê Diretor debateu temas operacionais e institucionais do Fundo.Sobre o FundoO Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é uma parceria entre o sistema das Nações Unidas no Brasil, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Brasileiro, criada para acelerar o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Seu foco é promover uma resposta coordenada para a região, com atenção especial aos grupos populacionais mais vulneráveis, apoiando iniciativas que gerem alternativas econômicas, protejam modos de vida e fortaleçam a segurança física, hídrica, energética, climática, sanitária e alimentar das populações amazônicas.O Fundo atua para fortalecer a governança territorial, combater atividades ilícitas, promover o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável, proteger ecossistemas e melhorar a qualidade de vida de populações locais vulneráveis. Os cinco projetos em execução foram viabilizados pela parceria e generosa doação do governo do Canadá.Para saber mais, acesse: https://brasil.un.org/pt-br/253597-fundo-brasil-onu-para-amazônia
Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
Durante a reunião, a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, destacou a importância da atuação conjunta de múltiplos parceiros: “O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia demonstra que, quando trabalhamos juntos, com visão compartilhada e compromisso genuíno, é possível transformar desafios complexos em oportunidades para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.”Novos projetosA reunião marcou o anúncio de dois novos programas apoiados pelo Fundo.O projeto “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia” tem o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas do café e do cacau no estado com foco em inclusão, sustentabilidade e igualdade de gênero. Liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e ONU Mulheres como agências implementadoras, a iniciativa será executada até dezembro de 2027, em parceria com o governo de Rondônia.O projeto combina ações de governança focadas em igualdade de gênero, capacitação técnica, produção sustentável e agregação de valor. Entre as atividades previstas estão o mapeamento de capacidades institucionais, treinamentos em governança e produção sustentável, criação de Unidades de Referência Tecnológica para cacau e café, fortalecimento de processos produtivos locais e apoio à formulação de políticas públicas inclusivas.O segundo programa aprovado, “Promoção de Informação, políticas e educação no enfrentamento do crime ambiental na Amazônia Legal (INPOED)”, será implementado nos estados de Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A proposta articula informação e fortalecimento institucional para apoiar respostas mais integradas ao crime ambiental em áreas amazônicas dos estados envolvidos.O projeto tem como objetivo enfrentar atividades ilegais e processos de degradação ambiental, com foco no combate ao desmatamento, às queimadas criminosas e à mineração ilegal. Ao mesmo tempo, busca responder à vulnerabilidade socioeconômica das populações afetadas, marcada por baixos índices de desenvolvimento e alta exposição à violência. A iniciativa também pretende superar lacunas na produção e integração de dados, promovendo maior interoperabilidade para apoiar decisões baseadas em evidências. Projetos em andamentoOs três programas em andamento são fruto do primeiro ciclo de doações do Fundo, com apoio do Governo do Canadá. Um deles é o programa “Proteção e promoção integral dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Bacia Amazônica Brasileira”. O programa é implementado por sete agências da ONU: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Internacional para as Migrações (OIM) e OPAS/OMS.A iniciativa atua nos biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado, assim como em Distritos Sanitários Especiais Indígenas, em parceria com os governos dos estados de Amazonas, Pará, Roraima, Acre, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. São executadas mais de 60 atividades em 6 eixos temáticos voltados para populações indígenas, incluindo refugiados e migrantes, com foco em redução da mortalidade materno-infantil e da desnutrição, acesso à saúde reprodutiva, governança territorial e prevenção da violência.O segundo programa apresentado durante a reunião, “Terras para Elas”, é implementado pela FAO em parceria com o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma). O objetivo é combater a desigualdade de gênero no campo e promover a regularização fundiária na Amazônia Legal, com foco em comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu, sertanejas, mulheres trans e grupos LGBTQIAPN+ rurais. O programa atua na regularização de 2.500 títulos de terra em nome de mulheres, capacitação de 5.000 mulheres em práticas sustentáveis e ampliação do acesso ao crédito para 1.250 beneficiárias.O terceiro projeto apresentado, “Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) – Igarapé São Francisco e Lago do Amapá”, é conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Acre (SEMA/AC) em parceria com a UNESCO. Com foco em restauração florestal, segurança hídrica e bioeconomia, o projeto trabalha para recuperar áreas degradadas, aprimorar infraestruturas de saneamento e fomentar práticas econômicas sustentáveis, com promoção da igualdade de gênero, participação de jovens e lideranças comunitárias.Além da apresentação dos projetos, o Comitê Diretor debateu temas operacionais e institucionais do Fundo.Sobre o FundoO Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é uma parceria entre o sistema das Nações Unidas no Brasil, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Brasileiro, criada para acelerar o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Seu foco é promover uma resposta coordenada para a região, com atenção especial aos grupos populacionais mais vulneráveis, apoiando iniciativas que gerem alternativas econômicas, protejam modos de vida e fortaleçam a segurança física, hídrica, energética, climática, sanitária e alimentar das populações amazônicas.O Fundo atua para fortalecer a governança territorial, combater atividades ilícitas, promover o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável, proteger ecossistemas e melhorar a qualidade de vida de populações locais vulneráveis. Os cinco projetos em execução foram viabilizados pela parceria e generosa doação do governo do Canadá.Para saber mais, acesse: https://brasil.un.org/pt-br/253597-fundo-brasil-onu-para-amazônia
Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
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23 abril 2026
ODS 18: Ministério da Igualdade Racial e ONU Brasil lançam Glossário de Termos
O Ministério da Igualdade Racial, em parceria com a ONU Brasil, lançou nesta terça-feira (22/04), em Brasília, o Glossário de Termos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 (ODS 18), ferramenta estratégica para apoiar a implementação, o monitoramento e a internacionalização da agenda de igualdade étnico-racial no país.Proposto pelo Brasil durante a 78ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2023, o ODS 18 coloca explicitamente o enfrentamento ao racismo e à discriminação étnico-racial no centro do desenvolvimento sustentável. A iniciativa responde a uma lacuna histórica dos ODS e busca enfrentar desigualdades que afetam, sobretudo, populações negras e indígenas.O Glossário do ODS 18 foi produzido para servir como um instrumento técnico e político que conecta a experiência brasileira aos debates globais sobre raça e etnia. O material reúne definições alinhadas a marcos internacionais de direitos humanos, contribuindo para qualificar o debate público.A publicação foi desenvolvida pelo Grupo Temático de Gênero, Raça e Etnia (GT-GRE) da ONU Brasil – co-liderado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e pela ONU Mulheres –, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial e o Observatório do ODS 18.A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou o caráter pioneiro e estratégico da iniciativa, como um recurso de qualificação do debate sobre o racismo a partir das políticas públicas executadas pelo Governo do Brasil dentro e fora do país e das discussões e acordos globais em torno do tema. “O Glossário do ODS 18 é mais um compromisso institucional com a qualificação e o aprofundamento dos termos e conceitos envolvendo a agenda da igualdade racial a nível global. É um ambiente direcionado para o progresso e avanços dos discursos e materialidade dos direitos das populações afrodescendentes, tradicionais e indígenas, bem como de fortalecimento transversal dessas relações étnico-raciais. Dessa forma, promovemos e valorizamos tecnologias, saberes e literaturas acadêmicas e culturais produzidas pelo povo negro”, destaca. De acordo com a representante do UNFPA no Brasil, Florbela Fernandes, “este glossário é mais do que um documento técnico – é uma ferramenta de incidência que fortalece a capacidade do país de implementar o ODS 18 com base em conceitos sólidos e alinhados internacionalmente, reforçando o compromisso de não deixar ninguém para trás”.Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, o lançamento marca um avanço importante na consolidação da agenda: “O racismo e a discriminação racial estão entre os principais obstáculos a um desenvolvimento sustentável que seja, de fato, inclusivo e justo no Brasil, na América Latina e em diversas outras regiões do mundo. É justamente por isso que um ODS voltado especificamente à igualdade étnico-racial é tão necessário e tão relevante", afirmou.O lançamento da publicação ocorre em um momento estratégico, marcado pela Segunda Década Internacional de Afrodescendentes (2025-2034), pelo Abril Indígena e pela preparação para a 1ª Conferência Nacional dos ODS, a ser realizada em junho. O Glossário, que terá tradução para inglês, reforça o protagonismo brasileiro na promoção da igualdade étnico-racial no âmbito da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.Acesse o Glossário aqui. ContextoNo Brasil, as pessoas negras representam quase 56% da população, mas seguem expostas a desigualdades estruturais em praticamente todos os indicadores sociais. Quase 70% dos jovens que não estudam nem trabalham são negros, e o risco de homicídio para eles é quase três vezes maior. As desigualdades também se refletem na insegurança alimentar, na saúde materna e na gravidez na adolescência.A expectativa é que o Glossário contribua para fortalecer capacidades institucionais, ampliar o diálogo entre os diferentes atores envolvidos e apoiar a implementação efetiva do ODS 18 em todo o país, consolidando o Brasil como referência internacional na promoção da igualdade étnico-racial.A elaboração do documento contou com a colaboração de diversas agências do Sistema ONU no Brasil, além de especialistas do Ministério da Igualdade Racial e do Observatório do ODS 18, refletindo um esforço coletivo que envolve governo, academia e sociedade civil. Essa articulação é essencial para transformar dados em políticas públicas e compromissos em mudanças concretas.Assista à gravação do evento de lançamento do Glossário do ODS 18, realizado em 22 de abril de 2026 Para mais informações, siga @unfpabrasil, @onumulheresbr e @onubrasil nas redes! Contatos para a imprensa: Luiza Olmedo, Oficial de Comunicação & Advocacy, UNFPA: luolmedo@unfpa.org Pedro Nogueira, Oficial de Comunicação, ONU Mulheres Brasil: pedro.nogueira@unwomen.org Luís Felipe Sardenberg, Oficial de Comunicação, OPAS/OMS: cunhaslui@paho.org
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30 abril 2026
Brasil e OIT fortalecem a cooperação Sul–Sul na economia de cuidado
O governo do Brasil e o Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil lançaram novo projeto para promover o intercâmbio de conhecimentos e apoiar o desenvolvimento e fortalecimento de políticas de cuidado em países do Sul Global.Desenvolvido no âmbito do Programa de Cooperação Sul–Sul Brasil–OIT “Justiça Social para o Sul Global”, o projeto tem como objetivo fortalecer o intercâmbio de conhecimentos para formulação de políticas públicas, programas e iniciativas que ampliem o direito ao cuidado às pessoas que dele necessitam e às pessoas que cuidam, ao mesmo tempo em que promovam a igualdade de gênero e o trabalho decente.O projeto foi lançado em Brasília pela diretora regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Ana Virgínia Moreira Gomes, pelo ministro em exercício do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Osmar Júnior, e pela Responsável pela CSS trilateral da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Cecília Malaguti.“A Cooperação Sul–Sul não se limita ao intercâmbio de experiências entre países do sul global. Trata-se também de se construir uma agenda regional compartilhada para promover o trabalho decente e a justiça social para todas as pessoas”, afirmou a diretora regional da OIT. “Ao aprenderem uns com os outros, os países podem cocriar soluções que respeitem os contextos nacionais, ao mesmo tempo em que avançam o direito ao cuidado para todos. Isso está alinhado à plataforma Global South4Care.”
Para o ministro em exercício Osmar Júnior, a cooperação internacional tem sido um pilar fundamental para a construção e implementação da Política e do Plano Nacional de Cuidados. “Este acordo é mais um marco fundamental nesse sentido. Não apenas reforça nosso compromisso com o direito ao cuidado em nosso país, mas também possibilita um rico intercâmbio entre países sobre experiências de cuidado", afirmou. “Juntos, com nossos parceiros, estamos construindo soluções coletivas que beneficiarão nossas populações e fortalecerão nossas políticas sociais de cuidado”, completou. “A pauta de cuidados é prioritária para o governo do Brasil. Nesse sentido, a ABC está atualmente engajada em trabalhar economia do cuidado, tanto pelo viés da promoção do trabalho decente, em parceria com a OIT, quanto pelo viés de gênero, apoiando a territorialização da política nacional de cuidados ao mesmo tempo que promove trocas qualificadas com países do Sul global, em parceria com ONU Mulheres”, ressaltou Cecília Malaguti.Uma abordagem horizontal para os desafios globaisO projeto intitulado “Políticas de Cuidado na América Latina: Cooperação Sul–Sul ” conecta o Brasil a países parceiros da América Latina e do Caribe que enfrentam desafios semelhantes, incluindo o envelhecimento populacional, altos níveis de informalidade e a distribuição desigual do trabalho de cuidado não remunerado.Ao reconhecer desafios estruturais comuns, a iniciativa promove o intercâmbio direto de conhecimentos entre os países da região.O projeto será implementado durante o biênio 2026–2027 e reunirá países da América Latina e do Caribe. A iniciativa incluirá diálogos sobre políticas públicas, missões técnicas e oficinas regionais. Esse projeto surge como uma continuidade do trabalho que já vem sendo desenvolvido em parceria pelas duas organizações, no âmbito do projeto “Promovendo a Justiça Social e a Igualdade de Gênero por meio de Políticas Inovadoras de Cuidados”.Impulsionar mudanças por meio da Cooperação Sul–SulA iniciativa se baseia nos avanços institucionais recentes do Brasil, especialmente na Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), para apoiar o desenvolvimento de políticas na região. O objetivo do projeto é apoiar países parceiros a fortalecerem marcos legais, mecanismos de governança e modelos de financiamento para políticas de cuidado.A iniciativa também envolverá parceiros de desenvolvimento e instituições regionais para promover o intercâmbio de conhecimentos e o fortalecimento de capacidades.O projeto está estruturado em quatro pilares:Identificação dos países e/ou grupo de países interessados em aderir à iniciativa;Implementação dos projetos-país e atividades de cooperação Sul-Sul em uma ou mais áreas pré-estabelecidas;Promoção de encontros regionais com países envolvidos nos temas do projeto;Sistematização das experiências desenvolvidas no projeto de forma a fortalecer as capacidades para a promoção da cooperação técnica entre países em desenvolvimento. Além das fronteiras: um modelo para o Sul GlobalO projeto reflete a estratégia da OIT sobre Cooperação Sul–Sul e Trilateral, que reconhece a capacidade do Sul Global de impulsionar a inovação no mundo do trabalho.Ao promover esses intercâmbios, o programa busca garantir que as lições aprendidas contribuam para o desenvolvimento de normas do trabalho regionais e internacionais. Espera-se que a iniciativa produza ferramentas práticas e orientações de políticas que possam ser adaptadas em outros países do Sul Global.Essa parceria destaca o compromisso do Governo do Brasil e da OIT em enfrentar o déficit de cuidados por meio de abordagens coordenadas e sustentáveis.Sobre a parceria Brasil–OITLançado em 2009, o Programa de Cooperação Sul–Sul Brasil–OIT tem sido exemplo de cooperação internacional para o desenvolvimento há mais de 15 anos. A iniciativa promove parcerias na América Latina, África e Ásia para avançar a Agenda de Trabalho Decente, a proteção social e os direitos fundamentais no trabalho.O ciclo atual do programa (2023–2027), intitulado “Justiça Social para o Sul Global”, concentra-se em quatro áreas prioritárias: eliminação do trabalho infantil e do trabalho forçado, segurança e saúde no trabalho, igualdade de gênero e racial, e sistemas de proteção social.
Contato para Imprensa:
- Denise Marinho: santosd@ilo.org, imprensa_brasilia@ilo.org, (61) 2106-4625
Para mais informações, visite a página da OIT .
Para o ministro em exercício Osmar Júnior, a cooperação internacional tem sido um pilar fundamental para a construção e implementação da Política e do Plano Nacional de Cuidados. “Este acordo é mais um marco fundamental nesse sentido. Não apenas reforça nosso compromisso com o direito ao cuidado em nosso país, mas também possibilita um rico intercâmbio entre países sobre experiências de cuidado", afirmou. “Juntos, com nossos parceiros, estamos construindo soluções coletivas que beneficiarão nossas populações e fortalecerão nossas políticas sociais de cuidado”, completou. “A pauta de cuidados é prioritária para o governo do Brasil. Nesse sentido, a ABC está atualmente engajada em trabalhar economia do cuidado, tanto pelo viés da promoção do trabalho decente, em parceria com a OIT, quanto pelo viés de gênero, apoiando a territorialização da política nacional de cuidados ao mesmo tempo que promove trocas qualificadas com países do Sul global, em parceria com ONU Mulheres”, ressaltou Cecília Malaguti.Uma abordagem horizontal para os desafios globaisO projeto intitulado “Políticas de Cuidado na América Latina: Cooperação Sul–Sul ” conecta o Brasil a países parceiros da América Latina e do Caribe que enfrentam desafios semelhantes, incluindo o envelhecimento populacional, altos níveis de informalidade e a distribuição desigual do trabalho de cuidado não remunerado.Ao reconhecer desafios estruturais comuns, a iniciativa promove o intercâmbio direto de conhecimentos entre os países da região.O projeto será implementado durante o biênio 2026–2027 e reunirá países da América Latina e do Caribe. A iniciativa incluirá diálogos sobre políticas públicas, missões técnicas e oficinas regionais. Esse projeto surge como uma continuidade do trabalho que já vem sendo desenvolvido em parceria pelas duas organizações, no âmbito do projeto “Promovendo a Justiça Social e a Igualdade de Gênero por meio de Políticas Inovadoras de Cuidados”.Impulsionar mudanças por meio da Cooperação Sul–SulA iniciativa se baseia nos avanços institucionais recentes do Brasil, especialmente na Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), para apoiar o desenvolvimento de políticas na região. O objetivo do projeto é apoiar países parceiros a fortalecerem marcos legais, mecanismos de governança e modelos de financiamento para políticas de cuidado.A iniciativa também envolverá parceiros de desenvolvimento e instituições regionais para promover o intercâmbio de conhecimentos e o fortalecimento de capacidades.O projeto está estruturado em quatro pilares:Identificação dos países e/ou grupo de países interessados em aderir à iniciativa;Implementação dos projetos-país e atividades de cooperação Sul-Sul em uma ou mais áreas pré-estabelecidas;Promoção de encontros regionais com países envolvidos nos temas do projeto;Sistematização das experiências desenvolvidas no projeto de forma a fortalecer as capacidades para a promoção da cooperação técnica entre países em desenvolvimento. Além das fronteiras: um modelo para o Sul GlobalO projeto reflete a estratégia da OIT sobre Cooperação Sul–Sul e Trilateral, que reconhece a capacidade do Sul Global de impulsionar a inovação no mundo do trabalho.Ao promover esses intercâmbios, o programa busca garantir que as lições aprendidas contribuam para o desenvolvimento de normas do trabalho regionais e internacionais. Espera-se que a iniciativa produza ferramentas práticas e orientações de políticas que possam ser adaptadas em outros países do Sul Global.Essa parceria destaca o compromisso do Governo do Brasil e da OIT em enfrentar o déficit de cuidados por meio de abordagens coordenadas e sustentáveis.Sobre a parceria Brasil–OITLançado em 2009, o Programa de Cooperação Sul–Sul Brasil–OIT tem sido exemplo de cooperação internacional para o desenvolvimento há mais de 15 anos. A iniciativa promove parcerias na América Latina, África e Ásia para avançar a Agenda de Trabalho Decente, a proteção social e os direitos fundamentais no trabalho.O ciclo atual do programa (2023–2027), intitulado “Justiça Social para o Sul Global”, concentra-se em quatro áreas prioritárias: eliminação do trabalho infantil e do trabalho forçado, segurança e saúde no trabalho, igualdade de gênero e racial, e sistemas de proteção social.
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- Denise Marinho: santosd@ilo.org, imprensa_brasilia@ilo.org, (61) 2106-4625
Para mais informações, visite a página da OIT .
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História
08 maio 2026
“É garantir que a mulher esteja no centro das decisões, com respeito às suas escolhas”
Natural de Roraima, Andrêza Trajano descobriu a profissão ao se mudar para São Paulo e integrar a primeira turma de obstetrizes da Universidade de São Paulo, em 2004. Depois de formada, ela construiu uma trajetória em que passou por hospitais, casas de parto, comunidades indígenas na Amazônia e, desde 2015, por missões humanitárias em países como Etiópia e Sudão. Ela viu o modelo humanizado de saúde materna funcionar em diferentes partes do mundo.Em contextos com menos recursos, ela viu como o cuidado baseado em vínculo e em práticas essenciais, pode salvar vidas. Já nas comunidades indígenas, encontrou modelos que integram saberes tradicionais e atenção à saúde. “Esses saberes, transmitidos entre gerações, seguem sendo fundamentais em territórios onde o acesso ao sistema de saúde é limitado, embora ainda enfrentam desafios de reconhecimento institucional.” A experiência de Andrêza sustenta sua defesa por uma reforma obstétrica no Brasil: uma reorganização do cuidado a partir das evidências e do protagonismo das gestantes. “Cuidar do parto é cuidar de um processo, não de uma doença. Quando a gente organiza o sistema dessa forma, os resultados são melhores.”De profissional à pacienteEm Boa Vista, a enfermeira obstétrica Andressa Menescal Coelho viveu esse modelo também como paciente. Acompanhada durante toda a gestação por uma equipe com quem já trabalhava, teve seu filho em casa, em um parto pélvico, situação que frequentemente leva à cesariana no modelo tradicional.“Durante todo o processo, eu me senti muito acolhida e cuidada. Na hora do parto, eu não era a profissional, eu era a mulher parindo.” A experiência traduz o que essas profissionais defendem: vínculo, confiança e participação ativa da mulher nas decisões.Em outra realidade, na comunidade de Bacuri, no Amazonas, Ranega Marques aprendeu o ofício com a avó, parteira tradicional, e hoje atua no fortalecimento dessas mulheres em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.Durante a pandemia, ela acompanhou o parto de gêmeos, de uma gestante que vivia em uma comunidade isolada. A mãe, contaminada com COVID-19, faleceu antes de chegar ao hospital, mas, com apoio das parteiras da comunidade de Ranega, que ficava no caminho para o atendimento médico, os bebês sobreviveram. “Foi muito difícil, mas mostrou a importância das parteiras onde o acesso à saúde é limitado”, conta. Para ela, o maior desafio ainda é o reconhecimento:“Muitas vezes, esse conhecimento não é respeitado fora das comunidades. Por isso, trabalhamos para mostrar que ele é eficaz e essencial.”Do pré-natal ao pós-parto: acompanhamento contínuoEssa visão é compartilhada por Luciane d’Ávila, presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo), que atua na articulação para fortalecer esses profissionais no sistema de saúde.Para ela, o diferencial está no cuidado contínuo: do pré-natal ao pós-parto, e na atenção não apenas aos aspectos clínicos, mas também emocionais e sociais. Esse modelo permite identificar precocemente riscos, oferecer mais informação às gestantes e reduzir intervenções desnecessárias, especialmente em casos de gravidez de risco habitual.Luciane explica que se trata de uma condição de cuidado: “é garantir que a mulher esteja no centro das decisões, com respeito às suas escolhas, baseadas em evidências científicas, independentemente de o parto ser vaginal ou cesáreo”.“Fortalecer esses profissionais é fortalecer o próprio sistema de saúde”, afirma. Nos últimos anos, políticas como a Rede Cegonha e a Rede Alyne ajudaram a ampliar o acesso ao pré-natal, incentivar boas práticas e fortalecer centros de parto normal. Ainda assim, “o país enfrenta desafios para reduzir de forma consistente a mortalidade materna, o que reforça a necessidade de ampliar a formação desses profissionais e sua inserção na atenção primária à saúde”, defende Luciane. O Brasil reduziu de forma significativa a mortalidade materna nas últimas décadas. Em 1990, eram 104 mortes por 100 mil nascidos vivos. Em 2024, esse índice já havia caído para 59,7, abaixo da meta global do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3: Saúde e Bem-Estar, mas ainda distante da meta nacional adotada pelo país, de 30 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos até 2030. Avanços foram realizados em investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), na ampliação do pré-natal e em políticas públicas voltadas à saúde materna. Um caminho que vem ganhando força é o do cuidado liderado por obstetrizes e enfermeiras obstétricas.Internacionalmente, esse campo é conhecido como midwifery, e as profissionais são chamadas de midwives, termo que se refere a quem acompanha a mulher ao longo da gestação, do parto e do pós-parto, com cuidado contínuo e baseado em evidências. No Brasil, essas profissionais têm formações diferentes: a obstetriz tem formação direta na área, enquanto a enfermeira obstétrica se especializa após a graduação em enfermagem. Ambas têm competências equivalentes no cuidado ao parto de risco habitual.Elas atuam com o mesmo princípio: acompanhar a gestação, o parto e o pós-parto com base em evidências, garantindo cuidado contínuo, próximo e centrado na mulher. Parteiras tradicionais também integram esse modelo, especialmente em comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, onde o acesso aos serviços de saúde é mais limitado.Segundo estudo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), essas profissionais podem prover cerca de 90% dos cuidados essenciais em saúde materna e neonatal. Ampliar sua presença é uma das estratégias mais eficazes (e custo-efetivas) para melhorar resultados e fortalecer o sistema de saúde.Para saber mais, siga @unfpabrasil nas redes e visite a página do UNFPA Brasil sobre parteiras: https://brazil.unfpa.org/pt-br/topics/parteiras
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História
07 maio 2026
“Me dá paz e tranquilidade vê-lo com tanta saúde”
Quem vê Frank Davi brincando com os irmãos, correndo e jogando bola, não imagina que antes dos dois anos de idade o menino lutou pela própria vida. Filho de pai e mãe venezuelanos, o segundo brasileiro da família nasceu durante a pandemia, um ano depois da família deixar a vida na Venezuela para viver no Brasil. Foi em um barraco na ocupação Balança - um assentamento formado de maneira improvisada, sem planejamento ou autorização oficial - na região de fronteira, que Frank nasceu e cresceu. Foi ali que a equipe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) o encontrou.Com desnutrição grave e pneumonia, o caso precisava de intervenção urgente. Com o apoio de uma agente comunitária de saúde do município, Frank Davi recebeu o atendimento que precisava. “Davi estava em um estado muito delicado. Não tinha forças para firmar a cabeça, não conseguia correr. Eu tinha que ficar com ele no colo o dia inteiro”, explica Isadora Indira, mãe do menino. “Ele só queria dormir. Estava sempre sonolento. E isso era o que mais me entristecia”, diz. Com o diagnóstico de desnutrição, equipes que fazem parte da estratégia de ação conjunta entre UNICEF e ADRA voltaram à casa da família todas as semanas até a plena recuperação de Davi, em junho de 2025.“Eles estavam sempre aqui, pesando, medindo e acompanhando o desenvolvimento dele”, contou Isadora, que também recebeu orientações da equipe sobre como ministrar o alimento terapêutico e sobre a importância do acompanhamento médico no posto de saúde. “Eu sabia que nada de ruim aconteceria com ele, porque estava engordando. Eu via que ele estava recuperando o peso, via seu semblante mudando. Me dá paz e tranquilidade vê-lo com tanta saúde.” UNICEF em AçãoDesde 2018, o UNICEF tem sido um parceiro estratégico na resposta ao fluxo migratório da Venezuela em Roraima, atuando lado a lado com o Governo Federal por meio da Operação Acolhida. Na área de saúde e nutrição, o UNICEF atuou em 22 ocupações espontâneas em Pacaraima, fortalecendo ações de promoção da saúde e da nutrição voltadas a crianças refugiadas e migrantes na fronteira entre Brasil e Venezuela.Nas ocupações, o trabalho do UNICEF em parceria com a ADRA é caracterizado pela busca ativa, que consiste em ir de casa em casa para identificar proativamente crianças com sinais de desnutrição. Cinthia Martins, especialista em nutrição do UNICEF, ressalta a importância do protocolo de atendimento: "A partir do momento que a criança apresenta sinais de desnutrição, ela passa pelo atendimento de uma nutricionista da nossa equipe e, de acordo com o diagnóstico, ela é encaminhada para o atendimento em uma Unidade Básica de Saúde para acompanhamento", afirma.Para continuar prestando apoio e suporte em saúde, superando barreiras linguísticas, culturais e logísticas de acesso, o UNICEF conta com o apoio financeiro do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO, na sigla em inglês), e outros parceiros. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes.
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História
05 maio 2026
Superando os percursos interrompidos: os caminhos para Vitória
Vitória Rodrigues, que vem de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, região periférica do estado, e hoje mora na Pavuna, transformou a própria experiência de deslocamento diário em pauta pública. A partir das horas gastas em ônibus e trens, a jovem passou a refletir sobre mobilidade urbana, desigualdade e direito à cidade. Hoje, articula projetos de comunicação e incidência política que nasceram de iniciativas apoiadas pelo UNICEF e seguem inspirando outras juventudes a repensar o espaço urbano de forma mais justa e inclusiva. Atualmente, Vitória é estudante de Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. A relação com os problemas de mobilidade e acesso à cidadeA experiência cotidiana de deslocamento e as desigualdades do espaço urbano se transformaram em ponto de partida para a trajetória de Vitória, que, desde cedo, compreendeu como a mobilidade, ou a falta dela, molda, na prática, a vida das pessoas nas periferias.“Eu pego o ônibus para estudar desde o meu sexto ano. Morava em São João e ia para a Pavuna. Então, desde que eu tenho 11 anos, eu sei o que é passar 1 hora por dia indo e voltando”, relembra a estudante. Dados de 2024 do relatório global de transporte público do Moovit demonstram que essa é uma realidade comum. Segundo o levantamento, o Rio de Janeiro está entre as cidades com maior tempo médio de deslocamento no país: cerca de 58 minutos por trajeto.“Acredito que a internet pode ser um lugar importante pra gente pautar a justiça social”Foi da rotina de longos deslocamentos diários pela cidade que surgiu o interesse de Vitória em falar sobre mobilidade urbana e acesso à cidade, temas que mais tarde dariam origem ao projeto Cidades Pra Gente, que conta com dois perfis em redes sociais, no Instagram e no TikTok, que, juntos, somam mais de 23 mil seguidores e mais de 1 milhão de visualizações.Os perfis, segundo a ativista, foram criados para ampliar o debate sobre o tema. “Eu criei a conta para falar sobre o meu bairro, para que diferentes pessoas pudessem ouvir, porque nem todo mundo está tão acostado a ler artigos de opinião.” A internet como um espaço de disputa de narrativasA ideia, segundo ela, era usar a internet como espaço de promoção de justiça social. “Eu queria documentar, mostrar, porque acredito que a internet pode ser um lugar importante pra gente pautar a justiça social e não necessariamente só futilidades, as quais eu adoro assistir também, mas eu também acho que a internet é um lugar de debate.”Com o tempo, os vídeos começaram a ganhar alcance e inspirar novas iniciativas. “Não esperava nada disso, e agora, quase três anos depois, existe, por exemplo, o movimento Metrô Justo por causa dos vídeos. Então, tem um baita alcance e chega nas pessoas, e eu não esperava.”Para alcançar mais pessoas nas redes, a comunicadora apostou em um formato de conteúdo menos familiar, a transição da escrita para o audiovisual que, segundo ela, foi desafiadora. “Eu escrevo desde muito nova, então, quando me deparei com os vídeos, foi um grande desafio, porque não dá pra começar um texto da mesma forma que se começa um vídeo. O vídeo precisa ser mais simples, começar com alguma provocação, porque você está disputando atenção com muitos outros conteúdos.”No processo, Vitória conta que aprendeu a equilibrar forma e conteúdo. “É um exercício de usar palavras mais fáceis, frases mais curtas, construções que engajem. Acho que a diferença do vídeo é que eu tento mexer com as emoções das pessoas, porque quero que elas se sintam engajadas a fazer alguma coisa, mesmo que seja só sentir raiva. Eu quero que as pessoas sintam algo, e a partir disso elas podem buscar a teoria. Quase como uma facilitadora desse sentimento, é um trabalho contra a apatia.”Participante do Movimento Metrô Justo, iniciativa que busca ampliar o debate sobre transporte público e pressionar por melhorias no sistema metroviário do Rio de Janeiro, Vitória conta mais sobre a iniciativa. “Desde o ano retrasado, a gente faz ações voltadas a pensar o metrô e agora estamos desenvolvendo uma pesquisa de opinião com os usuários.”A aproximação com o UNICEF: “O UNICEF foi o meu início de vida ativa na sociedade civil. Eu já me entendia como uma pessoa inconformada, mas foi ali que tudo começou de forma mais estruturada”A relação de Vitória com o UNICEF começou ainda na adolescência, em 2019, a partir de um contexto difícil. “Quando eu entrei no ensino médio, que foi na Fiocruz, foi um lugar que eu desejei muito estar, porque eu estudei muito para poder passar naquela prova e ainda ser sorteada. Mas logo na minha primeira semana de aula eu comecei a ser afetada por tiroteios que aconteciam ali em Manguinhos e na Maré. A Fiocruz é rodeada por favelas, e operações policiais aconteciam o tempo todo”, lembra. O medo de chegar à escola começou a afetar sua saúde mental e a despertar um senso de urgência sobre o tema da violência nos territórios. Foi nesse período que um amigo seu, que fazia parte do Parlamento Jovem Brasileiro, a incentivou a se envolver no projeto. “Tenho um amigo que fazia parte do Parlamento Jovem e tinha criado um projeto de lei. Eu vi aquilo e pensei: ‘Eu também quero fazer parte disso, quero ir pra Brasília e quero escrever uma lei sobre o que tá pegando aqui no meu coração’”, conta.A ideia virou ação. “Decidi que ia fazer um projeto de lei sobre violência urbana nas escolas, porque era o que eu estava vivendo ali. Comecei a conversar com meus professores e um deles falou: ‘Por que você não procura quem entende do assunto?’. Fui até o Ministério Público e aí me veio o estalo: ‘Por que não escrever para o UNICEF?’”.O e-mail enviado por Vitória foi respondido com um convite: “Eu não só fui respondida, como fui convidada a participar de um grupo de jovens que se chamava Jovens com UNICEF, que se encontrava sempre. Eu entrei lá de paraquedas e comecei a frequentar os encontros, que eram excelentes.”A partir dessa aproximação, a jovem integrou o programa Chama na Solução, uma parceria entre o UNICEF e a Viração Educomunicação, voltada à formação de jovens lideranças e à criação de soluções locais para desafios urbanos e sociais. “O UNICEF foi o meu início de vida ativa na sociedade civil. Eu já me entendia como uma pessoa inconformada, mas foi ali que tudo começou de forma mais estruturada”, afirma. Dessa experiência nasceu o projeto Ini.se.ativa, que oferece ferramentas e formações de impacto social e empreendedorismo para jovens no Rio de Janeiro.Essa relação com o UNICEF continua até hoje. Recentemente, Vitória participou de uma mesa no evento de lançamento do estudo Percursos Interrompidos: Efeitos da violência armada na mobilidade de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro. A pesquisa é uma iniciativa do UNICEF, em aliança global com a Fundação Abertis e com a colaboração de sua filial no Brasil, a Arteris, além da parceria com o Instituto Papo Reto e o Instituto Fogo Cruzado.Próximos trajetosApesar das dificuldades de conciliar trabalho, estudos e militância, Vitória segue comprometida em transformar o cotidiano urbano a partir da ação coletiva. “Meus planos para o futuro são conseguir gravar vídeos com mais frequência, mas também entender melhor as dinâmicas de violência na cidade. Quero abordar isso de forma mais madura e continuar perto dos movimentos que lutam pelo direito à cidade: O Metrô Justo, a Casa Fluminense, o Fórum de Mobilidade Urbana, o Tarifa Zero RJ, o Meu Rio, o Observatório dos Trens. Eu quero seguir junto das pessoas, porque, como dizem, se você quer ir mais rápido, vai sozinho, mas se quer ir mais longe, vai junto”.Priorizando a coletividade, sua atuação é movida por uma visão afetiva e política do território. “Acho que meu ativismo é movido pelas frustrações com as desigualdades da cidade e pelo desejo de transformar essa raiva em ação, em amor e pertencimento. Quero que algum dia a gente tenha orgulho de morar nesse lugar sem tantas dores. Que as pessoas tenham sorrisos no rosto indo e voltando do trabalho, que possam escolher seus caminhos: Se vão de bicicleta, de trem ou de barca pra Baixada. E que essas estradas não sejam impostas, mas escolhidas”.Mais do que uma pauta, a mobilidade urbana e o direito à cidade é, para Vitória, um espelho das possibilidades de uma cidade mais justa. “Quero ver pessoas felizes, adoro ver gente feliz. E com direito à cidade, dá pra gente ver pessoas felizes”, conclui.Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes!
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História
21 abril 2026
“No que a sociedade joga fora, encontro pedras preciosas todos os dias”
Em um galpão de 1.580 metros quadrados no Jardim Matarazzo, na zona leste de São Paulo, aproximadamente 100 pessoas trabalham diariamente com um grande volume de materiais recicláveis. Garrafas PET, papéis, plásticos em geral, vidros e muitos outros itens chegam ao espaço e passam por diferentes etapas até serem encaminhados à indústria.As equipes se revezam na triagem, separação e prensagem. O ruído das máquinas é constante e acompanha toda a rotina, enquanto fardos de papel, plástico e metal circulam pelo galpão, organizando o fluxo de trabalho. O ambiente é dinâmico e exige atenção, agilidade e coordenação entre os trabalhadores.Ali funciona uma das unidades da Cooperativa Rainha da Reciclagem, e todo o trabalho é acompanhado pela presidente, Elinéia Jesus, mais conhecida como Pastora Néia. Ela percorre o galpão, orienta os cooperados e verifica o andamento das atividades. Em seguida, segue para o escritório, onde estão expostos certificados nacionais e internacionais conquistados ao longo dos 10 anos de atuação.Entre os reconhecimentos, ela destaca um em especial, vindo dos próprios cooperados: o agradecimento pela reinserção social. Cerca de 30 trabalhadores do local viviam em situação de vulnerabilidade ou enfrentavam dependência química e são atendidos em uma casa de reabilitação ligada a cooperativa.Todo esse trabalho tornou-se referência para a Prefeitura de São Paulo e para a atualização do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS) da capital, atualmente em desenvolvimento pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Mas, para compreender melhor a cooperativa, é preciso conhecer a trajetória de sua fundadora, marcada por dor, lutas e superação. Do abandono à liderançaElinéia Jesus nasceu em 1974, na Bahia, no povoado de Mandacaru, próximo a Feira de Santana. Vivia com quatro irmãos, criados apenas pela mãe, Jolina Gomes de Jesus. Devido às dificuldades financeiras, aos 3 anos foi entregue aos cuidados de uma tia. Permaneceu com ela até os 10 anos, quando foi encaminhada para outra família como empregada doméstica. Ficou dois anos nessa condição, quando se casou e foi para a cidade de Cruz das Almas, também na Bahia. Entretanto, sua vida conjugal foi marcada por violência.No casamento, teve o primeiro filho aos 15 anos e o segundo aos 16. Após a segunda gravidez, saiu da relação e voltou à casa da mãe. Em uma difícil situação financeira, tomou a dolorosa decisão de deixar as crianças em Mandacaru e seguir para a cidade de Monte Mor, no estado de São Paulo. Ela confiou na promessa de um homem que lhe ofereceu melhores condições de vida no sudeste do país. Ao chegar, descobriu se tratar, na verdade, de um trabalho escravo de prostituição.“Eu tive a minha juventude toda roubada. Abuso em cima de abuso. Quando consegui colocar um ponto final, o homem que me explorava fez da minha vida um inferno. Eu não tinha para onde ir. Saí de casa com a roupa do corpo.”Aos 18 anos, fugiu e passou a viver em um local de comércio de drogas. Se envolveu com o tráfico e, aos 22 anos, foi presa. No cárcere, conheceu membros da comunidade Congregação Cristã no Brasil e, aos poucos, se converteu à fé cristã. Aos 23 anos, deixou o presídio e conseguiu um emprego de auxiliar de cabeleireira na cidade de Campinas, em São Paulo.Entretanto, ela estava sem contato com seus filhos desde o dia em que se despediu de Mandacaru. Com apoio do salão onde trabalhava, retornou à cidade natal e teve uma triste surpresa: devido às condições financeiras da mãe, as crianças tinham sido entregues aos cuidados de outras famílias. Depois de uma intensa procura, Elinéia conseguiu localizar os filhos, então com 8 e 9 anos, e levou-os para morar com ela em Monte Mor.Aos 33 anos, já em Itaquaquecetuba, também em São Paulo, teve sua terceira filha, prematura de sete meses. Porém, a sequência de tormentos continua: uma enchente atinge sua casa e ela perde tudo o que tem. “Voltei à estaca zero. Chorava todos os dias e perguntava a Deus até quando iria sofrer. Cheguei ao ponto de abraçar meus três filhos e pedir: Deus, nos leve. Eu não aguento mais.” Além disso, sua filha mais nova sofre uma hemorragia, ficando em estado grave. Elinéia se apega ainda mais à sua fé enquanto tem o consolo de ver a recuperação da bebê. A partir do episódio, se torna pastora evangélica e passa a ser conhecida como Pastora Néia.Com isso, ela passou a organizar grupos para distribuir comida a pessoas em situação de rua na região central de São Paulo. Com o passar do tempo, se muda para um imóvel em Itaquera, na zona leste da cidade, no Conjunto Habitacional José Bonifácio, popularmente conhecido como Cohab 2. Ali, acolhe 18 pessoas em situação de vulnerabilidade social.Posteriormente, com o apoio de lideranças comunitárias, ela vai o bairro do Jardim Pantanal, também na zona leste de São Paulo, e cria o projeto social Guerreiros de Deus, voltado ao auxílio de pessoas com dependência química. A renda para manter o projeto vem da venda de itens como balas, água e sacos de lixo; do salário de Elinéia no salão e de doações de moradores e comércios locais. Porém, as dificuldades financeiras permanecem.O ponto de virada aconteceu quando ela recebeu de um hotel itens aparentemente sem valor, como mesas quebradas e geladeiras sem motor. Uma das pessoas atendidas no projeto social tem uma ideia inesperada: instala rodas em uma das geladeiras, passa a recolher materiais descartados pelas ruas e revender em pontos de compra de recicláveis. Apesar da desconfiança inicial, o resultado é surpreendente.“O rapaz conseguiu uma quantia significativa. Eu nunca imaginei que a venda de resíduos pudesse gerar renda. Já no primeiro dia das vendas, conseguimos até comprar carne. Normalmente, só comíamos itens mais baratos.”A experiência motivou Elinéia a formar equipes para a coleta de resíduos no bairro, como papelão e garrafas PET. O grupo chegou a recolher até uma tonelada por dia. O êxito da iniciativa a levou a profissionalizar as atividades, e assim nasceu a associação de catadores Rainha da Reciclagem. Com o crescimento das atividades, o grupo buscou regularização junto à Prefeitura de São Paulo para poder se tornar uma cooperativa, enquanto Elinéia se capacitava por meio de cursos de gestão.As etapas de formalização foram concluídas em março de 2016, e a associação se tornou a Cooperativa Rainha da Reciclagem, que permanece vinculada ao projeto social Guerreiros de Deus, permitindo que pessoas em processo de recuperação de dependência química consigam trabalho e reinserção social.Além dessas conquistas, Elinéia realizou um sonho que mantinha desde a infância: oferecer conforto e dignidade a mãe. Atualmente, Jolina Gomes de Jesus, com 93 anos, sofre de Alzheimer e vive em Feira de Santana, na Bahia, com todos os seus cuidados garantidos pela filha, que a visita regularmente.“Eu sempre sonhei em voltar para a Bahia e dizer à minha mãe que venci. Quando o Alzheimer se manifestou, fui a primeira filha a ser esquecida. Mesmo assim, no fundo do meu coração, tenho certeza de que ela se lembra de mim.” O trabalho da Rainha da ReciclagemA cooperativa Rainha da Reciclagem possui duas unidades, localizadas nos municípios de São Paulo, com 100 cooperados, e de São Vicente, com 54 cooperados. A organização também integra uma rede de 29 unidades habilitadas junto à Prefeitura de São Paulo, por meio do programa SP Coopera, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. A iniciativa municipal busca fortalecer as cooperativas por meio de ações de qualificação, além de suporte técnico, jurídico e financeiro e outras frentes de apoio.A unidade paulistana realiza a triagem e o tratamento dos resíduos recicláveis coletados na região sudeste do município pela Ecourbis, uma das concessionárias responsáveis pelo manejo de resíduos sólidos urbanos da cidade. Mensalmente, são processadas cerca de 350 toneladas de resíduos.Já a unidade de São Vicente mantém um acordo com a prefeitura local para a execução da coleta seletiva em todo o município, processando cerca de 200 toneladas de resíduos mensalmente.“Após anos de trabalho e dedicação, é extremamente satisfatório podermos ter esse impacto ambiental nas cidades em que atuamos. Também somos procurados por grandes empresas e indústrias em busca de soluções para a gestão de seus resíduos”, afirma Elinéia. Referência para políticas públicasAs boas práticas da cooperativa despertaram a atenção da equipe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), que atua junto à Prefeitura de São Paulo na elaboração da nova versão do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS).O plano irá orientar o planejamento, a implementação e o monitoramento da gestão de resíduos na capital nas próximas duas décadas. Entre os principais eixos estão o fortalecimento das cooperativas de catadores, a ampliação e a qualificação da coleta seletiva, a redução da destinação de resíduos a aterros e a promoção da economia circular.Em março de 2025, a equipe do ONU-Habitat realizou uma visita à cooperativa para conhecer melhor sua gestão e atividades, que serviram de referência para o diagnóstico do PGIRS. A visita contou com representantes do Comitê Intersecretarial da Política Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (CGIRS) da Prefeitura de São Paulo.Entre os destaques observados está a infraestrutura, com esteiras, prensas, balanças e outros equipamentos que contribuem para a triagem e o processamento dos materiais recicláveis. Os recursos permitem a otimização dos fluxos operacionais, o aumento da produtividade e a melhoria das condições de trabalho dos cooperados. Após a triagem, os resíduos são armazenados em espaços específicos e devidamente identificados.“O trabalho social na cooperativa e sua estrutura operacional demonstram como inclusão produtiva e eficiência caminham juntas, promovendo geração de renda, organização dos processos e melhores condições de trabalho”, afirma o coordenador de programas do ONU-Habitat, Luiz Gustavo Vilela, responsável pela frente do PGIRS.Outros pontos fortes da cooperativa são a governança, que conta com um conselho fiscal responsável por acompanhar e fiscalizar a gestão financeira e administrativa, e a preocupação com o futuro dos cooperados, evidenciada pelo incentivo à contribuição para a previdência social.“Ver a Rainha da Reciclagem sendo reconhecida pela Prefeitura de São Paulo, dentro de um plano tão importante como o de resíduos sólidos, é algo que emociona muito”, comenta Elinéia. “Isso mostra que, quando a gente une fé, ação social e cuidado com o meio ambiente, a transformação é real. Deus vai levantar muitos projetos a partir disso, e muitas vidas serão restauradas.”A relevância das cooperativas como agentes ambientais e econômicos em política de resíduos encontra respaldo em dados robustos. De acordo com o Anuário da Reciclagem do Instituto Pragma, que reúne informações de 2.941 organizações de catadores e catadoras em todo o país, em 2023 foram recolhidas 1,77 milhão de toneladas de materiais recicláveis, o que resultou na redução de 876,3 mil toneladas de emissões de CO₂.Do ponto de vista econômico, essas organizações faturaram R$ 1,53 bilhão no mesmo período, o que corresponde a uma média de R$ 553,8 mil de faturamento anual por organização.Para Gustavo Rabello, analista de políticas públicas e gestão governamental da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, envolvido na coordenação do PGIRS, as cooperativas de catadores são peças centrais da política de resíduos sólidos. “Pretendemos contar com um PGIRS que amplie o apoio a essas organizações, qualificando a coleta seletiva, fortalecendo a estrutura das cooperativas e promovendo a economia circular, de forma a tornar a cidade mais sustentável.”Além do plano de resíduos sólidos, o ONU-Habitat também apoia a Prefeitura de São Paulo na elaboração do Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado (PMSAI), instrumento estratégico que orientará as políticas públicas de saneamento no município.O PMSAI abordará, de forma integrada, os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo de águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, com foco na universalização do acesso, na sustentabilidade ambiental e na melhoria da qualidade de vida da população.Inovar sem perder o olhar humanoEm 2026, as ações socioambientais da Rainha da Reciclagem avançaram para um novo patamar. A cooperativa passou a integrar um projeto que oferece recompensas para que a população descarte materiais de forma correta.Trata-se do “Re.Cicle+”, iniciativa liderada pela empresa Walquiria Re.Cicle+. Inaugurado no bairro da Vila Silvia, na zona leste de São Paulo, o espaço recebe as quatro principais categorias de resíduos recicláveis (plástico, vidro, metal e papel), além de eletrônicos e óleo de cozinha, e remunera a população com créditos que podem ser utilizados como preferir, por meio de um cartão do projeto.No “Re.Cicle+”, a cooperativa é responsável pela operação, pela aquisição de materiais de trabalho, pelo cadastro de catadores e moradores e pela logística dos materiais recebidos. Para Elinéia, o projeto desempenha uma importante função de educação ambiental, pois leva a população a compreender sua responsabilidade na cadeia de gestão de resíduos da cidade. “Muitas pessoas consomem e acreditam que, depois do descarte, o resíduo deixa de ser um problema seu. Mas todos têm de entender que ele continua sendo até chegar ao local adequado”, afirma.Seja quando fala sobre projetos para o futuro, revisita a própria trajetória ou reflete sobre sua vida como pastora, líder de projetos sociais e presidente da Cooperativa Rainha da Reciclagem, Elinéia sempre ressalta não apenas o potencial econômico e ambiental da gestão de resíduos sólidos, mas também seu papel social, por ser, para muitas pessoas, a única forma de acesso ao mercado de trabalho e à melhoria das condições de dignidade.Ao falar sobre esse impacto, ela costuma sintetizar sua visão em uma frase que se tornou seu lema: “No que a sociedade joga fora, encontro pedras preciosas todos os dias.”Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes! Contatos para a imprensa: Alex Gomes, ONU-Habitat Brasil: alex.gomes@un.orgAléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.org
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História
07 abril 2026
O que nos une: memórias de casa
Partir muitas vezes significa o que levar e o que deixar para trás. Ainda assim, alguns objetos, sejam pequenos, pessoais, frequentemente inesperados, atravessam fronteiras, carregando consigo o peso de um lar. Com o tempo, esses objetos passam a oferecer algo constante: um senso de familiaridade, um vínculo com aquilo que ficou para trás, uma forma de se agarrar a algo enquanto todo o resto muda. Para Juan Iván Espinoza Varela, esse objeto era um rádio. Aos 64 anos, ele deixou a Nicarágua, seguindo rumo ao norte pelo México em busca de um futuro melhor. Meses depois, voltou atrás, atravessando a pé a Ponte Rodolfo Robles, em Tecún Umán, entre a Guatemala e o México. Uma história entre muitas, cada uma carregada à sua maneira.No chiado do rádio Durante oito meses, Juan viveu nas ruas, aceitando qualquer trabalho que conseguia encontrar, até não conseguir mais continuar. Sua casa já havia sido vendida após a morte de sua esposa, e ele havia perdido o contato com os filhos, que agora vivem nos Estados Unidos. No caminho, alguém lhe deu um antigo rádio gravador. Ele o guardou consigo. Nas noites longas, o aparelho preenchia o silêncio. Nos dias difíceis, trazia uma sensação de companhia. Enquanto fazia o caminho de volta para casa, o rádio permaneceu ao seu lado, como um lembrete de que a gentileza existe, mesmo nos lugares mais remotos. O que a agulha guarda na memória Anna carrega o lar nas mãos. Em um pequeno quarto em Martin, na Eslováquia, ela passa horas bordando, costurando cenas coloridas que lhe lembram a vida que deixou para trás, na Ucrânia. É um processo lento e repetitivo, que traz uma sensação de cotidiano e familiaridade em meio a um tempo marcado pela incerteza. O bordado tornou-se mais do que um passatempo. Cada peça guarda fragmentos de memória, de lugares, de momentos e de uma identidade que o deslocamento não conseguiu apagar. Por meio do seu trabalho, Anna cria algo estável e seu, uma pequena ponte entre onde está agora e de onde veio. A música encontra o caminho de volta Mohammad cresceu com a música. Quando criança, aprendeu a tocar oud e ney, e mais tarde, passou a se apresentar com o irmão. A música fazia parte da vida cotidiana, o que moldou a sua visão de mundo. Por meio do programa Melodias Migrantes da OIM, na Turquia, ele voltou à música, desta vez aprendendo a tocar bağlama. O que retomou foi mais do que um instrumento. Tornou-se uma forma de se reconectar consigo mesmo e com os outros, transformando algo do seu passado em uma fonte de conforto, propósito e pertencimento. Entre dois lugares Quando Yalethe deixou a Venezuela, há sete anos, levou apenas o que conseguia carregar. Entre seus pertences estava uma rede, algo que sabia que iria precisar. Ela a acompanhou na travessia da fronteira com o Brasil, tornando-se um lugar para sentar, dormir e descansar, quando não havia mais quase nada. Em Boa Vista (RR), Yalethe e o marido encontraram abrigo temporário na casa de um amigo, um espaço que aos poucos se transformou em acolhimento para outras pessoas que chegavam sem ter para onde ir. Anos depois, a rede ainda está lá, exatamente como ela a trouxe ao cruzar a fronteira pela primeira vez: um lugar de descanso e uma lembrança de tudo o que sustentou ao longo do caminho. Uma amiga durante a noite “Ela é minha amiga, e tem medo de ficar sozinha”, diz Abeer, de sete anos, deslocada na Cidade de Gaza. Enquanto sua família fugia, Abeer segurava seu bichinho de pelúcia com força, recusando-se a deixá-lo para trás. Ela o trouxe consigo porque é sua “amiga”, a única coisa que ainda lhe parece familiar. Sua irmã, Nada, também tem um: grande, branco e fofinho. Após mais de dois anos de deslocamento, medo e perdas, esses brinquedos se tornaram mais do que simples objetos de brincar. Eles oferecem conforto, uma sensação de segurança e algo firme a que se agarrar em um mundo que mudou ao redor delas. Um pequeno jardim de outro lugar Em um abrigo temporário em El Progreso, Honduras, Elia permanece junto à janela, mantendo perto de si as plantas que trouxe. São coisas simples, mas que a fazem lembrar de casa, da vida que deixou para trás depois da Tempestade Tropical Sara. Cuidar delas lhe dá algo familiar a que se apegar. Em um lugar que ainda parece provisório, esses pequenos cuidados a ajudam a construir um espaço que se pareça um pouco mais com seu. O peso do orgulho Quando Valentina deixou sua casa na Ucrânia, não sabia por quanto tempo ficaria longe nem do que iria precisar. Ficou horas diante da mala, sem conseguir decidir o que levar. No fim, colocou nela as medalhas da filha. Elas marcavam anos de esforço e conquistas, momentos que ela acompanhou com orgulho, da escola à universidade. Valentina as levou consigo ao fugir para a Moldávia, chegando à margem esquerda do rio Nistro apenas alguns dias após o início da guerra. “Quando cheguei e finalmente abri minha mala, as medalhas estavam logo em cima”, conta ela. “Minha filha olhou para elas, surpresa, e perguntou: ‘Mãe, foi isso que você escolheu trazer com você?’ Então ela começou a chorar.”Ainda estou aqui Na vila de Sa’dah, em Anbar, no Iraque, Afif Wahesh segura uma antiga fotografia de equipe, observando rostos conhecidos de outro tempo. Encontrada entre os escombros do Fórum da Juventude de Sa’dah, antes o coração da vida comunitária, a imagem guarda memórias de uma vila que já foi vibrante e cheia de vida. Depois de retornar em 2018, Afif ajudou a reconstruir o espaço, mantendo a fotografia como lembrança de que, mesmo após anos de conflito e deslocamento, a história da comunidade permanece. A forma do conforto Karina tinha 10 anos quando ganhou dos pais o brinquedo de pelúcia. Ela o chamou de Vasya. Mais de duas décadas depois, ele ainda está com ela. Quando sua família deixou a Ucrânia em 2014, à medida que a situação na região se tornava cada vez mais insegura, ela fez as malas às pressas. Entre as poucas coisas que escolheu levar, Vasya foi a primeira. Desde então, ele viajou com ela por vários países da Europa, incluindo a Polônia, onde ela vive há 11 anos. A cada mudança, a cada novo começo, ele permaneceu como uma constante e uma lembrança de casa transportada através das fronteiras. Uma xícara de café Em Obock, no Djibuti, Zinach está sentada entre outras mulheres enquanto o café é preparado e servido, seu aroma se espalhando pelo ar. No centro, a cerimônia segue passos familiares: pequenas xícaras organizadas, mãos se movendo em ritmo, a jebena colocada no centro. Para Zinach, isso é mais do que uma rotina. “Eu adoro as cerimônias do café com as mulheres daqui”, diz ela. “Isso me faz lembrar de casa.” A ausência das coisas Noor Ahmad passou 26 anos no Irã, onde mantinha uma pequena loja. Após perder o pai, voltou-se para a cura com cristais, uma terapia alternativa na qual acredita ser possível restaurar o equilíbrio por meio da energia das pedras. Hoje, usa um anel com pedras incrustadas, uma das poucas coisas que conseguiu manter consigo após retornar ao Afeganistão com quase nada para reconstruir a própria vida. “Agora não tenho nada — nem ferramentas, nem pedras, nem um lugar para morar”, diz ele. Sobre a OIM: Estabelecida em 1951, a OIM, Agência da ONU para as Migrações, é o principal organismo intergovernamental no campo da migração. A OIM está presente no Brasil desde 2016. O trabalho da OIM tem como foco os seguintes três objetivos:Salvar vidas e proteger pessoas em movimento: para cumprir esse objetivo, a OIM coloca em primeiro lugar a segurança, dignidade e proteção das pessoas, nos contextos de resposta a crises mais desafiadores no mundo.Impulsionar soluções para o deslocamento: em resposta a esse objetivo, a OIM se esforça para reduzir os riscos e impactos da mudança do clima, degradação ambiental, conflitos e instabilidade de comunidades afetadas por ou em risco de deslocamento.Facilitar vias para a migração regular: para abordar essa meta, a OIM prioriza abordagens que abranjam de forma total o governo e a sociedade para conectar de forma segura pessoas, bens, serviços, conhecimentos e inovação.Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM no Brasil: https://brazil.iom.int/pt-br
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Notícias
13 maio 2026
Projeto Sertão Vivo levará resiliência climática a mais de 37 mil famílias no semiárido do Piauí
Mais de 37 mil famílias rurais de 90 municípios do estado do Piauí fortalecerão seus meios de vida, sua capacidade de geração de renda e de enfrentamento às mudanças climáticas graças ao projeto Sertão Vivo; um investimento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), em colaboração com o Governo do Estado do Piauí, que integra um modelo de investimento em larga escala para ampliar o impacto no Semiárido brasileiro e que inicia hoje sua implementação também no Piauí.“O Sertão Vivo demonstra o valor dos investimentos em larga escala que conectam sustentabilidade ambiental à geração de renda das famílias rurais, especialmente em contextos de alta vulnerabilidade climática”, afirmou Hardi Vieira, coordenador do Programa Nacional do FIDA no Brasil.No Piauí, o projeto possui três linhas prioritárias de atuação: a implementação de sistemas produtivos resilientes, como modelos agroecológicos que combinam produção e conservação; a ampliação do acesso à água, por meio de soluções de captação, armazenamento e uso eficiente adaptadas às condições de seca; e o fortalecimento das cadeias produtivas locais. Esta última frente facilitará assistência técnica, fomentará o cooperativismo e contribuirá tanto para a profissionalização dos agricultores familiares quanto para a expansão de atividades econômicas sustentáveis no território. Entre as principais intervenções destacam-se a implantação de sistemas agroflorestais, que melhoram a fertilidade do solo e ampliam o armazenamento de carbono, e a adoção de tecnologias sociais para a gestão da água, que permitem a cultivos e rebanhos resistirem a padrões irregulares de chuva e períodos prolongados de seca.Para o FIDA, este projeto representa um avanço estratégico na promoção de soluções sustentáveis para a agricultura familiar no Brasil. Além disso, representa um exemplo de seu novo modelo operacional, que mobiliza financiamento em larga escala de diversas fontes para multiplicar o impacto de investimentos voltados ao meio ambiente e à adaptação às mudanças climáticas, com o objetivo de impulsionar a prosperidade rural por meio da melhoria da renda e da resiliência das famílias.O Sertão Vivo conta com cofinanciamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Verde para o Clima (GCF), e destinará R$ 150 milhões (US$ 30,3 milhões) para promover práticas agrícolas resilientes. A execução entre 2025 e 2031 é coordenada pela Secretaria de Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (SADA) e pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), em colaboração com as comunidades locais.O Sertão Vivo, que iniciou sua implementação no estado do Ceará em 2024, já opera em estados como Bahia, Ceará, Paraíba e Sergipe, com um investimento total superior a R$ 1 bilhão (US$ 202 milhões) para alcançar 250 mil famílias rurais.Há mais de 40 anos, o FIDA atua no Brasil em parceria com governos estaduais e federal, organizações da sociedade civil, universidades e outros parceiros para promover um desenvolvimento rural sustentável e inclusivo. Os investimentos seguem impulsionando a agricultura familiar, ampliando o acesso à água e fortalecendo a resiliência das comunidades do Semiárido nordestino.O FIDA consolidou-se como a principal instituição financeira internacional que investe no nordeste brasileiro, especialmente no campo do desenvolvimento rural. Entre 2025 e 2030, o Fundo duplicará seus investimentos no meio rural brasileiro, alcançando US$ 1,1 bilhão, com o objetivo de apoiar 1 milhão de pessoas no país por meio de uma nova carteira de projetos de desenvolvimento.Nota aos editores:O escritório regional do FIDA para a América Latina e o Caribe opera na Cidade do Panamá, de onde o Fundo lidera a gestão de programas de desenvolvimento rural, financiamento e apoio às comunidades rurais da região.Contato Regional LAC: Ana Lucía Llerena | a.llerenavargas@ifad.orgContato Brasil: Justina Tellechea | j.tellechea@ifad.orgO FIDA é uma instituição financeira internacional e um organismo especializado das Nações Unidas, com sede em Roma, onde se encontra o mecanismo central das Nações Unidas para o setor de alimentação e agricultura. O Fundo investe nas populações rurais e, ao empoderar essas pessoas, contribui para a redução da pobreza, o aumento da segurança alimentar, a melhoria da nutrição e o fortalecimento de sua resiliência. Desde 1978, destinou mais de 25 bilhões de dólares americanos em doações e empréstimos em condições concessionais para financiar projetos em países em desenvolvimento.Acessa a fototeca, conheça e baixe fotografias que mostram o trabalho do FIDA junto às comunidades rurais.
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Notícias
13 maio 2026
Países definem ações para alimentar cidades frente ao desafio do clima e alta dos preços
Representantes de governos nacionais e subnacionais, organismos técnicos e parceiros estratégicos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, México, Panamá e Peru avançaram na definição de linhas de ação voltadas para vincular a transformação dos sistemas alimentares urbanos aos desafios de produzir e garantir o acesso a alimentos em um contexto de mudança climática.Esses avanços foram discutidos durante o evento internacional “Sistemas Alimentares Urbanos na América Latina: evidências, implementação e alianças”, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), no contexto do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO.Entre as principais linhas de ação definidas, destaca-se o fortalecimento dos mercados tradicionais de alimentos e dos centros de comercialização, por meio de estratégias que favoreçam preços mais acessíveis para a população, uma oferta diversificada de alimentos e maiores oportunidades de negócios para ampliar a renda da agricultura familiar.Em um contexto em que mais de 80% da população vive em cidades, o aumento dos preços dos alimentos também foi destaque entre os participantes, que ressaltaram a necessidade de fortalecer uma ação articulada entre os governos nacionais para enfrentar o aumento dos custos de produção, com o apoio da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento (Rede SPAA), que atualmente reúne 19 países da região e cuja secretaria está sob responsabilidade da FAO.Da mesma forma, o fortalecimento do trabalho em rede foi apontado como prioridade para ampliar a cooperação entre cidades na busca por soluções e boas práticas relacionadas à segurança alimentar urbana, por meio da Rede de Cidades Intermediárias e Sistemas Alimentares (Rede CISA), que conta com 71 cidades-membro e o apoio da FAO. Durante o encontro, o presidente da Rede convidou dois municípios da Colômbia a integrarem essa iniciativa.Quanto aos impactos da mudança climática sobre o acesso e o consumo de alimentos em áreas urbanas, os participantes concordaram em avançar em uma proposta de financiamento que articule as agendas climática e alimentar, alinhada ao Marco de Referência de Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas, lançado pelo Governo do Brasil em 2025 durante a COP30, que orienta sobre como a produção, distribuição e o consumo de alimentos causam e sofrem com a mudança climática.O Representante da FAO na Colômbia, Agustín Zimmermann, destacou a necessidade urgente de transformar os sistemas agroalimentares diante da crise climática. “O sistema agroalimentar não é apenas vítima da mudança climática, mas também é responsável por aproximadamente um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. Portanto, transformá-lo é fundamental tanto para mitigá-la quanto para nos adaptarmos a ela”, afirmou.O embaixador do Brasil na Colômbia, Paulo Estivallet, reafirmou o compromisso do Brasil com a cooperação regional e lembrou que a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza busca acelerar os esforços internacionais para erradicar a fome e reduzir as desigualdades.Por sua vez, Patricia Gentil, diretora do Departamento de Promoção para uma Alimentação Adequada e Saudável do MDS, ressaltou que as cidades e as políticas públicas desempenham um papel central na transformação dos sistemas alimentares urbanos. “São desafios que compartilhamos na região, porque não são exclusivos do nosso país”, afirmou.Durante o evento, também foram lançados um roteiro estratégico e o Comitê Amazônico de Sistemas Alimentares Urbanos, como resultado dos diálogos e intercâmbios realizados em Manaus durante a Semana da Amazônia de 2025, no âmbito da cooperação Sul-Sul entre o Brasil e a FAO.O roteiro estabelece eixos estratégicos de ação que posicionam as cidades como atores-chave na transformação sustentável dos sistemas alimentares. Já o Comitê Amazônico funcionará como uma plataforma técnica e política de cooperação para fortalecer a articulação regional entre cidades e territórios amazônicos, além de apoiar a implementação dessa agenda comum.Cidades e alimentação: um desafio crescenteA coordenadora de Sistemas Agroalimentares Urbanos da FAO, Isis Núñez, alertou para um paradoxo global crescente: enquanto cerca de 70% dos alimentos são consumidos nas cidades, as áreas de produção periurbana e rural continuam diminuindo. Além disso, destacou que 1,7 bilhão de pessoas em zonas urbanas enfrentam insegurança alimentar e que muitas famílias destinam entre 50% e 75% de sua renda à compra de alimentos. “É um desafio enorme, mas isso demonstra precisamente por que devemos priorizar os sistemas alimentares urbanos”, afirmou.Atualmente, a FAO promove um novo marco de ação para sistemas agroalimentares urbanos, focado em três áreas prioritárias: dietas saudáveis e mercados justos; sistemas agroalimentares urbanos circulares e resilientes à mudança climática; e fortalecimento dos vínculos entre territórios urbanos e rurais para promover prosperidade compartilhada.Como parte do intercâmbio regional, que reuniu mais de 100 participantes de forma presencial e virtual, as delegações também conheceram experiências implementadas na Colômbia relacionadas a mercados locais, economia circular, redução do desperdício de alimentos, hortas urbanas e valorização de resíduos orgânicos para a produção agrícola.
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12 maio 2026
FAO e Brasil lançam o primeiro curso virtual sobre sistemas agroalimentares urbanos
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o governo do Brasil, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), lançaram o curso de autoaprendizagem “Sistemas agroalimentares urbanos (SAU): Marco estratégico e experiências exitosas na América Latina e no Caribe”. O lançamento regional ocorreu em Bogotá, em 28 de abril, durante o evento internacional “Sistemas Alimentares Urbanos na América Latina: evidências, implementação e alianças”.Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) mostram que, na região, 82% da população vive em áreas urbanas. Segundo a CEPAL, estima-se que, até 2050, as cidades da América Latina e do Caribe terão uma população de cerca de 700 milhões de pessoas. Isso as torna responsáveis pela crescente demanda por alimentos, aumentando a pressão sobre a produção agrícola, o uso do solo e os sistemas de abastecimento alimentar.Este curso faz parte das atividades do projeto regional Sistemas Agroalimentares Urbanos do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO. Disponível em espanhol e português, este é o primeiro curso oferecido no âmbito desta parceria que aborda a temática urbana e sua relação com os sistemas agroalimentares. Trata-se de um bem público de conhecimento que a cooperação Sul-Sul entre a FAO e o governo do Brasil oferece gratuitamente.Ingrid Zabaleta, coordenadora regional do projeto Sistemas Agroalimentares Urbanos, apresentou os detalhes do curso, destacando que o conteúdo reúne experiências regionais inovadoras nas quais “as cidades estão assumindo um papel protagonista na transformação dos sistemas agroalimentares para modelos mais sustentáveis, inclusivos e resilientes às mudanças climáticas”.Durante o evento, a prefeitura de Cerro Navia, no Chile, atualmente na presidência da Rede de Cidades Intermediárias e Sistemas Alimentares (Rede CISA), realizou a primeira inscrição no curso. Para Mauro Tamayo, prefeito de Cerro Navia e presidente da Rede CISA, este curso preenche uma lacuna existente em torno dos sistemas agroalimentares e contribui para enfrentar as mudanças climáticas. “Estamos fazendo todo o possível para que muito mais cidades possam participar, de modo que equipes técnicas, lideranças comunitárias e sociais, assim como seus prefeitos, possam fazer parte desta capacitação e contribuir de forma significativa para o desenvolvimento de nossas comunidades e para a luta contra a fome”.O curso, oferecido por meio do FAO Campus, tem como objetivo fortalecer capacidades para a aplicação de estratégias de governança colaborativa, planejamento territorial participativo, promoção de ambientes alimentares saudáveis e fortalecimento da resiliência climática dos sistemas agroalimentares nas cidades da região, contribuindo para garantir uma alimentação saudável, sustentável e inclusiva. A capacitação aborda temas como o contexto e os conceitos-chave dos sistemas agroalimentares e da agenda urbana; os ambientes alimentares e o acesso a alimentos saudáveis; e a gestão climática e os sistemas agroalimentares urbanos.Com este curso, a FAO e o Governo do Brasil reafirmam seu compromisso com o fortalecimento de capacidades na região, promovendo o intercâmbio de conhecimentos e experiências que contribuam para transformar os sistemas agroalimentares urbanos e garantir o direito à alimentação adequada para todas as pessoas.Patricia Gentil, diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) do Brasil, destacou a importância do curso como uma “ferramenta muito concreta para apoiar nossos gestores públicos na implementação da agenda de sistemas agroalimentares no território”.A capacitação é oferecida em modalidade de autoaprendizagem, totalmente on-line e assíncrona, por meio da plataforma FAO Campus. Tem duração aproximada de trinta horas e permite que participantes avancem em seu próprio ritmo, de acordo com sua disponibilidade. Ao concluir o curso, os participantes receberão um certificado de participação.Mais informações:Curso Sistemas Agroalimentares Urbanos: acesse aquiVídeo do projeto Sistemas Agroalimentares Urbanos: acesse aqui
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06 maio 2026
Governo de Alagoas e ONU-Habitat reforçam ações contra violência urbana
Enfrentar a violência de gênero exige articulação entre diferentes áreas do poder público, com atenção às realidades vividas por mulheres e meninas nos territórios. Partindo desse princípio, o Governo de Alagoas e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) realizaram, no dia 29 de abril, em Maceió, a formação Cidade Mulher, voltada a equipes técnicas de órgãos estaduais, com o objetivo de fortalecer a atuação institucional no enfrentamento à violência de gênero. A atividade integra o conjunto de ações desenvolvidas no âmbito do Visão Alagoas 2030, parceria entre o Governo do Estado e o ONU-Habitat para o aprimoramento de políticas públicas com abordagens territoriais e integradas.Organizada em conjunto com a Secretaria de Estado da Mulher (SEMU), a formação apoia o fortalecimento da Política Estadual de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher — Alagoas Lilás, iniciativa coordenada por um comitê gestor composto pela SEMU, Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ) e Secretaria de Estado da Governança Corporativa. Nesse contexto, o apoio do ONU-Habitat busca incorporar uma perspectiva urbana, preventiva e transversal à política, contribuindo para o fortalecimento da capacidade institucional e para uma resposta integrada do Governo de Alagoas à violência contra mulheres e meninas. Ação continuada A formação deu continuidade às oficinas Cidade Mulher, realizadas em março de 2026 com estudantes do ensino médio da rede estadual em territórios de maior vulnerabilidade social em Maceió. As atividades estruturaram um processo de escuta qualificada sobre segurança urbana e violência de gênero, combinando rodas de conversa, leitura do território e construção coletiva de propostas, produzindo evidências para a formulação de políticas públicas mais alinhadas às vivências das mulheres.Após esse momento participativo com jovens mulheres, a formação buscou sensibilizar e apoiar agentes públicos estaduais na incorporação de uma abordagem transversal, ou seja, integrada entre diferentes áreas da gestão pública, orientada pela perspectiva de gênero, prevenção da violência urbana e promoção do direito à cidade. A atividade também promoveu o compartilhamento de boas práticas, com potencial de replicação nas diferentes áreas de atuação das equipes técnicas.“A formação é parte de um processo mais amplo de apoio ao fortalecimento de políticas públicas estaduais, que começa com a escuta qualificada nos territórios e avança para a incorporação dessas evidências na atuação dos agentes públicos. Ao trazer a perspectiva urbana para o enfrentamento à violência de gênero, conseguimos ampliar a compreensão sobre como a cidade pode contribuir para proteger ou restringir direitos”, afirma Coordenadora do Visão Alagoas 2030, Paula Zacarias.A programação foi estruturada em dois módulos principais. O primeiro abordou conceitos sobre gênero e violências, incluindo definições, implicações e múltiplas dimensões envolvidas nesse contexto. O segundo discutiu fatores urbanos relacionados à prevenção da violência e o papel dos agentes públicos na implementação de uma política transversal, com foco na relação entre desigualdades de gênero, uso da cidade e promoção de direitos. “Essa formação contribui para ampliar o debate sobre a violência contra a mulher, trazendo reflexões a respeito dos mecanismos que podem ser aplicados no dia a dia da gestão pública para o seu enfrentamento”, destaca a Assessora Especial de Projetos da Secretaria de Estado de Governança Corporativa da Secretaria de Estado de Governança Corporativa, Ana Cristina Farias.A formação reuniu representantes de diversas secretarias estaduais, além de instituições do sistema de Justiça e de defesa de direitos, com participação de cerca de 80 pessoas. Ao longo do encontro, foram realizadas dinâmicas que integraram agentes públicos de diferentes áreas da gestão estadual, promovendo a troca de experiências. Essa abordagem contribui para fortalecer a capacidade de resposta do Estado, ao alinhar diferentes órgãos estaduais em torno de estratégias comuns de prevenção e enfrentamento. A participação da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), que também esteve envolvida nas oficinas realizadas com estudantes da rede estadual, por exemplo, amplia o potencial de incorporação de estratégias de enfrentamento à violência de gênero nas políticas públicas.“A participação da Secretaria de Educação na formação Cidade Mulher é fundamental, especialmente pela presença de técnicos que atuam diretamente nas regionais de ensino em todo o estado. São profissionais que acompanham gestores escolares, coordenadores pedagógicos e o cotidiano das escolas: assim, fortalecemos a equipe técnica para atuar tanto na prevenção quanto na resposta às situações de violência”, afirma a Superintendente do Desenvolvimento da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e Políticas Educacionais da Secretaria de Estado da Educação, Fabiana Dias.
Após a realização da formação, materiais de apoio e conteúdos complementares serão disponibilizados aos agentes públicos, com o objetivo de apoiar sua atuação como multiplicadores e contribuir para a continuidade das ações, reforçando o princípio de que cidades seguras para meninas e mulheres são cidades mais seguras para todas as pessoas.
Sobre o Visão Alagoas 2030 Iniciado em 2017, o Visão Alagoas 2030 é uma parceria do ONU-Habitat com o Governo de Alagoas voltada para promover o desenvolvimento urbano sustentável no estado. A iniciativa busca fortalecer as capacidades técnicas e institucionais do governo, além de produzir e sistematizar dados para orientar políticas públicas com base em evidências.
Contato para imprensa: Adônis Matos (adonis.matos@un.org)Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)
Após a realização da formação, materiais de apoio e conteúdos complementares serão disponibilizados aos agentes públicos, com o objetivo de apoiar sua atuação como multiplicadores e contribuir para a continuidade das ações, reforçando o princípio de que cidades seguras para meninas e mulheres são cidades mais seguras para todas as pessoas.
Sobre o Visão Alagoas 2030 Iniciado em 2017, o Visão Alagoas 2030 é uma parceria do ONU-Habitat com o Governo de Alagoas voltada para promover o desenvolvimento urbano sustentável no estado. A iniciativa busca fortalecer as capacidades técnicas e institucionais do governo, além de produzir e sistematizar dados para orientar políticas públicas com base em evidências.
Contato para imprensa: Adônis Matos (adonis.matos@un.org)Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)
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05 maio 2026
Fórum da ONU sobre ciência, tecnologia e inovação apresenta soluções para desafios globais urgentes
Em um momento de desafios cada vez mais interligados, o Fórum STI 2026 reunirá governos, cientistas, inovadores, a sociedade civil e o setor privado para compartilhar conhecimento e fortalecer a colaboração sobre como a ciência, a tecnologia e a inovação podem acelerar o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).O Fórum fará uma análise aprofundada dos setores de água e energia, trazendo perspectivas de múltiplas partes interessadas e destacando soluções e parcerias científicas, tecnológicas e inovadoras práticas, incluindo aquelas na interseção entre infraestrutura e industrialização, bem como cidades e comunidades sustentáveis, alinhadas com os ODS 6, 7, 9, 11 e 17 em análise no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável em julho de 2026.Com a inteligência artificial avançando a uma velocidade relâmpago, ocorrerá uma discussão oportuna sobre o futuro da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento sustentável antes do Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial de 2027, a ser realizado em conjunto com o Fórum em 2027.Jovens inovadores, selecionados por meio de uma chamada aberta, farão apresentações breves no Fórum, apresentando soluções práticas e enraizadas localmente com forte potencial de adaptação e ampliação, do Peru à Nigéria e da China aos Países Baixos.Mais de 60 eventos paralelos serão organizados por Estados-membros, entidades do sistema da ONU, comunidades científicas e de engenharia, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil na sede da ONU, em locais externos ou virtualmente.SERVIÇO: 11º Fórum Multissetorial sobre Ciência, Tecnologia e Inovação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Fórum STI 2026)Quando: 6 a 7 de maio de 2026, das 11h às 19h (horário de Brasília) Onde: Sala de Conferências 4, Sede das Nações Unidas em Nova Iorque Acompanhe a transmissão ao vivo pela UN WebTVQuem:Lok Bahadur Thapa (Nepal), presidente do ECOSOC em sua sessão de 2026Chola Milambo (República da Zâmbia), copresidente do Fórum STI de 2026Gregor W. Koessler (Áustria), copresidente do Fórum STI de 2026Rita Orji, titular da Cátedra de Pesquisa do Canadá em Tecnologia Persuasiva e professora de Ciência da Computação na Universidade de Dalhousie, CanadáHelmut Habersack, professor e diretor do Instituto de Engenharia Hidráulica e Pesquisa Fluvial da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, ÁustriaWang Jian, diretor do Zhejiang Lab; Academia Chinesa de Engenharia; fundador da Alibaba Cloud, ChinaRobbert Dijkgraaf, presidente do Conselho Internacional de CiênciaSeng Chuan Tan, presidente da Federação Mundial de Organizações de EngenhariaVladimir Crnojević, fundador e diretor do Instituto BioSense, SérviaJoyeeta Gupta, professora da Universidade de Amsterdã e do Instituto IHE Delft para Educação em Água, Países Baixos;Phoebe Koundouri, professora da Universidade de Economia e Negócios de Atenas, Grécia, e da Universidade de Cambridge, Reino Unido; presidente do Conselho Mundial das Associações de Economistas Ambientais e de Recursos Muitos outros especialistas de destaque nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, cerca de 40 ministros, vice-ministros ou delegações de alto nível de governos, centenas de representantes de partes interessadas presentes presencialmente e milhares online.Para mais informações, visite a página do Fórum STI 2026: https://sdgs.un.org/tfm/STIForum2026Nas redes sociais, siga @SustDev e @UNDESA e busque #Tech4SDGs, #ECOSOC80 e #GlobalGoals. Contatos para a imprensa: Sharon Birch, Departamento de Comunicação Global da ONU: birchs@un.orgHelen Rosengren, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: rosengrenh@un.orgMeng Li, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: li39@un.org
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