Últimas
Notícias
05 maio 2023
Chefe da Organização Mundial da Saúde declara o fim da COVID-19 como uma emergência de saúde global
Saiba mais
Notícias
04 maio 2023
Projeto de socioeducação em Minas Gerais e Santa Catarina é finalista em prêmio internacional de Parceria Público-Privada
Saiba mais
Notícias
03 maio 2023
Países da América Latina e Caribe concordam com a urgência de ações transformadoras e ousadas para alcançar os Objetivos Globais até 2030
Saiba mais
Últimas
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Notícias
20 abril 2023
22 de abril, Dia Internacional da Mãe Terra
Quando a Mãe Terra nos manda uma mensagem
A Mãe Terra está claramente nos enviando uma mensagem. A natureza está sofrendo. Oceanos se enchendo de plástico e se tornando mais ácidos. Calor extremo, incêndios florestais e inundações afetam milhões de pessoas.
A mudança global do clima, as alterações provocadas pelo homem na natureza, bem como os crimes que perturbam a biodiversidade e o crescente comércio ilegal de vida selvagem podem acelerar a velocidade da destruição do planeta Terra, o nosso único lar.
Este Dia da Terra é celebrado durante a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas (2021-2030), um apelo global pela proteção e revitalização dos ecossistemas em todo o mundo. A Década Internacional visa deter a degradação dos ecossistemas e restaurá-los para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Os ecossistemas sustentam toda a vida na Terra. Quanto mais saudáveis forem nossos ecossistemas, mais saudável será o planeta - e seu povo.
Restaurar nossos ecossistemas danificados ajudará a acabar com a pobreza, combater a mudança climática e prevenir a extinção em massa. Somente com ecossistemas saudáveis podemos melhorar a subsistência das pessoas, combater a mudança climática e deter o colapso da biodiversidade.
Neste Dia Internacional da Mãe Terra, vamos nos lembrar - mais do que nunca - que precisamos de uma mudança para uma economia mais sustentável que funcione tanto para as pessoas quanto para o planeta.
Mensagem do secretário-geral da ONU para o Dia Internacional da Mãe Terra 2023
Efeito dominó
Como em um quebra-cabeça, cada parte de um ecossistema é interligada e dependente.
O desaparecimento de uma espécie impacta todo o ecossistema, gerando consequências devastadoras para as outras espécies e para a natureza como um todo. Trata-se de um trágico efeito dominó que afeta a biodiversidade e a nossa própria sobrevivência no planeta Terra. Como seres humanos, temos a responsabilidade de conviver harmoniosamente com outras espécies nos ecossistemas que compartilhamos para garantirmos um planeta saudável. Ecossistemas distantes também dependem um do outro de maneira muitas vezes inesperada. A Floresta Amazônica, por exemplo, passa por um processo de fertilização com o fósforo presente em cerca de 22 mil toneladas de poeira que é carregada pelo vento do deserto do Saara, atravessando o oceano Atlântico. Confira a página interativa do PNUMA sobre ecossistemas, e entenda melhor como funciona o efeito dominó – e como podemos fazer nossa parte para garantir a integridade dos ecossistemas. 10 ações pela Mãe Terra no nosso dia a dia Todas as pessoas podem ajudar a responder o chamado da Mãe Terra. Nós listamos 10 ações que podem fazer a diferença: Economize energia em casa Caminhe, use bicicleta ou transporte público Coma mais vegetais Repense o seu transporte Evite o desperdício de alimentos Repense, reduza, reuse, repare e recicle: Coloque em prática os 5 'R' do conceito de resíduo zero Escolha produtos ecologicamente corretos Faça parte de campanhas pelo meio ambiente e natureza na sua comunidade Mude, se possível, a fonte de energia da sua casa Comece a pensar num carro elétrico para o futuro Celebre o Dia da Terra 2023 com as Nações Unidas O evento oficial do Dia da Terra 2023 acontecerá na Assembleia Geral da ONU na segunda-feira, 24 de abril de 2023. O tema é como viver em harmonia com a natureza e reequilibrar as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável. Acompanhe na TV online da ONU, entre 11h e 19h (horário de Brasília) do dia 24 de abril, e envie suas sugestões e dicas. O evento será interativo, permitindo a participação das pessoas em todo o mundo. Dicas de leitura Aprenda mais sobre os temas do Dia Internacional da Mãe Terra com as dicas de leitura da ONU Brasil: #AçãoClima: Principais mensagens do relatório de 2023 de Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas #Água: Depois de 40 anos, nova Conferência da ONU sobre a Água é realizada em 2023 #Biodiversidade: Navegue na página interativa do PNUMA sobre ecossistemas e conheça como funciona o efeito dominó #DesperdícioZero: Celebração do primeiro Dia Internacional do Resíduo Zero #GeraçãoRestauração: Saiba como participar da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas #Oceanos: ONU celebra acordo inédito para a proteção de 30% dos oceanos
O desaparecimento de uma espécie impacta todo o ecossistema, gerando consequências devastadoras para as outras espécies e para a natureza como um todo. Trata-se de um trágico efeito dominó que afeta a biodiversidade e a nossa própria sobrevivência no planeta Terra. Como seres humanos, temos a responsabilidade de conviver harmoniosamente com outras espécies nos ecossistemas que compartilhamos para garantirmos um planeta saudável. Ecossistemas distantes também dependem um do outro de maneira muitas vezes inesperada. A Floresta Amazônica, por exemplo, passa por um processo de fertilização com o fósforo presente em cerca de 22 mil toneladas de poeira que é carregada pelo vento do deserto do Saara, atravessando o oceano Atlântico. Confira a página interativa do PNUMA sobre ecossistemas, e entenda melhor como funciona o efeito dominó – e como podemos fazer nossa parte para garantir a integridade dos ecossistemas. 10 ações pela Mãe Terra no nosso dia a dia Todas as pessoas podem ajudar a responder o chamado da Mãe Terra. Nós listamos 10 ações que podem fazer a diferença: Economize energia em casa Caminhe, use bicicleta ou transporte público Coma mais vegetais Repense o seu transporte Evite o desperdício de alimentos Repense, reduza, reuse, repare e recicle: Coloque em prática os 5 'R' do conceito de resíduo zero Escolha produtos ecologicamente corretos Faça parte de campanhas pelo meio ambiente e natureza na sua comunidade Mude, se possível, a fonte de energia da sua casa Comece a pensar num carro elétrico para o futuro Celebre o Dia da Terra 2023 com as Nações Unidas O evento oficial do Dia da Terra 2023 acontecerá na Assembleia Geral da ONU na segunda-feira, 24 de abril de 2023. O tema é como viver em harmonia com a natureza e reequilibrar as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável. Acompanhe na TV online da ONU, entre 11h e 19h (horário de Brasília) do dia 24 de abril, e envie suas sugestões e dicas. O evento será interativo, permitindo a participação das pessoas em todo o mundo. Dicas de leitura Aprenda mais sobre os temas do Dia Internacional da Mãe Terra com as dicas de leitura da ONU Brasil: #AçãoClima: Principais mensagens do relatório de 2023 de Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas #Água: Depois de 40 anos, nova Conferência da ONU sobre a Água é realizada em 2023 #Biodiversidade: Navegue na página interativa do PNUMA sobre ecossistemas e conheça como funciona o efeito dominó #DesperdícioZero: Celebração do primeiro Dia Internacional do Resíduo Zero #GeraçãoRestauração: Saiba como participar da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas #Oceanos: ONU celebra acordo inédito para a proteção de 30% dos oceanos
1 of 4
Notícias
20 março 2023
Ações urgentes contra mudança climática são necessárias para garantir um futuro habitável, alerta IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou nesta segunda-feira (20) o Relatório Síntese sobre Mudança Climática 2023, após uma semana de sessões em Interlaken, na Suíça. O relatório traz à tona as perdas e danos que vem sendo causados pela mudança global do clima e quais tendências devem continuar no futuro. O IPCC alerta que os desastres naturais relacionados ao clima estão atingindo especialmente as pessoas mais vulneráveis e os ecossistemas mais frágeis, como os manguezais, áreas costeiras e semidesérticas.
A temperatura média mundial já subiu 1,1 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais – uma consequência direta de mais de um século de queima de combustíveis fósseis, bem como do uso desordenado e insustentável de energia e do solo. A elevação da temperatura aumenta tanto a frequência quanto a intensidade dos eventos climáticos extremos, que causam impactos cada vez mais perigosos às pessoas e à natureza em todas as regiões do mundo.
O Painel também alerta que o aumento da temperatura média tende a causar o agravamento da insegurança alimentar e hídrica, em todo o mundo.
O tempo é curto, mas há um caminho claro a seguir
Para que as temperaturas médias sejam mantidas em 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais (meta do Acordo de Paris), serão necessárias reduções profundas, rápidas e sustentadas das emissões de gases de efeito estufa em todos os setores no decorrer desta década, afirma o relatório síntese do IPCC.
As emissões precisam cair imediatamente e ser cortadas quase pela metade até 2030, para que esta meta tenha alguma chance de ser alcançada.
A solução proposta pelo IPCC é o “desenvolvimento resiliente ao clima”, que envolve a integração de medidas de adaptação às mudanças climáticas com ações para reduzir ou evitar as emissões de gases de efeito estufa de forma a proporcionar benefícios econômicos e sociais mais amplos e igualmente distribuídos.
Alguns exemplos de soluções que devem ser adotadas incluem a expansão do acesso à energia limpa, eletrificação com baixa emissão de carbono, a promoção de transporte com zero e baixa emissão de carbono e a melhora da qualidade do ar. Tais medidas geram benefícios diretos para a saúde e qualidade de vida das pessoas.
Além disso, o novo relatório aponta que os benefícios econômicos proporcionados pelas melhorias da qualidade do ar seriam aproximadamente os mesmos, ou possivelmente até maiores, do que os custos de adoção das soluções limpas.
“Os maiores ganhos podem vir da redução do risco climático para comunidades de baixa renda e marginalizadas, incluindo pessoas que vivem em assentamentos informais”, explicou um dos autores do relatório, Christopher Trisos.
“A ação climática acelerada só acontecerá se houver um aumento significativo no financiamento. Financiamento insuficiente e desalinhado está atrasando o progresso”, complementa.
Governos são fundamentais
O relatório destaca o poder dos governos para a redução das emissões de gases de efeito estufa, por meio de financiamento público, demonstração clara de vontade política aos investidores, além da intensificação de medidas políticas eficazes rumo à energia limpa.
Mudanças no setor de alimentos, eletricidade, transporte, indústria, construção e uso do solo são destacadas como formas importantes de reduzir as emissões, bem como mudanças para estilos de vida mais sustentáveis e de baixo carbono, que melhorariam a saúde e o bem-estar das pessoas.
“As transformações têm maior probabilidade de êxito quando há confiança, quando todos trabalham juntos para priorizar a redução de riscos e quando os benefícios e ônus são compartilhados equitativamente”, disse o presidente do IPCC, Hoesung Lee.
“Este relatório síntese ressalta a urgência de tomar medidas mais ambiciosas e mostra que, se agirmos agora, ainda podemos garantir um futuro sustentável habitável para todos.”
Chefe da ONU anuncia plano para acelerar o progresso
Em uma mensagem de vídeo divulgada nesta segunda-feira (20), o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu o relatório como um “guia de como desarmar a bomba-relógio climática”.
A ação climática é necessária em todas as frentes: “tudo, em todos os lugares, ao mesmo tempo”, disse Guterres, referindo-se ao vencedor do Oscar de melhor filme deste ano.
O chefe da ONU propôs ao grupo das economias mais desenvolvidas, o G20, um “Pacto de Solidariedade Climática”, no qual todos os grandes emissores fariam esforços extras para cortar emissões, e os países mais ricos mobilizariam recursos financeiros e técnicos para apoiar as economias emergentes em um esforço comum para garantir que as temperaturas globais não subam mais de 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.
Guterres anunciou que está apresentando um plano para aumentar os esforços para alcançar o Pacto por meio de uma Agenda de Aceleração, que envolve líderes de países desenvolvidos comprometendo-se a atingir zero emissões o mais próximo possível do ano de 2040 e os países em desenvolvimento o mais próximo possível de 2050.
A Agenda exige o fim do carvão, emissão líquida zero no setor de eletricidade até 2035 para todos os países desenvolvidos e em 2040 para o resto do mundo, e a interrupção de licenciamento ou financiamento de novas empresas de petróleo e gás, e qualquer expansão da exploração de petróleo e gás.
Segundo o secretário-geral da ONU, estas medidas devem acompanhar as salvaguardas para as comunidades mais vulneráveis, aumentando o financiamento e as capacidades de adaptação a perdas e danos, e promovendo reformas para garantir que os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento forneçam mais doações e empréstimos e mobilizem o financiamento privado.
Referindo-se a próxima Conferência do Clima da ONU, a COP28, que será realizada em Dubai entre 30 de novembro a 12 de dezembro deste ano, Guterres disse que espera que todos os líderes do G20 se comprometam com as novas e ambiciosas contribuições determinadas nacionalmente para toda a economia, abrangendo todos os gases de efeito estufa, e indicando suas metas absolutas de redução de emissões para 2035 e 2040.
Participe da campanha mundial #AjaAgora
Materiais para redes sociais e para uso em escolas, faculdades e universidades estão disponíveis aqui.
Vídeo: 5 fatos sobre o novo relatório do IPCC
Vídeo sobre injustiça climática do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos
Injustiça climática significa que os impactos da mudança global do clima são sentidos de forma diferente por diferentes grupos de pessoas, comunidades e países. Neste vídeo, Kaime Silvestre, do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos em Genebra, na Suíça, explica o que é injustiça climática e mostra os conceitos fundamentais para uma abordagem da ação climática baseada nos direitos humanos.
Leia mais:
Glossário sobre o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável No. 13: Ação contra Mudança Global do Clima (em português)
Sexto Relatório Síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) (em inglês)
1 of 4
Faça a sua parte
16 setembro 2022
A Comunicação na Mudança Climática
Dicas do Departamento de Comunicação Global da ONU e parceiros para quem faz produtos de comunicação (vídeo, podcast, texto ou gráfico) sobre mudanças climáticas.
1 of 4
Notícias
18 novembro 2022
UNA-SE: campanha brasileira celebra ativistas dos direitos das mulheres
A ONU Brasil promove, entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro 2022, a edição anual da campanha do secretário-geral das Nações Unidas “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, a campanha apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas.
No Brasil, a campanha marca também o bicentenário de independência, convidando a população a debater e construir "o Brasil das mulheres", um país que seja diverso, justo e seguro, onde todas as mulheres e meninas possam viver suas vidas livres de violência e de discriminação. Dando visibilidade ao trabalho das mulheres defensoras de direitos humanos, a campanha demonstra, na prática, a importância do ativismo e as transformações sociais positivas que mulheres ativistas proporcionaram ao país.
“A violência contra as mulheres e as meninas é uma grave violação de direitos humanos. Precisamos escutar e fazer ecoar as vozes das mulheres defensoras de direitos humanos, que têm trabalhado arduamente, em todos os lugares, para que todas as mulheres e meninas vivam suas vidas livres de violência", afirma a coordenadora residente das Nações Unidas no Brasil, Silvia Rucks.
Campanha - Internacionalmente, a campanha se inicia em 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres). No Brasil, para dar visibilidade às múltiplas e agravadas formas de discriminação e às violações de direitos e violências contra mulheres e meninas negras, o lançamento acontece cinco dias antes, no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.
Diferentemente de edições passadas, neste ano as Nações Unidas convidam parceiros e parceiras a buscar formas alternativas de pintar de laranja prédios e monumentos que não envolvam iluminação, por conta da crise energética em todo o mundo e das medidas cada vez mais urgentes de preservação ambiental e mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Neste período, a ONU Brasil sugere 'iluminar' as redes sociais de laranja, vestir-se de laranja e incentivar outras pessoas a fazer o mesmo como uma forma de propagar os objetivos da campanha.
Além da campanha de conscientização em redes sociais, entidades das Nações Unidas no Brasil também promovem diversas atividades, online e presenciais. Para saber mais, acompanhe as redes sociais da ONU Brasil.
Enfrentamento e prevenção - Entre os mecanismos de enfrentamento e prevenção à violência que devem ser celebrados através da campanha, destaca-se a Lei Maria da Penha, a mais importante legislação sobre violência contra mulheres no país. A Lei Maria da Penha é um dos maiores exemplos do esforço coletivo de feministas e defensoras de direitos humanos e trouxe inúmeros avanços no país. Outro exemplo importante é a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2019, que prevê maior proteção a mulheres lésbicas, bissexuais, trans e travestis contra discriminação com base em orientação sexual e identidade de gênero, por analogia ao crime de racismo. De grande importância é também a decisão do STF de 2022, que estabeleceu jurisprudência para a aplicação da Lei Maria da Penha para mulheres trans e travestis.
Desafios - Apesar dos avanços, ainda existem lacunas na proteção integral de direitos humanos de todas as mulheres e meninas no Brasil. Equipamentos e serviços especializados para atender mulheres e meninas em situação de violência concentram-se nas cidades grandes, com menor presença em municípios médios e pequenos e, em especial, nas áreas rurais.
Além disso, as leis existentes não abarcam contextos de violência contra mulheres no ambiente de trabalho, nos meios de comunicação, contra as ativistas que defendem direitos humanos, em contextos de deslocamento, sejam eles forçados ou voluntários, ou nos casos de violência perpetrada por atores estatais.
"A violência contra mulheres e meninas não afeta todas elas da mesma forma. Por isso, precisamos de soluções e iniciativas específicas para que possamos construir esse Brasil das mulheres, que seja realmente de todas as mulheres e meninas", completa Silvia Rucks.
No terceiro ciclo da Revisão Periódica Universal (RPU), mecanismo de avaliação da situação de direitos humanos nos Estados-membros das Nações Unidas, o Brasil recebeu 20 recomendações de áreas a serem aprimoradas para o enfrentamento à violência contra mulheres. Segundo relatório da Câmara dos Deputados de 2021, houve progresso em apenas seis, com destaque para a atuação do Legislativo e do Sistema de Justiça. A revisão do quarto ciclo foi finalizada no último dia 18 e novas recomendações devem ser adotadas pelo Brasil no próximo ano.
Contatos para imprensa
ONU Mulheres
Bárbara Lima – Coordenadora da Campanha no Brasil
barbara.lima@unwomen.org
+55 (61) 99662-9294
1 of 4
História
25 abril 2023
Indígenas Warao frequentam a escola em projeto de alfabetização trilíngue
O que é necessário para construir uma vida melhor? Para indígenas Warao que vivem em abrigos na cidade de Teresina, Piauí, a resposta está na ponta de lápis e canetas: educação.
Desde março, 81 estudantes da etnia venezuelana passaram a frequentar três escolas da rede municipal de educação em um projeto de alfabetização trilíngue, que contempla os idiomas português, espanhol e Warao. Nas classes diárias, além dos professores brasileiros, os alunos são acompanhados por 12 educadores sociais Warao, que atuam como tradutores e mediadores.
Placido Benítez, 49 anos, é um deles. De segunda a sexta-feira, às 6h30 da manhã, Placido coloca o estojo com o violão nas costas e, na frente do abrigo Buenos Aires, embarca com as crianças e adolescentes no ônibus escolar amarelo que os levará para a Escola Municipal do Mocambinho, em um dos bairros mais populosos da cidade.
No colégio, a sala de aula foi adaptada para receber os estudantes, com idades entre 6 e 17 anos, e ornada com ilustrações e palavras nos três idiomas. Em vez das tradicionais fileiras, as carteiras escolares estão dispostas em “U” e, à frente da lousa branca, a professora Larissa Oliveira comanda a turma ao lado de Placido.
“A educação é importante para aprender a defender sua etnia, sua cultura e, assim, servir à sociedade.” - Placido Benítez.
Enquanto os alunos se acomodam nas cadeiras, Placido saca o violão e começa a cantar em Warao. É o sinal para o início da aula.
Neste dia, todos vão aprender a escrever a palavra “casa” e sua tradução no idioma Warao, “janoko”. Para além das letras e sílabas, vão conversar sobre a simbologia de casa para pessoas que, como o povo Warao, foram forçadas a se deslocar. Como era a casa antes do deslocamento forçado? Como é a casa hoje? Larissa e Placido se revezam nas explicações. Ela ensina os alunos em português e espanhol, enquanto Placido trabalha palavras e conceitos em Warao.
Para a professora Larissa, o aprendizado é uma via de mão dupla, e a comunidade escolar também tem tido ganhos com a presença dos estudantes indígenas.
“Eles têm um desejo de aprender, e os maiores, que já têm uma consciência social maior, têm sonhos bem reais que querem conquistar.” - Larissa Oliveira.
Árvore dos sonhos
Nas aulas, Gabriel, 17 anos, o mais velho da turma, participa com afinco, cuida dos mais novos nos intervalos e dá bronca nos que estão distraídos. Ele tem planos de ser o aidamo (liderança) de sua comunidade no futuro. “Meu sonho é comprar um terreno e construir uma casa para o meu povo. Eu estudarei muito duro para conseguir isso”, afirma.
As aspirações das crianças estão escritas e desenhadas na parede da sala de aula, em um projeto coletivo chamado de “Árvore dos Sonhos”. Algumas delas expressam sonhos profissionais: ser médico, professor, vigilante, policial.
No entanto, ter “janoko” (casa) é o desejo mais recorrente nas pequenas folhas da árvore. Rosaura, 12 anos, que ainda não escreve, desenhou o seu sonho na pequena folha: uma casinha quadrada com o telhado triangular, acompanhada do sol e de uma árvore. Ela conta que a planta retratada é o buriti, árvore sagrada para o povo Warao.
Placido, por sua vez, quer garantir que os sonhos das meninas e dos meninos se realizem. Na folha que ele depositou no projeto, está escrito “defender os povos indígenas”. “Eu quero leis na parte de educação, de saúde, de moradia, para vivermos em uma casa digna. É para isso que eu quero lutar pelos indígenas Warao”, explica.
No intervalo, às 8h30, as crianças correm para a cantina, onde se servem de pão com ovo e achocolatado. Depois do lanche, satisfeitas, brincam de beisebol, usando as mãos como tacos improvisados, e voltam para a sala de aula para seguir com a lição sobre a casa, que se transforma em muitas outras palavras.
“C” de carro. “A” de avião. “S” de sapo. “A” de amigo. Cada um é convidado à lousa para escrever alguma palavra com o acrônimo. Às 11h30, antes de embarcar novamente no ônibus escolar que os levará de volta aos abrigos, os estudantes almoçam arroz, feijão, macarrão, farofa de carne e melão. É a refeição mais completa do dia para todos, inclusive para Placido.
Neste mês, a Secretaria de Estado da Educação do Piauí contratou Placido e os outros 11 educadores sociais para darem aulas no projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA) Intercultural Warao, também trilíngue, que atenderá 65 indígenas entre 16 e 68 anos. A Secretaria também está reformando um prédio que servirá de sede para a primeira escola indígena do Estado, e que atenderá os indígenas venezuelanos Warao, os parentes brasileiros Guajajara e crianças não indígenas.
“Graças a este projeto, temos possibilidade de seguir em frente, ter um objetivo”, reforça o educador.
Educação popular e indígena
Desde 2016, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) registra um fluxo crescente de pessoas indígenas vindas da Venezuela para o Brasil – mais de 9,4 mil delas chegaram ao país em busca de proteção internacional. Os grupos étnicos mais representativos são os Warao (67%) e os Pemón (28%), mas também há presença dos Eñepá, Kariña e Wayúu. Quase metade dessa população, ou mais de 4,3 mil, são crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
Em Teresina, a Cáritas Arquidocesana, parceira do ACNUR, trabalha com os indígenas Warao desde 2019, quando os primeiros refugiados e migrantes dessa etnia chegaram ao Piauí. Ao identificar as necessidades dessa população, a organização iniciou o projeto Ciranda Latina, de educação popular e alternativa para as crianças e adolescentes abrigados, oferecendo um primeiro contato com a língua portuguesa e a cultura brasileira.
Uma importante aliada na construção pedagógica do projeto foi a professora Dra. Lucineide Barros, do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Sociedade e Cultura da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Ela apoiou o início do processo, com foco no acolhimento linguístico dos indígenas e na construção de uma educação popular.
“Do ponto de vista do tipo de conhecimento, a ideia é que não seja uma educação para as pessoas, mas construída com as pessoas. Não de fora para dentro, mas em um contexto de interação, de diálogo.” - Lucineide Barros, UESPI.
Depois do projeto da Cáritas, a Secretaria Municipal de Educação, apoiada pela Secretaria de Estado de Educação, iniciou o projeto Alfabetização sem Fronteiras, baseado nas experiências de vida das pessoas atendidas, como prevê o método de Paulo Freire. O ACNUR também apoiou o projeto por meio do pagamento de assistência financeira aos 12 educadores sociais nos três primeiros meses.
“As crianças têm uma expectativa muito boa em relação à escola, tanto que os primeiros relatos depois das primeiras experiências escolares disseram que elas estavam querendo escrever mais, ter mais acesso a material de leitura”, completa a professora Lucineide.
Todos os projetos desenvolvidos em Teresina foram construídos em reuniões de escuta ativa com os 12 educadores sociais indígenas Warao, protagonistas de sua própria educação.
1 of 5
História
10 abril 2023
Uma iniciativa de saúde que salva vidas
"Os povos indígenas estão entre as populações mais vulneráveis. Esses serviços transformam a vida de pessoas com doenças crônicas em comunidades remotas; isso facilita suas vidas." - Maria Chan, médica da Agência da ONU para as Migrações (OIM)
Em Roraima, norte do Brasil, um veículo médico desce uma estrada esburacada, levantando uma nuvem de poeira. É uma das Unidades Móveis de Saúde da OIM, que ajuda a levar assistência médica aos indígenas venezuelanos e suas comunidades de acolhida em uma das áreas de mais difícil acesso no Brasil.
O estado de Roraima é a principal porta de entrada da Venezuela para o Brasil para aqueles que deixam a crise econômica e social em curso no país. Muitos dos mais de 400 mil venezuelanos que atualmente vivem no Brasil entraram no país pelo norte do estado.
"Muitas pessoas podem encontrar um médico perto de onde moram, mas para milhares que vivem em comunidades rurais, o atendimento médico está a horas de distância" destacou a médica da OIM, Maria Chan, no final de um longo dia de consultas. Para lidar com isso, a OIM decidiu colocar a equipe médica em movimento, deslocando-se até a porta daqueles que precisam.
As unidades móveis estão totalmente equipadas para fornecer aos migrantes e refugiados venezuelanos, bem como às suas comunidades de acolhida, os cuidados de saúde necessários, incluindo tratamento e medicamentos essenciais uma vez por mês. Duas Unidades Móveis de Saúde da OIM estão alcançando as populações mais vulneráveis da região e capacitando agentes comunitários de saúde para prestar atenção primária a pacientes de populações rurais.
As comunidades indígenas da região podem sofrer de várias doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, desnutrição infantil, infecções fúngicas da pele, parasitas e infecções sexualmente transmissíveis (IST).
Uma iniciativa de saúde que salva vidas
Em uma pequena sala de uma escola aberta em Sakao Motá, uma remota aldeia indígena que abriga tanto a população local quanto venezuelanos, as pessoas esperam no calor sufocante o médico as chamar para uma avaliação médica.
Katiuska Fernandez, 31, senta-se em silêncio com seu filho de oito anos. Ela está grávida de seis meses. "O hospital mais próximo fica a uma hora de carro daqui, e não temos dinheiro para pagar um táxi ou outro meio de transporte," diz ela, enquanto espera para realizar sua consulta pré-natal.
"Estou tão feliz que está tudo bem. Esta assistência médica está mudando nossas vidas." - Katiuska Fernandez.
Em 2018, a escassez de alimentos e remédios, além da crescente insegurança, levou Katiuska e sua família de cinco membros a deixar sua pequena comunidade venezuelana do outro lado da fronteira. Eles venderam seus pertences e cruzaram a fronteira com várias outras famílias Taurepang. Desde então, a agricultura de subsistência praticada na comunidade de acolhida os ajudou a sobreviver.
No ano passado, a equipe de saúde da OIM forneceu consultas médicas e psicológicas para cerca de 8 mil migrantes e refugiados vulneráveis e comunidades de acolhida em Roraima, com uma média de 30 pessoas por dia. Os atendimentos médicos incluíram avaliações gerais, testes para IST, COVID-19 e glicemia, medicina pediátrica e consultas pré-natais.
Gravemente impactados pela migração
Localizada na Terra Indígena São Marcos – uma tapeçaria de assentamentos queimados pelo sol que abriga o povo Tauperang – Sakao Motá é uma das comunidades indígenas fortemente impactadas pelo fluxo de migrantes e refugiados da Venezuela, juntamente com as comunidades Ta'rau Parú, Par Bananal e Sorocaima I, todas localizadas na fronteira entre o Brasil e a Venezuela.
Atualmente, 160 indígenas venezuelanos do grupo Taurepang vivem em Sakao Motá. Antes da chegada dos venezuelanos, a aldeia tinha apenas 100 moradores.
Apesar de os recursos agrícolas da aldeia serem escassos, os venezuelanos foram recebidos como parte do mesmo grupo indígena, do qual compartilham origens linguísticas e laços de parentesco.
Sentado sob um tamarindeiro, Silvano Fernandez, um indígena brasileiro de 55 anos, lembra como sua comunidade recebeu de braços abertos os irmãos e irmãs venezuelanos. Silvano é um dos pacientes regulares da unidade médica. Ele sofre de dores crônicas causadas por um acidente de carro, que o impedem de levar uma vida normal.
"Eles são nossos parentes; devemos acolhê-los porque são nosso povo. Hoje são eles, mas amanhã podemos ser nós." - Silvano Fernandez
Mesmo que os resultados de saúde relacionados à gravidez de Katiuska tenham melhorado à medida que ela realiza exames regulares com médico da OIM, sem sinal de telefone ou acesso a um veículo, ela está pronta para dar à luz em casa quando chegar a hora. "Se eu não conseguir transporte para o hospital mais próximo, meu bebê nascerá em casa, na comunidade, como todas as minhas ancestrais", disse ela depois de ter feito o pré-natal.
Veja o vídeo sobre as Unidades Móveis da Saúde em Roraima:
As Unidades Móveis da Saúde da OIM contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.
Leia mais:
OIM Brasil: Operação Acolhida dá aos venezuelanos um novo começo no norte do Brasil
1 of 5
História
14 março 2023
Racismo ainda marca vida de brasileiros
Uma mãe é questionada por uma criança por ser branca e ter um filho negro. Por conta da cor da pele, um homem foi sistematicamente barrado no aeroporto ao longo de dez anos. Um garoto recebeu nota baixa por ter pintado pessoas de preto e não de tom rosado. Uma professora sentiu orgulho ao se ver rodeada por seis colegas negros num Instituto Federal. Estes são alguns dos relatos de pessoas que sofreram e enfrentaram racismo e participaram da 2ª edição da Escuta Digital: Histórias sobre Racismo.
Os depoimentos serão ilustrados e divulgados nas plataformas digitais da @ONUBrasil a partir deste sábado, 25 de março, marcando o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos. A iniciativa é do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
Educação - Neste ano, o tema para o dia 25 é “Combater o legado do racismo da escravidão através de educação transformadora”. E é justamente a educação a forma encontrada por dois professores para enfrentar o racismo.
A carioca Mônica Pereira da Silva, de 52 anos, conta que fez mestrado e doutorado e trabalhou numa multinacional, mas foi no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) que se sentiu representada. Ela trabalhou como professora substituta por dois anos e um dia se deu conta de que estava rodeada por seis professores: “Todos negros. Professores do IFSP. De altíssima competência. Todos eles. Aquela visão encheu meu coração de beleza, gratidão e acolhimento. Senti-me em casa. Pela primeira vez frequentei uma instituição na qual pude ver minha cor de fato representada.”
O mineiro Celso Fonte, de 28 anos, relatou que coordena um projeto de simulação das Nações Unidas em Barbacena, onde este ano jovens de 13 a 26 anos discutirão o tema "Parceria Público Privada contra o Racismo Sistêmico". “Acreditamos que a educação é a melhor ferramenta para reconstruir a sociedade a partir de relações diplomáticas, éticas e que compactuem com a Declaração Universal de Direitos Humanos. Soluções e ações concretas são cruciais para se construir uma sociedade mais humanizada”, relata.
Preconceito, da piscina ao aeroporto – A paulistana Débora, de 52 anos, conta que estava na piscina de um hotel com o filho de 4 anos quando outra criança perguntou se ela era mãe do garoto. Surpresa, ela respondeu que sim e perguntou o motivo do questionamento: “Você tão branquinha e ele tão pretinho”. O paranaense Elton do Nascimento Santos, de 43 anos, conta que era retido pela Polícia Federal todas as vezes que vinha passear no Brasil durante o tempo em que morou em Portugal, entre 2003 e 2013. A esposa, branca, e os filhos, pardos, nunca eram barrados.
O mineiro Cleunismar Silva, de 42 anos, relata que recebeu uma nota baixa por ter feito um desenho onde pintou as pessoas de preto. A justificativa da professora: o tom de pele das pessoas deveria ser rosado e não preto. Humilhado, ele não queria ir mais a escola, mas ouviu da mãe que ele e os irmãos são iguais a todo mundo e que ser negro é motivo de orgulho.
Estes e outros depoimentos entrarão nos perfis da @ONUBrasil nas redes sociais – Instagram, Facebook, Twitter e TikTok – nesta semana.
Djamila Ribeiro – Entre outras atividades para marcar o comércio transatlântico de escravos, a Assembleia Geral das Nações Unidas está organizando um evento no dia 27 de março com a brasileira Djamila Ribeiro, que tem usado o poder da educação para lutar contra a discriminação de afrodescententes no Brasil. Vencedora do prêmio literário Jabuti 2020, ela é autora do livro Pequeno Manual Antirracista, que tem sido usado em escolas de todo o país. O evento será transmitido ao vivo, em inglês, na TV da ONU, entre 8h e 10h (horário de Brasília).
O Programa sobre Escravidão e Comércio Transatlântico de Escravos tem por objetivo jogar luz sobre a história do comércio de escravos, seu impacto no mundo moderno e seus legados, incluindo racismo e preconceito.
A ONU declarou o comércio transatlântico de escravos um crime contra a humanidade, por sua escala e duração - 400 anos entre o século XV e o final do século XIX. Foi a maior remoção forçada de pessoas na história: entre 12 e 14 milhões de africanos, principalmente da África Ocidental, foram capturados, tiveram seus direitos negados e foram vendidos como escravos.
1 of 5
História
07 dezembro 2022
Brasileira é nova Jovem Líder da ONU
Usando a tecnologia e as redes sociais para defender os direitos humanos, a brasileira Luísa Franco Machado foi escolhida para ser uma das Jovens Líderes da ONU para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ela vai ocupar o posto ao lado de outros 16 ativistas globais, todos com idades entre 17 e 29 anos.
Aos 23 anos, a pesquisadora é graduada em ciência política e mestre em administração pública, bem como em novas tecnologias aplicadas a esta mesma área. Usando as redes sociais, ela compartilha suas experiências acadêmicas e vivências como jovem queer* do hemisfério sul para conscientizar seus seguidores sobre direitos na internet.
“Direitos digitais, direitos LGBT e gênero estão completamente interligados, porque a gente entende que tanto as plataformas digitais quanto os softwares tendem a ser construídos de uma maneira machista, a homofóbica, racista”, explica Luísa.
Mudar essa realidade, tornando o ambiente online mais justo e inclusivo, é um dos objetivos da jovem, que viu no programa da ONU uma oportunidade para expandir seu trabalho.
“Comecei a falar sobre isso em minhas redes sociais, principalmente no TikTok. Meus vídeos viralizaram e então engajei uma comunidade de jovens online que também queriam participar da construção de políticas públicas relacionadas ao mundo digital”, recorda. “Minha ideia agora é conseguir transformar meus seguidores em um movimento capaz de atuar em governos, ONGs e organizações civis.”
Ocupar espaços - Atualmente com quase 50 mil seguidores no TikTok, no perfil @political_queer, Luísa aproveita a linguagem informal das redes sociais para abordar de forma acessível temas espinhosos, mas necessários. “Muita gente fala que a tecnologia é o futuro, mas falamos pouco sobre os impactos da tecnologia nas pessoas”, ressalta. “Quais são os nossos direitos a partir do momento que a gente está envolvido com uma máquina ou com um sistema? Isso vai desde privacidade de dados até o direito de não ter informações suas usadas contra você.”
Como a ativista aponta, mesmo quando tais temas são discutidos, normalmente eles ficam restritos a grupos compostos por homens brancos ricos do hemisfério norte. “Pela minha experiência, nas políticas públicas em geral, mas principalmente nos temas de tecnologia, existem pouquíssimas pessoas como eu nos lugares de tomada de decisão”, afirma. “Minha ideia é justamente estar presente nesses lugares.”
ONU - Durante o mandato de dois anos como Jovem Líder dos ODS, Luísa é incentivada a participar de conferências e eventos como uma representante da juventude em relação a temas como direitos digitais, direitos LGBT e gênero. No próximo ano, por exemplo, ela deve se encontrar na sede da ONU em Nova Iorque como os outros Jovens Líderes, que trabalham em prol de outros temas, como desenvolvimento sustentável, paz e segurança.
No entanto, o contato com colegas de mandato já começou: Luísa está desenvolvendo uma parceria com a nigeriana Karimot Odebode. Poeta e ativista pela igualdade de gênero, Karimot é fundadora da iniciativa Black Girl's Dream (Sonhos de uma jovem negra, em tradução livre), que trabalha com o empoderamento de mulheres e garotas, relacionando o tema com internet e conectividade em seu país natal.
“Nós nos conhecemos por coincidência em uma conferência da União Internacional de Telecomunicações (UIT) há um mês, na Romênia. Parecia que já éramos melhores amigas há muito tempo. Tenho certeza que isso vai acontecer com muitas outras pessoas do grupo”, projeta Luísa sobre os colegas de ativismo.
*Queer é um termo guarda-chuva da língua inglesa (e apropriado por outras línguas) usado para descrever identidades de gênero e/ou orientações sexuais que vão além da heterossexualidade e das normas cisgênero (ou seja, das normas que impõe a adequação da identidade de gênero do sujeito ao seu sexo biológico).
*Queer é um termo guarda-chuva da língua inglesa (e apropriado por outras línguas) usado para descrever identidades de gênero e/ou orientações sexuais que vão além da heterossexualidade e das normas cisgênero (ou seja, das normas que impõe a adequação da identidade de gênero do sujeito ao seu sexo biológico).
1 of 5
História
06 dezembro 2022
“Empoderada”, diz refugiada sobre emprego
A venezuelana Mariangel chegou ao Brasil há onze meses buscando um recomeço. Ela cruzou a fronteira da Venezuela com Roraima trazendo em seus braços dois dos seus quatro filhos, uma irmã e uma sobrinha. Sem uma rede de apoio ou perspectivas de conseguir emprego, ela buscou uma vaga em um abrigo emergencial na capital Boa Vista (RR), e lá teve contato pela primeira vez com o Empoderando Refugiadas, um programa cujo objetivo é alavancar a inclusão socioeconômica de mulheres refugiadas e migrantes que chegam ao Brasil buscando apoio– incluindo mulheres LGBTQIA+, mulheres com deficiência e com mais de 50 anos.
Por dois meses, ela participou de cursos e capacitações sobre o mercado de trabalho brasileiro, sobre leis e direitos trabalhistas, e para desenvolver habilidades que pudessem aumentar suas chances de contratação. Assim que as aulas acabaram, ela recebeu uma proposta do shopping Iguatemi, em Campinas (SP), uma das empresas engajadas com o projeto. Com um emprego garantido, ela mudou com a família para o interior paulista e hoje voltou a fazer planos.
“O que é mais legal é [que o programa] te ajuda a seguir em frente, produzindo e para que você seja uma pessoa melhor”, diz Mariangel. “Eu me sinto bem porque sou uma mulher empoderada, uma mulher que pode seguir em frente, uma mulher que pode lutar por seus filhos, dar tudo a seus filhos, trabalhar, e que não depende de outra pessoa para ter as coisas”, comemora.
Mariangel é uma das dezenas de mulheres que participaram da sétima edição do Empoderando Refugiadas. O programa é desenvolvido em conjunto pela Agência das ONU para Refugiados (ACNUR), ONU Mulheres e Pacto Global. A sétima edição também contou com o patrocínio de duas empresas parceiras: Lojas Renner SA e Shopping Iguatemi.
Estas mesmas agências da ONU também atuam em diferentes projetos, mobilizando instituições e empresas para incluir mais mulheres refugiadas e migrantes no mercado de trabalho, com capacitação e acompanhamento para a integração no novo destino. Além de mobilizar pela abertura de novas oportunidades de emprego, as agências também trabalham para criação de iniciativas que fortaleçam os direitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento das mulheres refugiadas e migrantes. E, para aquelas que optaram por abrir o próprio negócio, as agências buscam apoiar na conquista de novos mercados e na inclusão nas cadeias produtivas já existentes.
Iniciativas - Um exemplo de outro projeto desta mesma natureza é o Moverse, programa conjunto implementado por ACNUR, ONU Mulheres e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com o financiamento do Governo de Luxemburgo. Este programa busca garantir que políticas e estratégias de empresas públicas, privadas e instituições fortaleçam os direitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento entre refugiadas e migrantes venezuelanas. A principal ação do programa nesse sentido é o apoio a empresas para que desenvolvam e implementem um plano de ação com foco no empoderamento econômico dessas mulheres – e que pode incluir desde cursos de aperfeiçoamento profissional, creche e apoio à educação de filhos e filhas até inclusão de refugiadas e migrantes na cadeia de suprimentos e estratégias de comunicação que retratem e empoderem essas mulheres.
Já o Fórum Empresas com Refugiados é uma iniciativa desenvolvida por ACNUR e Pacto Global que, atualmente, conta com mais de 50 empresas e organizações membros. O objetivo é fomentar trocas e aprendizagem entre as empresas participantes, focando na contratação inclusiva de pessoas refugiadas, incluindo desafios, oportunidades e boas práticas, com ações exclusivas voltadas para populações específicas, como famílias monoparentais chefiadas por mulheres.
Uma quarta iniciativa que faz parte dessa abordagem integrada é a plataforma Refugiados Empreendedores, desenvolvida por ACNUR e Pacto Global para divulgar negócios de pessoas refugiadas. Por meio da plataforma, que oferece visibilidade aos negócios liderados por pessoas refugiadas no Brasil, em sua maioria mulheres, é possível comprar produtos e se comunicar diretamente com as empreendedoras.
Quando participam de uma das iniciativas listadas, as instituições e empresas interessadas podem ampliar a atuação junto ao tema, passando a integrar os demais projetos. Por exemplo: uma empresa que já tenha assinado a Carta de Compromisso do programa Moverse pode apoiar o projeto Empoderando Refugiadas e pode integrar o Fórum Empresas com Refugiados – as duas ações colaboram, inclusive, para o cumprimento dos compromissos assumidos na assinatura da carta. E para apoiar na compreensão dessas possibilidades, é oferecido suporte da equipe do Moverse, que também atua no desenvolvimento de um plano de ação junto às empresas e instituições signatárias da carta.
Saiba mais sobre essa integração clicando aqui
Para participar – Todas as iniciativas integradas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e aos Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos. Para empresas que desejam aumentar o engajamento com a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, a ONU Mulheres também incentiva a assinatura dos Princípios do Empoderamento das Mulheres (WEPs, da sigla em inglês), uma iniciativa global da ONU Mulheres e Pacto Global para orientar empresas sobre como empoderar as mulheres no ambiente de trabalho, no mercado e nas comunidades.
Para saber mais sobre os projetos e integrar alguma das ações, as instituições e empresas podem entrar em contato pelos seguintes endereços:
Moverse – flavia.muniz@unwomen.org
Empoderando Refugiadas – empoderandorefugiadas@pactoglobal.org.br
Fórum Empresas com Refugiados – empresascomrefugiados@pactoglobal.org.br
Refugiados Empreendedores – tarantin@unhcr.org
1 of 5
Notícias
05 maio 2023
Chefe da Organização Mundial da Saúde declara o fim da COVID-19 como uma emergência de saúde global
Informando a imprensa na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, Tedros Adhanom Ghebreyesus declarou "com grande esperança" o fim da COVID-19 como uma emergência de saúde pública, enfatizando que isso não significa que a doença não seja mais uma ameaça global.
"Na semana passada, a COVID-19 tirou uma vida a cada três minutos - e isso é apenas as mortes que conhecemos." - Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
De acordo com o Painel de Controle do Coronavírus da OMS, que reuniu as principais estatísticas desde o início da pandemia, os casos acumulados em todo o mundo agora são de 765.222.932, com quase sete milhões de mortes: o número exato atualmente é de 6.921.614.
Até 30 de abril, um total de mais de 13,3 bilhões de doses de vacina foram administradas em todo o mundo.
'Ainda matando, ainda mudando'
Ele disse que o vírus - transformado pela primeira vez em uma emergência de saúde pública de interesse internacional pelo chefe da OMS em 30 de janeiro de 2020 - veio para ficar: "Ele ainda está matando e ainda está mudando. Permanece o risco de surgirem novas variantes que causem novos surtos de casos e mortes." Ele disse que a decisão não foi tomada de ânimo leve. Durante o ano passado, o Comitê de Emergência liderado pela OMS examinou cuidadosamente os dados para saber qual era o momento certo para dar o alarme. Por mais de 12 meses, a pandemia "tem apresentado uma tendência de queda", disse ele, com o aumento da imunidade devido às vacinas altamente eficazes desenvolvidas em tempo recorde para combater a doença e as infecções. As taxas de mortalidade diminuíram e a pressão sobre os sistemas de saúde, antes sobrecarregados, diminuiu. "Essa tendência permitiu que a maioria dos países retornasse à vida como a conhecíamos antes da COVID-19", acrescentou Tedros. 'Torrente de informações errôneas e desinformação'
Mas ele refletiu que o impacto da pandemia "expôs as falhas políticas, dentro e entre as nações. Ela corroeu a confiança entre pessoas, governos e instituições, alimentada por uma torrente de desinformação". Tedros também observou o enorme dano infligido pelo vírus em todos os aspectos da vida global, incluindo uma enorme turbulência econômica, "apagando trilhões do PIB, interrompendo viagens e comércio, fechando empresas e mergulhando milhões na pobreza". Ele lembrou que, enquanto falava, milhares de pessoas em todo o mundo continuam lutando por suas vidas em terapia intensiva, e outros milhões viverão no futuro próximo "com os efeitos debilitantes" das condições pós-COVID, ou a chamada "COVID longa". O chefe da OMS disse que, em um certo nível, o fim da emergência era um momento para comemorar e prestou homenagem à "incrível habilidade e dedicação altruísta dos profissionais de saúde e assistência" em todo o mundo. Refletindo sobre as 'cicatrizes profundas'
Mas, em outro nível, foi um momento de reflexão profunda, com a COVID continuando a deixar "cicatrizes profundas em nosso mundo". "Essas cicatrizes devem servir como um lembrete permanente do potencial de surgimento de novos vírus, com consequências devastadoras." - Tedros Adhanom Ghebreyesus. Aprendendo com os erros
Muitos erros foram cometidos, inclusive a falta de coordenação, equidade e solidariedade, o que fez com que as ferramentas e tecnologias existentes não fossem usadas da melhor forma para combater o vírus. "Devemos prometer a nós mesmos, a nossos filhos e netos, que nunca mais cometeremos esses erros. Essa experiência deve mudar todos nós para melhor. Ela deve nos tornar mais determinados a cumprir a visão que as nações tiveram quando fundaram a OMS em 1948: o mais alto padrão de saúde possível para todas as pessoas." - Dr. Ghebreyesus.
Ele disse que o vírus - transformado pela primeira vez em uma emergência de saúde pública de interesse internacional pelo chefe da OMS em 30 de janeiro de 2020 - veio para ficar: "Ele ainda está matando e ainda está mudando. Permanece o risco de surgirem novas variantes que causem novos surtos de casos e mortes." Ele disse que a decisão não foi tomada de ânimo leve. Durante o ano passado, o Comitê de Emergência liderado pela OMS examinou cuidadosamente os dados para saber qual era o momento certo para dar o alarme. Por mais de 12 meses, a pandemia "tem apresentado uma tendência de queda", disse ele, com o aumento da imunidade devido às vacinas altamente eficazes desenvolvidas em tempo recorde para combater a doença e as infecções. As taxas de mortalidade diminuíram e a pressão sobre os sistemas de saúde, antes sobrecarregados, diminuiu. "Essa tendência permitiu que a maioria dos países retornasse à vida como a conhecíamos antes da COVID-19", acrescentou Tedros. 'Torrente de informações errôneas e desinformação'
Mas ele refletiu que o impacto da pandemia "expôs as falhas políticas, dentro e entre as nações. Ela corroeu a confiança entre pessoas, governos e instituições, alimentada por uma torrente de desinformação". Tedros também observou o enorme dano infligido pelo vírus em todos os aspectos da vida global, incluindo uma enorme turbulência econômica, "apagando trilhões do PIB, interrompendo viagens e comércio, fechando empresas e mergulhando milhões na pobreza". Ele lembrou que, enquanto falava, milhares de pessoas em todo o mundo continuam lutando por suas vidas em terapia intensiva, e outros milhões viverão no futuro próximo "com os efeitos debilitantes" das condições pós-COVID, ou a chamada "COVID longa". O chefe da OMS disse que, em um certo nível, o fim da emergência era um momento para comemorar e prestou homenagem à "incrível habilidade e dedicação altruísta dos profissionais de saúde e assistência" em todo o mundo. Refletindo sobre as 'cicatrizes profundas'
Mas, em outro nível, foi um momento de reflexão profunda, com a COVID continuando a deixar "cicatrizes profundas em nosso mundo". "Essas cicatrizes devem servir como um lembrete permanente do potencial de surgimento de novos vírus, com consequências devastadoras." - Tedros Adhanom Ghebreyesus. Aprendendo com os erros
Muitos erros foram cometidos, inclusive a falta de coordenação, equidade e solidariedade, o que fez com que as ferramentas e tecnologias existentes não fossem usadas da melhor forma para combater o vírus. "Devemos prometer a nós mesmos, a nossos filhos e netos, que nunca mais cometeremos esses erros. Essa experiência deve mudar todos nós para melhor. Ela deve nos tornar mais determinados a cumprir a visão que as nações tiveram quando fundaram a OMS em 1948: o mais alto padrão de saúde possível para todas as pessoas." - Dr. Ghebreyesus.
1 of 5
Notícias
04 maio 2023
Projeto de socioeducação em Minas Gerais e Santa Catarina é finalista em prêmio internacional de Parceria Público-Privada
Parceria público-privada para o sistema socioeducativo é finalista do Prêmio de PPPs para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), organizado pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa. O projeto foi estruturado pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), em parceria com a CAIXA e a Secretaria Especial para o Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil.
A iniciativa prevê a construção, gestão e operação de três novos centros socioeducativos, nos estados de Minas Gerais e Santa Catarina. Com isso, busca contribuir com os esforços de qualificação do atendimento ao adolescente em situação de conflito com a lei, ampliando as chances do rompimento da trajetória infracional.
A premiação é parte do Fórum Internacional de PPPs da UNECE, um dos principais eventos da área em todo o mundo, que promove o fomento de uma abordagem com impactos efetivos para as pessoas e que contibua para o avanço da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Na edição do último ano, o mesmo projeto foi selecionado e apresentado como estudo de caso em PPPs centradas em pessoas (em inglês, people-first PPPs).
A iniciativa tem como pilares a oferta da educação com inserção no mundo digital, o acompanhamento pedagógico contínuo, a formação profissional e o atendimento com abordagem individualizada, com rotinas focadas nas necessidades de cada jovem.
São parceiros do UNOPS no desenvolvimento da PPP o governo federal, a CAIXA e os estados beneficiários.
PPPs para o alcance dos ODS
A sétima edição do Fórum reuniu especialistas de diversos países e membros da comunidade internacional para discutir o potencial catalisador de transformações das PPPs no avanço dos Objetivos Globais. Um dos destaques do evento foi o Prêmio UNECE PPP e Infraestrutura de 2023, em que competiram projetos de parceria público-privada de todo o mundo com modelagem, construção e operação compatíveis com os ODS. Dentre os cinco finalistas selecionados pelo júri internacional, estava o projeto de socioeducação estruturado pelo UNOPS.
“Há oito anos desenvolvemos projetos para o sistema socioeducativo no Brasil, que, assim como tudo o que fazemos, buscam apoiar os governos no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ter um deles reconhecido internacionalmente por isso indica que estamos no caminho certo.” - Claudia Valenzuela, diretora e representante do UNOPS no Brasil.
1 of 5
Notícias
03 maio 2023
ARTIGO: Recomendações para uma proteção social para o Brasil do futuro
O Brasil avançou na redução da pobreza e desigualdade desde o retorno à democracia, na década de 1980. A expansão das políticas de proteção social desempenhou um papel importante nesse processo. Porém, a redução da pobreza estagnou na última década e a taxa de informalidade permanece alta.
Além disso, o envelhecimento demográfico, as mudanças climáticas e as novas tecnologias e formas de trabalho geram necessidades e riscos para a população. Como o sistema de proteção social pode seguir desempenhando um papel central em um contexto tão diferente daquele em que muitas dessas políticas foram concebidas?
Em um novo relatório, o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) discutem o assunto. Em duas décadas, a maioria da população brasileira estará em idade ativa, mas não será mais jovem; muitos precisarão navegar pelo mercado de trabalho com baixa escolaridade. O número de crianças terá diminuído, mas, enquanto isso, quase metade delas cresce em condição de pobreza. O número de adultos com mais de 65 anos dobrará, tornando as atuais promessas previdenciárias fiscalmente insustentáveis, mesmo após a recente reforma.
Outra tendência é a mudança climática, cujos efeitos incluem desastres naturais mais frequentes e uma mudança estrutural da economia. Finalmente, as novas tecnologias mudarão a maneira como as empresas utilizam a mão de obra. Haverá mais oportunidades para aproveitar os mercados dos serviços globais, mas também um maior risco de deslocamento de trabalhadores para novas tarefas, e eles – mais do que nunca – trabalharão como autônomos.
A capacidade dos brasileiros navegarem por essas mudanças dependerá em parte da maneira como o sistema de proteção social e trabalho adaptará o conjunto de instituições, programas e despesas às novas necessidades. O relatório identifica fragilidades do sistema atual. Quatro quintos dos gastos com proteção social são alocados a programas que visam principalmente os mais velhos, como se o Brasil fosse um país com tantos idosos quanto a Europa.
Além disso, as aposentadorias do setor formal beneficiam desproporcionalmente as famílias dos quintis de renda superior, embora sejam subsidiados em graus diferentes a partir da receita geral. Por outro lado, apenas poucos programas de proteção social promovem capital humano e oportunidades. Um deles é o Bolsa Família.
O relatório recomenda um conjunto de dez reformas para o médio e longo prazos, com um olhar para o Brasil em 2040. Será importante aumentar a eficiência dos programas de seguro desemprego, expandir os instrumentos financeiros disponíveis às famílias para administrar a volatilidade da renda e tornar os programas de assistência social mais eficazes no alcance das famílias impactadas pelos choques climáticos.
O sistema também teria que encontrar mais e melhores maneiras de ofertar programas de desenvolvimento na primeira infância, e criar políticas destinadas a apoiar os trabalhadores em transição de emprego ou entrando no mercado de trabalho pela primeira vez, bem como expandir a inclusão econômica em áreas rurais.
Para fortalecer a redução da pobreza, a nota propõe consolidar as transferências direcionadas às famílias trabalhadoras em um único programa, com um componente para crianças e um para famílias de baixa renda. Será fundamental investir no aperfeiçoamento dos sistemas como o Cadastro Único e na capacidade de os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) prestarem serviços sociais mais complexos e de encaminhar os beneficiários a outros programas.
E, a fim de poder financiar essas mudanças, será necessário aumentar a eficiência e a equidade dos gastos, principalmente na Previdência. Nesse aspecto, o relatório propõe uma coordenação mais direta da previdência não contributiva (como o Benefício de Prestação Continuada) com um redesenho da aposentadoria mínima contributiva com incentivos para contribuir ao longo do ciclo laboral. No entanto, será importante reduzir os diferenciais nas contribuições e impostos pagos entre trabalho autônomo e celetista, que hoje contribuem para a pejotização porque essa opção é menos custosa para os empregadores.
Reconhecemos que essas propostas são ambiciosas e, por isso, o debate tem que começar hoje.
*Economista líder de Desenvolvimento Humano para o Brasil do Banco Mundial e doutor em Economia pela Universidade de Illinois (EUA). Este artigo foi escrito em colaboração com meus colegas Asta Zviniene (especialista sênior em proteção social), Josefina Posadas (economista sênior), Matteo Morgandi (economista sênior) e Raquel Tsukada (consultora na área de proteção social).
Mais informações:
Comunicado à imprensa: Novo estudo do Banco Mundial e PNUD propõe 10 reformas para o sistema de proteção social do Brasil (27/04/2023).
Leia o estudo completo: Proteção Social para o Brasil do Futuro: Enfrentar Mudanças com Inclusão e Resiliência.
1 of 5
Notícias
03 maio 2023
Países da América Latina e Caribe concordam com a urgência de ações transformadoras e ousadas para alcançar os Objetivos Globais até 2030
A Sexta Reunião do Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável reuniu mais de 1.000 participantes, incluindo delegados governamentais e representantes de organizações internacionais e do Sistema das Nações Unidas, do setor privado, do meio acadêmico e da sociedade civil, convocados sob o tema "Acelerar a recuperação pós-pandemia de COVID-19 e a plena implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável em todos os níveis".
No seu discurso de abertura, José Manuel Salazar-Xirinachs, Secretário Executivo da CEPAL, valorizou o forte compromisso da região com a Agenda 2030 como um roteiro para a construção de um futuro melhor que não deixe ninguém para trás. No entanto, na metade do caminho para 2030, apenas um quarto dos objetivos foi cumprido ou espera-se que seja cumprido, alertou.
A CEPAL estima que apenas 25% das metas para as quais existe informação disponível apresentam um comportamento que permite antever o seu cumprimento em 2030. Por outro lado, estima-se que 48% das metas apresentam uma tendência correta, mas insuficiente para atingir o respectivo objetivo, enquanto os restantes 27% apresentam uma tendência decrescente. Assim, 75% das metas correm o risco de não serem atingidas, a menos que sejam tomadas medidas decisivas para retomar o caminho certo.
"Esta situação apela urgentemente aos países da região para que reforcem o seu compromisso com os ODS. São necessárias ações ousadas, inovadoras, inspiradoras e, sobretudo, transformadoras; caso contrário, estaremos numa nova década perdida." - José Manuel Salazar-Xirinachs, CEPAL.
Amina Mohammed, secretária-geral adjunta das Nações Unidas, apelou ao reforço da cooperação e à aceleração do progresso no cumprimento dos ODS e sublinhou a importância de investir no desenvolvimento sustentável.
"Temos de conseguir uma mudança transformadora. Os líderes mundiais terão de fazer uma escolha: cumprir o seu compromisso com um futuro melhor ou deixá-lo cair no esquecimento." - Amina Mohammed, vice-chefe da ONU.
A abertura da reunião contou com a presença de Santiago Cafiero, Ministro das Relações Exteriores da Argentina, país que exerce a presidência da CEPAL no biênio 2022-2024; Paula Narváez, representante permanente do Chile nas Nações Unidas e vice-presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas; e José Manuel Salazar-Xirinachs, secretário executivo da CEPAL.
"A sete anos do horizonte de 2030, o caminho a percorrer é tão importante quanto o resultado a ser alcançado, pois lançará as bases para a mudança de paradigma necessária para construir o mundo que herdaremos para nossos filhos e filhas. A Agenda 2030 oferece as condições para avançar nos grandes objetivos comuns e a América Latina e o Caribe são uma oportunidade para o mundo." - Paula Narváez, Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.
Após a abertura, Volker Türk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, proferiu uma saudação em vídeo na qual salientou a inter-relação entre a Agenda 2030 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que este ano assinala 75 anos de sua adoção.
"Sem direitos humanos não pode haver desenvolvimento sustentável. É urgente integrar os direitos humanos nos planos dos países para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável." - Volker Türk, ACNUDH.
No dia da abertura da reunião intergovernamental, o Secretário Executivo da CEPAL apresentou o documento A América Latina e o Caribe na metade do caminho de 2030: avanços e propostas de aceleração, que é o sexto relatório sobre os avanços e desafios regionais da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O relatório examina os avanços globais na realização de todos os ODS e, em seguida, de forma mais aprofundada, os avanços na realização de cinco deles que serão analisados no Fórum Político de Alto Nível, que se realizará de 10 a 19 de julho na sede da ONU em Nova York. São eles: água potável e saneamento (ODS 6); energia limpa e acessível (ODS 7); indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9); cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11); e parcerias e meios de implementação (ODS 17).
Ao término da reunião os representantes dos países aprovaram um documento final com as Conclusões e recomendações acordadas entre os Governos reunidos na Sexta Reunião do Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável, no qual reafirmam seu compromisso de implementar efetivamente a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, assegurando que ninguém foque para trás. O documento destaca que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, inclusive a pobreza extrema, é o maior desafio que o mundo enfrenta e constitui um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.
No documento, os países também expressam que observam com preocupação que as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que deviam ser alcançadas no máximo em 2020 não foram cumpridas plenamente. O países fazem um apelo à comunidade internacional para que reforce as medidas destinadas a enfrentar esses desafios específicos, entre eles a proteção da biodiversidade, a elaboração de estratégias de redução do risco de desastres, a participação dos jovens e o aumento dos recursos financeiros, e a transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento.
Além disso, reconhecem que as desigualdades continuam sendo uma característica predominante dos países da América Latina e do Caribe, e que a luta contra a desigualdade requer, entre outras coisas, aumentar o investimento em serviços sociais, inclusive os serviços de proteção social, e ampliar as oportunidades econômicas.
As conclusões e recomendações deste Fórum serão apresentadas pela presidência do 39⁰ período de sessões da CEPAL ao Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas de 2023, a ser realizado em julho em Nova York sob os auspícios do Conselho Econômico e Social.
Mais informações:
Conclusões e recomendações acordadas entre os Governos reunidos na Sexta Reunião do Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável (espanhol).
Comunicado de imprensa: Os países concordam com a urgência de promover ações ousadas e transformadoras para acelerar e corrigir o curso para alcançar os ODS.
Relatório da CEPAL: A América Latina e o Caribe na metade do caminho para 2030: avanços e propostas de aceleração.
Galeria de fotos.
1 of 5
Notícias
02 maio 2023
Sub-secretária-geral da ONU e assessora especial Alice Wairimu Nderitu em visita oficial ao Brasil
A sub-secretária-geral das Nações Unidas e assessora especial para Prevenção do Genocídio, Alice Wairimu Nderitu, está em visita oficial ao Brasil nesta semana. É a primeira visita dela ao país.
Durante a missão, a assessora especial se reunirá com altos funcionários e representantes do governo, representantes de organizações da sociedade civil e representantes de comunidades indígenas e minorias em todo o país, assim como membros da comunidade internacional, para entender melhor os recentes acontecimentos no país. A visita terá foco especial na situação dos povos indígenas, dos afrodescendentes e de outros grupos e comunidades vulneráveis do país.
Ao final da missão, a assessora especial dará uma coletiva de imprensa virtual no Rio de Janeiro, no dia 12 de maio. O acesso à coletiva de imprensa será estritamente limitado à mídia credenciada. Detalhes sobre a coletiva de imprensa, incluindo instruções para credenciamento, serão informados em breve pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
Solicitações de imprensa:
Dalila Sadinlija - Escritório da ONU para Prevenção do Genocídio
https://www.un.org/en/genocideprevention/
Email: dalila.sadinlija@un.org
Twitter @UNOSAPG
1 of 5
Últimos recursos
1 / 11
1 / 11