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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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06 julho 2023
Campanha da ONU pede ambição para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
As Nações Unidas lançaram nesta quarta-feira (5) uma campanha de comunicação para defender os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o roteiro para as pessoas e o planeta adotado pelos líderes mundiais em 2015.
Antecedendo a Cúpula das Nações Unidas sobre os ODS em setembro, a campanha quer amplificar um apelo urgente para uma nova ação ambiciosa, mostrar os Objetivos como um modelo para o progresso sustentável a nível global e incentivar o público em torno desta agenda compartilhada para o futuro comum.
A meio caminho do prazo de 2030, a promessa dos ODS está em perigo. Pela primeira vez em décadas, o progresso do desenvolvimento está retrocedendo sob os impactos combinados de catástrofes climáticas, conflitos, recessão econômica e efeitos persistentes da COVID-19.
A Cúpula dos ODS de 2023 reunirá líderes mundiais na sede das Nações Unidas em Nova Iorque nos dias 18 e 19 de setembro. O objetivo é que reafirmem os compromissos coletivos com os Objetivos e com a promessa de não deixar ninguém para trás. Esta Cúpula é um momento decisivo para colocar urgentemente o mundo de volta no caminho certo para alcançar os ODS.
A partir de agora, a campanha da ONU pretende revitalizar a conversa sobre os Objetivos com uma grande ativação digital em plataformas e países de todo o mundo.
“A ideia é envolver pessoas, instituições e governos para que possamos retomar o percurso em direção a um desenvolvimento justo, igualitário e sustentável,” afirmou Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil:
“Precisamos que tanto os tomadores de decisão quanto as cidadãs e os cidadãos comuns sintam-se inspirados a se engajar e contribuir para o alcance de cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento sustentável. Afinal, temos pouco mais de sete anos para transformar nosso mundo em um lugar melhor para todas as pessoas, sem deixar ninguém para trás”.
Com base na marca que tem a roda de cores dos ODS, a campanha utiliza um novo sistema visual dinâmico para as mensagens, a fim de criar impulso, aumentar a sensibilização e mobilizar uma ação acelerada para os ODS.
Um componente fundamental da campanha é o apelo a cidadãos para que tomem medidas em relação aos ODS através da iniciativa Aja Agora das Nações Unidas em todos os 17 Objetivos. Utilizar transporte público, arrecadar recursos para escolas, levantar a voz pela igualdade: a plataforma elenca atitudes que todos podem tomar para acelerar o progresso dos ODS e criar vidas melhores num planeta mais saudável para todos.
Um grupo selecionado de influenciadores de alto nível, o Círculo de Apoiadores, incentivará suas comunidades para que tomem medidas individuais em relação aos ODS e para que pressionem os tomadores de decisões para a urgência de agir agora.
Saiba mais e participe:
Visite a página da campanha: https://www.un.org/en/actnow
Baixe o aplicativo no seu celular: https://actnow.aworld.org/
Use os hashtags #AjaAgora, #ObjetivosGlobais e #Agenda2030 nas redes sociais!
Mais informações sobre a Cúpula dos ODS estão disponíveis em: https://www.un.org/en/conferences/SDGSummit2023
Informações para a imprensa:
Alexandra del Castello, Departamento de Comunicação Global da ONU
Email: alexandra.delcastello@un.org
Conheça os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:
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Notícias
20 março 2023
Ações urgentes contra mudança climática são necessárias para garantir um futuro habitável, alerta IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou nesta segunda-feira (20) o Relatório Síntese sobre Mudança Climática 2023, após uma semana de sessões em Interlaken, na Suíça. O relatório traz à tona as perdas e danos que vem sendo causados pela mudança global do clima e quais tendências devem continuar no futuro. O IPCC alerta que os desastres naturais relacionados ao clima estão atingindo especialmente as pessoas mais vulneráveis e os ecossistemas mais frágeis, como os manguezais, áreas costeiras e semidesérticas.
A temperatura média mundial já subiu 1,1 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais – uma consequência direta de mais de um século de queima de combustíveis fósseis, bem como do uso desordenado e insustentável de energia e do solo. A elevação da temperatura aumenta tanto a frequência quanto a intensidade dos eventos climáticos extremos, que causam impactos cada vez mais perigosos às pessoas e à natureza em todas as regiões do mundo.
O Painel também alerta que o aumento da temperatura média tende a causar o agravamento da insegurança alimentar e hídrica, em todo o mundo.
O tempo é curto, mas há um caminho claro a seguir
Para que as temperaturas médias sejam mantidas em 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais (meta do Acordo de Paris), serão necessárias reduções profundas, rápidas e sustentadas das emissões de gases de efeito estufa em todos os setores no decorrer desta década, afirma o relatório síntese do IPCC.
As emissões precisam cair imediatamente e ser cortadas quase pela metade até 2030, para que esta meta tenha alguma chance de ser alcançada.
A solução proposta pelo IPCC é o “desenvolvimento resiliente ao clima”, que envolve a integração de medidas de adaptação às mudanças climáticas com ações para reduzir ou evitar as emissões de gases de efeito estufa de forma a proporcionar benefícios econômicos e sociais mais amplos e igualmente distribuídos.
Alguns exemplos de soluções que devem ser adotadas incluem a expansão do acesso à energia limpa, eletrificação com baixa emissão de carbono, a promoção de transporte com zero e baixa emissão de carbono e a melhora da qualidade do ar. Tais medidas geram benefícios diretos para a saúde e qualidade de vida das pessoas.
Além disso, o novo relatório aponta que os benefícios econômicos proporcionados pelas melhorias da qualidade do ar seriam aproximadamente os mesmos, ou possivelmente até maiores, do que os custos de adoção das soluções limpas.
“Os maiores ganhos podem vir da redução do risco climático para comunidades de baixa renda e marginalizadas, incluindo pessoas que vivem em assentamentos informais”, explicou um dos autores do relatório, Christopher Trisos.
“A ação climática acelerada só acontecerá se houver um aumento significativo no financiamento. Financiamento insuficiente e desalinhado está atrasando o progresso”, complementa.
Governos são fundamentais
O relatório destaca o poder dos governos para a redução das emissões de gases de efeito estufa, por meio de financiamento público, demonstração clara de vontade política aos investidores, além da intensificação de medidas políticas eficazes rumo à energia limpa.
Mudanças no setor de alimentos, eletricidade, transporte, indústria, construção e uso do solo são destacadas como formas importantes de reduzir as emissões, bem como mudanças para estilos de vida mais sustentáveis e de baixo carbono, que melhorariam a saúde e o bem-estar das pessoas.
“As transformações têm maior probabilidade de êxito quando há confiança, quando todos trabalham juntos para priorizar a redução de riscos e quando os benefícios e ônus são compartilhados equitativamente”, disse o presidente do IPCC, Hoesung Lee.
“Este relatório síntese ressalta a urgência de tomar medidas mais ambiciosas e mostra que, se agirmos agora, ainda podemos garantir um futuro sustentável habitável para todos.”
Chefe da ONU anuncia plano para acelerar o progresso
Em uma mensagem de vídeo divulgada nesta segunda-feira (20), o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu o relatório como um “guia de como desarmar a bomba-relógio climática”.
A ação climática é necessária em todas as frentes: “tudo, em todos os lugares, ao mesmo tempo”, disse Guterres, referindo-se ao vencedor do Oscar de melhor filme deste ano.
O chefe da ONU propôs ao grupo das economias mais desenvolvidas, o G20, um “Pacto de Solidariedade Climática”, no qual todos os grandes emissores fariam esforços extras para cortar emissões, e os países mais ricos mobilizariam recursos financeiros e técnicos para apoiar as economias emergentes em um esforço comum para garantir que as temperaturas globais não subam mais de 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.
Guterres anunciou que está apresentando um plano para aumentar os esforços para alcançar o Pacto por meio de uma Agenda de Aceleração, que envolve líderes de países desenvolvidos comprometendo-se a atingir zero emissões o mais próximo possível do ano de 2040 e os países em desenvolvimento o mais próximo possível de 2050.
A Agenda exige o fim do carvão, emissão líquida zero no setor de eletricidade até 2035 para todos os países desenvolvidos e em 2040 para o resto do mundo, e a interrupção de licenciamento ou financiamento de novas empresas de petróleo e gás, e qualquer expansão da exploração de petróleo e gás.
Segundo o secretário-geral da ONU, estas medidas devem acompanhar as salvaguardas para as comunidades mais vulneráveis, aumentando o financiamento e as capacidades de adaptação a perdas e danos, e promovendo reformas para garantir que os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento forneçam mais doações e empréstimos e mobilizem o financiamento privado.
Referindo-se a próxima Conferência do Clima da ONU, a COP28, que será realizada em Dubai entre 30 de novembro a 12 de dezembro deste ano, Guterres disse que espera que todos os líderes do G20 se comprometam com as novas e ambiciosas contribuições determinadas nacionalmente para toda a economia, abrangendo todos os gases de efeito estufa, e indicando suas metas absolutas de redução de emissões para 2035 e 2040.
Participe da campanha mundial #AjaAgora
Materiais para redes sociais e para uso em escolas, faculdades e universidades estão disponíveis aqui.
Vídeo: 5 fatos sobre o novo relatório do IPCC
Vídeo sobre injustiça climática do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos
Injustiça climática significa que os impactos da mudança global do clima são sentidos de forma diferente por diferentes grupos de pessoas, comunidades e países. Neste vídeo, Kaime Silvestre, do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos em Genebra, na Suíça, explica o que é injustiça climática e mostra os conceitos fundamentais para uma abordagem da ação climática baseada nos direitos humanos.
Leia mais:
Glossário sobre o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável No. 13: Ação contra Mudança Global do Clima (em português)
Sexto Relatório Síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) (em inglês)
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19 junho 2023
ONU adota tratado para proteger alto mar
O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a adoção do Tratado do Alto Mar, que prevê a conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha além da jurisdição nacional. O documento foi adotado nesta segunda-feira (19).
Guterres considerou o documento uma “conquista histórica”, que traz nova vida e dá aos oceanos “uma chance de lutar”. O chefe das Nações Unidas pediu aos Estados-membros que não poupem esforços para garantir que o texto entre em vigor.
O texto aprovado foi finalizado em março deste ano, após anos de discussões. O documento estabelece um marco legal para estender as faixas de proteção ambiental a águas internacionais.
Atualmente, os países têm jurisdição sobre as águas que se estendem por 200 milhas náuticas - 370 km da costa. A partir dali, segue o alto mar, com cerca de dois terços do oceano global, ou mais de 70% da superfície da Terra.
O acordo ficará aberto para assinatura dos Estados-membros por dois anos, a partir de 20 de setembro, e entrará em vigor após a ratificação por 60 países.
Para Guterres, o Tratado é uma conquista histórica vital para enfrentar ameaças e garantir a sustentabilidade das áreas não cobertas pela jurisdição nacional, que são mais de dois terços do oceano.
O secretário-geral da ONU destacou que, após duas décadas de construção, a adoção revela a força do multilateralismo, com base no legado da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
O presidente da Assembleia Geral da ONU, Csaba Korosi, também celebrou a adoção do Tratado. Ele acredita que o documento cria as bases para melhorar a governança dos oceanos, garantindo sua preservação para as próximas gerações.
Em seu discurso na Conferência Intergovernamental da ONU sobre Diversidade Biológica Marinha de Áreas Além da Jurisdição Nacional, Korosi destacou que o documento apresenta soluções para proteger o meio ambiente e caminhar com a Agenda 2030, incluindo o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que busca proteger a vida marinha.
Informações para a imprensa sobre o Tratado do Alto Mar (em inglês):
Departamento de Comunicação Global da ONU
Francyne Harrigan | harriganf@un.org
Sharon Birch | birchs@un.org
Saiba mais:
Dia Mundial dos Oceanos 2023: “A humanidade conta com os oceanos, mas as os oceanos podem contar conosco?"
Primeiro Dia do Resíduo Zero reforça ações de enfrentamento à crise global de poluição por resíduos
"Devemos trabalhar como uma só pessoa – governos, empresas e consumidores – para quebrar o nosso vício em plásticos," alerta Guterres
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Notícias
16 junho 2023
O discurso de ódio "é um dos sinais de alerta de genocídio e de outros crimes atrozes," alerta Guterres
Em julho de 2021, a Assembleia Geral destacou as preocupações globais com "a disseminação e proliferação exponencial do discurso de ódio" e adotou uma resolução para "promover o diálogo inter-religioso e intercultural e a tolerância no combate ao discurso de ódio".
A resolução reconhece a necessidade de combater a discriminação, a xenofobia e o discurso de ódio e pede a todos os atores relevantes, incluindo os Estados, que aumentem seus esforços para lidar com esse fenômeno, de acordo com a lei internacional de direitos humanos.
A resolução proclamou o dia 18 de junho como o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, com base na Estratégia e no Plano de Ação da ONU sobre Discurso de Ódio, lançados em 2019.
“O mundo deve enfrentar os graves danos globais causados pela proliferação do ódio e das mentiras no espaço digital", alertou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante o lançamento do relatório sobre a integridade da informação nas plataformas digitais, nesta segunda-feira (12/06) em Nova Iorque.
Confira, abaixo, a mensagem do secretário-geral da ONU para este Internacional de Combate ao Discurso de Ódio:
"O discurso de ódio é usado para alimentar o medo e a polarização, frequentemente para ganhos políticos e com um custo imenso para as comunidades e as sociedades. Incita a violência, exacerba as tensões e impede os esforços para promover a mediação e o diálogo. É um dos sinais de alerta de genocídio e de outros crimes atrozes.
O discurso de ódio é frequentemente dirigido a grupos vulneráveis, reforçando a discriminação, o estigma e a marginalização. Minorias, mulheres, refugiados, migrantes e pessoas de diversas orientações sexuais e identidades de gênero são alvos frequentes. As plataformas de mídia social podem amplificar e espalhar o discurso de ódio à velocidade da luz.
Respostas equivocadas e ambíguas ao discurso de ódio – incluindo proibições gerais e apagões da Internet – também podem violar os direitos humanos ao restringir a liberdade de discurso e de expressão. Podem até silenciar algumas das pessoas que melhor podem combater narrativas de ódio: defensores dos direitos humanos e jornalistas.
Mas estamos longe de ser impotentes em relação ao discurso de ódio. Podemos e devemos consciencializar sobre os seus perigos e trabalhar para preveni-lo eliminá-lo em todas as suas formas.
A Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas sobre o Discurso de Ódio é o nosso plano abrangente para lidar com as causas e os impactos do discurso de ódio, de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos.
Os nossos escritórios e equipes em todo o mundo enfrentam o discurso de ódio implementando planos de ação locais com base nessa estratégia.
Iniciativas de educação, campanhas de discurso positivo, pesquisas para entender e abordar as causas profundas e esforços para promover a inclusão e a igualdade de direitos têm um papel importante. Os líderes religiosos, comunitários e empresariais também devem desempenhar o seu papel.
As Nações Unidas estão consultando governos, empresas de tecnologia e outros sobre um Código de Conduta voluntário para a integridade da informação em plataformas digitais, com o objetivo de reduzir a disseminação de desinformação e o discurso de ódio, protegendo ao mesmo tempo a liberdade de expressão.
Ao assinalarmos o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, renovemos os nossos esforços para prevenir e acabar com este fenômeno tóxico e destrutivo, promovendo comunidades e sociedades inclusivas, justas e pacíficas e protegendo os direitos e a dignidade de todos."
- António Guterres, 18 de junho de 2023.
Saiba mais:
Em uma mensagem de vídeo para a ONU Brasil, a assessora especial do secretário-geral para a Prevenção do Genocídio, Alice Wairimu Nderitu, explica o papel do discurso de ódio em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade, como o Genocídio contra os Tutsis em Ruanda, no ano de 1994.
"Nenhuma criança nasce com ódio. O ódio é ensinado. Devemos prestar atenção ao discurso de ódio. O que ele pode fazer. Sua capacidade de destruir completamente, sua capacidade de desumanizar completamente.
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16 setembro 2022
A Comunicação na Mudança Climática
Dicas do Departamento de Comunicação Global da ONU e parceiros para quem faz produtos de comunicação (vídeo, podcast, texto ou gráfico) sobre mudanças climáticas.
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História
30 junho 2023
Cerimônia marca devolução de território indígena no Pará
Em uma solenidade liderada por três mulheres indígenas, a Terra Indígena Alto Rio Guamá, no estado do Pará, foi devolvida aos povos Tembé, Timbira e Kaapor, após um processo pacífico de retirada de cerca de 1.600 não-indígenas que viviam ilegalmente no território.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Joenia Wapichana, e a secretária dos Povos Indígenas do Pará, Puyr Tembé, estiveram na Aldeia Central para o evento.
Após 30 anos de espera, os 2.500 indígenas que vivem nas 42 aldeias do Alto Rio Guamá terão direito ao uso exclusivo dos 282 mil hectares que compõem seu território, homologado em 1993.
A desintrusão, como é conhecido o processo de retirada de não-indígenas, levou 60 dias e cumpriu uma sentença da Justiça Federal de 2018 favorável a pedidos de ação de reintegração de posse. A maior parte das pessoas saiu da Terra Indígena voluntariamente.
O evento que marcou a devolução do território aos Tembé, Timbira e Kaapor foi realizado no dia 28 de junho e contou com a participação de homens, mulheres e crianças, que se reuniram a 10 lideranças indígenas, à secretária-executiva da Secretaria-Geral da Presidência da República, Maria Fernanda Coelho, e a representantes das diversas instituições dos governos federal e estadual que participaram do esforço de desocupação da terra indígena.
O Cacique Naldo Tembé agradeceu a todos os envolvidos na operação, liderada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, e falou sobre as décadas de luta de seu povo:
“É uma satisfação imensa. Nós estamos nessa luta há mais de 40 anos. Meu avô, meu pai, meus tios que tanto lutaram. Muitos já se foram, não conseguiram ver essa imensa alegria que está sendo realizada hoje. Com tantos anos de luta, a angústia chegou ao fim”.
A coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, viajou até a Terra Indígena Alto Rio Guamá a convite do governador do Pará, Helder Barbalho, e da secretária Puyr Tembé.
“As Nações Unidas vêm trabalhando pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia, inclusive em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, com foco principalmente nas pessoas que vivem na região, em sua diversidade”, declarou Silvia Rucks durante o evento.
Ela recebeu a pintura sagrada das guerreiras Tembé e agradeceu aos caciques, às mulheres indígenas e às crianças pela recepção calorosa:
“É uma honra estar aqui nesta solenidade em que os indígenas do Alto Rio Guamá recebem de volta o seu território. É um momento histórico não só para estes povos e para o Brasil, mas também para outros países da América Latina, cujos povos indígenas enfrentam desafios similares”.
Luta
“É muito difícil olhar para trás e lembrar que, às vezes, a gente corria quando ouvia o barulho da motosserra por perto. Escutava um caminhão chegando e se escondia porque vinha uma ameaça de nos matar. A gente se escondia e depois voltava, a vida seguia.. mas não desistia de lutar. A gente resistia e foi assim que a gente conseguiu segurar esse território. E a gente vai continuar segurando esse território que o governo entrega em nossas mãos”, afirmou a secretária dos Povos Indígenas do Pará, Puyr Tembé.
Ela destacou a necessidade de combater atividades ilegais na Amazônia, como o garimpo e o desmatamento:
“É esse o nosso papel e é isso que vamos fazer”.
Joenia Wapichana falou sobre a persistência de gerações de indígenas na luta por sua terra:
“Para mim é muito emocionante vir aqui celebrar, mas principalmente fazer um ato de retorno da terra para as mãos dos povos indígenas. Essa luta não começou agora. Teve gerações e gerações que testemunharam e viram pais, netos, avós e nunca desistiram. Quando eu digo obrigada, estou dizendo obrigada por resistirem e não desistirem jamais desse reconhecimento”.
“Caciques, mulheres, crianças, parabéns pela luta, pela perseverança, pela persistência, honrando os ancestrais que lutaram durante todo esse período. É uma alegria estar aqui com vocês hoje”, afirmou a secretária-executiva Maria Fernanda Coelho.
Ela chamou a atenção para a importância do envolvimento dos vários níveis de governo no processo:
“A articulação interfederativa é fundamental para execução do trabalho”.
A ministra Sônia Guajajara destacou a transversalidade do esforço de desintrusão, que demandou o envolvimento de vários ministérios e órgãos federais e o cuidado com as pessoas que viviam irregularmente na terra:
“Esse território nas mãos dos povos indígenas é garantia de proteção da cultura, de proteção da biodiversidade e de contribuição para o equilíbrio climático”.
Processo
Na primeira fase da desintrusão, entre maio e junho deste ano, as famílias não-indígenas foram cadastradas para encaminhamento a programas sociais pertinentes. Prefeituras, governo estadual e órgãos federais trabalharam juntos para garantir a assistência necessária.
Após o término da saída voluntária, oficiais de justiça notificaram eventuais remanescentes e atestaram a saída de todos os ocupantes ilegais. Ao longo do mês de julho, o poder público ainda vai inutilizar acessos e instalações irregulares, para impedir que intrusos voltem a ocupar a terra.
Participaram da operação conjunta de desintrusão Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Força Nacional e Exército Brasileiro, sob coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República e com a participação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
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História
12 maio 2023
Educadora indígena promove a inclusão de crianças Warao em Manaus
Mãe de quatro filhos, a educadora indígena venezuelana Daisy Pérez é a personificação da sabedoria popular que diz sempre caber mais um em coração de mãe. Em Manaus (AM), ela buscou oportunidades e sensibilizou a comunidade e as escolas para matricular crianças Warao na rede pública de ensino, oferecendo a elas novos caminhos para um futuro digno.
Hoje a professora é referência para a comunidade Warao em Manaus, ajudando a população indígena refugiada e migrante a acessar políticas públicas de educação e saúde. Mas até que conseguisse apoiar essas pessoas, Daisy teve que enfrentar desafios pessoais como mãe recém-chegada ao Brasil, e buscar recursos para reunir e garantir o sustento de sua família.
“Fui trazendo meus filhos, um a um, à medida que ia conseguindo dinheiro, até conseguir reunir de novo toda a minha família. Era o que eu mais queria”, relata a educadora, compartilhando seus aprendizados com outras famílias que enfrentam a mesma situação." - Daisy Pérez.
Por onde passou, incluindo as cidades de Pacaraima (RR), Boa Vista (RR) e Manaus, Daisy empreendeu todo seu conhecimento para atuar com crianças refugiadas e migrantes em abrigos e outros espaços de apoio, contribuindo com o fortalecimento do processo de ensino e aprendizagem locais.
Durante essa experiência, ela identificou prioridades para a integração das crianças como, por exemplo, o idioma e informações sobre como acessar a rede pública de educação no Brasil.
Foi então que partiu à procura de instituições que pudessem ajudá-la a potencializar esse processo e garantir que os jovens estudantes ingressassem nas escolas de Manaus, onde mora há quatro anos.
“Eu conheço as mães de todas as crianças e tenho familiaridade com elas, o que me ajuda a identificar as necessidades das famílias e buscar apoio. Como mãe, eu senti que precisava fazer algo para ajudar outras mães que precisavam de ajuda”, destaca a educadora.
Daisy conseguiu apoio do Instituto Mana, parceiro da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), para organizar a documentação e endereçar as diversas necessidades das famílias junto às escolas locais, e conseguiu mobilizar a comunidade Warao para matricular 18 crianças desta etnia na rede pública.
“Mesmo para uma mãe que é educadora, o processo de ensinar é sempre um desafio, imagina para outras mães que não tiveram acesso a esse conhecimento, e estão em deslocamento... Por isso a inspiração de possibilitar que outras mães consigam ter os filhos na escola, que possam ter essa chance”, relata Daisy.
Com seu trabalho dedicado e empatia, Daisy fez a diferença na vida das crianças, mas seu impacto já se estende para além disso.
Sua história serviu de inspiração para a própria filha, Deisy Perez, que hoje atua voluntariamente como Promotora Comunitária em um projeto desenvolvido pela Cáritas Arquidiocesana de Manaus em parceria com o ACNUR. A iniciativa apoia pessoas refugiadas em Manaus a acessarem serviços na região. Com o conhecimento e solidariedade sendo transmitido de geração em geração, a filha tem seguido os passos da mãe e contribuído para o desenvolvimento de ações de inclusão junto à população Warao.
Histórias como a de Daisy mostram a importância do envolvimento da comunidade e do trabalho coordenado das instituições de apoio aos refugiados e migrantes. Esta ação, implementada pelo Instituto Mana, é cofinanciada pela Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária Europeias – ECHO, que no Brasil contribui para que o ACNUR e parceiros sigam apoiando pessoas refugiadas, inclusive indígenas, a acessarem proteção e direitos como documentação, saúde e educação.
“Buscamos acompanhar de perto as demandas das comunidades. O envolvimento das pessoas refugiadas nesse processo é o que faz a diferença, como o impacto que Daisy trouxe para a vida dessas crianças.” - Geisy Rodríguez, Instituto Mana.
Essas ações de fomento a educação com integração e respeito aos processos culturais desta etnia são de fundamental importância para assegurar direitos no Brasil, explica a oficial assistente de campo do ACNUR e Manaus, Juliana Serra.
"Mais de sete mil pessoas da etnia Warao desembarcaram no Brasil desde o início da emergência da Venezuela. Acreditamos que ações como essa que visam fortalecer o acesso aos serviços e direitos e valorizar os saberes e processos tradicionais de pessoas indígenas refugiadas é chave para a integração dessas famílias”. - Juliana Serra, ACNUR Brasil.
Os trabalhos do ACNUR e de seus parceiros em promover a inclusão e integração de comunidades indígenas refugiadas e migrantes no Brasil dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial com o ODS No. 4: Educação de Qualidade, que busca garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
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História
25 abril 2023
Indígenas Warao frequentam a escola em projeto de alfabetização trilíngue
O que é necessário para construir uma vida melhor? Para indígenas Warao que vivem em abrigos na cidade de Teresina, Piauí, a resposta está na ponta de lápis e canetas: educação.
Desde março, 81 estudantes da etnia venezuelana passaram a frequentar três escolas da rede municipal de educação em um projeto de alfabetização trilíngue, que contempla os idiomas português, espanhol e Warao. Nas classes diárias, além dos professores brasileiros, os alunos são acompanhados por 12 educadores sociais Warao, que atuam como tradutores e mediadores.
Placido Benítez, 49 anos, é um deles. De segunda a sexta-feira, às 6h30 da manhã, Placido coloca o estojo com o violão nas costas e, na frente do abrigo Buenos Aires, embarca com as crianças e adolescentes no ônibus escolar amarelo que os levará para a Escola Municipal do Mocambinho, em um dos bairros mais populosos da cidade.
No colégio, a sala de aula foi adaptada para receber os estudantes, com idades entre 6 e 17 anos, e ornada com ilustrações e palavras nos três idiomas. Em vez das tradicionais fileiras, as carteiras escolares estão dispostas em “U” e, à frente da lousa branca, a professora Larissa Oliveira comanda a turma ao lado de Placido.
“A educação é importante para aprender a defender sua etnia, sua cultura e, assim, servir à sociedade.” - Placido Benítez.
Enquanto os alunos se acomodam nas cadeiras, Placido saca o violão e começa a cantar em Warao. É o sinal para o início da aula.
Neste dia, todos vão aprender a escrever a palavra “casa” e sua tradução no idioma Warao, “janoko”. Para além das letras e sílabas, vão conversar sobre a simbologia de casa para pessoas que, como o povo Warao, foram forçadas a se deslocar. Como era a casa antes do deslocamento forçado? Como é a casa hoje? Larissa e Placido se revezam nas explicações. Ela ensina os alunos em português e espanhol, enquanto Placido trabalha palavras e conceitos em Warao.
Para a professora Larissa, o aprendizado é uma via de mão dupla, e a comunidade escolar também tem tido ganhos com a presença dos estudantes indígenas.
“Eles têm um desejo de aprender, e os maiores, que já têm uma consciência social maior, têm sonhos bem reais que querem conquistar.” - Larissa Oliveira.
Árvore dos sonhos
Nas aulas, Gabriel, 17 anos, o mais velho da turma, participa com afinco, cuida dos mais novos nos intervalos e dá bronca nos que estão distraídos. Ele tem planos de ser o aidamo (liderança) de sua comunidade no futuro. “Meu sonho é comprar um terreno e construir uma casa para o meu povo. Eu estudarei muito duro para conseguir isso”, afirma.
As aspirações das crianças estão escritas e desenhadas na parede da sala de aula, em um projeto coletivo chamado de “Árvore dos Sonhos”. Algumas delas expressam sonhos profissionais: ser médico, professor, vigilante, policial.
No entanto, ter “janoko” (casa) é o desejo mais recorrente nas pequenas folhas da árvore. Rosaura, 12 anos, que ainda não escreve, desenhou o seu sonho na pequena folha: uma casinha quadrada com o telhado triangular, acompanhada do sol e de uma árvore. Ela conta que a planta retratada é o buriti, árvore sagrada para o povo Warao.
Placido, por sua vez, quer garantir que os sonhos das meninas e dos meninos se realizem. Na folha que ele depositou no projeto, está escrito “defender os povos indígenas”. “Eu quero leis na parte de educação, de saúde, de moradia, para vivermos em uma casa digna. É para isso que eu quero lutar pelos indígenas Warao”, explica.
No intervalo, às 8h30, as crianças correm para a cantina, onde se servem de pão com ovo e achocolatado. Depois do lanche, satisfeitas, brincam de beisebol, usando as mãos como tacos improvisados, e voltam para a sala de aula para seguir com a lição sobre a casa, que se transforma em muitas outras palavras.
“C” de carro. “A” de avião. “S” de sapo. “A” de amigo. Cada um é convidado à lousa para escrever alguma palavra com o acrônimo. Às 11h30, antes de embarcar novamente no ônibus escolar que os levará de volta aos abrigos, os estudantes almoçam arroz, feijão, macarrão, farofa de carne e melão. É a refeição mais completa do dia para todos, inclusive para Placido.
Neste mês, a Secretaria de Estado da Educação do Piauí contratou Placido e os outros 11 educadores sociais para darem aulas no projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA) Intercultural Warao, também trilíngue, que atenderá 65 indígenas entre 16 e 68 anos. A Secretaria também está reformando um prédio que servirá de sede para a primeira escola indígena do Estado, e que atenderá os indígenas venezuelanos Warao, os parentes brasileiros Guajajara e crianças não indígenas.
“Graças a este projeto, temos possibilidade de seguir em frente, ter um objetivo”, reforça o educador.
Educação popular e indígena
Desde 2016, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) registra um fluxo crescente de pessoas indígenas vindas da Venezuela para o Brasil – mais de 9,4 mil delas chegaram ao país em busca de proteção internacional. Os grupos étnicos mais representativos são os Warao (67%) e os Pemón (28%), mas também há presença dos Eñepá, Kariña e Wayúu. Quase metade dessa população, ou mais de 4,3 mil, são crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
Em Teresina, a Cáritas Arquidocesana, parceira do ACNUR, trabalha com os indígenas Warao desde 2019, quando os primeiros refugiados e migrantes dessa etnia chegaram ao Piauí. Ao identificar as necessidades dessa população, a organização iniciou o projeto Ciranda Latina, de educação popular e alternativa para as crianças e adolescentes abrigados, oferecendo um primeiro contato com a língua portuguesa e a cultura brasileira.
Uma importante aliada na construção pedagógica do projeto foi a professora Dra. Lucineide Barros, do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Sociedade e Cultura da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Ela apoiou o início do processo, com foco no acolhimento linguístico dos indígenas e na construção de uma educação popular.
“Do ponto de vista do tipo de conhecimento, a ideia é que não seja uma educação para as pessoas, mas construída com as pessoas. Não de fora para dentro, mas em um contexto de interação, de diálogo.” - Lucineide Barros, UESPI.
Depois do projeto da Cáritas, a Secretaria Municipal de Educação, apoiada pela Secretaria de Estado de Educação, iniciou o projeto Alfabetização sem Fronteiras, baseado nas experiências de vida das pessoas atendidas, como prevê o método de Paulo Freire. O ACNUR também apoiou o projeto por meio do pagamento de assistência financeira aos 12 educadores sociais nos três primeiros meses.
“As crianças têm uma expectativa muito boa em relação à escola, tanto que os primeiros relatos depois das primeiras experiências escolares disseram que elas estavam querendo escrever mais, ter mais acesso a material de leitura”, completa a professora Lucineide.
Todos os projetos desenvolvidos em Teresina foram construídos em reuniões de escuta ativa com os 12 educadores sociais indígenas Warao, protagonistas de sua própria educação.
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História
10 abril 2023
Uma iniciativa de saúde que salva vidas
"Os povos indígenas estão entre as populações mais vulneráveis. Esses serviços transformam a vida de pessoas com doenças crônicas em comunidades remotas; isso facilita suas vidas." - Maria Chan, médica da Agência da ONU para as Migrações (OIM)
Em Roraima, norte do Brasil, um veículo médico desce uma estrada esburacada, levantando uma nuvem de poeira. É uma das Unidades Móveis de Saúde da OIM, que ajuda a levar assistência médica aos indígenas venezuelanos e suas comunidades de acolhida em uma das áreas de mais difícil acesso no Brasil.
O estado de Roraima é a principal porta de entrada da Venezuela para o Brasil para aqueles que deixam a crise econômica e social em curso no país. Muitos dos mais de 400 mil venezuelanos que atualmente vivem no Brasil entraram no país pelo norte do estado.
"Muitas pessoas podem encontrar um médico perto de onde moram, mas para milhares que vivem em comunidades rurais, o atendimento médico está a horas de distância" destacou a médica da OIM, Maria Chan, no final de um longo dia de consultas. Para lidar com isso, a OIM decidiu colocar a equipe médica em movimento, deslocando-se até a porta daqueles que precisam.
As unidades móveis estão totalmente equipadas para fornecer aos migrantes e refugiados venezuelanos, bem como às suas comunidades de acolhida, os cuidados de saúde necessários, incluindo tratamento e medicamentos essenciais uma vez por mês. Duas Unidades Móveis de Saúde da OIM estão alcançando as populações mais vulneráveis da região e capacitando agentes comunitários de saúde para prestar atenção primária a pacientes de populações rurais.
As comunidades indígenas da região podem sofrer de várias doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, desnutrição infantil, infecções fúngicas da pele, parasitas e infecções sexualmente transmissíveis (IST).
Uma iniciativa de saúde que salva vidas
Em uma pequena sala de uma escola aberta em Sakao Motá, uma remota aldeia indígena que abriga tanto a população local quanto venezuelanos, as pessoas esperam no calor sufocante o médico as chamar para uma avaliação médica.
Katiuska Fernandez, 31, senta-se em silêncio com seu filho de oito anos. Ela está grávida de seis meses. "O hospital mais próximo fica a uma hora de carro daqui, e não temos dinheiro para pagar um táxi ou outro meio de transporte," diz ela, enquanto espera para realizar sua consulta pré-natal.
"Estou tão feliz que está tudo bem. Esta assistência médica está mudando nossas vidas." - Katiuska Fernandez.
Em 2018, a escassez de alimentos e remédios, além da crescente insegurança, levou Katiuska e sua família de cinco membros a deixar sua pequena comunidade venezuelana do outro lado da fronteira. Eles venderam seus pertences e cruzaram a fronteira com várias outras famílias Taurepang. Desde então, a agricultura de subsistência praticada na comunidade de acolhida os ajudou a sobreviver.
No ano passado, a equipe de saúde da OIM forneceu consultas médicas e psicológicas para cerca de 8 mil migrantes e refugiados vulneráveis e comunidades de acolhida em Roraima, com uma média de 30 pessoas por dia. Os atendimentos médicos incluíram avaliações gerais, testes para IST, COVID-19 e glicemia, medicina pediátrica e consultas pré-natais.
Gravemente impactados pela migração
Localizada na Terra Indígena São Marcos – uma tapeçaria de assentamentos queimados pelo sol que abriga o povo Tauperang – Sakao Motá é uma das comunidades indígenas fortemente impactadas pelo fluxo de migrantes e refugiados da Venezuela, juntamente com as comunidades Ta'rau Parú, Par Bananal e Sorocaima I, todas localizadas na fronteira entre o Brasil e a Venezuela.
Atualmente, 160 indígenas venezuelanos do grupo Taurepang vivem em Sakao Motá. Antes da chegada dos venezuelanos, a aldeia tinha apenas 100 moradores.
Apesar de os recursos agrícolas da aldeia serem escassos, os venezuelanos foram recebidos como parte do mesmo grupo indígena, do qual compartilham origens linguísticas e laços de parentesco.
Sentado sob um tamarindeiro, Silvano Fernandez, um indígena brasileiro de 55 anos, lembra como sua comunidade recebeu de braços abertos os irmãos e irmãs venezuelanos. Silvano é um dos pacientes regulares da unidade médica. Ele sofre de dores crônicas causadas por um acidente de carro, que o impedem de levar uma vida normal.
"Eles são nossos parentes; devemos acolhê-los porque são nosso povo. Hoje são eles, mas amanhã podemos ser nós." - Silvano Fernandez
Mesmo que os resultados de saúde relacionados à gravidez de Katiuska tenham melhorado à medida que ela realiza exames regulares com médico da OIM, sem sinal de telefone ou acesso a um veículo, ela está pronta para dar à luz em casa quando chegar a hora. "Se eu não conseguir transporte para o hospital mais próximo, meu bebê nascerá em casa, na comunidade, como todas as minhas ancestrais", disse ela depois de ter feito o pré-natal.
Veja o vídeo sobre as Unidades Móveis da Saúde em Roraima:
As Unidades Móveis da Saúde da OIM contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.
Leia mais:
OIM Brasil: Operação Acolhida dá aos venezuelanos um novo começo no norte do Brasil
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História
14 março 2023
Racismo ainda marca vida de brasileiros
Uma mãe é questionada por uma criança por ser branca e ter um filho negro. Por conta da cor da pele, um homem foi sistematicamente barrado no aeroporto ao longo de dez anos. Um garoto recebeu nota baixa por ter pintado pessoas de preto e não de tom rosado. Uma professora sentiu orgulho ao se ver rodeada por seis colegas negros num Instituto Federal. Estes são alguns dos relatos de pessoas que sofreram e enfrentaram racismo e participaram da 2ª edição da Escuta Digital: Histórias sobre Racismo.
Os depoimentos serão ilustrados e divulgados nas plataformas digitais da @ONUBrasil a partir deste sábado, 25 de março, marcando o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos. A iniciativa é do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
Educação - Neste ano, o tema para o dia 25 é “Combater o legado do racismo da escravidão através de educação transformadora”. E é justamente a educação a forma encontrada por dois professores para enfrentar o racismo.
A carioca Mônica Pereira da Silva, de 52 anos, conta que fez mestrado e doutorado e trabalhou numa multinacional, mas foi no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) que se sentiu representada. Ela trabalhou como professora substituta por dois anos e um dia se deu conta de que estava rodeada por seis professores: “Todos negros. Professores do IFSP. De altíssima competência. Todos eles. Aquela visão encheu meu coração de beleza, gratidão e acolhimento. Senti-me em casa. Pela primeira vez frequentei uma instituição na qual pude ver minha cor de fato representada.”
O mineiro Celso Fonte, de 28 anos, relatou que coordena um projeto de simulação das Nações Unidas em Barbacena, onde este ano jovens de 13 a 26 anos discutirão o tema "Parceria Público Privada contra o Racismo Sistêmico". “Acreditamos que a educação é a melhor ferramenta para reconstruir a sociedade a partir de relações diplomáticas, éticas e que compactuem com a Declaração Universal de Direitos Humanos. Soluções e ações concretas são cruciais para se construir uma sociedade mais humanizada”, relata.
Preconceito, da piscina ao aeroporto – A paulistana Débora, de 52 anos, conta que estava na piscina de um hotel com o filho de 4 anos quando outra criança perguntou se ela era mãe do garoto. Surpresa, ela respondeu que sim e perguntou o motivo do questionamento: “Você tão branquinha e ele tão pretinho”. O paranaense Elton do Nascimento Santos, de 43 anos, conta que era retido pela Polícia Federal todas as vezes que vinha passear no Brasil durante o tempo em que morou em Portugal, entre 2003 e 2013. A esposa, branca, e os filhos, pardos, nunca eram barrados.
O mineiro Cleunismar Silva, de 42 anos, relata que recebeu uma nota baixa por ter feito um desenho onde pintou as pessoas de preto. A justificativa da professora: o tom de pele das pessoas deveria ser rosado e não preto. Humilhado, ele não queria ir mais a escola, mas ouviu da mãe que ele e os irmãos são iguais a todo mundo e que ser negro é motivo de orgulho.
Estes e outros depoimentos entrarão nos perfis da @ONUBrasil nas redes sociais – Instagram, Facebook, Twitter e TikTok – nesta semana.
Djamila Ribeiro – Entre outras atividades para marcar o comércio transatlântico de escravos, a Assembleia Geral das Nações Unidas está organizando um evento no dia 27 de março com a brasileira Djamila Ribeiro, que tem usado o poder da educação para lutar contra a discriminação de afrodescententes no Brasil. Vencedora do prêmio literário Jabuti 2020, ela é autora do livro Pequeno Manual Antirracista, que tem sido usado em escolas de todo o país. O evento será transmitido ao vivo, em inglês, na TV da ONU, entre 8h e 10h (horário de Brasília).
O Programa sobre Escravidão e Comércio Transatlântico de Escravos tem por objetivo jogar luz sobre a história do comércio de escravos, seu impacto no mundo moderno e seus legados, incluindo racismo e preconceito.
A ONU declarou o comércio transatlântico de escravos um crime contra a humanidade, por sua escala e duração - 400 anos entre o século XV e o final do século XIX. Foi a maior remoção forçada de pessoas na história: entre 12 e 14 milhões de africanos, principalmente da África Ocidental, foram capturados, tiveram seus direitos negados e foram vendidos como escravos.
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Notícias
19 julho 2023
Fundo de Desenvolvimento Agrícola da ONU anuncia novo investimento de US$ 900 milhões no Brasil
A parceria entre o governo do Brasil e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) das Nações Unidas visa alcançar resultados inéditos nos próximos anos, transformando a vida daqueles que vivem no meio rural.
Com a cooperação dos principais cofinanciadores dos projetos, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Fundo Verde para o Clima e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os investimentos podem ultrapassar US$ 900 milhões (aproximadamente R$ 4 bilhões), o suficiente para assistir 600 mil famílias da região Nordeste, contribuindo para o aumento da produtividade, a segurança alimentar, práticas agrícolas sustentáveis e a resiliência climática - contra longos períodos de estiagem, por exemplo.
“O Brasil mais uma vez colocou a luta contra a pobreza e a fome no topo da agenda política. Isso é essencial em um contexto global em que 2,4 bilhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar moderada ou grave”, afirmou o presidente do FIDA, Alvaro Lario.
Segundo ele, o Fundo está pronto para continuar seus esforços em parceria com o Brasil, a fim de trazer recursos e soluções adequadas de apoio às comunidades rurais, instituições, redes alimentares e de proteção ambiental. “Fico feliz em dizer que as prioridades do Brasil e do FIDA estão totalmente alinhadas”, concluiu.
Na última década, o FIDA e o Brasil financiaram seis grandes iniciativas, que representaram um total de investimentos de US$ 453 milhões. Cada projeto, de acordo com avaliação técnica de impactos diferenciados, representou melhorias reais na vida de mais de 252 mil famílias.
Cerca de 60% dos participantes dos projetos conseguiram sair da pobreza extrema; 33% aumentaram sua renda; 67% melhoraram o acesso à alimentação; e 59% diversificaram o que comiam. No âmbito da agricultura familiar, 61% aumentaram a produção e 33% ampliaram o acesso aos mercados.
Presidente do FIDA no Brasil
Nos próximos dias, em Brasília, o presidente Lario participa de várias reuniões de alto nível com os principais ministérios, como Desenvolvimento Agrário, Meio Ambiente, Fazenda e Desenvolvimento Social. Como primeiro compromisso oficial na capital federal, ele manteve um encontro com governadores do Consórcio Nordeste, com o objetivo de discutir novas parcerias para o desenvolvimento rural sustentável e inclusivo no País.
No início desta semana, o presidente Lario visitou a Paraíba, onde presenciou o impacto das iniciativas atuais e anteriores apoiadas pelo FIDA e ouviu os pequenos agricultores. Durante sua visita de campo, ele viu exemplos de sucesso na criação de caprinos, processamento de polpa de frutas nativas, dessalinização de água e saneamento básico, educação rural contextualizada e inclusão de gênero.
Investir na população rural
A forte parceria entre o FIDA e o Brasil é baseada em um compromisso conjunto de redução da pobreza e na busca de iniciativas inovadoras que possam ajudar as comunidades rurais. Desde a década de 1980, os investimentos do FIDA no País têm se concentrado especialmente no semiárido nordestino. Os participantes têm sido agricultores familiares e grupos vulneráveis, como comunidades indígenas e remanescentes quilombolas, além de assentados da reforma agrária, mulheres e jovens. Até hoje, 13 projetos foram implementados e 615,4 mil famílias beneficiadas, com um investimento total de US$ 1,18 bilhão, dos quais US$ 297 milhões financiados pelo FIDA.
As operações do FIDA em território nacional também incluem um centro regional de Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST), que constantemente compartilha as melhores práticas Brasil para outros países do mundo.
Nota aos editores:
Mais informações sobre o trabalho do FIDA no Brasil podem ser encontradas aqui.
Conheça histórias de vida: como os projetos apoiados pelo FIDA estão ajudando os agricultores familiares a superar o impacto da COVID-19 e a pobreza, aqui.
Veja o vídeo sobre projetos apoiados pelo FIDA estão ajudando a manter a biodiversidade do Brasil, aqui.
O Programa de Adaptação para Agricultura Familiar (PAAF+) visa mobilizar US$ 500 milhões do FIDA e outros doadores internacionais, para ajudar mais de 10 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo a se adaptarem às mudanças climáticas. É o maior fundo do mundo dedicado a esse objetivo.
Uma ampla gama de fotografias do trabalho do FIDA em comunidades rurais está disponível para download em seu Banco de Imagens.
Contato de mídia:
Ana Lucía Llerena, FIDA: a.llerenavargas@ifad.org
Sobre o FIDA:
O FIDA é uma instituição financeira internacional e uma agência especializada das Nações Unidas. Com sede em Roma – o centro de alimentação e agricultura das Nações Unidas –, o FIDA investe na população rural, capacitando-a para reduzir a pobreza, aumentar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e fortalecer a resiliência. Desde 1978 fornecemos mais de US$ 24 bilhões em doações e empréstimos a juros baixos para financiar projetos em países em desenvolvimento.
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Notícias
18 julho 2023
Imunização infantil inicia recuperação após retrocesso da COVID-19
Os serviços globais de imunização alcançaram 4 milhões de crianças a mais em 2022 em comparação com o ano anterior, à medida que os países intensificaram os esforços para lidar com o retrocesso histórico na imunização causado pela pandemia de COVID-19.
De acordo com dados publicados hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF, em 2022, 20,5 milhões de crianças deixaram de receber uma ou mais vacinas por meio dos serviços de imunização de rotina, em comparação com 24,4 milhões de crianças em 2021. Apesar dessa melhoria, o número ainda é maior do que os 18,4 milhões de crianças que não foram imunizadas em 2019, antes das interrupções relacionadas à pandemia, destacando a necessidade contínua de esforços de recuperação, atualização e fortalecimento do sistema.
A vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) é utilizada como indicador global de cobertura de imunização. Das 20,5 milhões de crianças que perderam uma ou mais doses da DTP em 2022, 14,3 milhões não receberam nenhuma dose, conhecidas como crianças 'zero-dose'. Esse número representa uma melhoria em relação aos 18,1 milhões de crianças sem nenhuma dose em 2021, mas ainda é maior do que os 12,9 milhões de crianças em 2019.
No Brasil, o número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP caiu de 710 mil para 430 mil, entre 2021 e 2022, enquanto a cobertura de DTP1 (administrada pelo programa nacional de imunizações como a vacina pentavalente) avançou 5 pontos, chegando a 84%. Para a vacina contra a pólio, o número avançou 6 pontos, entre 2021 e 2022, chegando a 77%.
"Esses dados são encorajadores e um tributo àqueles que trabalharam tão arduamente para restaurar os serviços de imunização que salvam vidas após dois anos de declínio na cobertura de imunização. Mas as médias globais e regionais não contam a história completa e escondem desigualdades graves e persistentes. Quando os países e regiões ficam para trás, as crianças pagam o preço". - Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
As primeiras etapas da recuperação da imunização global não ocorreram de forma igualitária, com a melhoria concentrada em alguns países. O progresso em países bem financiados com grandes populações de bebês, como Índia e Indonésia, mascara uma recuperação mais lenta ou até mesmo declínios contínuos na maioria dos países de baixa renda, especialmente na vacinação contra o sarampo.
Dos 73 países que registraram declínios substanciais* na cobertura durante a pandemia, 15 se recuperaram aos níveis pré-pandemia, 24 estão a caminho da recuperação e, o mais preocupante, 34 estagnaram ou continuaram em declínio. Essas tendências preocupantes ecoam padrões observados em outras métricas de saúde. Os países devem garantir que estejam acelerando os esforços de atualização, recuperação e fortalecimento para alcançar todas as crianças com as vacinas de que precisam e, aproveitando que a imunização de rotina é um pilar fundamental da atenção primária à saúde, progredir em outros setores de saúde relacionados.
A vacinação contra o sarampo - um dos patógenos mais infecciosos - não se recuperou tão bem quanto outras vacinas, colocando mais 35,2 milhões de crianças em risco de infecção. A cobertura da primeira dose da vacina contra o sarampo aumentou para 83% em 2022, em comparação com 81% em 2021, mas permaneceu abaixo dos 86% alcançados em 2019. Como resultado, no ano passado, 21,9 milhões de crianças não receberam a vacinação rotineira contra o sarampo em seu primeiro ano de vida - 2,7 milhões a mais do que em 2019 -, enquanto outras 13,3 milhões não receberam a segunda dose, colocando crianças em comunidades com baixa cobertura vacinal em risco de surtos. No Brasil, a cobertura vacinal para o sarampo chegou a 81% - melhores que a cifra de 73% em 2021, mas ainda aquém dos 91% em 2019.
"Por trás da tendência positiva, há um aviso grave", disse Catherine Russell, Diretora Executiva do UNICEF:
"Até que mais países corrijam as lacunas na cobertura de imunização de rotina, as crianças em todo o mundo permanecerão em risco de contrair e morrer de doenças que podemos prevenir. Vírus como o sarampo não reconhecem fronteiras. Os esforços devem ser fortalecidos com urgência para alcançar as crianças que perderam suas vacinações, ao mesmo tempo em que se restaura e melhora ainda mais os serviços de imunização em relação aos níveis pré-pandemia".
Os países que mantiveram uma cobertura estável e sustentada nos anos anteriores à pandemia conseguiram estabilizar melhor os serviços de imunização desde então, conforme indicado pelos dados. Por exemplo, a Ásia Meridional, que relatou aumentos graduais e contínuos na cobertura na década anterior à pandemia, demonstrou uma recuperação mais rápida e robusta do que as regiões que sofreram declínios prolongados, como a América Latina e o Caribe. A região africana, que está atrasada em sua recuperação, enfrenta um desafio adicional. Com um aumento na população infantil, os países devem ampliar os serviços de imunização de rotina a cada ano para manter os níveis de cobertura.
A cobertura da vacina DTP3 nos 57 países de baixa renda apoiados pela Gavi, a Aliança das Vacinas, aumentou para 81% em 2022 - um aumento considerável em relação aos 78% em 2021 - e o número de crianças sem nenhuma dose que não recebem vacinas básicas também diminuiu em 2 milhões nesses países. No entanto, o aumento na cobertura da DTP3 nos países que implementam a Gavi foi concentrado nos países de renda média-baixa, com os países de baixa renda ainda não aumentando a cobertura - indicando o trabalho restante para ajudar os sistemas de saúde mais vulneráveis a se reconstruírem.
"É extremamente reconfortante, após a enorme interrupção causada pela pandemia, ver a imunização de rotina se recuperando tão bem nos países apoiados pela Gavi, especialmente em termos de redução do número de crianças sem nenhuma dose", disse o Dr. Seth Berkley, CEO da Gavi, a Aliança das Vacinas:
"No entanto, também fica claro a partir deste importante estudo que precisamos encontrar maneiras de ajudar todos os países a proteger sua população, caso contrário, corremos o risco de surgirem duas trajetórias, com países de renda média-baixa maiores ultrapassando o restante".
Pela primeira vez, a cobertura da vacinação contra o HPV superou os níveis pré-pandemia. Os programas de vacinação contra o HPV que começaram antes da pandemia alcançaram o mesmo número de meninas em 2022 do que em 2019. No entanto, a cobertura em 2019 estava bem abaixo da meta de 90%, e isso se manteve verdadeiro em 2022, com coberturas médias nos programas de HPV atingindo 67% nos países de alta renda e 55% nos países de baixa e média renda. A recém-lançada revitalização do HPV, liderada pela Aliança Gavi, tem como objetivo fortalecer a entrega dos programas existentes e facilitar mais introduções.
Muitos interessados estão trabalhando para acelerar a recuperação em todas as regiões e em todas as plataformas de vacinas. No início de 2023, a OMS e o UNICEF, juntamente com a Gavi, a Fundação Bill & Melinda Gates e outros parceiros da IA2030, lançaram a campanha global de comunicação "The Big Catch-Up", convocando os governos a recuperarem as crianças que perderam vacinações durante a pandemia, a restaurar os serviços de imunização aos níveis pré-pandemia e a fortalecê-los para o futuro, através de:
Reforçar o compromisso de aumentar o financiamento para imunização e trabalhar com os interessados para desbloquear recursos disponíveis, incluindo fundos COVID-19, para restaurar urgentemente serviços interrompidos e sobrecarregados e implementar esforços de recuperação.
Desenvolver novas políticas que permitam que os imunizadores alcancem as crianças que nasceram antes ou durante a pandemia e que estão ultrapassando a idade em que seriam vacinadas pelos serviços de imunização de rotina.
Fortalecer os serviços de imunização e atenção primária à saúde, incluindo sistemas de saúde comunitários, e enfrentar desafios sistêmicos de imunização para corrigir a estagnação de longo prazo na vacinação e alcançar as crianças mais vulneráveis.
Construir e sustentar a confiança e aceitação das vacinas por meio do engajamento com comunidades e profissionais de saúde.
Para mais informações, por favor, entre em contato com:
UNICEF
Grupo Trama Comunicação, Assessoria: ana_paula@tramaweb.com.br e pbueno@tramaweb.com.br
Links:
Acesse o conjunto de dados da OMS: Global dashboard, Full datasets, information page
Acesse o conjunto de dados do UNICEF: Overview page, Full datasets, Data visualisation, Regional data visualisation, Country profiles
*Notas para editores:
Uma diminuição substancial é considerada uma queda de 5 pontos percentuais ou mais em 2020 e/ou 2021 em comparação com 2019. Flutuações menores na cobertura não eram incomuns antes da pandemia.
2019
2020
2021
2022
Cobertura da DTP3
86%
83%
81%
84%
Número de crianças com vacinação incompleta
18.4m
22.3m
24.5m
20.5m
Cobertura de DTP1
90%
88%
86%
89%
Número de crianças 'zero-dose'
12.9m
16.1m
18.1m
14.3m
Os dados indicam quantas crianças do grupo etário-alvo para os serviços de imunização de rotina foram alcançadas em 2022. Eles não estão estruturados para capturar a recuperação daqueles que foram perdidos durante a pandemia, já que muitas dessas crianças já podem ter "ultrapassado" a faixa etária dos serviços de imunização locais. No entanto, é possível que algumas recuperações tenham sido registradas como serviços "de rotina" e estejam refletidas nos dados.
A OMS e o UNICEF estão trabalhando com a Gavi, a Aliança das Vacinas, e outros parceiros para implementar a Agenda de Imunização Global 2030 (IA2030), uma estratégia para que todos os países e parceiros globais relevantes alcancem metas estabelecidas para prevenir doenças por meio da imunização e fornecer vacinas para todos, em todos os lugares, em todas as idades.
Sobre os dados:
Com base em dados relatados pelos países, as estimativas da OMS e do UNICEF sobre a cobertura nacional de imunização (WUENIC) fornecem o maior e mais abrangente conjunto de dados do mundo sobre tendências de imunização para vacinas contra 13 doenças administradas por meio de sistemas de saúde regulares - normalmente em clínicas, centros comunitários, serviços de alcance ou visitas de profissionais de saúde. Para 2022, os dados foram fornecidos por 183 países.
Sobre a OMS:
Dedicada ao bem-estar de todas as pessoas e guiada pela ciência, a Organização Mundial da Saúde lidera e promove esforços globais para oferecer a todos, em todos os lugares, uma chance igual de ter uma vida segura e saudável. Somos a agência da ONU para a saúde, conectando nações, parceiros e pessoas na linha de frente em mais de 150 locais - liderando a resposta mundial a emergências de saúde, prevenindo doenças, abordando as causas fundamentais dos problemas de saúde e expandindo o acesso a medicamentos e cuidados de saúde. Nossa missão é promover a saúde, manter o mundo seguro e servir aos vulneráveis.
Sobre o UNICEF:
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.
Para obter mais informações sobre o UNICEF e seu trabalho, visite: www.unicef.org/brazil
Siga o UNICEF no Twitter, Facebook, , Instagram, YouTube e LinkedIn.
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Notícias
13 julho 2023
Novo relatório do UNAIDS mostra que pandemia de AIDS pode acabar até 2030 e descreve caminho para alcançar esse objetivo
Um novo relatório divulgado hoje pelo UNAIDS mostra que há um caminho claro para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública. Esse caminho também ajudará o mundo a estar mais bem preparado para enfrentar futuras pandemias e a avançar no progresso em direção à conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
O relatório intitulado "O Caminho que põe fim à AIDS" traz dados e estudos de caso que destacam que o fim da AIDS é uma escolha política e financeira, e que os países e lideranças que já estão seguindo esse caminho estão obtendo resultados extraordinários.
Metas 95-95-95
Países como Botsuana, Essuatíni, Ruanda, a República Unida da Tanzânia e Zimbábue já alcançaram as metas "95-95-95".
Isso significa que, nesses países, 95% das pessoas que vivem com HIV conhecem seu status sorológico; 95% das pessoas que sabem que vivem com HIV estão em tratamento antirretroviral que salva vidas; e 95% das pessoas em tratamento estão com a carga viral suprimida.
Outros 16 países, oito dos quais na África subsaariana, região que representa 65% de todas as pessoas vivendo com HIV, também estão próximos de alcançar essas metas.
Dados do Brasil
O Brasil, por sua vez, também está no caminho, com suas metas na casa de 88-83-95. Mas o país ainda enfrenta obstáculos, causados especialmente pelas desigualdades, que impedem que pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade tenham pleno acesso aos recursos de prevenção e tratamento do HIV que salvam vidas.
“Ao mesmo tempo assistimos o movimento em casas legislativas municipais, estaduais e até mesmo no Congresso de apresentar legislações criminalizadoras e punitivas que afetam diretamente a comunidade LGBTQIA+, especialmente pessoas trans”, alerta Ariadne Ribeiro Ferreira, oficial de Igualdades e Direitos do UNAIDS Brasil.
“Este movimento soma-se às desigualdades, aumentando o estigma e discriminação de determinadas populações e pode contribuir para impedir o Brasil de alcançar as metas de acabar com a AIDS até 2030.”
Papel das lideranças
"O fim da AIDS é uma oportunidade para as lideranças de hoje deixarem um legado extraordinariamente poderoso para o futuro", defende Winnie Byanyima, Diretora Executiva do UNAIDS.
"Essas lideranças podem ser lembradas pelas gerações futuras como aquelas que puseram fim à pandemia mais mortal do mundo. Podem salvar milhões de vidas e proteger a saúde de todas as pessoas".
O relatório destaca que as respostas ao HIV têm sucesso quando estão baseadas em uma forte liderança política.
Isso significa respeitar a ciência, dados e evidências; enfrentar as desigualdades que impedem o progresso na resposta ao HIV e outras pandemias; fortalecer as comunidades e as organizações da sociedade civil em seu papel vital na resposta; e garantir financiamento suficiente e sustentável.
Mais investimentos e avanço na descriminalização
O relatório do UNAIDS mostra que o progresso rumo ao fim da AIDS tem sido mais forte nos países e regiões que têm maior investimento financeiro.
Na África Oriental e Austral, por exemplo, as novas infecções por HIV foram reduzidas em 57% desde 2010 e o número de pessoas em tratamento antirretroviral triplicou, passando de 7,7 milhões em 2010, para 29,8 milhões em 2022.
Graças ao apoio e investimento no combate à AIDS em crianças, 82% das mulheres grávidas e lactantes vivendo com HIV em todo o mundo tiveram acesso ao tratamento antirretroviral em 2022, em comparação com 46% em 2010.
Isso levou a uma redução de 58% nas novas infecções por HIV em crianças de 2010 a 2022, o número mais baixo desde a década de 1980.
O fortalecimento do progresso na resposta ao HIV passa pela garantia de que os marcos legais e políticos não comprometam os direitos humanos, mas que os protejam. Vários países revogaram leis prejudiciais em 2022 e 2023, incluindo cinco (Antígua e Barbuda, Ilhas Cook, Barbados, São Cristóvão e Nevis e Singapura) que descriminalizavam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
Dados globais sobre AIDS
O relatório, no entanto, também enfatiza que o fim da AIDS não ocorrerá automaticamente.
Em 2022, a cada minuto, uma pessoa morreu em decorrência da AIDS.
Cerca de 9,2 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao tratamento, incluindo 660 mil crianças vivendo com HIV.
Mulheres e meninas ainda são desproporcionalmente afetadas, especialmente na África subsaariana.
A cada semana, em 2022, 4 mil jovens mulheres e meninas foram infectadas pelo HIV no mundo. Apenas 42% das regiões com incidência de HIV acima de 0,3% na África subsaariana são atualmente abrangidas por programas de prevenção dedicados ao HIV para adolescentes e jovens mulheres.
Quase um quarto (23%) das novas infecções por HIV ocorreram na Ásia e no Pacífico, onde as novas infecções estão aumentando alarmantemente em alguns países.
Aumentos acentuados de novas infecções continuam ocorrendo no leste da Europa e na Ásia central (aumento de 49% desde 2010) e no Oriente Médio e Norte da África (aumento de 61% desde 2010). Essas tendências são principalmente devido à falta de serviços de prevenção do HIV para populações marginalizadas e às barreiras impostas por leis punitivas e discriminação social.
Financiamento da resposta ao HIV
O financiamento para o HIV também diminuiu em 2022, tanto de fontes internacionais quanto domésticas, retornando ao mesmo nível de 2013. O financiamento totalizou US$ 20,8 bilhões em 2022, muito aquém dos US$ 29,3 bilhões necessários até 2025.
Existe agora uma oportunidade para acabar com a AIDS na medida em que a vontade política é estimulada por meio dos investimentos em uma resposta sustentável ao HIV. Estes recursos devem ser focados no que mais importa: integração dos sistemas de saúde, leis não discriminatórias, igualdade de gênero e fortalecimento das redes comunitárias de assistência e apoio.
"Estamos esperançosos de acabar com a AIDS, mas não é ainda o otimismo tranquilo que surgiria se tudo estivesse indo como deveria. Pelo contrário, é uma esperança fundamentada em ver que existem oportunidades de sucesso, mas que dependem de ação", diz Winnie Byanyima.
"Os fatos e os números compartilhados neste relatório não mostram que o mundo já está no caminho certo, mas indicam claramente que podemos chegar lá. O caminho a seguir é muito claro."
Estimativas para 2022:
Mundo
Brasil
Pessoas vivendo com HIV
39 milhões
990 mil
Pessoas em tratamento antirretroviral
29,8 milhões
723 mil
Novas infecções pelo HIV
1,3 milhão
51 mil
Óbitos em decorrência da AIDS
620 mil
13 mil
Contato
Renato Guimarães, UNAIDS Brasil
depaivaguimaraesr@unaids.org
+55 61 99304 2654
UNAIDS
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lidera e inspira o mundo a alcançar sua visão compartilhada de zero novas infecções por HIV, zero discriminação e zero mortes relacionadas à AIDS. O UNAIDS une os esforços de 11 organizações das Nações Unidas - ACNUR, UNICEF, PMA, UNDP, UNFPA, UNODC, ONU Mulheres, OIT, UNESCO, OMS e Banco Mundial - e trabalha em estreita colaboração com parceiros globais e nacionais para acabar com a epidemia de AIDS até 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
www.unaids.org.br
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11 julho 2023
UNOPS e Universidade de Brasília assinam parceria para ações em gênero, diversidade e inclusão
O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e a Universidade de Brasília (UnB) firmaram Memorando de Entendimento (MOU) para atuação conjunta em áreas de interesse das duas instituições. O documento foi assinado nesta segunda-feira, 10 de julho, na Reitoria da UnB.
O MOU visa fortalecer principalmente a abordagem institucional sobre gênero, diversidade e inclusão - tanto da UnB quanto do UNOPS. Estão previstas atividades para o estímulo a uma maior presença de mulheres e meninas nas áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e para o desenvolvimento de habilidades de liderança de meninas e mulheres que atuam em empresas juniores da universidade. Atualmente, a instituição tem 49 empresas do tipo - dessas, 38,6% têm estudantes mulheres como presidentas.
O MOU também contempla iniciativas para divulgar ações e resultados da cooperação técnica internacional e dos avanços da Agenda 2030 entre a comunidade estudantil, com workshops, webinars e formações. A duração inicial do MOU será de dois anos.
“Entregar projetos de sucesso depende de nós e temos, ao lado do UNOPS, uma agenda comum, principalmente em questões de gênero. Sei que a assinatura deste memorando vai gerar frutos importantes nesse sentido”, comentou a reitora da UnB, Márcia Abrahão.
A diretora e representante do UNOPS Brasil, Claudia Valenzuela, destacou o papel da parceria para o empoderamento de jovens mulheres:
“Queremos ver cada vez mais meninas e mulheres em posições de liderança, inclusive em áreas tradicionalmente ocupadas por homens. Já trabalhamos com algumas estratégias para isso em nossos processos e vamos levar essas práticas também para a parceria com a UnB.”
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11 julho 2023
Lançamento do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2023"
A FAO e seus parceiros da ONU (FIDA, WFP, OMS e UNICEF) lançarão a edição de 2023 do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI)" nesta quarta-feira, dia 12 de julho, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Para acompanhar o evento, clique aqui.
Simultaneamente, uma coletiva de imprensa híbrida será realizada na sede da FAO, em Roma, a partir das 11h (horário de Brasília). Para participar, registre-se aqui.
O relatório SOFI 2023 apresentará as atualizações mais recentes sobre a situação mundial de segurança alimentar e nutrição, incluindo estimativas atualizadas sobre o custo e acessibilidade de dietas saudáveis.
O tema do relatório, "Urbanização, transformação dos sistemas agroalimentares e dietas saudáveis no contínuo rural-urbano", explorará como a urbanização está moldando os sistemas agroalimentares e as implicações desse nexo para a disponibilidade e acessibilidade de dietas saudáveis, para a segurança alimentar e a nutrição.
O relatório também apresentará:
Dados mais recentes e avanços na erradicação da fome e garantia da segurança alimentar, e análise aprofundada dos principais desafios para atingir esses objetivos no contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, incluindo as mudanças climáticas, conflitos e aumento do preço dos alimentos.
Uma nova análise de como a urbanização está mudando a oferta e a demanda de alimentos no contínuo rural-urbano.
Recomendações sobre políticas, investimentos e novas tecnologias para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que a urbanização traz para garantir o acesso a uma alimentação saudável e acessível para todas as pessoas.
A coletiva de imprensa, que contará com a presença de representantes da FAO, WFP e FIDA, será realizada a partir das 11h desta quarta (12). O evento terá interpretação nas cinco línguas oficiais da ONU (inglês, francês, chinês, árabe e russo) e em italiano.
Para participar online da coletiva de imprensa, registre-se aqui.
Contatos de imprensa:
Aline Czezacki, Comunicação da FAO no Brasil
Aline.Czezacki@fao.org; (61) 99251-9072
Ericka Galindo, Comunicação do WFP no Brasil
Ericka.Galindo@wfp.org; (61) 99260-9835
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