Saiba porque o movimento da “Ciência aberta” pode acelerar a busca pela vacina da COVID-19

  • No Dia Mundial da Ciência para a Paz e o Desenvolvimento, celebrado no dia 10 de novembro, a diretora geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, disse que a ampliação do escopo da "Ciência Aberta" contribuirá para o seu potencial máximo, tornando-a mais eficaz e diversificada.
  • Entenda o que é o movimento da "Ciência Aberta" e por que a ONU insiste em torná-la mais difundida.
A Ciência Aberta facilita a colaboração científica e o compartilhamento de informação em benefício da ciência e da sociedade.
A Ciência Aberta facilita a colaboração científica e o compartilhamento de informação em benefício da ciência e da sociedade.

Partindo do princípio de que ninguém está seguro até que todos estejam seguros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem pedindo, há vários meses, que países e cientistas colaborem na tentativa de controlar a pandemia. Isso envolveu a criação de uma plataforma inovadora para acelerar o desenvolvimento de testes, tratamentos e vacinas - ao lado de governos, cientistas, fundações, setor privado, entre outros.

Em outubro, o diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus Adhanom, a alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e a diretora geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, fizeram um apelo em favor do movimento da “Ciência Aberta”, como uma “questão fundamental de direitos humanos”, argumentando que tecnologias de ponta e novas descobertas devem estar disponíveis para aqueles que mais precisam.

Mas o que exatamente significa Ciência Aberta? E por que a ONU insiste em torná-la mais difundida?

1) O que é "Ciência Aberta"?

"Ciência Aberta" tem sido descrita como um movimento crescente que visa tornar o processo científico mais transparente e inclusivo, fazendo com que o conhecimento científico (através métodos, dados e evidências) seja difundido livremente e que seja financeiramente acessível a todos.

O movimento da "Ciência Aberta" emergiu da comunidade científica e rapidamente se espalhou pelas nações. Investidores, empresários, políticos e cidadãos estão aderindo a este movimento.

No entanto, a OMS também alerta que, em um ambiente científico e político fragmentado, ainda falta uma melhor compreensão global do significado, das oportunidades e dos desafios da "Ciência Aberta".

2) Por que a "Ciência Aberta" é importante?

A "Ciência Aberta" facilita a colaboração científica e o compartilhamento de informação em benefício da ciência e da sociedade, tornando o conhecimento científico maior e melhor, e disseminando-os para a população em geral.

A UNESCO descreveu a "Ciência Aberta" como um “verdadeiro divisor de águas”: Ao fazer com que a informação seja amplamente disponibilizada, mais pessoas podem se beneficiar da inovação científica e tecnológica.

3) Por que ela é necessária agora?

Porque, em um mundo mais interconectado do que nunca, muitos dos desafios atuais não respeitam fronteiras políticas ou geográficas, e a forte colaboração da comunidade científica internacional é essencial para superar os problemas. A pandemia da COVID-19 é o principal exemplo disto.

E as ferramentas já existem para fazer isso acontecer: com a digitalização se tornando cada vez mais difundida, está muito mais fácil compartilhar conhecimentos científicos e dados - que são necessários para permitir que as decisões para superar os desafios globais sejam baseadas em evidências confiáveis.

4) Qual é o impacto da "Ciência Aberta" na pandemia?

Nesta emergência de saúde global, graças à colaboração internacional, os cientistas aperfeiçoaram sua compreensão sobre o coronavírus em uma velocidade e abertura sem precedentes, abraçando os princípios da "Ciência Aberta".

Jornais, universidades, laboratórios privados e repositórios de dados aderiram ao movimento, permitindo acesso aberto a dados e informações: cerca de 115.000 publicações sobre o vírus e sobre a pandemia foram divulgadas, e mais de 80% delas podem ser vistas, gratuitamente, pelo público em geral.

No início da pandemia, por exemplo, cientistas chineses prontamente compartilharam o genoma do vírus, possibilitando o início de todas as pesquisas sobre o vírus, os testes de diagnóstico, tratamentos e vacinas, que já foram desenvolvidas.

Por fim, a crise tem mostrado a necessidade urgente de aproximar a ciência das tomadas de decisão e da sociedade. Combater a desinformação e promover a tomada de decisão baseada em evidências, apoiada por cidadãos bem informados, provou ser de vital importância na luta contra a COVID-19.

5) O que a ONU está fazendo para promover a "Ciência Aberta"?

Para garantir que a "Ciência Aberta" realmente cumpra seu potencial e beneficie tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento, a UNESCO está assumindo a liderança na construção de um consenso global sobre valores e princípios para a "Ciência Aberta", que seja relevante para cada cientista e cada pessoa, independente de seu local de origem, gênero, idade ou histórico econômico e social.

Espera-se que a recomendação da UNESCO sobre "Ciência Aberta" seja o instrumento internacional que vai estabelecer globalmente padrões corretos e justos para a "Ciência Aberta", que respeitem o direito humano à ciência e que não deixem ninguém para trás.

Em um comunicado divulgado no Dia Mundial da Ciência para a Paz e o Desenvolvimento, celebrado no dia 10 de novembro, a diretora geral da UNESCO disse que a ampliação do escopo da "Ciência Aberta" contribuirá para o seu potencial máximo, tornando-a mais eficaz e diversificada “não apenas permitindo que qualquer pessoa contribua, mas que também tenha objetivos alinhados com as necessidades da sociedade, desenvolvendo a alfabetização científica em uma comunidade informada, que assume responsabilidades e está envolvida na tomada de decisões coletivas”.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
UNESCO
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
OMS
Organização Mundial da Saúde