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27 fevereiro 2026
“É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”
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27 fevereiro 2026
UNICEF e Papo Reto levam oportunidades para a Pavuna, no Rio de Janeiro
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26 fevereiro 2026
“Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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26 fevereiro 2026
Nações Unidas buscam jovens com grandes ideias para proteger o planeta
O PNUMA lançou a convocatória para a edição de 2026 do Prêmio Jovens Campeões da Terra, que homenageia jovens que promovem soluções inovadoras para proteger o planeta.O prêmio Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa global do PNUMA voltada para a juventude. Desde 2017, ele reconheceu 33 jovens pioneiros – ativistas, empreendedores e inovadores ambientais de 18 a 30 anos – por suas ideias excepcionais para proteger o meio ambiente. O programa é realizado em parceria com o CEO americano de tecnologia limpa Chris Kemper, que também é defensor de parcerias do PNUMA e cofundador da Planet A.Os Jovens Campeões de 2026 receberão US$ 10.000 em financiamento inicial de Kemper, orientação, acesso a uma rede de especialistas e oportunidades de participar de eventos de alto nível das Nações Unidas. Eles também serão levados a Nova Iorque para competir em uma competição de apresentações por uma bolsa de US$ 100.000 da Planet A.O PNUMA incentiva inscrições de jovens empreendedores, cientistas, economistas, artistas e comunicadores de todas as origens que estejam promovendo ideias ousadas para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Para demonstrar viabilidade e comprometimento, as pessoas candidatas devem ter aplicado suas ideias por um período mínimo de seis meses.“Enfrentar as crises interligadas da mudança climática, degradação dos solos, perda de biodiversidade e natureza, poluição e resíduos não é um ato de caridade. Isso pode trazer benefícios econômicos tangíveis para países, comunidades e indivíduos”, disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Estamos orgulhosas de que, por meio do programa Jovens Campeões, esses indivíduos incríveis recebam orientação, treinamento e financiamento inicial para transformar ideias ambiciosas em soluções viáveis para as pessoas e o planeta.”As pessoas vencedoras do Prêmio Jovens Campeões da Terra de 2025 foram: Jinali Mody, da Índia, fundador e CEO da Banofi Leather, que transforma resíduos da cultura da banana em uma alternativa vegetal ao couro; Joseph Nguthiru, fundador da startup queniana HyaPak, que produz embalagens biodegradáveis a partir da polpa do jacinto aquático; e Noemi Florea, inventora do Cycleau, um sistema que converte água cinza em água potável. Nguthiru ganhou também uma bolsa de US$ 100.000 da Planet A.“Estamos orgulhosos de apoiar esses jovens incríveis que estão mudando o mundo”, disse Kemper. “Joseph, Jinali e Noemi nos mostraram no ano passado que os indivíduos podem fazer muito para proteger nosso planeta. Estou animado para conhecer os Jovens Campeões de 2026.”Para mais informações, acesse a página do Prêmio: https://www.unep.org/youngchampions/ NOTAS PARA EDITORESSobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)O PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Ele fornece liderança e incentiva parcerias no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.Sobre o Planet AO Planet A é um novo canal do YouTube, lançado com o apoio da Fundação Christopher Kemper. Ele foi criado para estimular ações que protejam o futuro do nosso planeta. Reúne criadores de conteúdo, especialistas e parceiros para promover a conscientização e ações ambientais por meio de uma série de histórias educativas, concursos e colaborações. Sobre o Prêmio Jovens Campeões da Terra do PNUMAO Prêmio Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa do PNUMA para o envolvimento dos jovens. O prêmio é concedido a jovens ambiciosos de todo o mundo com ideias excepcionais para proteger e restaurar o meio ambiente.Contato para a imprensa: Unidade de Notícias e Imprensa, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: unep-newsdesk@un.org
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04 fevereiro 2026
Publicação reúne experiências brasileiras sobre o desenvolvimento urbano sustentável
Como o Brasil tem enfrentado os principais desafios urbanos que afetam as cidades? De modo a apresentar algumas das melhores práticas de desenvolvimento urbano promovidas no país, o programa Simetria Urbana lança a publicação “Caminhos para o Desenvolvimento Urbano Sustentável: Experiências e Boas Práticas Inovadoras Brasileiras”.
O relatório reúne 16 iniciativas desenvolvidas por instituições em todo o Brasil, com foco em enfrentar os desafios urbanos de forma inclusiva, integrada e sustentável. A seleção das experiências teve em conta resultados concretos, inovação e potencial de adaptação a diferentes contextos territoriais. Acesse o relatório aqui.
A publicação faz parte do Simetria Urbana, programa liderado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa tem como objetivo fortalecer o intercâmbio de conhecimentos em temas ligados ao desenvolvimento urbano, entre países do Sul Global, promovendo o aprendizado mútuo e o desenvolvimento de capacidades institucionais. As iniciativas reunidas abordam de forma transversal questões centrais para desafios urbanos, como sustentabilidade ambiental, justiça social, inclusão, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento do papel dos governos locais. Um elemento comum entre elas é o esforço para responder aos desafios urbanos considerando dimensões socioeconômicas e grupos historicamente pouco priorizados pelas políticas públicas, como mulheres, jovens e populações em situação de vulnerabilidade.A publicação parte do princípio de que o aprendizado se fortalece na troca de conhecimentos e de experiências, e de que a Cooperação Sul-Sul representa oportunidade estratégica de colaboração mútua.Segundo Patricia Aguchiku, assistente de programas do ONU-Habitat no Simetria Urbana, a publicação é um importante marco do projeto. “Este relatório reflete um processo amplamente colaborativo, construído junto às instituições que se inscreveram. As experiências reunidas mostram como é possível enfrentar desafios urbanos de forma transversal, incluindo públicos muitas vezes invisibilizados pelas políticas públicas e conectando essas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao sistematizar essas práticas, ampliamos o alcance do aprendizado e fortalecemos o diálogo entre territórios do Sul Global.”Para Monica Salmito, analista de projetos da ABC, as experiências reunidas mostram que cidades mais justas, resilientes e sustentáveis são construídas a partir de políticas públicas sensíveis às realidades sociais e territoriais."Por meio do Simetria Urbana, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) promove o intercâmbio dessas práticas e contribui para ampliar o repertório de soluções disponíveis a governos locais e comunidades que enfrentam desafios urbanos semelhantes.”Ao compartilhar essas experiências, o Simetria Urbana contribui para que a cooperação e o aprendizado compartilhado sejam também caminhos para o desenvolvimento urbano sustentável, na implementação da Nova Agenda Urbana e no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
A publicação busca inspirar outras comunidades, gestores públicos e governos locais a desenvolver soluções próprias, adaptadas às suas realidades, e abrir espaço para novas colaborações entre países que compartilham desafios urbanos semelhantes. Simetria Urbana
Lançado em 2023, o programa Simetria Urbana tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento das capacidades de governos locais e nacionais de países do Sul Global na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas urbanas alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Nova Agenda Urbana. Essas parcerias acontecem na modalidade de cooperação Sul-Sul trilateral, formato de colaboração que envolve dois países do Sul Global e um organismo internacional.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
O relatório reúne 16 iniciativas desenvolvidas por instituições em todo o Brasil, com foco em enfrentar os desafios urbanos de forma inclusiva, integrada e sustentável. A seleção das experiências teve em conta resultados concretos, inovação e potencial de adaptação a diferentes contextos territoriais. Acesse o relatório aqui.
A publicação faz parte do Simetria Urbana, programa liderado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa tem como objetivo fortalecer o intercâmbio de conhecimentos em temas ligados ao desenvolvimento urbano, entre países do Sul Global, promovendo o aprendizado mútuo e o desenvolvimento de capacidades institucionais. As iniciativas reunidas abordam de forma transversal questões centrais para desafios urbanos, como sustentabilidade ambiental, justiça social, inclusão, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento do papel dos governos locais. Um elemento comum entre elas é o esforço para responder aos desafios urbanos considerando dimensões socioeconômicas e grupos historicamente pouco priorizados pelas políticas públicas, como mulheres, jovens e populações em situação de vulnerabilidade.A publicação parte do princípio de que o aprendizado se fortalece na troca de conhecimentos e de experiências, e de que a Cooperação Sul-Sul representa oportunidade estratégica de colaboração mútua.Segundo Patricia Aguchiku, assistente de programas do ONU-Habitat no Simetria Urbana, a publicação é um importante marco do projeto. “Este relatório reflete um processo amplamente colaborativo, construído junto às instituições que se inscreveram. As experiências reunidas mostram como é possível enfrentar desafios urbanos de forma transversal, incluindo públicos muitas vezes invisibilizados pelas políticas públicas e conectando essas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao sistematizar essas práticas, ampliamos o alcance do aprendizado e fortalecemos o diálogo entre territórios do Sul Global.”Para Monica Salmito, analista de projetos da ABC, as experiências reunidas mostram que cidades mais justas, resilientes e sustentáveis são construídas a partir de políticas públicas sensíveis às realidades sociais e territoriais."Por meio do Simetria Urbana, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) promove o intercâmbio dessas práticas e contribui para ampliar o repertório de soluções disponíveis a governos locais e comunidades que enfrentam desafios urbanos semelhantes.”Ao compartilhar essas experiências, o Simetria Urbana contribui para que a cooperação e o aprendizado compartilhado sejam também caminhos para o desenvolvimento urbano sustentável, na implementação da Nova Agenda Urbana e no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
A publicação busca inspirar outras comunidades, gestores públicos e governos locais a desenvolver soluções próprias, adaptadas às suas realidades, e abrir espaço para novas colaborações entre países que compartilham desafios urbanos semelhantes. Simetria Urbana
Lançado em 2023, o programa Simetria Urbana tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento das capacidades de governos locais e nacionais de países do Sul Global na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas urbanas alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Nova Agenda Urbana. Essas parcerias acontecem na modalidade de cooperação Sul-Sul trilateral, formato de colaboração que envolve dois países do Sul Global e um organismo internacional.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
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29 janeiro 2026
Em Rondônia, UNOPS entrega obra em hospital referência para tratamento de doenças infectocontagiosas
O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), organismo da ONU especializado em infraestrutura, participou da inauguração do novo Centro de Medicina Tropical de Rondônia (CEMETRON), em Porto Velho. Resultado de um acordo de cooperação internacional com o Governo do Estado de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), e com a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), a reforma e ampliação do hospital atendem a uma demanda histórica de usuários e profissionais de saúde e contemplou uma área total de mais de 2 mil m².A cerimônia aconteceu na última sexta, 23 de janeiro, e contou com a presença do governador de Rondônia, Marcos Rocha, do secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, além de outras autoridades estaduais e representantes institucionais. O governador de Rondônia, Marcos Rocha, reforçou a importância da parceria com o UNOPS para a execução da obra com agilidade e eficiência na gestão dos recursos:“O UNOPS é uma referência e somos muito gratos em tê-los atuando em nosso Estado, não só nesta obra, como também na entrega do Hospital Regional de Guajará-Mirim [inaugurado em março de 2025]. Tenho certeza que outras parcerias virão”. O UNOPS foi responsável pela gestão do projeto e pela fiscalização da obra. A execução ficou a cargo da empresa AC Faustino e o investimento aproximado foi de R$ 19 milhões.“O governo de Rondônia confiou no UNOPS e foi o primeiro parceiro com o qual firmamos projetos de infraestrutura no Brasil. Ficamos muito satisfeitos em inaugurar nossa segunda obra no estado, ainda mais por se tratar de um hospital que vai ampliar sua capacidade de atendimento para beneficiar milhares de pessoas em toda a Região Norte do país”, destacou o diretor e representante do UNOPS no Brasil, Fernando Barbieri. A obra de reforma e ampliação atendeu a demandas históricas de usuários e profissionais de saúde. Entre as melhorias entregues, estão novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma nova Central de Material Esterilizado — reposicionada para otimizar os fluxos assistenciais — e um novo Almoxarifado Central. A inauguração também marcou a entrega do novo Centro Administrativo, que passa a contar com um auditório com capacidade para 100 pessoas. O espaço será destinado à realização de cursos, capacitações e atividades de formação continuada, contribuindo para o fortalecimento institucional e o desenvolvimento das equipes do hospital.As intervenções incluíram, ainda, a implantação de uma nova Central de Utilidades, que abriga sistemas essenciais como gerador, subestação de energia e gases medicinais. A nova estrutura garante maior autonomia operacional às áreas ampliadas, sem sobrecarregar as instalações já existentes do hospital.“Essa obra representa muito mais do que uma estrutura de parede e piso. Significa dignidade e humanização para que os nossos profissionais possam atender os pacientes com qualidade”, afirmou a diretora geral do Cemetron, Evelyn De Sousa Pinheiro. “Além disso, já percebemos que os profissionais estão muito mais satisfeitos com o novo espaço, o que influencia diretamente no humor. Nos corredores, as pessoas estão sempre com um sorriso no rosto.” O mesmo sentimento é compartilhado pela servidora e coordenadora da UTI de infectologia do Cemetron, Iris Land, que completou 24 anos de trabalho no Cemetron no último dia 23, mesmo dia da inauguração da nova ala.“Foram anos de espera por melhorias, e essa inauguração é um sonho que se torna realidade. Um ambiente adequado proporciona melhor qualidade para quem trabalha e para quem está sendo atendido, e vamos ver esse impacto positivo na vida de muitas pessoas”.Fundado em 1989, o Cemetron é referência no tratamento de doenças infectocontagiosas e tropicais no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, a nova ala reafirma o papel estratégico do Centro para a saúde pública estadual ao iniciar um novo ciclo de valorização e investimentos, voltado à modernização de sua estrutura e ao aprimoramento da gestão hospitalar.Para saber mais, siga @unops_official nas redes! Contato para a imprensa:Carolina Vicentin, Oficial de Comunicação, UNOPS: carolinav@unops.org
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22 janeiro 2026
ONU lança selo do artista brasileiro Eduardo Kobra para celebrar o 80º aniversário do Conselho Econômico e Social
Há oito décadas, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), um dos seis principais órgãos da Organização das Nações Unidas, oferece uma plataforma única para que Estados-membros, sociedade civil e parceiros nacionais e globais se unam para enfrentar as crises mais urgentes do mundo.Para marcar seu 80º aniversário, um evento especial será realizado no dia 23 de janeiro de 2026 para celebrar as conquistas do Conselho na proteção das pessoas e do planeta, para que nenhuma pessoa seja deixada para trás.Como parte da comemoração, será lançado um selo postal do ECOSOC, com uma obra do artista brasileiro Eduardo Kobra que destaca a nossa humanidade compartilhada, o planeta Terra e a sustentabilidade. SERVIÇO: Reunião especial de comemoração do 80º aniversário do Conselho Econômico e Social intitulada “ECOSOC80: Um ponto de inflexão para o multilateralismo”Quando: Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, das 12h às 15h (horário de Brasília)Onde: Auditório do ECOSOC, na sede da ONU em Nova IorqueO evento será transmitido ao vivo pela UN Web TVPalestrantes:António Guterres, secretário-Geral das Nações UnidasLok Bahadur Thapa, presidente do Conselho Econômico e SocialAnnalena Baerbock, presidente da 80ª sessão da Assembleia GeralEduardo Kobra, artista brasileiroBob Rae, presidente do ECOSOC para a sessão de 2025 e ex-Embaixador e representante permanente do Canadá nas Nações UnidasJoyce Msuya, secretária-geral adjunta para Assuntos HumanitáriosMaria Dimitriadou, representante especial do Banco Mundial na ONUTanaka Akihiko, presidente da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA)A comemoração dos 80 anos do ECOSOC destacará as contribuições e o legado do Conselho para o desenvolvimento sustentável e a governança global nas últimas oito décadas; reafirmará o compromisso dos Estados-membros com o fortalecimento do multilateralismo e da solidariedade; e celebrará o ECOSOC como um fórum para o engajamento inclusivo.Sobre o ECOSOCCriado pela Carta das Nações Unidas em 1945, o ECOSOC realizou sua primeira reunião em 23 de janeiro de 1946. Seu mandato - coordenar as atividades econômicas, sociais e culturais das Nações Unidas e promover a cooperação e o desenvolvimento internacionais - colocou-o no centro da promoção dos princípios da Carta das Nações Unidas. O multilateralismo, a inclusão e a solidariedade global têm sido fundamentais para a missão do ECOSOC. O ECOSOC reúne nações para avançar a dignidade, a igualdade, a solidariedade e as oportunidades. O Conselho defende os direitos humanos, promove a igualdade de gênero e orienta os países em direção a objetivos comuns para um futuro melhor. O Conselho também fornece orientação estratégica de políticas ao sistema de desenvolvimento da ONU, ao mesmo tempo em que promove a integração e a coerência em sua ampla rede de órgãos subsidiários e especializados.Ao longo de sua história, o ECOSOC tem servido como uma importante plataforma para reflexão, debate e pensamento inovador, reunindo diversos atores para enfrentar os desafios mais urgentes do mundo. O trabalho do Conselho é enriquecido por mais de 6.500 organizações da sociedade civil com status consultivo. Para mais informações, visite a página do evento: https://ecosoc.un.org/en/un80Nas redes sociais, siga @UNECOSOC e use a hashtag #ECOSOC80 Contatos para a imprensa: Sharon Birch, Departamento de Comunicação Global da ONU: birchs@un.orgPaul Simon, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: simonp@un.org
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Discurso
22 janeiro 2026
Guterres: “Precisamos de vocês mais do que nunca”
Excelências,Caros amigos,É uma honra juntar-me à Associação das Nações Unidas do Reino Unido para comemorar este aniversário especial.Gostaria de começar expressando minha profunda gratidão. Gratidão ao Reino Unido por seu papel decisivo na criação das Nações Unidas.E, mais ainda, gratidão por ser um pilar tão forte do multilateralismo e um defensor das Nações Unidas nos dias de hoje. A UNA-UK é uma das principais razões para isso. Saúdo seus 80 anos de defesa, conscientização e compromisso inabalável em manter o Reino Unido global. Meus agradecimentos a vocês e a todos os membros da sociedade civil aqui presentes hoje por comparecerem à ONU — e por honrarem a história com os olhos firmemente fixos no futuro. Precisamos de vocês mais do que nunca. Caros amigos,Estamos aqui para celebrar os “80 anos da Assembleia Geral da ONU ” — quando delegados de 51 países se reuniram neste salão para a primeira sessão da Assembleia Geral.Também marcamos outro momento — exatamente há 80 anos — quando o Conselho de Segurança se reuniu pela primeira vez.Para chegar a este salão, os delegados tiveram que passar por uma cidade marcada pela guerra.O Palácio de Buckingham, a Abadia de Westminster e a Câmara dos Comuns foram bombardeados pela Luftwaffe.E enquanto as bombas caíam, civis aterrorizados se amontoavam aqui, no porão do Methodist Central Hall — um dos maiores abrigos públicos contra ataques aéreos de Londres.Durante o Blitz, cerca de 2.000 pessoas se reuniram aqui em busca de segurança, esperando com toda esperança que este prédio resistisse à noite.Cada pedra deste salão está impregnada dos desejos e orações, por vezes desesperados, de pessoas comuns — pela paz.Foi logo acima desse abrigo, onde tantos buscaram proteção, que as nações do mundo se reuniram para “salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”.De muitas maneiras, este Salão é uma representação física do que são as Nações Unidas: um lugar onde as pessoas depositam sua fé — pela paz, pela segurança, por uma vida melhor.A Assembleia Geral está no centro desse trabalho.Mais adiante, fica a “Mãe dos Parlamentos”.A Assembleia Geral é o parlamento da família das nações.É um fórum para que todas as vozes sejam ouvidas, um molde para o consenso e um farol para a cooperação.A primeira resolução da Assembleia Geral — adotada poucos dias após a primeira reunião — concentrou-se no desarmamento e na eliminação das armas atômicas como objetivo global. E, por oito décadas, a Assembleia Geral tem sido o lugar onde o mundo se reúne para ajudar a promover a paz, o desenvolvimento sustentável e a salvaguarda dos direitos humanos. Por sua natureza, o trabalho da Assembleia Geral pode nem sempre ser simples ou tranquilo. Mas é um espelho do nosso mundo, das suas divisões e das suas esperanças.E é o palco onde se desenrola a nossa história comum. Hoje, estamos a entrar num novo capítulo dessa história. Caros amigos,No meu primeiro ano como secretário-geral, estive neste mesmo lugar para me dirigir à UNA-UK.Era 2017, após eleições e referendos que abalaram sociedades em todo o mundo.Falei dos riscos que enfrentávamos: Conflitos locais tornando-se regionais;Novas tecnologias, incluindo inteligência artificial, ameaçando perturbar profundamente as economias;Soberania nacional sendo invocada como pretexto para minar os direitos humanos. Na última década, tudo isso e muito mais se desenrolou em alta velocidade:Os conflitos em Gaza, na Ucrânia e no Sudão foram violentos e cruéis além da medida;A inteligência artificial tornou-se onipresente quase da noite para o dia;E a pandemia jogou lenha na fogueira do nacionalismo — paralisando o progresso no desenvolvimento e nas ações climáticas.Se este período nos ensinou alguma coisa, é que nossos desafios são cada vez mais sem fronteiras e cada vez mais interconectados.A única maneira de enfrentá-los é juntos. E isso requer um sistema multilateral robusto, responsivo e com bons recursos.No entanto, neste momento, esse sistema está sob ameaça.2025 foi um ano profundamente desafiador para a cooperação internacional e os valores da ONU:A ajuda foi drasticamente reduzida.As desigualdades aumentaram.O caos climático se acelerou.O direito internacional foi pisoteado. A repressão à sociedade civil se intensificou.Jornalistas foram mortos com impunidade.E funcionários das Nações Unidas foram repetidamente ameaçados — ou mortos — no cumprimento do seu dever.Ao mesmo tempo, vemos forças poderosas se alinhando para minar a cooperação global. No ano passado, a ONU informou que os gastos militares globais atingiram 2,7 trilhões de dólares — mais de 200 vezes o orçamento atual do Reino Unido para ajuda humanitária, ou o equivalente a mais de 70% de toda a economia britânica.Enquanto o planeta batia recordes de calor, os lucros dos combustíveis fósseis continuavam a aumentar.E no ciberespaço, algoritmos recompensaram falsidades, alimentaram o ódio e forneceram aos autoritários poderosas ferramentas de controle.No entanto, apesar desses mares agitados, seguimos em frente.Basta olhar para as notícias deste mesmo dia: Hoje, entra em vigor o Acordo sobre Diversidade Biológica Marinha em Áreas além da Jurisdição Nacional (BBNJ).Este tratado estabelece a primeira estrutura jurídica para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade marinha em dois terços do oceano além dos limites nacionais.As negociações foram um modelo de diplomacia moderna: lideradas pela ciência, com a participação não apenas de governos, mas também da sociedade civil, povos indígenas e comunidades locais.Essas vitórias silenciosas da cooperação internacional — guerras evitadas, fome evitada, tratados vitais garantidos — nem sempre chegam às manchetes.No entanto, elas são reais. E são importantes.Se quisermos garantir mais vitórias como essas, devemos assegurar o pleno respeito ao direito internacional e defender o multilateralismo, fortalecendo-o para os nossos tempos. O mundo de 2026 não é o mundo de 1946. À medida que os centros de poder globais mudam, temos o potencial de construir um futuro mais justo — ou mais instável.Se quisermos torná-lo mais justo, é fundamental que o sistema internacional reflita a realidade atual.Esse é o espírito da nossa Iniciativa ONU80 e a essência do Pacto para o Futuro — um plano para garantir que as Nações Unidas sejam mais ágeis, mais coordenadas e mais responsivas.Isso também está no centro de nossos esforços para atualizar o Conselho de Segurança e reformar a arquitetura financeira internacional injusta e desigual.E eu acrescentaria que é claramente do interesse daqueles que detêm mais poder estar na linha de frente da reforma.Aqueles que tentam se agarrar aos privilégios hoje correm o risco de pagar o preço amanhã.Portanto, devemos ser ousados o suficiente para mudar. Ousadia suficiente para encontrar a coragem daqueles que vieram a este salão há 80 anos para construir um mundo melhor. As circunstâncias não exigem nada menos do que isso. Caros amigos,Neste momento em que os valores do multilateralismo estão sendo minados, cabe a nós — em nossa capacidade como profissionais, eleitores e membros de organizações como a UNA-UK — tomar uma posição.Mais do que nunca, o mundo precisa de movimentos da sociedade civil que sejam destemidos e persistentes — que tornem impossível para os líderes desviar o olhar.A Assembleia Geral que celebramos hoje existe por causa de uma verdade simples: a humanidade é mais forte quando nos unimos. Mas essa unidade não começa na Assembleia Geral — ela começa aqui, com movimentos populares como o seu.Todos os anos, a UNA-UK concede o Prêmio Sir Brian Urquhart por Serviços Distintos às Nações Unidas.Gostaria de deixar vocês com uma reflexão sobre o próprio Sir Brian.Quando as Nações Unidas abriram suas portas pela primeira vez, muitos de seus funcionários carregavam feridas visíveis da guerra — um mancar, uma cicatriz, uma queimadura.O major Urquhart era um deles:Ele estava em um navio que explodiu no Canal da Mancha;Testemunhou a libertação de Bergen-Belsen;E carregou, pelo resto da vida, um mancar devido a um paraquedas que não abriu.Existe um mito persistente — que ecoa cada vez mais forte a cada dia — de que a paz é ingênua.Que a única política “real” é a política do interesse próprio e da força.Mas os fundadores das Nações Unidas não estavam alheios à realidade.Pelo contrário, eles tinham visto a guerra e sabiam:A paz, a justiça e a igualdade são as buscas mais corajosas, mais práticas e mais necessárias de todas.Em uma cidade marcada pela devastação, os primeiros delegados nesta sala compreenderam o que estava em jogo. O mesmo aconteceu com as pessoas naquele abrigo antiaéreo.O mesmo aconteceu com os primeiros funcionários, como Sir Brian.Nosso dever é servir com o mesmo senso de urgência.Agradeço a cada um de vocês por escolherem viver uma vida de engajamento e participação.Juntos e juntas, vamos continuar a lutar:Pela justiça.Pela humanidade.E pela paz.Obrigado.Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre os 80 anos das Nações Unidas e acompanhe a cobertura da ONU News em português: https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852101
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História
27 fevereiro 2026
“É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”
No Alto Rio Negro, o tempo não se mede apenas em horas, mas em dias de viagem. Entre comunidades separadas por rios extensos, florestas densas e uma das maiores biodiversidades do planeta, chegar a um hospital pode significar uma jornada longa demais para uma criança pequena com diarreia ou uma gestante em situação de risco. É nesse intervalo, entre o surgimento dos primeiros sintomas e a chegada ao atendimento especializado, que a vida, muitas vezes, é decidida.É ali que entram os Agentes Indígenas de Saúde: Maura, Doriendson e Dineia. Eles vivem e trabalham em pontos diferentes do território de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, mas compartilham uma mesma missão: garantir que mães e crianças não fiquem sozinhas diante da doença, da gravidez ou do parto, mesmo onde o acesso aos serviços de saúde é limitado. Seu trabalho se constrói no cotidiano das comunidades, em diálogo direto com o território, a biodiversidade e os modos de vida que dependem do equilíbrio entre rio, floresta, alimento e cuidado.Esse olhar atento ganhou ainda mais força após as formações da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, conhecida como AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF por meio do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira”, desenvolvido pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (MPTF), no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto do Rio Negro.Desde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Instituto Amazônia Açu (Iaçu), lideranças indígenas e equipes locais de saúde para planejar ações adaptadas aos contextos culturais, linguísticos, ambientais e geográficos das comunidades. O foco é fortalecer o cuidado de base comunitária por meio da estratégia AIDPI Comunitário, reconhecendo o papel central de agentes indígenas de saúde, parteiras, pajés e lideranças comunitárias no cuidado cotidiano das crianças e de suas famílias. Dineia: saberes que nascem do territórioNo distrito de Assunção do Içana, no Alto Rio Negro, o cuidado com gestantes e recém-nascidos começa muito antes de qualquer hospital. Dineia Fernandes Dávila, 48 anos, é parteira-chefe da região e atua há mais de duas décadas acompanhando mulheres durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Seu trabalho se constrói a partir da combinação entre a medicina ocidental e os saberes tradicionais indígenas, profundamente ligados ao território e à biodiversidade local.“A gente usa o remédio do homem branco, os medicamentos que vêm da ciência da cidade, mas ao mesmo tempo usamos os nossos medicamentos tradicionais, são folhas e raízes da floresta”, explica Dineia. Esses saberes incluem práticas de cuidado transmitidas entre gerações, como o uso de chás, ervas, rezas e orientações alimentares no pós-parto, que dependem diretamente da floresta, dos rios e dos recursos naturais disponíveis nas comunidades.Para Dineia, proteger a saúde das mulheres e das crianças passa também por preservar o ambiente que sustenta essas práticas. O conhecimento que ela carrega vem das mulheres mais velhas de sua família e da convivência com outras parteiras: “Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó e com as mulheres mais velhas. É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”.Ao longo dos anos, Dineia acompanhou dezenas de partos em comunidades onde o deslocamento até um hospital pode levar dias: “Aqui a criança nasce no normal. Só quem está em risco é que vai para o hospital.”Nas formações do AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF, Dineia encontrou um espaço de troca entre saberes do seu povo e conhecimentos técnicos da saúde. Em 2025, foram realizadas duas oficinas presenciais, em Assunção do Içana e no Polo Base de Yauaretê, reunindo aproximadamente 100 participantes, entre Agentes Indígenas de Saúde, AISANs, parteiras, pajés e lideranças comunitárias. Nos encontros, são discutidos temas como aleitamento materno, alimentação no pós-parto, sinais de risco na gestação e os impactos da mudança climática no cuidado com mães e bebês. “É uma troca. A gente ensina e aprende”, resume. A mudança global do clima, cada vez mais frequentes na região, já influenciam práticas passadas de geração em geração: “Com a mudança do tempo, hoje a gente já não dá banho no bebê logo que nasce. Espera pelo menos 24 horas”.As formações abordaram o acompanhamento contínuo das crianças, o manejo inicial de diarreia, desidratação, infecções respiratórias e desnutrição, além da organização dos fluxos de encaminhamento. A adaptação do cuidado ao ambiente reforça o papel dos saberes tradicionais como práticas vivas, que se transformam para proteger a saúde das crianças.Além de atuar como parteira, Dineia acompanha o pré-natal em parceria com as equipes de saúde e orienta gestantes sobre alimentação, descanso e cuidados básicos. Para ela, fortalecer o cuidado comunitário é também fortalecer a autonomia das mulheres e reduzir riscos desnecessários. “A gente trabalha como voluntária, com amor e carinho. As pessoas chamam a gente quando precisam. Há, infelizmente, um grande número de jovens grávidas na nossa região que precisam de acompanhamento e informação”, afirma.Para Dineia, investir na formação contínua de parteiras e agentes indígenas de saúde é essencial para garantir que esse cuidado chegue a quem mais precisa, especialmente em um território marcado por longas distâncias e acesso limitado aos serviços especializados. “A capacitação é muito importante e precisa continuar. Hoje ainda precisamos de muito de materiais básicos como tesoura, materiais de parto, botas e bacias, mas com o projeto já conseguimos avançar muito nos cuidados da nossa comunidade”, defende.Maura: observar cedo para agir rápidoMaura Vaz Peixoto, 42 anos, mulher indígena do povo Tucano, conhece bem essa realidade de Dineia. Em sua área, ela percorre casas de duas comunidades, Boca da Estrada e Nova Esperança, como Agente Indígena de Saúde (AIS), parteira e liderança comunitária. Três vezes por semana, ao longo do mês, visita cerca de 38 famílias, acompanhando crianças pequenas, mulheres gestantes e idosos. “Eu faço visita domiciliar, casa por casa. Quando vejo que a criança está fraca, gripada ou com diarreia, eu observo bem. Se pode virar sinal de perigo, eu encaminho rápido”, explica. Esse olhar atento foi fortalecido nas oficinas da AIDPI Comunitário: “Antes, eu só visitava. Hoje eu observo mais. Aprendi a identificar quando a criança pode piorar.”No cuidado diário, ela combina o uso de medicamentos do sistema de saúde com práticas tradicionais, como chás preparados a partir de plantas locais para aliviar sintomas leves e fortalecer o organismo. “A gente usa dois tipos de cuidado: o medicamento dos brancos e o da nossa cultura. Os dois caminham juntos. Aprendemos com outros povos como preparar chás da nossa cultura. Cada região e cada etnia tem seus conhecimentos, nas oficinas de AIDPI a gente também troca essas experiências.”Em um território onde a qualidade da água varia conforme o período de cheias e secas, e onde a biodiversidade influencia diretamente a alimentação das famílias, reconhecer precocemente sinais de desidratação e desnutrição pode significar salvar vidas. “Esse conhecimento eu vou passar para nossas filhas e para nossas noras. São elas que vão cuidar no futuro,” afirma Maura.Doriendson: o cuidado que atravessa distânciasEm outra comunidade no Amazonas, em São Joaquim, Doriendson Felipe Paulino, de 31 anos, da etnia Koripako, enfrenta desafios semelhantes. As casas ficam espalhadas ao longo do rio, e muitas famílias só conseguem chegar ao polo base depois de horas, às vezes dias, de deslocamento.“Quando a criança começa a ter diarreia, se não cuidar logo, pode piorar rápido. Nem todas as crianças, mulheres e idosos falam português. Alguns não entendem, outros têm medo de falar. A gente também ajuda traduzindo e acompanhando”, conta. Nas formações apoiadas pelo UNICEF, ele também aprendeu a orientar as famílias, além de reconhecer quando o caso pode ser acompanhado na comunidade e quando precisa ser encaminhado:“Antes do curso, alguns enfermeiros já tinham me passado orientações básicas, mas com essa capacitação eu me aprofundei mais. Aprendi melhor como acompanhar os pacientes e agir em situações que fogem do normal”. O AIS também acompanha casos mais complexos, como o de um adolescente com epilepsia, cuja família enfrenta dificuldades para manter o uso regular da medicação. “Se ele não toma o remédio no horário certo, a crise vem. A gente acompanha de perto.”Doriendson atua como um elo entre a comunidade e a rede de saúde, ajudando a reduzir deslocamentos desnecessários e garantindo que os casos mais graves cheguem mais rápido ao atendimento especializado. “Esse curso foi fundamental. Seria muito bom ter capacitações como essa todos os anos, para atualizar nossos conhecimentos e ajudar ainda mais a comunidade”.Uma rede que se fortalece com a formaçãoDesde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI Alto do Rio Negro, lideranças indígenas e equipes locais para adaptar a estratégia AIDPI Comunitário às realidades culturais, ambientais e geográficas do território. As oficinas utilizam metodologias participativas e práticas, começando com escuta ativa e cartografia do território para identificar riscos, saberes locais e desafios específicos de cada região.Para Maura, Doriendson e Dineia, essas formações ganham sentido no dia a dia, na casa visitada, na criança observada com atenção, na gestante acompanhada desde o início. Esse cuidado se torna ainda mais urgente em um território cada vez mais afetado pela mudança climática. Secas e cheias extremas impactam a qualidade da água, a segurança alimentar e aumentam o risco de doenças de transmissão hídrica, especialmente entre crianças pequenas.Ao fortalecer a identificação precoce de sinais de desidratação e desnutrição e orientar as famílias sobre cuidados preventivos, o projeto contribui para evitar agravamentos evitáveis em regiões onde o hospital pode estar a dias de distância.No Alto Rio Negro, onde o rio é caminho e o tempo é precioso, o cuidado começa antes do hospital. Ele começa na escuta atenta, no olhar treinado e na confiança de quem conhece o território. E é assim, com Maura, Doriendson, Dineia e tantos outros Agentes, que o cuidado chega primeiro. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
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História
26 fevereiro 2026
“Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”
O sonho de Benedita de Jesus Conceição da Costa, de 15 anos, é ser policial ou enfermeira e ela estuda muito para isso. Estudante que havia ficado afastada da escola conseguiu avançar duas séries em um ano.Vinda do interior do Amapá, onde ela morava com a avó, Benedita se mudou para o município de Santana, na região metropolitana de Macapá, no início de 2025, para morar com o irmão mais velho. Como ela tinha ficado fora da escola por dois anos, ela precisou de apoio para retomar seus estudos.Foi inicialmente matriculada no 6º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Prof. Francisco Walcy Lobato Lima e passou a participar da turma do Programa Travessia, que atende 23 estudantes de 13 a 17 anos em situação de distorção idade-série no 6º e 7º ano. Ela avançou tanto nas suas aprendizagens que começou 2026 já no oitavo ano.Lançado em 2020, o Programa Travessia tem como principal objetivo promover o enfrentamento da cultura do fracasso escolar, em especial da distorção idade-ano de estudantes dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental das escolas estaduais do Amapá.A professora de matemática de Benedita, Natally Campos Vilhena, contou que tudo encantava a estudante quando chegou: a escola grande, o contato com crianças da mesma idade, pessoas com quem queria conversar. "Ela é muito alegre, empolgada para estudar", diz a professora. Apesar do entusiasmo, Benedita chegou com muitas dificuldades para ler e escrever e para realizar as operações matemáticas.Com o acompanhamento das professoras de Língua Portuguesa e Matemática, a adolescente começou a avançar no segundo semestre. “Ela começou a vir à minha mesa só para tirar dúvida e voltava para resolver sozinha, fiquei muito impressionada com o desenvolvimento dela", relembra Natally.Benedita reconhece a importância do apoio que teve dos professores da escola: “Fiquei dois anos sem estudar, e quando entrei no Walcy tive um apoio que nem sei como explicar, eu ia na mesa dos professores até saber a resposta. Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”.Uma das mudanças que aconteceram no segundo semestre foi a transferência da turma do Travessia para uma sala de aula com cinco mesas redondas, nas quais os estudantes são agrupados considerando as aprendizagens que precisam consolidar, com quatro ou cinco em cada mesa. Essa configuração permitiu que a professora estimulasse maior interação entre os grupos, mudando os estudantes de mesa conforme avançavam.Natally afirma que a transformação de Benedita foi visível. Hoje ela está bem mais confiante, consegue responder perguntas em sala de aula e demonstra estar muito mais feliz.Sobre a estratégia Trajetórias de Sucesso EscolarO programa do governo amapaense faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, iniciativa do UNICEF com o objetivo de facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes. O site da estratégia disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.Para a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Grupo Profarma e Instituto Claro, e com apoio da Fundação Itaú. A estratégia é desenvolvida em parceria técnica e de implementação com a Roda Educativa. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página das Trajetórias de Sucesso Escolar: https://www.unicef.org/brazil/trajetorias-de-sucesso-escolar-0
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História
23 janeiro 2026
Do desafio à liderança: a floresta e o poder da transformação social
Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde ficam o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu e o Rio Dona Eugênia, Edgar Martins morava a poucos metros da área da reserva natural, um refúgio que o ajudou a mudar de rota e construir uma trajetória de impacto na gestão pública ambiental. O parque está localizado no Maciço do Mendanha, formado pelas serras do Mendanha, Gericinó e Madureira. É composto por 1,1 mil hectares de área protegida da Mata Atlântica, com inúmeras cachoeiras, poços e uma rica biodiversidade. Foi nessa localidade que Edgar encontrou abrigo quando, aos 12 anos, foi aliciado pelo tráfico, um cenário comum na região. O parque se tornou um lugar de fuga da realidade, e foi onde ele conheceu Dona Olga, moradora da comunidade que se preocupou ao vê-lo sempre sozinho. Quando soube o motivo de tanta frequência, ela resolveu ajudá-lo, oferecendo almoço e lanches nas longas jornadas longe de casa. Em forma de agradecimento, Edgar começou a apoiar com tarefas no entorno do parque. A convivência com a natureza acabou despertando seu conhecimento e uma forte conexão com o meio ambiente e com a conservação do local, possibilitando que posteriormente se tornasse um guia mirim. “Foi ali que entendi, ainda bem jovem, que a natureza era meu caminho para me encontrar e encontrar saúde mental. E isso me levou a focar meus estudos no meio ambiente, pela biologia”, ele conta. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Iguaçu e pós-graduado em Gestão Pública e Ambiental, Edgar é perito em Incêndio Florestal e já acumula experiências de atuação na Secretaria de Meio Ambiente de Nova Iguaçu há 20 anos. “Minha história é um exemplo para a juventude de que existem outros caminhos. Passei por muitas dificuldades, minha mãe trabalhava muito, e hoje sou pós-graduado e mestrando em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. É preciso disposição para sair da zona de conforto e fazer a diferença no mundo em que vivemos.” Evitando a poluição dos riosSe o meio ambiente sempre fez parte da vida e da rotina de Edgar, entender o panorama da agricultura no município foi um novo desafio profissional quando assumiu o cargo de Secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Nova Iguaçu, em 2023. A iniciativa do atual subsecretário foi entender as dificuldades dos profissionais de agricultura e de que maneira ele poderia colaborar com novas soluções, já que a região enfrenta problemas de abastecimento de água e grande parte dos produtores recorria ao poço artesiano para a irrigação das plantações. Muitos desses produtores fazem uso da água em regiões que usam sistemas de “sumidouro” como solução para o esgotamento sanitário, composto por paredes vazadas e fundo permeável. Esse tipo de sistema resulta, muitas vezes, na contaminação do lençol freático. Com isso, houve a preocupação das condições da água captada nos poços artesianos e o saneamento básico. A equipe do município de Nova Iguaçu precisou buscar soluções mais sustentáveis – e assim chegou até o edital “Sanear Guandu”, do Comitê de Bacia Hidrográfica Guandu.Assim surgiu a iniciativa Gestão Integrada de Recursos Hídricos em Áreas Protegidas e Rurais, com o objetivo de evitar a poluição dos rios e córregos com a ajuda dos Comitês de Bacias Hidrográficas, investindo no tratamento do esgoto por meio de obras que tragam soluções tanto individuais quanto coletivas, com a participação da comunidade local, oficinas de capacitação e ações de mobilização social. Além disso, a iniciativa também é realizada em parceria com a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (EMLURB) e com as mulheres da cooperativa Carolinas de Jacutinga, que ajudam a dar novo destino para o lixo e os materiais recicláveis, gerando renda e impedindo que os resíduos poluam o oceano. O projeto também colabora com a recuperação da vegetação que cresce naturalmente nas margens dos rios, dentro das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e outras regiões mais afastadas. Isso cria corredores ecológicos, evita o assoreamento e protege a fauna e a flora. O plano também conta com campanhas educativas com escolas para conscientizar crianças e adolescentes sobre como cuidar da água e com a colaboração da Defesa Civil para treinar as comunidades em como reduzir os riscos de desastres, principalmente nas áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos e incêndios. Desafio dos ODSEm novembro de 2024, a ação da prefeitura de Nova Iguaçu foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) no Concurso de Boas Práticas do Desafio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na categoria ODS 6 e 14 - Uso da água e preservação dos oceanos. Promovido pelo RJ Resiliente, parceria do ONU-Habitat com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Desafio dos ODS mobilizou mais de 500 servidores públicos de 86 municípios e 9 comitês de bacia em torno de um objetivo comum: fortalecer a resiliência climática e acelerar a Agenda 2030 no estado. Ao todo, 43 iniciativas foram submetidas em 6 categorias de premiação, das quais 10 foram premiadas. A categoria vencida por ele destacou iniciativas de promoção da gestão eficiente de recursos hídricos e resíduos, assegurando o acesso à água potável e ao saneamento básico para todas as pessoas, além de proteger as fontes hídricas e os oceanos. Ela está alinhada aos ODS 6: Água e Saneamento e ODS 14: Vida na Água, buscando garantir a disponibilidade e o uso sustentável da água, assim como a biodiversidade dos ambientes marinhos. “Estar no G20, recebendo um prêmio em nome da cidade que eu nasci foi emocionante e gratificante. Relembrei de toda a minha trajetória até aquele momento. Essa é a minha obrigação como gestor público, mas o sentimento é de reconhecimento em ver a cidade de Nova Iguaçu como referência.” “Essa conquista no Desafio dos ODS é fruto do esforço coletivo e do apoio do Sanear Guandu, além do compromisso de muitas pessoas com o desenvolvimento sustentável. Agradeço a todos e todas que contribuíram ao longo do processo e destaco, em especial, o apoio de Frederico Ayres, assessor técnico de Meio Ambiente, cujo trabalho foi fundamental para que esse reconhecimento se tornasse possível”, agradeceu o gestor. Para saber mais, siga o @onuhabitatbrasil nas redes!
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História
15 janeiro 2026
FNDE e ONU avançam na construção de escolas indígenas e quilombolas
Carro emprestado, barco, bicicleta, moto, carona. No Brasil, o caminho para a escola nem sempre foi fácil, especialmente no contexto de comunidades tradicionais localizadas em locais distantes dos centros urbanos e onde a preservação da identidade cultural é também uma forma de resistência.“Eu nasci e me criei aqui. Aprendi a assinar meu nome e parei por aí. A gente não tinha como continuar, por falta de estrutura. Não tinha colégio, não tinha professor”, lembra Raimundo Claudio, 69 anos, indígena do povo Tembé, uma das 391 etnias existentes no país.A realidade descrita por Raimundo era muito comum em comunidades indígenas e quilombolas no Brasil. Com a falta de estrutura física, muitas famílias precisavam levar seus filhos para a cidade, como forma de garantir a continuidade dos estudos. A alternativa, contudo, saia mais cara e acabava por promover a separação das famílias e a perda de costumes e práticas culturais, tão importantes para as comunidades.Esse cenário mudou nos últimos anos, com o avanço de políticas públicas e mais investimentos em infraestrutura escolar - como um caminho para a garantia do acesso à educação e preservação das identidades culturais. Uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do Ministério da Educação, com apoio do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), um organismo da ONU especializado em infraestrutura, está acelerando as melhorias nessa área. A parceria prevê a conclusão das obras de 62 escolas indígenas e quilombolas, localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Desse total, 24 obras estão contratadas. “A educação é quase tudo, porque é ela que traz desenvolvimento para a comunidade”, destaca o cacique Nilson Tembé, liderança da Aldeia Indígena Frasqueira, localizada em Capitão Poço, no Pará. “Com a educação, conseguimos formar pessoas - professores, médicos, enfermeiros, dentistas - e essas pessoas podem ocupar os espaços que antes eram dos brancos”, reforça ele.“Essa iniciativa representa uma grande aspiração e esperança de que tenhamos assistência a esses povos, que foram durante muitos anos esquecidos em políticas públicas”, afirma a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba. “E é muito importante que as obras sejam realizadas escutando as comunidades. Os povos tradicionais têm uma cultura muito forte, que precisa ser passada de geração em geração, então estamos fazendo essas obras de modo mais específico, para garantir que as pessoas tenham espaços adequados para a educação.” Escuta, cuidado e adaptaçãoOs processos de escuta começam ainda antes do primeiro tijolo ser colocado. “Neste projeto, a gestão social começa cedo. Desde o momento zero, fazemos contato com lideranças das comunidades indígenas e quilombolas, com professores e diretores escolares e com autoridades de Educação dos municípios e estados”, explica Diogo Cavallari, especialista Nacional em Gestão de Obras pelo UNOPS Brasil.Um grupo de especialistas em gestão social - que são também integrantes de comunidades indígenas e quilombolas - faz acompanhamento periódico com as lideranças, informando sobre os avanços de maneira transparente e objetiva. Na fase de diagnóstico sobre a situação das infraestruturas até então existentes - visto que as obras de algumas escolas já estavam iniciadas -, as comunidades também opinaram sobre as adaptações que poderiam ser feitas , como, por exemplo, o aumento do número de salas (para caber mais turmas) - sem impacto na área total - e a substituição de materiais por outros mais facilmente encontrados no contexto local.As novas escolas serão feitas com materiais que permitem o melhor aproveitamento da luz e da ventilação natural, a produção de energia com placas solares fotovoltaicas e o reuso de água da chuva. “Eu quero fazer curso de direito. Para poder entrar no mundo dos direitos dos povos indígenas, lutar pelos nossos direitos, que muitas vezes são violados”, planeja Zahy Tembé, estudante do ensino médio.Além da conclusão das 62 escolas, o projeto do FNDE com o UNOPS prevê o fortalecimento da gestão de infraestrutura escolar, com ações como aprimoramento de processos e redução de gargalos institucionais. Outra entrega é um novo projeto referencial para obras de escolas indígenas e quilombolas, com tipologias de construção diversas e que permitirão ainda mais facilidade e dinamismo em futuras construções.Para saber mais, leia a matéria do UNOPS e siga @unops_official nas redes!
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História
23 dezembro 2025
Pós-desastre: UNOPS apoia a reconstrução da infraestrutura do SUS no Rio Grande do Sul
Em parceria com o Ministério da Saúde, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) vem apoiando municípios gaúchos na recuperação da infraestrutura de saúde. Ao todo, 101 obras em 33 municípios estão sendo acompanhadas pelo organismo da ONU, que oferece consultoria especializada, suporte técnico e orientação jurídica a gestores locais.Hoje, ao ver a Unidade Básica de Saúde (UBS) Sarandi, em Porto Alegre, totalmente reformada, a enfermeira Cassiane Neves se emociona:“Passamos um ano e cinco meses fazendo os atendimentos nos fundos do prédio, com horários restritos e sem a equipe completa. Foi muito difícil. Agora reabrimos para a comunidade. Daqui para frente, é atendimento pleno, tudo novo”, comemorou ela logo após a reabertura da unidade, em novembro. A UBS Sarandi atende, em média, cerca de 3 mil pessoas por mês.As dificuldades enfrentadas durante a enchente ainda estão igualmente vivas para a enfermeira Mariana Leonardo de Freitas Mirandolli, responsável pela unidade de saúde Mario Quintana, também na capital gaúcha. “Foi uma obra muito esperada por todos nós. Logo depois da enchente, durante dois meses, o atendimento foi feito em barracas improvisadas, nos abrigos e até em um CTG (Centro de Tradições Gaúchas). Precisamos sair das barracas porque o calor era insuportável. Voltamos a atender dentro da unidade mesmo sem luz”, relata.Com forte vulnerabilidade social no entorno da unidade, a equipe da UBS Mario Quintana decidiu manter o atendimento no território, mesmo em condições críticas. “Sair daqui não era uma opção. Seguimos o atendimento sem parar, Finalmente, é um sonho que conseguimos realizar, ao prestar uma melhor assistência para a comunidade. Agora temos salas com luz, portas e até ar-condicionado. Está sendo muito bom”, afirma Mariana. Apoio técnico em municípios severamente atingidosUma das cidades mais impactadas pelas enchentes foi Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O município foi invadido pelos rios dos Sinos e Caí, exigindo evacuações emergenciais. No bairro Morretes, onde fica uma UBS, equipes de saúde precisaram ser transportadas por barco para dar continuidade ao atendimento.Por meio do acordo de cooperação com o Ministério da Saúde e em articulação com a Prefeitura, o UNOPS apoiou na definição da área mais adequada para a construção de duas UBS e orientou o município no processo de desapropriação em um dos terrenos — um passo necessário para viabilizar as obras. “A equipe técnica ajudou no correto direcionamento jurídico, o que foi fundamental naquele momento”, destaca o secretário de Saúde de Nova Santa Rita, Bryan Freitas.Segundo ele, a parceria contribuiu para solucionar entraves que pareciam sem solução: “O Ministério da Saúde e o UNOPS foram fundamentais para esclarecer dúvidas técnicas e apontar possibilidades. Não contamos com um corpo técnico especializado, então o acompanhamento nos trouxe segurança e facilitou nossa gestão.”Reconstrução de unidades com eficiênciaEm Sapucaia do Sul, as unidades Colina Verde e Carioca registraram danos estruturais severos, que afetaram salas de atendimento, instalações elétricas e áreas administrativas, exigindo reformulação completa dos espaços. Segundo a secretária adjunta de Saúde do município, Ana Paula Macedo, o apoio técnico tem sido decisivo para garantir agilidade na recuperação.“É uma oportunidade de atender melhor a comunidade e sanar as dificuldades geradas pela enchente. Podemos agora fazer a reforma e a ampliação das unidades Colina Verde e Carioca. A perspectiva é entregar essas estruturas em breve à população, que se sentirá valorizada e terá atendimento qualificado perto de casa”, avalia.O maior desastre climático do RS e a resposta na saúdeEntre abril e maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o maior desastre climático de sua história. As enchentes atingiram 478 municípios; cerca de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas, 650 mil ficaram desalojadas, mais de 71 mil desabrigadas e 183 perderam a vida, segundo a Defesa Civil do Estado. Em Porto Alegre, o Rio Guaíba ultrapassou 5,35 metros em Porto Alegre, superando o recorde da enchente de 1941.Na área da saúde, o impacto foi devastador: cerca de 3 mil estabelecimentos de saúde sofreram danos estruturais. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, ao menos 290 estruturas como hospitais e unidades do SUS foram atingidas. Apenas em Porto Alegre, 26 Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram impactadas; 14 delas precisaram ser fechadas, interrompendo os atendimentos à população em um momento crítico.Diante dos impactos provocados pelo desastre climático no Rio Grande do Sul, o projeto entre UNOPS e Ministério da Saúde busca acelerar a reconstrução da infraestrutura de saúde com assistência técnica, incluindo diagnóstico de necessidades e orientação jurídica, desde o início da execução até a conclusão das obras. A atuação, em conjunto com os gestores municipais, vem fortalecendo a resiliência dos serviços de saúde, promovendo soluções sustentáveis e assegurando o uso eficiente dos recursos públicos.Para saber mais, visite a página do UNOPS no Brasil: https://www.unops.org/brazil
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Notícias
27 fevereiro 2026
UNICEF e Papo Reto levam oportunidades para a Pavuna, no Rio de Janeiro
Na próxima quarta (4), a Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, recebe uma ação que inverte a lógica da exclusão urbana: em vez de exigir que a juventude periférica enfrente sozinha as barreiras de transporte e o estigma do CEP, a Feira de Oportunidades 1MiO desloca o mercado de trabalho diretamente para o território da Pavuna. Das 10h às 14h, jovens da Pavuna e região poderão acessar caminhos concretos de formação e trabalho por meio das cerca de dez empresas que estarão presentes no local. Juntas, as empresas cadastradas na plataforma 1MiO estão oferecendo atualmente cerca de 200 vagas de emprego, jovem aprendiz e estágio. A edição da Pavuna chega impulsionada pelos resultados da primeira feira realizada na Vila Olímpica do Complexo do Alemão, em dezembro de 2025. O evento gerou transformações imediatas: jovens saíram do local com vagas de emprego garantidas, provando que, quando a oportunidade encontra o potencial da favela, o impacto é real e direto. Nesta segunda edição, a expectativa é de receber aproximadamente 400 jovens de 14 a 29 anos e o foco central é oferecer acesso imediato a vagas de trabalho formal, estágios e cursos de capacitação técnica, funcionando como um divisor de águas para quem busca a primeira experiência profissional ou a reinserção no mercado.Desde sua criação em 2020, a iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1MiO), liderada pelo UNICEF, consolidou-se como uma resposta concreta à exclusão juvenil no Brasil, atingindo a marca histórica de 1,29 milhão de oportunidades geradas para jovens vulneráveis. Em cinco anos, o programa transformou realidades ao capacitar 473 mil adolescentes em habilidades críticas para o mercado e encaminhar outros 820 mil para vagas de emprego formal, estágio e aprendizagem. Esses resultados reforçam que, ao deslocar a oportunidade até onde o talento está, é possível garantir autonomia e renda, fundamentais para romper os ciclos de vulnerabilidade e violência que interrompem tantas infâncias e juventudes no país.O evento promove uma convergência entre o setor produtivo e a identidade cultural da favela. Através de conexões estratégicas com empresas do setor privado e órgãos da Prefeitura do Rio, os jovens poderão realizar cadastros e entrevistas em um ambiente que valoriza seus conhecimentos. Essa jornada de empregabilidade será acompanhada por uma programação vibrante, que inclui a potência literária do Slam Visão dos Crias, a trilha sonora do DJ Sony e workshops práticos. A urgência da iniciativa é reforçada pelos indicadores sociais recentes. De acordo com os dados do IBGE, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos permanece em patamares alarmantes, superando os 21% — mais que o dobro da média nacional. A escolha da Pavuna é estratégica: o território está entre os mais impactados pela violência armada na capital fluminense, o que restringe o ir e vir e as perspectivas de vida da juventude. A Feira atua como um mecanismo de resiliência, garantindo que o direito ao desenvolvimento pleno não seja interrompido pelo contexto do território.Para o UNICEF e o Instituto Papo Reto, a inclusão produtiva é, acima de tudo, uma estratégia de proteção. O acesso ao trabalho decente e à formação rompe o ciclo de vulnerabilidade que expõe meninos e meninas à violência armada e ao controle territorial. Sem oportunidades concretas no território, o futuro dessa juventude é sistematicamente sabotado por barreiras invisíveisConcretizar iniciativas como essa é reafirmar que o CEP de um jovem não pode ser uma barreira para os seus sonhos. A Feira Pavuna não é apenas um evento de recrutamento, mas um ato de incidência política e social que coloca a juventude preta e favelada no centro das decisões sobre seu próprio futuro.SERVIÇO: Feira de Oportunidades 1MiO na Pavuna Data: 04 de março - 10h às 14hLocal: Arena Jovelina Pérola Negra – Praça Ênio, s/n - Pavuna, Rio de Janeiro - RJPúblico-alvo: Jovens de 14 a 29 anosEntrada: GratuitaContatos para a imprensa: João Vitor Zotini, UNICEF – Trama: jzotini@tramaweb.com.brLana Carla, Instituto Papo Reto: lana.carla@institutopaporeto.org NOTAS PARA EDITORESSobre o Instituto Papo RetoO Instituto Papo Reto é uma organização de comunicação comunitária e direitos humanos com atuação no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. Formado por jovens do território, o coletivo utiliza a comunicação como ferramenta de mobilização social, incidência política e promoção de direitos. Ao integrar o projeto 1MiO, o Papo Reto fortalece sua missão de ampliar oportunidades para a juventude periférica impactada pela violência armada, criando pontes entre formação, trabalho e cidadania.Sobre o UNICEFO Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) é uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que atua em mais de 190 países pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes. No Brasil, o UNICEF trabalha em parceria com governos e organizações da sociedade civil para reduzir desigualdades e assegurar educação, proteção e oportunidades para todos os jovens, com atenção especial àqueles que vivem em contextos de vulnerabilidade social e territorial. Sobre o 1MiO — Um Milhão de OportunidadesO 1MiO é uma plataforma liderada pelo UNICEF que conecta adolescentes e jovens de 14 a 29 anos a vagas de estágio, aprendizagem, emprego e capacitação. A iniciativa reúne empresas, governos e organizações da sociedade civil em uma rede de inclusão produtiva comprometida com equidade racial, de gênero e territorial, promovendo trabalho decente e redução das desigualdades.
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24 fevereiro 2026
ONU Turismo convida para evento virtual sobre turismo de baixo carbono
Por ocasião do Dia Mundial da Resiliência do Turismo, seminários da rede global One Planet exploram como o turismo pode promover um padrão de desenvolvimento com baixa emissão de carbono e resiliente à mudança climática, com base nos recentes progressos multilaterais e nos resultados da COP30 em Belém. Liderada pelo PNUMA, a iniciativa One Planet reúne governos e o setor privado em torno de um plano de ação conjunta para garantir que o desenvolvimento do turismo seja sustentável e adaptado aos desafios ambientais atuais. A iniciativa apoia a implementação da Declaração sobre o Reforço da Ação Climática no Turismo, acordada na COP29 em Baku, no Azerbaijão. SERVIÇO: Mesa redonda virtual da iniciativa One Planet sobre turismo de baixo carbonoQuinta-feira, 26 de fevereiro de 202612:00-14:00 Inscrições através do formulário on-line disponível na página: https://unwto-org.zoom.us/meeting/register/FOxeVtlOQYO4CGh0kry7Ag#/registration ObjetivosConsolidar o progresso da cooperação multilateral: refletir sobre como os resultados da COP29 e da COP30 estão moldando as ações climáticas no turismo, com foco em traduzir o impulso político em implementação rumo à COP31.Promover a troca de experiências entre a iniciativa One Planet e políticas, ferramentas e soluções que estão sendo operacionalizadas por países e empresas em todo o mundo. Mais informações e agenda detalhada estão disponíveis na página da iniciativa One Planet. Sobre o Dia Mundial da Resiliência do TurismoAssinalado em 17 de fevereiro, o Dia Mundial da Resiliência do Turismo foi estabelecido pela Assembleia Geral da ONU como um apelo global à ação. A data enfatiza a vulnerabilidade do setor a choques externos e a urgência de estratégias nacionais de reabilitação, incentivando a criação de mecanismos que protejam o ecossistema econômico em momentos de crise.O turismo sustentável e o ecoturismo são ferramentas fundamentais para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para diversos grupos de países, incluindo os países menos desenvolvidos, os pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e os países de renda média, o setor representa uma fonte vital de emprego e renda, conectando diretamente o crescimento econômico à preservação da natureza e à responsabilidade ambiental.O turismo desempenha um papel essencial na erradicação da pobreza e no fortalecimento de comunidades locais, incluindo povos indígenas, mulheres e jovens. Ao promover a inclusão financeira e o desenvolvimento rural, o turismo resiliente permite a formalização do trabalho e a proteção de recursos marinhos, garantindo a segurança alimentar e o incentivo ao empreendedorismo de pequenos agricultores.Para saber mais, siga @unwto nas redes e visite a página da data internacional: https://www.un.org/en/observances/tourism-resilience-day
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23 fevereiro 2026
Marielle Franco e Anderson Gomes: Especialistas da ONU pedem justiça e responsabilização diante do julgamento dos assassinatos
Especialistas da ONU pediram hoje justiça e reparação para todas as vítimas do persistente racismo sistêmico, da discriminação estrutural e da violência no Brasil, uma vez que o julgamento dos supostos mentores dos assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, está prestes a começar no Supremo Tribunal Federal. “Ao chegarmos a esta etapa tão esperada do processo judicial é vital que a equidade e a transparência sejam mantidas e que a justiça plena prevaleça”, afirmaram os especialistas em declaração conjunta emitida nesta segunda-feira (23/02), em Genebra. “O julgamento representa não apenas o capítulo final da luta por justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes mas, também, um marco importante no combate à impunidade estrutural do racismo, da discriminação interseccional e da violência contra defensores dos direitos humanos, mulheres, pessoas afrodescendentes e LGBTIQ+ no Brasil.” Os assassinatos brutais de Marielle Franco e Anderson Gomes em 2018 chocaram o Brasil e a comunidade internacional. Marielle Franco era uma defensora dos direitos humanos que se manifestava contra o racismo sistêmico, a discriminação estrutural e a brutalidade policial no Brasil. Ela era vítima de discriminação interseccional, especificamente a intersecção entre racismo, classismo, misoginia e preconceito com base na orientação sexual. Apesar da natureza chocante dos assassinatos, o caminho para a justiça tem sido longo e árduo para as famílias das vítimas. A liderança das investigações sobre os assassinatos mudou várias vezes e informações vazaram para a imprensa.“O fato de ter levado oito anos para chegar a esta fase final do processo judicial é, por si só, chocante”, afirmaram os especialistas. Em 2024, os especialistas saudaram as condenações de alguns dos autores dos assassinatos, mas salientaram, na altura, que essas condenações não marcavam o fim da luta pela justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes. “Para garantir justiça plena, responsabilização e não repetição da violência, os envolvidos no planejamento e encobrimento dos assassinatos devem ser responsabilizados”, afirmaram.Os especialistas comunicaram suas preocupações ao Brasil. NOTAS PARA EDITORES: Os especialistas que assinam a declaração são: Ashwini K.P., Relatora Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionadaGraeme Reid, Especialista independente em proteção contra a violência e a discriminação com base na orientação sexual e identidade de gêneroMorris Tidball-Binz, Relator Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitráriasIrene Khan, Relatora Especial sobre a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressãoGina Romero, Relatora Especial sobre os direitos à liberdade de reunião pacífica e de associaçãoMary Lawlor, Relatora Especial sobre a situação dos defensores dos direitos humanosBina D'Costa, Barbara G. Reynolds, Catherine Namakula, Grupo de Trabalho de Especialistas sobre Pessoas AfrodescendentesClaudia Flores (Presidente), Ivana Krstić (Vice-Presidente), Dorothy Estrada Tanck, Haina Lu e Laura Nyirinkindi, Grupo de Trabalho sobre Discriminação contra Mulheres e MeninasTracie L. Keesee e Víctor Manuel Rodríguez Rescia, Mecanismo Internacional Independente de Especialistas para Promover a Justiça Racial e a Igualdade na Aplicação da Lei. Os relatores especiais/especialistas independentes/grupos de trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, esses especialistas são referidos como os Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho. Embora o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.Contato para a imprensa: hrc-sr-racism@un.org Para mais informações: Acompanhe a cobertura da ONU News em português: https://news.un.org/pt/story/2026/02/1852453 Acompanhe as notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no X: @UN_SPExperts.Acesse a página da ONU Direitos Humanos para o Brasil.Observações e recomendações específicas, por país, dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos.
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23 fevereiro 2026
UNICEF, UNFPA e ONU Mulheres veem com preocupação decisão de tribunal de justiça que relativiza estupro de menina de 12 anos
O UNICEF, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e ONU Mulheres veem com profunda preocupação a recente decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem de 35 anos pelo estupro de uma menina de 12 anos de idade. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e os compromissos internacionais assinados pelo Brasil são indiscutíveis: qualquer relação sexual com menores de 14 anos é estupro de vulnerável. Não importa a situação, nem o aval da família, nem um suposto consentimento. Crianças ou adolescentes abaixo dos 14 anos não têm o desenvolvimento cognitivo nem a possibilidade, pela lei, de consentir. E abaixo dos 16 anos, não podem casar ou realizar qualquer ato da vida civil. Ou seja: criança nunca é esposa. É vítima. Sofrer violência sexual e ser sujeitada a casamento precoce deixa marcas profundas, afetando o desenvolvimento de meninas (e meninos) pelo resto da vida. Infelizmente, este não foi um caso isolado. O Brasil tem altas taxas de casamento infantil e de violência sexual contra crianças e adolescentes. Só entre 2021 e 2023, foram registrados mais de 164 mil casos de estupro ou estupro de vulnerável de zero a 19 anos, uma violência que ocorre principalmente contra meninas, dentro de casa, e por autores conhecidos da vítima ou da família. Enfrentar esse cenário depende de todos os setores da sociedade. O Brasil deve fazer valer as leis e políticas voltadas à infância e à adolescência, prevenindo e dando respostas qualificadas e não revitimizantes a casos como esses. É essencial seguir apoiando e capacitando os atores do Sistema de Garantia de Direitos, incluindo os da Justiça, além de reconhecer o papel da escola e de órgãos como os Conselhos Tutelares para identificar e denunciar casos de violência. Não podemos, jamais, normalizar ou relativizar o estupro de uma criança ou adolescente, independente da situação. O UNICEF, o UNFPA e a ONU Mulheres seguirão acompanhando o caso e permanece à disposição do governo do Brasil para ajudar a garantir que meninas e meninos crescerão livres de qualquer tipo de violência. Contatos para a imprensa: Aline Tavares, Oficial de Comunicação, e Elisa Meirelles Reis, Especialista de Comunicação, UNICEF Brasil: altavares@unicef.org e ereis@unicef.org Luiza Olmedo, Oficial de Comunicação & Advocacy, UNFPA Brasil: luolmedo@unfpa.org Pedro Nogueira, Oficial de Comunicação, ONU Mulheres: pedro.nogueira@unwomen.org
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13 fevereiro 2026
Projeto financiado pelo FIDA vence o 1º Prêmio SEAID Antônio Sabino
O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) celebra o reconhecimento do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável da Paraíba – PROCASE como vencedor do 1º Prêmio SEAID Antônio Sabino: Iniciativas Transformadoras para a Sustentabilidade Ambiental e Climática, promovido pela Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento e Orçamento (SEAID/MPO).Financiado pelo FIDA e executado pelo Governo do Estado da Paraíba, o PROCASE foi premiado na categoria voltada a ações de impacto socioambiental, em razão de seus resultados concretos na promoção de sistemas produtivos resilientes e biodiversos, no fortalecimento das capacidades das organizações da agricultura familiar e na contribuição para a cooperação Sul-Sul e triangular.A iniciativa levou tecnologias sociais, segurança hídrica e produção sustentável a milhares de famílias agricultoras do semiárido paraibano, fortalecendo a convivência com a seca e a resiliência dos territórios rurais. Entre as ações implementadas estão a implantação de campos irrigados, poços artesianos, sistemas de irrigação com uso de energia solar e eólica e dessalinizadores comunitários, ampliando o acesso à água e a capacidade produtiva das comunidades rurais.O projeto beneficiou mais de 24 mil famílias de agricultores familiares, um número 32% maior do que a meta inicial do projeto. Também superou de forma significativa as metas de atendimento a públicos prioritários, como mulheres (60% a mais do que a meta), jovens (102% maior) e comunidades quilombolas (60% maior).A avaliação de impacto captou que 51% das famílias beneficiadas pelo projeto tiveram uma variação positiva no índice de ativos produtivos. No tema de gênero, o projeto incorporou na Assessoria Técnica atividades constantes e transversais para a melhoria da participação produtiva e social das mulheres, que aumentou em 43% nas comunidades beneficiárias, sendo que nas comunidades controle (não beneficiárias), houve a redução em 6%.Em relação à frequência na diversidade na alimentação, a proporção de famílias nas comunidades beneficiárias que declararam sempre ter diversidade na alimentação é 45% maior do que no grupo de controle. O Estudo de Avaliação de Impacto mostrou que 65% das famílias declararam aumento na produção vegetal, 57% de aumento na produção de derivados animais, 49% de aumento na produção animal, 23% de aumento na produção de derivados vegetais e 9% em atividades não agrícolas (artesanato). Na análise agregada sobre o aumento da produção, 88% das famílias declararam que a produção aumentou. As ações do PROCASE relacionadas com incremento no acesso à água reduziram em 53% no tempo para buscar água para consumo.A cerimônia de premiação foi realizada na última quarta (4) em Brasília e integrou a agenda oficial de lançamento do Portal YBI, iniciativa do Governo Federal voltada à modernização dos pagamentos brasileiros a organismos internacionais. O prêmio reconhece experiências que contribuem de forma inovadora para o enfrentamento da mudança climática e para o avanço do desenvolvimento sustentável no país.“O reconhecimento do PROCASE reforça o compromisso do FIDA com políticas públicas e projetos que colocam os agricultores familiares no centro das estratégias de adaptação climática, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial sustentável”, afirma o coordenador País do FIDA no Brasil, Hardi Vieira. De forma mais ampla, o Projeto PROCASE atua no semiárido paraibano apoiando famílias agricultoras, comunidades rurais e organizações locais por meio do acesso à água, da adoção de práticas agroecológicas, da diversificação produtiva, da geração de renda e do fortalecimento institucional. A iniciativa está alinhada às prioridades estratégicas do FIDA no Brasil, que incluem a promoção da resiliência climática, a redução da pobreza rural e o estímulo à cooperação entre países do Sul Global. Devido ao seu êxito, o PROCASE inspirou vários outros projetos do FIDA na carteira no Brasil como o Projeto Semeando Resiliência Climática em Comunidades Rurais no Nordeste (Sertão Vivo) e em outros países como o projeto Cuenca Balsas no México. A fase II do PROCASE foi aprovada e deverá entrar em vigor em breve ampliando seu escopo e área geográfica por meio de um cofinanciamento com o Banco Interamericano para o Desenvolvimento (BID). O FIDA parabeniza a Secretaria de Assuntos Internacionais do MPO pela iniciativa do prêmio e reafirma sua parceria com o Governo do Brasil na promoção de soluções transformadoras para o desenvolvimento rural sustentável.Notas para editores:O FIDA é uma instituição financeira internacional e um organismo especializado das Nações Unidas, com sede em Roma, onde se encontra o mecanismo central das Nações Unidas para o setor de alimentação e agricultura. O Fundo investe nas populações rurais e, ao empoderar essas pessoas, contribui para a redução da pobreza, o aumento da segurança alimentar, a melhoria da nutrição e o fortalecimento de sua resiliência. Desde 1978, destinou mais de 25 bilhões de dólares americanos em doações e empréstimos em condições concessionais para financiar projetos em países em desenvolvimento.O escritório regional do FIDA para a América Latina e o Caribe opera na Cidade do Panamá, de onde o Fundo lidera a gestão de programas de desenvolvimento rural, financiamento e apoio às comunidades rurais da região.Em nossa fototeca, é possível explorar e baixar uma ampla seleção de fotografias que retratam o trabalho do FIDA junto às comunidades rurais.Para saber mais, visite a página do FIDA (em inglês e espanhol) e siga o Fundo no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube (em inglês). Siga também o FIDA em espanhol no X. Contato para a imprensa: Ana Lucía Llerena, Assessora de Comunicação: a.llerenavargas@ifad.org
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