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10 março 2026
Brasil, ONU-Habitat e CAU/SP lançam novo projeto para fortalecer moradia social
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10 março 2026
FAO e Brasil renovam aliança para fortalecer a cooperação Sul-Sul trilateral no Sul Global
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09 março 2026
ONU oferece bolsas para jovens jornalistas cobrirem a Assembleia Geral em Nova Iorque
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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26 fevereiro 2026
Nações Unidas buscam jovens com grandes ideias para proteger o planeta
O PNUMA lançou a convocatória para a edição de 2026 do Prêmio Jovens Campeões da Terra, que homenageia jovens que promovem soluções inovadoras para proteger o planeta.O prêmio Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa global do PNUMA voltada para a juventude. Desde 2017, ele reconheceu 33 jovens pioneiros – ativistas, empreendedores e inovadores ambientais de 18 a 30 anos – por suas ideias excepcionais para proteger o meio ambiente. O programa é realizado em parceria com o CEO americano de tecnologia limpa Chris Kemper, que também é defensor de parcerias do PNUMA e cofundador da Planet A.Os Jovens Campeões de 2026 receberão US$ 10.000 em financiamento inicial de Kemper, orientação, acesso a uma rede de especialistas e oportunidades de participar de eventos de alto nível das Nações Unidas. Eles também serão levados a Nova Iorque para competir em uma competição de apresentações por uma bolsa de US$ 100.000 da Planet A.O PNUMA incentiva inscrições de jovens empreendedores, cientistas, economistas, artistas e comunicadores de todas as origens que estejam promovendo ideias ousadas para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Para demonstrar viabilidade e comprometimento, as pessoas candidatas devem ter aplicado suas ideias por um período mínimo de seis meses.“Enfrentar as crises interligadas da mudança climática, degradação dos solos, perda de biodiversidade e natureza, poluição e resíduos não é um ato de caridade. Isso pode trazer benefícios econômicos tangíveis para países, comunidades e indivíduos”, disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Estamos orgulhosas de que, por meio do programa Jovens Campeões, esses indivíduos incríveis recebam orientação, treinamento e financiamento inicial para transformar ideias ambiciosas em soluções viáveis para as pessoas e o planeta.”As pessoas vencedoras do Prêmio Jovens Campeões da Terra de 2025 foram: Jinali Mody, da Índia, fundador e CEO da Banofi Leather, que transforma resíduos da cultura da banana em uma alternativa vegetal ao couro; Joseph Nguthiru, fundador da startup queniana HyaPak, que produz embalagens biodegradáveis a partir da polpa do jacinto aquático; e Noemi Florea, inventora do Cycleau, um sistema que converte água cinza em água potável. Nguthiru ganhou também uma bolsa de US$ 100.000 da Planet A.“Estamos orgulhosos de apoiar esses jovens incríveis que estão mudando o mundo”, disse Kemper. “Joseph, Jinali e Noemi nos mostraram no ano passado que os indivíduos podem fazer muito para proteger nosso planeta. Estou animado para conhecer os Jovens Campeões de 2026.”Para mais informações, acesse a página do Prêmio: https://www.unep.org/youngchampions/ NOTAS PARA EDITORESSobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)O PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Ele fornece liderança e incentiva parcerias no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.Sobre o Planet AO Planet A é um novo canal do YouTube, lançado com o apoio da Fundação Christopher Kemper. Ele foi criado para estimular ações que protejam o futuro do nosso planeta. Reúne criadores de conteúdo, especialistas e parceiros para promover a conscientização e ações ambientais por meio de uma série de histórias educativas, concursos e colaborações. Sobre o Prêmio Jovens Campeões da Terra do PNUMAO Prêmio Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa do PNUMA para o envolvimento dos jovens. O prêmio é concedido a jovens ambiciosos de todo o mundo com ideias excepcionais para proteger e restaurar o meio ambiente.Contato para a imprensa: Unidade de Notícias e Imprensa, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: unep-newsdesk@un.org
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04 fevereiro 2026
Publicação reúne experiências brasileiras sobre o desenvolvimento urbano sustentável
Como o Brasil tem enfrentado os principais desafios urbanos que afetam as cidades? De modo a apresentar algumas das melhores práticas de desenvolvimento urbano promovidas no país, o programa Simetria Urbana lança a publicação “Caminhos para o Desenvolvimento Urbano Sustentável: Experiências e Boas Práticas Inovadoras Brasileiras”.
O relatório reúne 16 iniciativas desenvolvidas por instituições em todo o Brasil, com foco em enfrentar os desafios urbanos de forma inclusiva, integrada e sustentável. A seleção das experiências teve em conta resultados concretos, inovação e potencial de adaptação a diferentes contextos territoriais. Acesse o relatório aqui.
A publicação faz parte do Simetria Urbana, programa liderado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa tem como objetivo fortalecer o intercâmbio de conhecimentos em temas ligados ao desenvolvimento urbano, entre países do Sul Global, promovendo o aprendizado mútuo e o desenvolvimento de capacidades institucionais. As iniciativas reunidas abordam de forma transversal questões centrais para desafios urbanos, como sustentabilidade ambiental, justiça social, inclusão, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento do papel dos governos locais. Um elemento comum entre elas é o esforço para responder aos desafios urbanos considerando dimensões socioeconômicas e grupos historicamente pouco priorizados pelas políticas públicas, como mulheres, jovens e populações em situação de vulnerabilidade.A publicação parte do princípio de que o aprendizado se fortalece na troca de conhecimentos e de experiências, e de que a Cooperação Sul-Sul representa oportunidade estratégica de colaboração mútua.Segundo Patricia Aguchiku, assistente de programas do ONU-Habitat no Simetria Urbana, a publicação é um importante marco do projeto. “Este relatório reflete um processo amplamente colaborativo, construído junto às instituições que se inscreveram. As experiências reunidas mostram como é possível enfrentar desafios urbanos de forma transversal, incluindo públicos muitas vezes invisibilizados pelas políticas públicas e conectando essas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao sistematizar essas práticas, ampliamos o alcance do aprendizado e fortalecemos o diálogo entre territórios do Sul Global.”Para Monica Salmito, analista de projetos da ABC, as experiências reunidas mostram que cidades mais justas, resilientes e sustentáveis são construídas a partir de políticas públicas sensíveis às realidades sociais e territoriais."Por meio do Simetria Urbana, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) promove o intercâmbio dessas práticas e contribui para ampliar o repertório de soluções disponíveis a governos locais e comunidades que enfrentam desafios urbanos semelhantes.”Ao compartilhar essas experiências, o Simetria Urbana contribui para que a cooperação e o aprendizado compartilhado sejam também caminhos para o desenvolvimento urbano sustentável, na implementação da Nova Agenda Urbana e no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
A publicação busca inspirar outras comunidades, gestores públicos e governos locais a desenvolver soluções próprias, adaptadas às suas realidades, e abrir espaço para novas colaborações entre países que compartilham desafios urbanos semelhantes. Simetria Urbana
Lançado em 2023, o programa Simetria Urbana tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento das capacidades de governos locais e nacionais de países do Sul Global na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas urbanas alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Nova Agenda Urbana. Essas parcerias acontecem na modalidade de cooperação Sul-Sul trilateral, formato de colaboração que envolve dois países do Sul Global e um organismo internacional.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
O relatório reúne 16 iniciativas desenvolvidas por instituições em todo o Brasil, com foco em enfrentar os desafios urbanos de forma inclusiva, integrada e sustentável. A seleção das experiências teve em conta resultados concretos, inovação e potencial de adaptação a diferentes contextos territoriais. Acesse o relatório aqui.
A publicação faz parte do Simetria Urbana, programa liderado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa tem como objetivo fortalecer o intercâmbio de conhecimentos em temas ligados ao desenvolvimento urbano, entre países do Sul Global, promovendo o aprendizado mútuo e o desenvolvimento de capacidades institucionais. As iniciativas reunidas abordam de forma transversal questões centrais para desafios urbanos, como sustentabilidade ambiental, justiça social, inclusão, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento do papel dos governos locais. Um elemento comum entre elas é o esforço para responder aos desafios urbanos considerando dimensões socioeconômicas e grupos historicamente pouco priorizados pelas políticas públicas, como mulheres, jovens e populações em situação de vulnerabilidade.A publicação parte do princípio de que o aprendizado se fortalece na troca de conhecimentos e de experiências, e de que a Cooperação Sul-Sul representa oportunidade estratégica de colaboração mútua.Segundo Patricia Aguchiku, assistente de programas do ONU-Habitat no Simetria Urbana, a publicação é um importante marco do projeto. “Este relatório reflete um processo amplamente colaborativo, construído junto às instituições que se inscreveram. As experiências reunidas mostram como é possível enfrentar desafios urbanos de forma transversal, incluindo públicos muitas vezes invisibilizados pelas políticas públicas e conectando essas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao sistematizar essas práticas, ampliamos o alcance do aprendizado e fortalecemos o diálogo entre territórios do Sul Global.”Para Monica Salmito, analista de projetos da ABC, as experiências reunidas mostram que cidades mais justas, resilientes e sustentáveis são construídas a partir de políticas públicas sensíveis às realidades sociais e territoriais."Por meio do Simetria Urbana, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) promove o intercâmbio dessas práticas e contribui para ampliar o repertório de soluções disponíveis a governos locais e comunidades que enfrentam desafios urbanos semelhantes.”Ao compartilhar essas experiências, o Simetria Urbana contribui para que a cooperação e o aprendizado compartilhado sejam também caminhos para o desenvolvimento urbano sustentável, na implementação da Nova Agenda Urbana e no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
A publicação busca inspirar outras comunidades, gestores públicos e governos locais a desenvolver soluções próprias, adaptadas às suas realidades, e abrir espaço para novas colaborações entre países que compartilham desafios urbanos semelhantes. Simetria Urbana
Lançado em 2023, o programa Simetria Urbana tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento das capacidades de governos locais e nacionais de países do Sul Global na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas urbanas alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Nova Agenda Urbana. Essas parcerias acontecem na modalidade de cooperação Sul-Sul trilateral, formato de colaboração que envolve dois países do Sul Global e um organismo internacional.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
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29 janeiro 2026
Em Rondônia, UNOPS entrega obra em hospital referência para tratamento de doenças infectocontagiosas
O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), organismo da ONU especializado em infraestrutura, participou da inauguração do novo Centro de Medicina Tropical de Rondônia (CEMETRON), em Porto Velho. Resultado de um acordo de cooperação internacional com o Governo do Estado de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), e com a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), a reforma e ampliação do hospital atendem a uma demanda histórica de usuários e profissionais de saúde e contemplou uma área total de mais de 2 mil m².A cerimônia aconteceu na última sexta, 23 de janeiro, e contou com a presença do governador de Rondônia, Marcos Rocha, do secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, além de outras autoridades estaduais e representantes institucionais. O governador de Rondônia, Marcos Rocha, reforçou a importância da parceria com o UNOPS para a execução da obra com agilidade e eficiência na gestão dos recursos:“O UNOPS é uma referência e somos muito gratos em tê-los atuando em nosso Estado, não só nesta obra, como também na entrega do Hospital Regional de Guajará-Mirim [inaugurado em março de 2025]. Tenho certeza que outras parcerias virão”. O UNOPS foi responsável pela gestão do projeto e pela fiscalização da obra. A execução ficou a cargo da empresa AC Faustino e o investimento aproximado foi de R$ 19 milhões.“O governo de Rondônia confiou no UNOPS e foi o primeiro parceiro com o qual firmamos projetos de infraestrutura no Brasil. Ficamos muito satisfeitos em inaugurar nossa segunda obra no estado, ainda mais por se tratar de um hospital que vai ampliar sua capacidade de atendimento para beneficiar milhares de pessoas em toda a Região Norte do país”, destacou o diretor e representante do UNOPS no Brasil, Fernando Barbieri. A obra de reforma e ampliação atendeu a demandas históricas de usuários e profissionais de saúde. Entre as melhorias entregues, estão novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma nova Central de Material Esterilizado — reposicionada para otimizar os fluxos assistenciais — e um novo Almoxarifado Central. A inauguração também marcou a entrega do novo Centro Administrativo, que passa a contar com um auditório com capacidade para 100 pessoas. O espaço será destinado à realização de cursos, capacitações e atividades de formação continuada, contribuindo para o fortalecimento institucional e o desenvolvimento das equipes do hospital.As intervenções incluíram, ainda, a implantação de uma nova Central de Utilidades, que abriga sistemas essenciais como gerador, subestação de energia e gases medicinais. A nova estrutura garante maior autonomia operacional às áreas ampliadas, sem sobrecarregar as instalações já existentes do hospital.“Essa obra representa muito mais do que uma estrutura de parede e piso. Significa dignidade e humanização para que os nossos profissionais possam atender os pacientes com qualidade”, afirmou a diretora geral do Cemetron, Evelyn De Sousa Pinheiro. “Além disso, já percebemos que os profissionais estão muito mais satisfeitos com o novo espaço, o que influencia diretamente no humor. Nos corredores, as pessoas estão sempre com um sorriso no rosto.” O mesmo sentimento é compartilhado pela servidora e coordenadora da UTI de infectologia do Cemetron, Iris Land, que completou 24 anos de trabalho no Cemetron no último dia 23, mesmo dia da inauguração da nova ala.“Foram anos de espera por melhorias, e essa inauguração é um sonho que se torna realidade. Um ambiente adequado proporciona melhor qualidade para quem trabalha e para quem está sendo atendido, e vamos ver esse impacto positivo na vida de muitas pessoas”.Fundado em 1989, o Cemetron é referência no tratamento de doenças infectocontagiosas e tropicais no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, a nova ala reafirma o papel estratégico do Centro para a saúde pública estadual ao iniciar um novo ciclo de valorização e investimentos, voltado à modernização de sua estrutura e ao aprimoramento da gestão hospitalar.Para saber mais, siga @unops_official nas redes! Contato para a imprensa:Carolina Vicentin, Oficial de Comunicação, UNOPS: carolinav@unops.org
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22 janeiro 2026
ONU lança selo do artista brasileiro Eduardo Kobra para celebrar o 80º aniversário do Conselho Econômico e Social
Há oito décadas, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), um dos seis principais órgãos da Organização das Nações Unidas, oferece uma plataforma única para que Estados-membros, sociedade civil e parceiros nacionais e globais se unam para enfrentar as crises mais urgentes do mundo.Para marcar seu 80º aniversário, um evento especial será realizado no dia 23 de janeiro de 2026 para celebrar as conquistas do Conselho na proteção das pessoas e do planeta, para que nenhuma pessoa seja deixada para trás.Como parte da comemoração, será lançado um selo postal do ECOSOC, com uma obra do artista brasileiro Eduardo Kobra que destaca a nossa humanidade compartilhada, o planeta Terra e a sustentabilidade. SERVIÇO: Reunião especial de comemoração do 80º aniversário do Conselho Econômico e Social intitulada “ECOSOC80: Um ponto de inflexão para o multilateralismo”Quando: Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, das 12h às 15h (horário de Brasília)Onde: Auditório do ECOSOC, na sede da ONU em Nova IorqueO evento será transmitido ao vivo pela UN Web TVPalestrantes:António Guterres, secretário-Geral das Nações UnidasLok Bahadur Thapa, presidente do Conselho Econômico e SocialAnnalena Baerbock, presidente da 80ª sessão da Assembleia GeralEduardo Kobra, artista brasileiroBob Rae, presidente do ECOSOC para a sessão de 2025 e ex-Embaixador e representante permanente do Canadá nas Nações UnidasJoyce Msuya, secretária-geral adjunta para Assuntos HumanitáriosMaria Dimitriadou, representante especial do Banco Mundial na ONUTanaka Akihiko, presidente da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA)A comemoração dos 80 anos do ECOSOC destacará as contribuições e o legado do Conselho para o desenvolvimento sustentável e a governança global nas últimas oito décadas; reafirmará o compromisso dos Estados-membros com o fortalecimento do multilateralismo e da solidariedade; e celebrará o ECOSOC como um fórum para o engajamento inclusivo.Sobre o ECOSOCCriado pela Carta das Nações Unidas em 1945, o ECOSOC realizou sua primeira reunião em 23 de janeiro de 1946. Seu mandato - coordenar as atividades econômicas, sociais e culturais das Nações Unidas e promover a cooperação e o desenvolvimento internacionais - colocou-o no centro da promoção dos princípios da Carta das Nações Unidas. O multilateralismo, a inclusão e a solidariedade global têm sido fundamentais para a missão do ECOSOC. O ECOSOC reúne nações para avançar a dignidade, a igualdade, a solidariedade e as oportunidades. O Conselho defende os direitos humanos, promove a igualdade de gênero e orienta os países em direção a objetivos comuns para um futuro melhor. O Conselho também fornece orientação estratégica de políticas ao sistema de desenvolvimento da ONU, ao mesmo tempo em que promove a integração e a coerência em sua ampla rede de órgãos subsidiários e especializados.Ao longo de sua história, o ECOSOC tem servido como uma importante plataforma para reflexão, debate e pensamento inovador, reunindo diversos atores para enfrentar os desafios mais urgentes do mundo. O trabalho do Conselho é enriquecido por mais de 6.500 organizações da sociedade civil com status consultivo. Para mais informações, visite a página do evento: https://ecosoc.un.org/en/un80Nas redes sociais, siga @UNECOSOC e use a hashtag #ECOSOC80 Contatos para a imprensa: Sharon Birch, Departamento de Comunicação Global da ONU: birchs@un.orgPaul Simon, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: simonp@un.org
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Discurso
22 janeiro 2026
Guterres: “Precisamos de vocês mais do que nunca”
Excelências,Caros amigos,É uma honra juntar-me à Associação das Nações Unidas do Reino Unido para comemorar este aniversário especial.Gostaria de começar expressando minha profunda gratidão. Gratidão ao Reino Unido por seu papel decisivo na criação das Nações Unidas.E, mais ainda, gratidão por ser um pilar tão forte do multilateralismo e um defensor das Nações Unidas nos dias de hoje. A UNA-UK é uma das principais razões para isso. Saúdo seus 80 anos de defesa, conscientização e compromisso inabalável em manter o Reino Unido global. Meus agradecimentos a vocês e a todos os membros da sociedade civil aqui presentes hoje por comparecerem à ONU — e por honrarem a história com os olhos firmemente fixos no futuro. Precisamos de vocês mais do que nunca. Caros amigos,Estamos aqui para celebrar os “80 anos da Assembleia Geral da ONU ” — quando delegados de 51 países se reuniram neste salão para a primeira sessão da Assembleia Geral.Também marcamos outro momento — exatamente há 80 anos — quando o Conselho de Segurança se reuniu pela primeira vez.Para chegar a este salão, os delegados tiveram que passar por uma cidade marcada pela guerra.O Palácio de Buckingham, a Abadia de Westminster e a Câmara dos Comuns foram bombardeados pela Luftwaffe.E enquanto as bombas caíam, civis aterrorizados se amontoavam aqui, no porão do Methodist Central Hall — um dos maiores abrigos públicos contra ataques aéreos de Londres.Durante o Blitz, cerca de 2.000 pessoas se reuniram aqui em busca de segurança, esperando com toda esperança que este prédio resistisse à noite.Cada pedra deste salão está impregnada dos desejos e orações, por vezes desesperados, de pessoas comuns — pela paz.Foi logo acima desse abrigo, onde tantos buscaram proteção, que as nações do mundo se reuniram para “salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”.De muitas maneiras, este Salão é uma representação física do que são as Nações Unidas: um lugar onde as pessoas depositam sua fé — pela paz, pela segurança, por uma vida melhor.A Assembleia Geral está no centro desse trabalho.Mais adiante, fica a “Mãe dos Parlamentos”.A Assembleia Geral é o parlamento da família das nações.É um fórum para que todas as vozes sejam ouvidas, um molde para o consenso e um farol para a cooperação.A primeira resolução da Assembleia Geral — adotada poucos dias após a primeira reunião — concentrou-se no desarmamento e na eliminação das armas atômicas como objetivo global. E, por oito décadas, a Assembleia Geral tem sido o lugar onde o mundo se reúne para ajudar a promover a paz, o desenvolvimento sustentável e a salvaguarda dos direitos humanos. Por sua natureza, o trabalho da Assembleia Geral pode nem sempre ser simples ou tranquilo. Mas é um espelho do nosso mundo, das suas divisões e das suas esperanças.E é o palco onde se desenrola a nossa história comum. Hoje, estamos a entrar num novo capítulo dessa história. Caros amigos,No meu primeiro ano como secretário-geral, estive neste mesmo lugar para me dirigir à UNA-UK.Era 2017, após eleições e referendos que abalaram sociedades em todo o mundo.Falei dos riscos que enfrentávamos: Conflitos locais tornando-se regionais;Novas tecnologias, incluindo inteligência artificial, ameaçando perturbar profundamente as economias;Soberania nacional sendo invocada como pretexto para minar os direitos humanos. Na última década, tudo isso e muito mais se desenrolou em alta velocidade:Os conflitos em Gaza, na Ucrânia e no Sudão foram violentos e cruéis além da medida;A inteligência artificial tornou-se onipresente quase da noite para o dia;E a pandemia jogou lenha na fogueira do nacionalismo — paralisando o progresso no desenvolvimento e nas ações climáticas.Se este período nos ensinou alguma coisa, é que nossos desafios são cada vez mais sem fronteiras e cada vez mais interconectados.A única maneira de enfrentá-los é juntos. E isso requer um sistema multilateral robusto, responsivo e com bons recursos.No entanto, neste momento, esse sistema está sob ameaça.2025 foi um ano profundamente desafiador para a cooperação internacional e os valores da ONU:A ajuda foi drasticamente reduzida.As desigualdades aumentaram.O caos climático se acelerou.O direito internacional foi pisoteado. A repressão à sociedade civil se intensificou.Jornalistas foram mortos com impunidade.E funcionários das Nações Unidas foram repetidamente ameaçados — ou mortos — no cumprimento do seu dever.Ao mesmo tempo, vemos forças poderosas se alinhando para minar a cooperação global. No ano passado, a ONU informou que os gastos militares globais atingiram 2,7 trilhões de dólares — mais de 200 vezes o orçamento atual do Reino Unido para ajuda humanitária, ou o equivalente a mais de 70% de toda a economia britânica.Enquanto o planeta batia recordes de calor, os lucros dos combustíveis fósseis continuavam a aumentar.E no ciberespaço, algoritmos recompensaram falsidades, alimentaram o ódio e forneceram aos autoritários poderosas ferramentas de controle.No entanto, apesar desses mares agitados, seguimos em frente.Basta olhar para as notícias deste mesmo dia: Hoje, entra em vigor o Acordo sobre Diversidade Biológica Marinha em Áreas além da Jurisdição Nacional (BBNJ).Este tratado estabelece a primeira estrutura jurídica para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade marinha em dois terços do oceano além dos limites nacionais.As negociações foram um modelo de diplomacia moderna: lideradas pela ciência, com a participação não apenas de governos, mas também da sociedade civil, povos indígenas e comunidades locais.Essas vitórias silenciosas da cooperação internacional — guerras evitadas, fome evitada, tratados vitais garantidos — nem sempre chegam às manchetes.No entanto, elas são reais. E são importantes.Se quisermos garantir mais vitórias como essas, devemos assegurar o pleno respeito ao direito internacional e defender o multilateralismo, fortalecendo-o para os nossos tempos. O mundo de 2026 não é o mundo de 1946. À medida que os centros de poder globais mudam, temos o potencial de construir um futuro mais justo — ou mais instável.Se quisermos torná-lo mais justo, é fundamental que o sistema internacional reflita a realidade atual.Esse é o espírito da nossa Iniciativa ONU80 e a essência do Pacto para o Futuro — um plano para garantir que as Nações Unidas sejam mais ágeis, mais coordenadas e mais responsivas.Isso também está no centro de nossos esforços para atualizar o Conselho de Segurança e reformar a arquitetura financeira internacional injusta e desigual.E eu acrescentaria que é claramente do interesse daqueles que detêm mais poder estar na linha de frente da reforma.Aqueles que tentam se agarrar aos privilégios hoje correm o risco de pagar o preço amanhã.Portanto, devemos ser ousados o suficiente para mudar. Ousadia suficiente para encontrar a coragem daqueles que vieram a este salão há 80 anos para construir um mundo melhor. As circunstâncias não exigem nada menos do que isso. Caros amigos,Neste momento em que os valores do multilateralismo estão sendo minados, cabe a nós — em nossa capacidade como profissionais, eleitores e membros de organizações como a UNA-UK — tomar uma posição.Mais do que nunca, o mundo precisa de movimentos da sociedade civil que sejam destemidos e persistentes — que tornem impossível para os líderes desviar o olhar.A Assembleia Geral que celebramos hoje existe por causa de uma verdade simples: a humanidade é mais forte quando nos unimos. Mas essa unidade não começa na Assembleia Geral — ela começa aqui, com movimentos populares como o seu.Todos os anos, a UNA-UK concede o Prêmio Sir Brian Urquhart por Serviços Distintos às Nações Unidas.Gostaria de deixar vocês com uma reflexão sobre o próprio Sir Brian.Quando as Nações Unidas abriram suas portas pela primeira vez, muitos de seus funcionários carregavam feridas visíveis da guerra — um mancar, uma cicatriz, uma queimadura.O major Urquhart era um deles:Ele estava em um navio que explodiu no Canal da Mancha;Testemunhou a libertação de Bergen-Belsen;E carregou, pelo resto da vida, um mancar devido a um paraquedas que não abriu.Existe um mito persistente — que ecoa cada vez mais forte a cada dia — de que a paz é ingênua.Que a única política “real” é a política do interesse próprio e da força.Mas os fundadores das Nações Unidas não estavam alheios à realidade.Pelo contrário, eles tinham visto a guerra e sabiam:A paz, a justiça e a igualdade são as buscas mais corajosas, mais práticas e mais necessárias de todas.Em uma cidade marcada pela devastação, os primeiros delegados nesta sala compreenderam o que estava em jogo. O mesmo aconteceu com as pessoas naquele abrigo antiaéreo.O mesmo aconteceu com os primeiros funcionários, como Sir Brian.Nosso dever é servir com o mesmo senso de urgência.Agradeço a cada um de vocês por escolherem viver uma vida de engajamento e participação.Juntos e juntas, vamos continuar a lutar:Pela justiça.Pela humanidade.E pela paz.Obrigado.Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre os 80 anos das Nações Unidas e acompanhe a cobertura da ONU News em português: https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852101
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História
05 março 2026
Entre perdas e recomeços: a resiliência feminina frente aos desafios climáticos em Petrópolis
Com origem tupi, Itaipava significa “pedra que chora”. Por conta do volume de água que escorre sobre as formações rochosas da Serra da Estrela, esse é o nome do distrito de Petrópolis (RJ) que há 34 anos é lar de Cristina do Rosário. Nascida e criada no município, ela é funcionária de uma escola pública da região, mãe de três filhos e coordenadora do Núcleo Comunitário de Defesa Civil do Vale do Cuiabá (NUDEC). Embora o bairro seja conhecido por condomínios de alto padrão, a região também vivenciou, nos últimos anos, eventos climáticos cujo impacto deixou marcas no território e na população. O Vale do Cuiabá é uma das 13 comunidades mais vulneráveis a eventos climáticos extremos de Petrópolis. Em fevereiro de 2008, Cristina estava grávida de sete meses; sua casa com móveis recém-comprados e o quarto do bebê praticamente pronto. Quando a enchente começou, Cristina e o marido agiram como de costume, protegendo os objetos da casa para tentar salvar seus pertences. “A gente tinha ganchos na sala. Passava as cordas por trás do sofá, suspendia e jogava as coisas por cima. Sempre choveu assim, coisa de meio metro, até um metro de água. A gente secava a parede e pintava. Mas 2008 foi a primeira tragédia de uma proporção muito maior que aconteceu na região”, relembra. Cristina conta que, ao chegar à porta da sala, a água já estava na altura da cintura e continuava subindo rapidamente. Foi então que avisou o marido para largar tudo e sair, pois não havia mais tempo. Por conta da gravidez e da correnteza, precisou ser retirada de casa com a ajuda de moradores, e levada com o marido para a casa de um vizinho em uma área mais estável. A região foi severamente atingida por deslizamentos de terra que soterraram diversas casas, resultando em grandes perdas materiais e de vidas. A tragédia impactou profundamente a comunidade e dificultou o acesso dos bombeiros, devido ao acúmulo de água e terra.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
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História
27 fevereiro 2026
“É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”
No Alto Rio Negro, o tempo não se mede apenas em horas, mas em dias de viagem. Entre comunidades separadas por rios extensos, florestas densas e uma das maiores biodiversidades do planeta, chegar a um hospital pode significar uma jornada longa demais para uma criança pequena com diarreia ou uma gestante em situação de risco. É nesse intervalo, entre o surgimento dos primeiros sintomas e a chegada ao atendimento especializado, que a vida, muitas vezes, é decidida.É ali que entram os Agentes Indígenas de Saúde: Maura, Doriendson e Dineia. Eles vivem e trabalham em pontos diferentes do território de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, mas compartilham uma mesma missão: garantir que mães e crianças não fiquem sozinhas diante da doença, da gravidez ou do parto, mesmo onde o acesso aos serviços de saúde é limitado. Seu trabalho se constrói no cotidiano das comunidades, em diálogo direto com o território, a biodiversidade e os modos de vida que dependem do equilíbrio entre rio, floresta, alimento e cuidado.Esse olhar atento ganhou ainda mais força após as formações da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, conhecida como AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF por meio do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira”, desenvolvido pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (MPTF), no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto do Rio Negro.Desde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Instituto Amazônia Açu (Iaçu), lideranças indígenas e equipes locais de saúde para planejar ações adaptadas aos contextos culturais, linguísticos, ambientais e geográficos das comunidades. O foco é fortalecer o cuidado de base comunitária por meio da estratégia AIDPI Comunitário, reconhecendo o papel central de agentes indígenas de saúde, parteiras, pajés e lideranças comunitárias no cuidado cotidiano das crianças e de suas famílias. Dineia: saberes que nascem do territórioNo distrito de Assunção do Içana, no Alto Rio Negro, o cuidado com gestantes e recém-nascidos começa muito antes de qualquer hospital. Dineia Fernandes Dávila, 48 anos, é parteira-chefe da região e atua há mais de duas décadas acompanhando mulheres durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Seu trabalho se constrói a partir da combinação entre a medicina ocidental e os saberes tradicionais indígenas, profundamente ligados ao território e à biodiversidade local.“A gente usa o remédio do homem branco, os medicamentos que vêm da ciência da cidade, mas ao mesmo tempo usamos os nossos medicamentos tradicionais, são folhas e raízes da floresta”, explica Dineia. Esses saberes incluem práticas de cuidado transmitidas entre gerações, como o uso de chás, ervas, rezas e orientações alimentares no pós-parto, que dependem diretamente da floresta, dos rios e dos recursos naturais disponíveis nas comunidades.Para Dineia, proteger a saúde das mulheres e das crianças passa também por preservar o ambiente que sustenta essas práticas. O conhecimento que ela carrega vem das mulheres mais velhas de sua família e da convivência com outras parteiras: “Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó e com as mulheres mais velhas. É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”.Ao longo dos anos, Dineia acompanhou dezenas de partos em comunidades onde o deslocamento até um hospital pode levar dias: “Aqui a criança nasce no normal. Só quem está em risco é que vai para o hospital.”Nas formações do AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF, Dineia encontrou um espaço de troca entre saberes do seu povo e conhecimentos técnicos da saúde. Em 2025, foram realizadas duas oficinas presenciais, em Assunção do Içana e no Polo Base de Yauaretê, reunindo aproximadamente 100 participantes, entre Agentes Indígenas de Saúde, AISANs, parteiras, pajés e lideranças comunitárias. Nos encontros, são discutidos temas como aleitamento materno, alimentação no pós-parto, sinais de risco na gestação e os impactos da mudança climática no cuidado com mães e bebês. “É uma troca. A gente ensina e aprende”, resume. A mudança global do clima, cada vez mais frequentes na região, já influenciam práticas passadas de geração em geração: “Com a mudança do tempo, hoje a gente já não dá banho no bebê logo que nasce. Espera pelo menos 24 horas”.As formações abordaram o acompanhamento contínuo das crianças, o manejo inicial de diarreia, desidratação, infecções respiratórias e desnutrição, além da organização dos fluxos de encaminhamento. A adaptação do cuidado ao ambiente reforça o papel dos saberes tradicionais como práticas vivas, que se transformam para proteger a saúde das crianças.Além de atuar como parteira, Dineia acompanha o pré-natal em parceria com as equipes de saúde e orienta gestantes sobre alimentação, descanso e cuidados básicos. Para ela, fortalecer o cuidado comunitário é também fortalecer a autonomia das mulheres e reduzir riscos desnecessários. “A gente trabalha como voluntária, com amor e carinho. As pessoas chamam a gente quando precisam. Há, infelizmente, um grande número de jovens grávidas na nossa região que precisam de acompanhamento e informação”, afirma.Para Dineia, investir na formação contínua de parteiras e agentes indígenas de saúde é essencial para garantir que esse cuidado chegue a quem mais precisa, especialmente em um território marcado por longas distâncias e acesso limitado aos serviços especializados. “A capacitação é muito importante e precisa continuar. Hoje ainda precisamos de muito de materiais básicos como tesoura, materiais de parto, botas e bacias, mas com o projeto já conseguimos avançar muito nos cuidados da nossa comunidade”, defende.Maura: observar cedo para agir rápidoMaura Vaz Peixoto, 42 anos, mulher indígena do povo Tucano, conhece bem essa realidade de Dineia. Em sua área, ela percorre casas de duas comunidades, Boca da Estrada e Nova Esperança, como Agente Indígena de Saúde (AIS), parteira e liderança comunitária. Três vezes por semana, ao longo do mês, visita cerca de 38 famílias, acompanhando crianças pequenas, mulheres gestantes e idosos. “Eu faço visita domiciliar, casa por casa. Quando vejo que a criança está fraca, gripada ou com diarreia, eu observo bem. Se pode virar sinal de perigo, eu encaminho rápido”, explica. Esse olhar atento foi fortalecido nas oficinas da AIDPI Comunitário: “Antes, eu só visitava. Hoje eu observo mais. Aprendi a identificar quando a criança pode piorar.”No cuidado diário, ela combina o uso de medicamentos do sistema de saúde com práticas tradicionais, como chás preparados a partir de plantas locais para aliviar sintomas leves e fortalecer o organismo. “A gente usa dois tipos de cuidado: o medicamento dos brancos e o da nossa cultura. Os dois caminham juntos. Aprendemos com outros povos como preparar chás da nossa cultura. Cada região e cada etnia tem seus conhecimentos, nas oficinas de AIDPI a gente também troca essas experiências.”Em um território onde a qualidade da água varia conforme o período de cheias e secas, e onde a biodiversidade influencia diretamente a alimentação das famílias, reconhecer precocemente sinais de desidratação e desnutrição pode significar salvar vidas. “Esse conhecimento eu vou passar para nossas filhas e para nossas noras. São elas que vão cuidar no futuro,” afirma Maura.Doriendson: o cuidado que atravessa distânciasEm outra comunidade no Amazonas, em São Joaquim, Doriendson Felipe Paulino, de 31 anos, da etnia Koripako, enfrenta desafios semelhantes. As casas ficam espalhadas ao longo do rio, e muitas famílias só conseguem chegar ao polo base depois de horas, às vezes dias, de deslocamento.“Quando a criança começa a ter diarreia, se não cuidar logo, pode piorar rápido. Nem todas as crianças, mulheres e idosos falam português. Alguns não entendem, outros têm medo de falar. A gente também ajuda traduzindo e acompanhando”, conta. Nas formações apoiadas pelo UNICEF, ele também aprendeu a orientar as famílias, além de reconhecer quando o caso pode ser acompanhado na comunidade e quando precisa ser encaminhado:“Antes do curso, alguns enfermeiros já tinham me passado orientações básicas, mas com essa capacitação eu me aprofundei mais. Aprendi melhor como acompanhar os pacientes e agir em situações que fogem do normal”. O AIS também acompanha casos mais complexos, como o de um adolescente com epilepsia, cuja família enfrenta dificuldades para manter o uso regular da medicação. “Se ele não toma o remédio no horário certo, a crise vem. A gente acompanha de perto.”Doriendson atua como um elo entre a comunidade e a rede de saúde, ajudando a reduzir deslocamentos desnecessários e garantindo que os casos mais graves cheguem mais rápido ao atendimento especializado. “Esse curso foi fundamental. Seria muito bom ter capacitações como essa todos os anos, para atualizar nossos conhecimentos e ajudar ainda mais a comunidade”.Uma rede que se fortalece com a formaçãoDesde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI Alto do Rio Negro, lideranças indígenas e equipes locais para adaptar a estratégia AIDPI Comunitário às realidades culturais, ambientais e geográficas do território. As oficinas utilizam metodologias participativas e práticas, começando com escuta ativa e cartografia do território para identificar riscos, saberes locais e desafios específicos de cada região.Para Maura, Doriendson e Dineia, essas formações ganham sentido no dia a dia, na casa visitada, na criança observada com atenção, na gestante acompanhada desde o início. Esse cuidado se torna ainda mais urgente em um território cada vez mais afetado pela mudança climática. Secas e cheias extremas impactam a qualidade da água, a segurança alimentar e aumentam o risco de doenças de transmissão hídrica, especialmente entre crianças pequenas.Ao fortalecer a identificação precoce de sinais de desidratação e desnutrição e orientar as famílias sobre cuidados preventivos, o projeto contribui para evitar agravamentos evitáveis em regiões onde o hospital pode estar a dias de distância.No Alto Rio Negro, onde o rio é caminho e o tempo é precioso, o cuidado começa antes do hospital. Ele começa na escuta atenta, no olhar treinado e na confiança de quem conhece o território. E é assim, com Maura, Doriendson, Dineia e tantos outros Agentes, que o cuidado chega primeiro. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
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História
26 fevereiro 2026
“Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”
O sonho de Benedita de Jesus Conceição da Costa, de 15 anos, é ser policial ou enfermeira e ela estuda muito para isso. Estudante que havia ficado afastada da escola conseguiu avançar duas séries em um ano.Vinda do interior do Amapá, onde ela morava com a avó, Benedita se mudou para o município de Santana, na região metropolitana de Macapá, no início de 2025, para morar com o irmão mais velho. Como ela tinha ficado fora da escola por dois anos, ela precisou de apoio para retomar seus estudos.Foi inicialmente matriculada no 6º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Prof. Francisco Walcy Lobato Lima e passou a participar da turma do Programa Travessia, que atende 23 estudantes de 13 a 17 anos em situação de distorção idade-série no 6º e 7º ano. Ela avançou tanto nas suas aprendizagens que começou 2026 já no oitavo ano.Lançado em 2020, o Programa Travessia tem como principal objetivo promover o enfrentamento da cultura do fracasso escolar, em especial da distorção idade-ano de estudantes dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental das escolas estaduais do Amapá.A professora de matemática de Benedita, Natally Campos Vilhena, contou que tudo encantava a estudante quando chegou: a escola grande, o contato com crianças da mesma idade, pessoas com quem queria conversar. "Ela é muito alegre, empolgada para estudar", diz a professora. Apesar do entusiasmo, Benedita chegou com muitas dificuldades para ler e escrever e para realizar as operações matemáticas.Com o acompanhamento das professoras de Língua Portuguesa e Matemática, a adolescente começou a avançar no segundo semestre. “Ela começou a vir à minha mesa só para tirar dúvida e voltava para resolver sozinha, fiquei muito impressionada com o desenvolvimento dela", relembra Natally.Benedita reconhece a importância do apoio que teve dos professores da escola: “Fiquei dois anos sem estudar, e quando entrei no Walcy tive um apoio que nem sei como explicar, eu ia na mesa dos professores até saber a resposta. Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”.Uma das mudanças que aconteceram no segundo semestre foi a transferência da turma do Travessia para uma sala de aula com cinco mesas redondas, nas quais os estudantes são agrupados considerando as aprendizagens que precisam consolidar, com quatro ou cinco em cada mesa. Essa configuração permitiu que a professora estimulasse maior interação entre os grupos, mudando os estudantes de mesa conforme avançavam.Natally afirma que a transformação de Benedita foi visível. Hoje ela está bem mais confiante, consegue responder perguntas em sala de aula e demonstra estar muito mais feliz.Sobre a estratégia Trajetórias de Sucesso EscolarO programa do governo amapaense faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, iniciativa do UNICEF com o objetivo de facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes. O site da estratégia disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.Para a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Grupo Profarma e Instituto Claro, e com apoio da Fundação Itaú. A estratégia é desenvolvida em parceria técnica e de implementação com a Roda Educativa. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página das Trajetórias de Sucesso Escolar: https://www.unicef.org/brazil/trajetorias-de-sucesso-escolar-0
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História
23 janeiro 2026
Do desafio à liderança: a floresta e o poder da transformação social
Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde ficam o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu e o Rio Dona Eugênia, Edgar Martins morava a poucos metros da área da reserva natural, um refúgio que o ajudou a mudar de rota e construir uma trajetória de impacto na gestão pública ambiental. O parque está localizado no Maciço do Mendanha, formado pelas serras do Mendanha, Gericinó e Madureira. É composto por 1,1 mil hectares de área protegida da Mata Atlântica, com inúmeras cachoeiras, poços e uma rica biodiversidade. Foi nessa localidade que Edgar encontrou abrigo quando, aos 12 anos, foi aliciado pelo tráfico, um cenário comum na região. O parque se tornou um lugar de fuga da realidade, e foi onde ele conheceu Dona Olga, moradora da comunidade que se preocupou ao vê-lo sempre sozinho. Quando soube o motivo de tanta frequência, ela resolveu ajudá-lo, oferecendo almoço e lanches nas longas jornadas longe de casa. Em forma de agradecimento, Edgar começou a apoiar com tarefas no entorno do parque. A convivência com a natureza acabou despertando seu conhecimento e uma forte conexão com o meio ambiente e com a conservação do local, possibilitando que posteriormente se tornasse um guia mirim. “Foi ali que entendi, ainda bem jovem, que a natureza era meu caminho para me encontrar e encontrar saúde mental. E isso me levou a focar meus estudos no meio ambiente, pela biologia”, ele conta. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Iguaçu e pós-graduado em Gestão Pública e Ambiental, Edgar é perito em Incêndio Florestal e já acumula experiências de atuação na Secretaria de Meio Ambiente de Nova Iguaçu há 20 anos. “Minha história é um exemplo para a juventude de que existem outros caminhos. Passei por muitas dificuldades, minha mãe trabalhava muito, e hoje sou pós-graduado e mestrando em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. É preciso disposição para sair da zona de conforto e fazer a diferença no mundo em que vivemos.” Evitando a poluição dos riosSe o meio ambiente sempre fez parte da vida e da rotina de Edgar, entender o panorama da agricultura no município foi um novo desafio profissional quando assumiu o cargo de Secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Nova Iguaçu, em 2023. A iniciativa do atual subsecretário foi entender as dificuldades dos profissionais de agricultura e de que maneira ele poderia colaborar com novas soluções, já que a região enfrenta problemas de abastecimento de água e grande parte dos produtores recorria ao poço artesiano para a irrigação das plantações. Muitos desses produtores fazem uso da água em regiões que usam sistemas de “sumidouro” como solução para o esgotamento sanitário, composto por paredes vazadas e fundo permeável. Esse tipo de sistema resulta, muitas vezes, na contaminação do lençol freático. Com isso, houve a preocupação das condições da água captada nos poços artesianos e o saneamento básico. A equipe do município de Nova Iguaçu precisou buscar soluções mais sustentáveis – e assim chegou até o edital “Sanear Guandu”, do Comitê de Bacia Hidrográfica Guandu.Assim surgiu a iniciativa Gestão Integrada de Recursos Hídricos em Áreas Protegidas e Rurais, com o objetivo de evitar a poluição dos rios e córregos com a ajuda dos Comitês de Bacias Hidrográficas, investindo no tratamento do esgoto por meio de obras que tragam soluções tanto individuais quanto coletivas, com a participação da comunidade local, oficinas de capacitação e ações de mobilização social. Além disso, a iniciativa também é realizada em parceria com a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (EMLURB) e com as mulheres da cooperativa Carolinas de Jacutinga, que ajudam a dar novo destino para o lixo e os materiais recicláveis, gerando renda e impedindo que os resíduos poluam o oceano. O projeto também colabora com a recuperação da vegetação que cresce naturalmente nas margens dos rios, dentro das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e outras regiões mais afastadas. Isso cria corredores ecológicos, evita o assoreamento e protege a fauna e a flora. O plano também conta com campanhas educativas com escolas para conscientizar crianças e adolescentes sobre como cuidar da água e com a colaboração da Defesa Civil para treinar as comunidades em como reduzir os riscos de desastres, principalmente nas áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos e incêndios. Desafio dos ODSEm novembro de 2024, a ação da prefeitura de Nova Iguaçu foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) no Concurso de Boas Práticas do Desafio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na categoria ODS 6 e 14 - Uso da água e preservação dos oceanos. Promovido pelo RJ Resiliente, parceria do ONU-Habitat com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Desafio dos ODS mobilizou mais de 500 servidores públicos de 86 municípios e 9 comitês de bacia em torno de um objetivo comum: fortalecer a resiliência climática e acelerar a Agenda 2030 no estado. Ao todo, 43 iniciativas foram submetidas em 6 categorias de premiação, das quais 10 foram premiadas. A categoria vencida por ele destacou iniciativas de promoção da gestão eficiente de recursos hídricos e resíduos, assegurando o acesso à água potável e ao saneamento básico para todas as pessoas, além de proteger as fontes hídricas e os oceanos. Ela está alinhada aos ODS 6: Água e Saneamento e ODS 14: Vida na Água, buscando garantir a disponibilidade e o uso sustentável da água, assim como a biodiversidade dos ambientes marinhos. “Estar no G20, recebendo um prêmio em nome da cidade que eu nasci foi emocionante e gratificante. Relembrei de toda a minha trajetória até aquele momento. Essa é a minha obrigação como gestor público, mas o sentimento é de reconhecimento em ver a cidade de Nova Iguaçu como referência.” “Essa conquista no Desafio dos ODS é fruto do esforço coletivo e do apoio do Sanear Guandu, além do compromisso de muitas pessoas com o desenvolvimento sustentável. Agradeço a todos e todas que contribuíram ao longo do processo e destaco, em especial, o apoio de Frederico Ayres, assessor técnico de Meio Ambiente, cujo trabalho foi fundamental para que esse reconhecimento se tornasse possível”, agradeceu o gestor. Para saber mais, siga o @onuhabitatbrasil nas redes!
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História
15 janeiro 2026
FNDE e ONU avançam na construção de escolas indígenas e quilombolas
Carro emprestado, barco, bicicleta, moto, carona. No Brasil, o caminho para a escola nem sempre foi fácil, especialmente no contexto de comunidades tradicionais localizadas em locais distantes dos centros urbanos e onde a preservação da identidade cultural é também uma forma de resistência.“Eu nasci e me criei aqui. Aprendi a assinar meu nome e parei por aí. A gente não tinha como continuar, por falta de estrutura. Não tinha colégio, não tinha professor”, lembra Raimundo Claudio, 69 anos, indígena do povo Tembé, uma das 391 etnias existentes no país.A realidade descrita por Raimundo era muito comum em comunidades indígenas e quilombolas no Brasil. Com a falta de estrutura física, muitas famílias precisavam levar seus filhos para a cidade, como forma de garantir a continuidade dos estudos. A alternativa, contudo, saia mais cara e acabava por promover a separação das famílias e a perda de costumes e práticas culturais, tão importantes para as comunidades.Esse cenário mudou nos últimos anos, com o avanço de políticas públicas e mais investimentos em infraestrutura escolar - como um caminho para a garantia do acesso à educação e preservação das identidades culturais. Uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do Ministério da Educação, com apoio do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), um organismo da ONU especializado em infraestrutura, está acelerando as melhorias nessa área. A parceria prevê a conclusão das obras de 62 escolas indígenas e quilombolas, localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Desse total, 24 obras estão contratadas. “A educação é quase tudo, porque é ela que traz desenvolvimento para a comunidade”, destaca o cacique Nilson Tembé, liderança da Aldeia Indígena Frasqueira, localizada em Capitão Poço, no Pará. “Com a educação, conseguimos formar pessoas - professores, médicos, enfermeiros, dentistas - e essas pessoas podem ocupar os espaços que antes eram dos brancos”, reforça ele.“Essa iniciativa representa uma grande aspiração e esperança de que tenhamos assistência a esses povos, que foram durante muitos anos esquecidos em políticas públicas”, afirma a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba. “E é muito importante que as obras sejam realizadas escutando as comunidades. Os povos tradicionais têm uma cultura muito forte, que precisa ser passada de geração em geração, então estamos fazendo essas obras de modo mais específico, para garantir que as pessoas tenham espaços adequados para a educação.” Escuta, cuidado e adaptaçãoOs processos de escuta começam ainda antes do primeiro tijolo ser colocado. “Neste projeto, a gestão social começa cedo. Desde o momento zero, fazemos contato com lideranças das comunidades indígenas e quilombolas, com professores e diretores escolares e com autoridades de Educação dos municípios e estados”, explica Diogo Cavallari, especialista Nacional em Gestão de Obras pelo UNOPS Brasil.Um grupo de especialistas em gestão social - que são também integrantes de comunidades indígenas e quilombolas - faz acompanhamento periódico com as lideranças, informando sobre os avanços de maneira transparente e objetiva. Na fase de diagnóstico sobre a situação das infraestruturas até então existentes - visto que as obras de algumas escolas já estavam iniciadas -, as comunidades também opinaram sobre as adaptações que poderiam ser feitas , como, por exemplo, o aumento do número de salas (para caber mais turmas) - sem impacto na área total - e a substituição de materiais por outros mais facilmente encontrados no contexto local.As novas escolas serão feitas com materiais que permitem o melhor aproveitamento da luz e da ventilação natural, a produção de energia com placas solares fotovoltaicas e o reuso de água da chuva. “Eu quero fazer curso de direito. Para poder entrar no mundo dos direitos dos povos indígenas, lutar pelos nossos direitos, que muitas vezes são violados”, planeja Zahy Tembé, estudante do ensino médio.Além da conclusão das 62 escolas, o projeto do FNDE com o UNOPS prevê o fortalecimento da gestão de infraestrutura escolar, com ações como aprimoramento de processos e redução de gargalos institucionais. Outra entrega é um novo projeto referencial para obras de escolas indígenas e quilombolas, com tipologias de construção diversas e que permitirão ainda mais facilidade e dinamismo em futuras construções.Para saber mais, leia a matéria do UNOPS e siga @unops_official nas redes!
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10 março 2026
Brasil, ONU-Habitat e CAU/SP lançam novo projeto para fortalecer moradia social
Apesar de ser um direito humano, o acesso à moradia digna é um dos maiores desafios atualmente no Brasil e nos países do Sul Global. Segundo a Fundação João Pinheiro, em 2022, o estado de São Paulo contava com quase 70 mil moradias precárias, e mais de 260 mil famílias vivendo em coabitação não desejada. Nesse cenário, políticas públicas voltadas a assegurar moradia adequada a quem mais precisa são essenciais. É nesse contexto que a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) se coloca como um instrumento fundamental para garantir a famílias de baixa renda o direito à orientação e ao acompanhamento gratuito de profissionais especializados, quando há necessidade de construir, reformar, ampliar ou regularizar suas moradias, promovendo melhores condições de vida.Vendo na ATHIS uma solução capaz de acelerar o desenvolvimento urbano sustentável das cidades, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) deram início, em fevereiro, ao projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global. A iniciativa busca ampliar e fortalecer os conhecimentos técnicos e institucionais para aumentar o alcance, o monitoramento e a avaliação de soluções de ATHIS no estado de São Paulo, envolvendo profissionais de Arquitetura e Urbanismo, prefeituras e organizações da sociedade civil. Além disso, o projeto vai promover o intercâmbio de experiências com países da América Latina e da África, ampliando o debate e a cooperação internacional em torno da habitação de interesse social.ATHIS na práticaPrevista na Lei Federal nº 11.888/2008, a ATHIS se dá por meio de ações concretas nos territórios e com atuação direta nas moradias, como reformas de casas precárias, solução de problemas estruturais (rachaduras, infiltrações, risco de desabamento), melhoria de ventilação, iluminação e conforto térmico, além de adaptações para idosos e pessoas com deficiência.Diferentemente de políticas voltadas apenas à construção de novas habitações, a ATHIS atua prioritariamente na casa onde as pessoas já vivem, e também no bairro e na cidade, por meio de regularização fundiária, qualificação de espaços públicos, melhoria de infraestrutura e apoio a mutirões habitacionais e processos de autogestão. Essas ações são articuladas ao trabalho social, com participação das famílias em oficinas, processos de escuta e formação para a manutenção das moradias.Dessa maneira, a ATHIS contribui diretamente para o aumento da qualidade de vida, pois reduz riscos construtivos e garante melhores condições de saúde e bem-estar. Além disso, fortalece a segurança jurídica da posse, valoriza o patrimônio das famílias e amplia o acesso a políticas públicas e serviços urbanos. Por isso, é uma política estratégica, com menor custo do que a produção de novas unidades, integrando dimensões sociais, ambientais, urbanísticas e de saúde pública.No entanto, na prática, as cidades brasileiras enfrentam uma série de desafios estruturais, institucionais e financeiros que dificultam a consolidação da norma como política pública permanente, com resultados em grande escala. Entre os principais entraves estão a ausência de dotação orçamentária específica, a baixa prioridade nas agendas locais e a falta de capacidade operacional. ATHIS em RedePensando em acelerar a implementação da política de ATHIS no Brasil, o projeto ATHIS em Rede vai promover uma série de capacitações técnicas e institucionais voltadas para gestores públicos, principalmente municipais, e profissionais da área. Além disso, a iniciativa vai realizar um diagnóstico sobre o contexto da política de ATHIS no estado de São Paulo, sugerir diretrizes de monitoramento, implementar intervenções-piloto em comunidades prioritárias e criar uma plataforma de colaboração entre profissionais do Sul Global, consolidando uma rede internacional dedicada à ATHIS. A iniciativa prevê ainda, para o segundo semestre de 2026, a realização de um Fórum do Sul Global em ATHIS.A presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo, destaca que, “nesse projeto, o profissional de arquitetura e urbanismo é nosso público-alvo prioritário, pois tem a formação mais direcionada para atuar no território. Por isso é primordial expandir e aprimorar suas capacidades sobre ATHIS". Ela ressalta, ainda, a importância estratégica da iniciativa para o CAU/SP. “Essa é uma temática fundamental para o Conselho, que possui um histórico de atuação muito relevante na área”, explica. Camila destaca, também, o fato de o projeto ampliar e reforçar esse campo de atuação para os profissionais de arquitetura e urbanismo, ao mesmo tempo em que consolida a ATHIS enquanto política pública junto ao poder público.Camila destaca, por fim, as dificuldades que a categoria enfrenta para trabalhar na área, passando pela falta de oportunidades nas instituições, a baixa valorização da assistência técnica frente ao mercado imobiliário e a ausência de mecanismos estruturados de contratação pública. Nesse contexto, gestores públicos e OSCs também acabam sendo um público estratégico do projeto, para fortalecer capacidades institucionais, incorporar a ATHIS nas agendas e nos orçamentos municipais e garantir a continuidade e a escala das ações como política pública permanente. “A moradia adequada é o ponto de partida para cidades verdadeiramente inclusivas. É enfrentando o déficit habitacional que vamos avançar para reduzir desigualdades. O Brasil tem experiências de excelência em assistência técnica para habitação social, e por meio dessa iniciativa podemos transformar esse conhecimento em ação compartilhada, fortalecendo políticas públicas e ampliando o acesso à moradia digna em diferentes contextos do Sul Global. Esperamos que, ao final do projeto, municípios, profissionais e instituições estejam trabalhando juntos para multiplicar as soluções habitacionais”, conclui a chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferreti Moraes.Mais do que capacitar e criar uma rede dedicada ao tema, o ATHIS em Rede tem como principal finalidade melhorar a qualidade e acessibilidade das soluções de habitação social para comunidades em situação de vulnerabilidade, tanto em São Paulo quanto em países parceiros do Sul Global. Nesse sentido, a abordagem do projeto segue a da norma federal, centrada nos princípios do planejamento participativo, que reconhece as comunidades como agentes centrais na identificação de suas necessidades e na formulação de soluções. Além disso, busca identificar as demandas específicas de mulheres, que são as mais afetadas pelo déficit e inadequação habitacional.Para a gerente de projetos da ABC, Mariana Falcão, “o ATHIS em Rede reforça o compromisso da Agência Brasileira de Cooperação com a promoção de políticas públicas estruturantes e com o fortalecimento de capacidades no Sul Global. Ao articular conhecimento técnico, cooperação internacional e atuação nos territórios, a iniciativa contribui para transformar o direito à moradia digna em uma realidade concreta para as populações mais vulneráveis.” Primeiros passosOs primeiros passos do projeto tiveram início em fevereiro, com a participação da equipe na Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília entre 24 e 27 de fevereiro. No evento, o ATHIS em Rede foi apresentado a lideranças de movimentos sociais e municipalistas, especialistas de entidades profissionais, acadêmicas e de pesquisa, entre outros públicos estratégicos. A participação na conferência também permitiu mapear especialistas e experiências de referência em ATHIS, divulgar o projeto e engajar gestores públicos para as fases subsequentes da iniciativa.A próxima etapa será realizada de março a maio, com visitas às dez cidades paulistas com escritórios regionais do CAU/SP: Santos, Bauru, Presidente Prudente, São José dos Campos, Guarulhos, Sorocaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas e Santo André. “Nessas ocasiões, vamos conversar com representantes das prefeituras, conhecer as organizações sociais que trabalham com ATHIS na região, visitar intervenções já realizadas, conversar com profissionais de Arquitetura e Urbanismo e realizar oficinas sobre o projeto. Tudo isso vai contribuir para o diagnóstico que realizaremos, para a formulação dos cursos de capacitação e para mobilizar esses públicos para a política de ATHIS”, explica o coordenador do projeto ATHIS em Rede, Nilcio Regueira Dias. ATHIS em RedeO projeto ATHIS em Rede integra o Simetria Urbana, iniciativa de Cooperação Sul-Sul Trilateral entre ONU-Habitat e a ABC/MRE para promover o desenvolvimento urbano sustentável em países do Sul Global por meio da troca de experiências e do fortalecimento de capacidades. Contatos para imprensa: Ana Maria Barbour: ana.alvesbarbour@un.orgAléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgAntonio Biondi: antonio.biondi@causp.gov.brJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
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10 março 2026
FAO e Brasil renovam aliança para fortalecer a cooperação Sul-Sul trilateral no Sul Global
O Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinaram, durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, um novo acordo de cooperação técnica Sul-Sul trilateral para continuar trabalhando, juntamente com os governos dos países do Sul Global, pela transformação dos sistemas agroalimentares.Com base em sua bem-sucedida experiência em políticas e programas de combate à fome e à pobreza, o Brasil mantém seu firme compromisso de compartilhar conhecimentos, experiências e lições aprendidas por meio da cooperação Sul-Sul.A FAO conta com mais de 40 anos de experiência como promotora e facilitadora da cooperação Sul-Sul e da cooperação trilateral nas áreas de agricultura, segurança alimentar e nutricional.Com este novo acordo, prevê-se ampliar a participação de instituições brasileiras no intercâmbio de conhecimentos e experiências para o fortalecimento de capacidades de países do Sul Global. Além disso, busca-se implementar novas iniciativas conjuntas e continuar contribuindo para o avanço das agendas regionais e globais que têm como objetivo erradicar a fome e reduzir as desigualdades por meio de políticas inclusivas voltadas aos que mais necessitam.O documento foi assinado na última quinta-feira (05/03) pela diretora-geral adjunta da FAO, Beth Bechdol, e pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Embaixador Ruy Pereira.Ao longo dos últimos 18 anos, a FAO e o Governo do Brasil trabalharam juntos, com foco prioritário na América Latina e no Caribe, compartilhando conhecimentos e boas práticas por meio do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil–FAO.Essa atuação conjunta tem promovido o fortalecimento de capacidades em áreas prioritárias como segurança alimentar e nutricional, alimentação escolar, agricultura familiar, fortalecimento de cadeias produtivas como a do algodão, desenvolvimento rural sustentável e governança da terra. A cooperação técnica de instituições brasileiras tem sido fundamental, juntamente as contribuições da FAO como plataforma neutra, facilitadora e catalisadora de políticas que podem ser adaptadas e ampliadas para outros países.Além disso, foram incorporadas duas novas iniciativas que reforçam a cooperação: uma voltada ao fortalecimento dos sistemas agroalimentares urbanos dirigidos a populações vulneráveis, e outra focada na melhoria dos sistemas públicos de abastecimento de alimentos, ampliando o alcance e o impacto da cooperação na região.ResultadosAo longo da trajetória de cooperação entre a FAO e o Brasil, foram alcançados importantes resultados na América Latina e no Caribe, entre os quais se destacam:A capacitação de mais de 40 mil profissionais em alimentação escolar, com impacto direto em 1,6 milhão de estudantes de mais de 23 mil escolas, por meio da metodologia de Escolas Sustentáveis.A criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), que atualmente reúne 18 países e promove o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de políticas públicas na região.O fortalecimento de sistemas produtivos diversificados no âmbito do Projeto +Algodão, com a participação de mais de 100 instituições cooperantes. A iniciativa já beneficiou mais de 14 mil famílias e cerca de 10 mil produtores, ampliando o acesso à inovação, aos mercados e contribuindo para a melhoria da renda rural.O avanço na modernização dos sistemas de informação sobre a terra na América Latina e no Caribe, por meio do intercâmbio de experiências e boas práticas em governança territorial e uso sustentável dos recursos naturais.O fortalecimento de políticas públicas para a agricultura familiar no âmbito da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do MERCOSUL (REAF).O apoio ao fortalecimento da resiliência de países do Corredor Seco da América Central frente à mudança climática, por meio da introdução de inovações nos sistemas produtivos.O incentivo à inclusão de mulheres e jovens, promovendo sua participação nos diferentes projetos.Alianças estratégicasA atuação na região tem contado com a participação de pelo menos 13 instituições brasileiras que compartilham experiências e políticas públicas bem-sucedidas, promovem o intercâmbio de boas práticas e fortalecem redes e espaços de diálogo sobre políticas públicas em nível regional e sub-regional, gerando benefícios mútuos entre os países do Sul Global.Entre as instituições participantes estão o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização de Terras (Empaer-PB) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Confira mais informações sobre os resultados da cooperação na América Latina e no Caribe:A trajetória da cooperação entre Brasil e FAO na América Latina e no Caribe: uma aliança histórica na promoção do desenvolvimento sustentável e da segurança alimentar na regiãoCooperação Sul-Sul e triangularAgência Brasileira de CooperaçãoPara saber mais, siga @FAOBrasilCoop no X e visite a página do Programa de Cooperação FAO-Brasil: https://www.fao.org/in-action/programa-brasil-fao/pt/
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09 março 2026
ONU oferece bolsas para jovens jornalistas cobrirem a Assembleia Geral em Nova Iorque
Estão abertas as inscrições para o Programa de Bolsas para Jornalistas Memorial Reham Al-Farra (RAF), uma oportunidade única para jornalistas e outros profissionais de comunicação de países em desenvolvimento acompanharem de perto o trabalho das Nações Unidas. Criado em 1981, o programa já beneficiou mais de 670 jornalistas de 168 países, proporcionando acesso exclusivo a sessões com altos funcionários da ONU, briefings especializados e cobertura da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, o epicentro da diplomacia mundial. O programa é destinado a jornalistas de 22 a 35 anos, fluentes em inglês, que trabalhem em veículos de comunicação em países em desenvolvimento, tenham interesse no trabalho das Nações Unidas e alguma experiência em produzir conteúdo sobre questões-chave para a Assembleia Geral, como direitos humanos, mudança climática, desenvolvimento sustentável, multilateralismo e diplomacia internacional. Benefícios e atividadesPessoas selecionadas receberão o custeio das passagens aéreas para Nova Iorque e uma ajuda de custo diária para cobrir despesas com hospedagem, alimentação e transporte local. Durante as três semanas de imersão, além da cobertura direta da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral, participantes terão a oportunidade de acompanhar o dia a dia da diplomacia multilateral, briefings especializados e participar de coletivas de imprensa.
Além da cobertura oficial das atividades da sede da ONU, a iniciativa promove intercâmbio com organizações e empresas de comunicação renomadas, como o The New York Times e o The Wall Street Journal e da agência de jornalismo investigativo ProPublica.O legado de Reham Al-FarraO programa foi criado em 1981 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo inicial de capacitar profissionais de comunicação de países em desenvolvimento. Em 2003, o programa foi renomeado em homenagem a Reham Al-Farra, uma oficial de informação jordaniana de 29 anos que foi uma das vítimas do atentado terrorista à sede da ONU em Bagdá.Ao longo de mais de quatro décadas, o programa tem cumprido o papel de perpetuar o compromisso de Al-Farra com a comunicação pública, oferecendo a jovens talentos a chance de observar a diplomacia internacional de um ângulo privilegiado e levar essa experiência para seus países e suas comunidades.Participação do BrasilEm 2024, a jornalista Bárbara Nóbrega, da editoria de Internacional da GloboNews, foi uma das participantes do Programa Memorial Reham Al-Farra. "Durante o programa, tive a chance de aprender diretamente com autoridades da ONU e acompanhar de perto a abertura da Assembleia Geral. Assisti aos discursos do secretário-geral António Guterres e de líderes mundiais como Lula e Joe Biden. Além disso, moderei painéis sobre refugiados e missões de paz, ao lado de altos representantes da organização", relembra.Por meio de atividades online e/ou presencial, jornalistas têm a oportunidade de cobrir a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. Bárbara destaca que essa imersão no coração das discussões globais ampliou sua visão sobre o papel da ONU e o impacto do jornalismo internacional."Ver de perto as grandes decisões sendo tomadas e poder reportar sobre elas com conhecimento aprofundado foi inesquecível. É uma experiência que todo jornalista deveria viver", afirma. Como participar?As candidaturas devem ser enviadas exclusivamente por meio do formulário on-line. É necessário preparar documentos como amostras de trabalho (portfólio), carta de recomendação e comprovante de vínculo profissional.O formulário de inscrição está disponível em https://www.un.org/en/raf/application2026.O prazo final para envio de candidaturas é 3 de abril de 2026.Para mais informações, acesse a página de respostas a dúvidas frequentes e visite a página oficial do programa: https://www.un.org/en/raf
Além da cobertura oficial das atividades da sede da ONU, a iniciativa promove intercâmbio com organizações e empresas de comunicação renomadas, como o The New York Times e o The Wall Street Journal e da agência de jornalismo investigativo ProPublica.O legado de Reham Al-FarraO programa foi criado em 1981 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo inicial de capacitar profissionais de comunicação de países em desenvolvimento. Em 2003, o programa foi renomeado em homenagem a Reham Al-Farra, uma oficial de informação jordaniana de 29 anos que foi uma das vítimas do atentado terrorista à sede da ONU em Bagdá.Ao longo de mais de quatro décadas, o programa tem cumprido o papel de perpetuar o compromisso de Al-Farra com a comunicação pública, oferecendo a jovens talentos a chance de observar a diplomacia internacional de um ângulo privilegiado e levar essa experiência para seus países e suas comunidades.Participação do BrasilEm 2024, a jornalista Bárbara Nóbrega, da editoria de Internacional da GloboNews, foi uma das participantes do Programa Memorial Reham Al-Farra. "Durante o programa, tive a chance de aprender diretamente com autoridades da ONU e acompanhar de perto a abertura da Assembleia Geral. Assisti aos discursos do secretário-geral António Guterres e de líderes mundiais como Lula e Joe Biden. Além disso, moderei painéis sobre refugiados e missões de paz, ao lado de altos representantes da organização", relembra.Por meio de atividades online e/ou presencial, jornalistas têm a oportunidade de cobrir a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. Bárbara destaca que essa imersão no coração das discussões globais ampliou sua visão sobre o papel da ONU e o impacto do jornalismo internacional."Ver de perto as grandes decisões sendo tomadas e poder reportar sobre elas com conhecimento aprofundado foi inesquecível. É uma experiência que todo jornalista deveria viver", afirma. Como participar?As candidaturas devem ser enviadas exclusivamente por meio do formulário on-line. É necessário preparar documentos como amostras de trabalho (portfólio), carta de recomendação e comprovante de vínculo profissional.O formulário de inscrição está disponível em https://www.un.org/en/raf/application2026.O prazo final para envio de candidaturas é 3 de abril de 2026.Para mais informações, acesse a página de respostas a dúvidas frequentes e visite a página oficial do programa: https://www.un.org/en/raf
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06 março 2026
UNOPS apoia as atividades de assistência humanitária do governo brasileiro
Entre julho e dezembro de 2025, o governo brasileiro apoiou 22 países na resposta dada a emergências humanitárias. Ao todo, foram enviadas 18,6 toneladas de refeições desidratadas; 6,5 toneladas de medicamentos; 20,4 toneladas de insumos médicos (incluindo seringas, soros e “kits” emergenciais de saúde), além de 1,4 milhão de doses de vacinas e 129 purificadores de água portáteis.
Para permitir que todas as cargas chegassem ao destino, a parceria da ABC com o UNOPS conduziu 40 operações de aquisição e logística internacional para países da América Latina, do Caribe, da África, da Ásia e da Europa.Uma das principais operações emergenciais do período foi a assistência humanitária prestada após o impacto do furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, deixando rastro de destruição e dezenas de vítimas fatais. Foram enviados 100 purificadores de água portáteis, 15 toneladas de refeições desidratadas e 10 “kits” de medicamentos e insumos de saúde para Bahamas, Cuba, Haiti e Jamaica.O apoio do organismo da ONU envolveu a aquisição de insumos, a coordenação logística nacional e internacional, o transporte das cargas e o acompanhamento da entrega nos países parceiros, garantindo transparência à luz de padrões internacionais em operações humanitárias.“As operações de ajuda humanitária ocorrem em um contexto marcado por desafios logísticos. No caso do furacão Melissa, por exemplo, os aeroportos estavam sobrecarregados. Em situações de instabilidade política, como ocorre no Haiti, a tarefa é aguardar condições de segurança para o transporte”, detalha Cecilia Abdo, gerente do projeto no UNOPS. CuidadoPara o transporte das doações, o UNOPS contrata serviço de agenciamento logístico que inclui coleta, caixas passivas refrigeradas, embalagem, paletização, etiquetagem, transporte ao aeroporto, documentação, desembaraço aduaneiro e transporte internacional, entre outros.O envio de vacinas, por exemplo, é acompanhado pelo UNOPS em todas as etapas. As caixas de armazenamento são refrigeradas para a manutenção de temperatura, entre 2° e 8°C, por 120 horas. O monitoramento é feito com tecnologia remota, que transmite em tempo real a localização e as condições térmicas. Agentes de carga cuidam da documentação e do transporte, e a temperatura é verificada continuamente, garantindo a integridade dos insumos até a entrega.“Há um cuidado e zelo rigorosos com o transporte para garantir que os itens cheguem íntegros aos destinos. A cooperação de caráter humanitário causa impacto direto na segurança alimentar, no acesso à água potável e no apoio à assistência de saúde para os países”, destaca Cecilia.Além da atuação em contextos de crise, a parceria entre a ABC e o UNOPS apoia a realização de missões técnicas e de capacitações para responder a desastres humanitários. A iniciativa contribui para a preparação e para o enfrentamento de situações de emergência e crises no Brasil e em países em situação de desastre.Firmado em dezembro de 2021, o acordo entre a ABC e o UNOPS orienta iniciativas voltadas ao fortalecimento da cooperação internacional do Brasil por meio do apoio às operações de assistência humanitária a países em situação de crise e/ou desastre. A parceria permanece em execução e contempla novas ações programadas para 2026.
Para permitir que todas as cargas chegassem ao destino, a parceria da ABC com o UNOPS conduziu 40 operações de aquisição e logística internacional para países da América Latina, do Caribe, da África, da Ásia e da Europa.Uma das principais operações emergenciais do período foi a assistência humanitária prestada após o impacto do furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, deixando rastro de destruição e dezenas de vítimas fatais. Foram enviados 100 purificadores de água portáteis, 15 toneladas de refeições desidratadas e 10 “kits” de medicamentos e insumos de saúde para Bahamas, Cuba, Haiti e Jamaica.O apoio do organismo da ONU envolveu a aquisição de insumos, a coordenação logística nacional e internacional, o transporte das cargas e o acompanhamento da entrega nos países parceiros, garantindo transparência à luz de padrões internacionais em operações humanitárias.“As operações de ajuda humanitária ocorrem em um contexto marcado por desafios logísticos. No caso do furacão Melissa, por exemplo, os aeroportos estavam sobrecarregados. Em situações de instabilidade política, como ocorre no Haiti, a tarefa é aguardar condições de segurança para o transporte”, detalha Cecilia Abdo, gerente do projeto no UNOPS. CuidadoPara o transporte das doações, o UNOPS contrata serviço de agenciamento logístico que inclui coleta, caixas passivas refrigeradas, embalagem, paletização, etiquetagem, transporte ao aeroporto, documentação, desembaraço aduaneiro e transporte internacional, entre outros.O envio de vacinas, por exemplo, é acompanhado pelo UNOPS em todas as etapas. As caixas de armazenamento são refrigeradas para a manutenção de temperatura, entre 2° e 8°C, por 120 horas. O monitoramento é feito com tecnologia remota, que transmite em tempo real a localização e as condições térmicas. Agentes de carga cuidam da documentação e do transporte, e a temperatura é verificada continuamente, garantindo a integridade dos insumos até a entrega.“Há um cuidado e zelo rigorosos com o transporte para garantir que os itens cheguem íntegros aos destinos. A cooperação de caráter humanitário causa impacto direto na segurança alimentar, no acesso à água potável e no apoio à assistência de saúde para os países”, destaca Cecilia.Além da atuação em contextos de crise, a parceria entre a ABC e o UNOPS apoia a realização de missões técnicas e de capacitações para responder a desastres humanitários. A iniciativa contribui para a preparação e para o enfrentamento de situações de emergência e crises no Brasil e em países em situação de desastre.Firmado em dezembro de 2021, o acordo entre a ABC e o UNOPS orienta iniciativas voltadas ao fortalecimento da cooperação internacional do Brasil por meio do apoio às operações de assistência humanitária a países em situação de crise e/ou desastre. A parceria permanece em execução e contempla novas ações programadas para 2026.
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06 março 2026
ONU-Habitat lança Guia Cidade Delas para fortalecer planejamento urbano inclusivo
Se as meninas projetassem as cidades, como elas seriam? É pensando em transformar os modelos tradicionais de planejamento das cidades que o Guia Cidade Delas promove essa pergunta como ponto de partida para inserir a perspectiva de gênero nesse processo. Reconhecida internacionalmente, a metodologia foi lançada em português pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.O Guia Cidade Delas é resultado do amadurecimento do Movimento Urban Girls, no qual mulheres e meninas transformaram um bairro marcado pela violência em uma área mais segura e acessível ao participarem do seu redesenho. A partir dessa experiência concreta, o guia consolida um conjunto de métodos e ferramentas voltados à igualdade e à inclusão de mulheres e meninas no desenho das cidades. A publicação reúne orientações práticas para que gestões públicas, profissionais de planejamento, organizações e a sociedade civil incorporem essa abordagem em todas as etapas dos projetos urbanos, do diagnóstico ao desenho e à implementação.A iniciativa é realizada em uma parceria do ONU-Habitat com a Shared City Foundation e conta com financiamento da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Sida), Agência Sueca de Inovação (Vinnova) e Global Utmaning, além de contribuições da Block by Block Foundation, White Architects, União Sueca de Inquilinos e MethodKit. Desde seu lançamento, o Cidade Delas vem consolidando uma rede global de transformação urbana. Até o ano passado, a iniciativa já havia impactado 1,5 mil pessoas registradas em 540 cidades de 125 países, impulsionando 430 iniciativas independentes ao redor do mundo.
Desafios e soluções
Mulheres e meninas possuem demandas específicas que muitas vezes não são consideradas nos processos tradicionais de planejamento urbano. Questões como segurança, mobilidade, sobrecarga do trabalho de cuidado, acesso à educação e a espaços de lazer frequentemente passam despercebidas, resultando em ambientes que não atendem plenamente toda a população. O Cidade Delas contribui para transformar essa lógica ao reforçar a importância da escuta qualificada e da participação social. Ao adotar as orientações do guia, processos de planejamento e implementação podem ser aprimorados, promovendo espaços públicos de qualidade que funcionem melhor para todas as pessoas. A Chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti Moraes, reforça a importância de incorporar essas experiências para qualificar decisões, ampliar a participação social e gerar soluções mais eficazes para os desafios das cidades. “Mulheres e meninas vivem o espaço urbano de maneira diferente — seja no acesso ao transporte, à moradia, ao trabalho ou aos espaços públicos. Mesmo assim, muitas vezes ficam de fora dos processos de planejamento das cidades onde vivem. O Guia Cidade Delas mostra que, quando incorporamos suas vozes desde o início, alcançamos espaços mais seguros, inclusivos e resilientes para toda a população. Integrar a perspectiva de gênero no planejamento urbano é uma condição básica para o direito à cidade”Metodologia participativa
O Cidade Delas orienta atores urbanos na implementação de projetos por meio de uma metodologia estruturada e acessível que prioriza a participação ativa. A plataforma digital é aberta e reúne ferramentas práticas que apoiam processos colaborativos de planejamento e design urbano.Dividido em cinco fases, o conjunto de ferramentas acompanha todo o processo de desenvolvimento urbano. Iniciando na preparação, ele avança pelas etapas de avaliação, design e implementação, finalizando com a fase de acompanhamento. Cada fase é estruturada em blocos que orientam atividades específicas e oferecem um passo a passo detalhado para apoiar a execução de projetos no âmbito do Cidade Delas. Ao longo do percurso, são disponibilizadas ferramentas digitais como listas de verificação, agendas, manuais, formulários, quadros, aplicativos, modelos, questionários e recursos de visualização, que ajudam a alcançar os resultados esperados.O processo articula esses recursos com a cocriação e o diálogo contínuo entre todas as partes envolvidas, fortalecendo a participação de meninas e mulheres. O objetivo é garantir que as intervenções sejam sustentáveis, inclusivas e alinhadas às necessidades reais desses grupos. Ao tornar o Guia Cidade Delas acessível em português, o ONU-Habitat amplia o alcance de uma metodologia que coloca meninas e mulheres no centro do planejamento urbano e convida governos, profissionais e comunidades a repensarem coletivamente a forma como as cidades são concebidas. Comunidades lusófonas poderão ter acesso completo ao conteúdo, fortalecendo capacidades locais e iniciativas e projetos em contextos do Sul Global, reafirmando o compromisso do ONU-Habitat com o desenvolvimento urbano inclusivo e com a implementação da Agenda 2030. Acesse aqui o Guia Cidade Delas em portuguêsContato para a imprensa:Flávia Scholz: flavia.scholz@un.orgAléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.org
Desafios e soluções
Mulheres e meninas possuem demandas específicas que muitas vezes não são consideradas nos processos tradicionais de planejamento urbano. Questões como segurança, mobilidade, sobrecarga do trabalho de cuidado, acesso à educação e a espaços de lazer frequentemente passam despercebidas, resultando em ambientes que não atendem plenamente toda a população. O Cidade Delas contribui para transformar essa lógica ao reforçar a importância da escuta qualificada e da participação social. Ao adotar as orientações do guia, processos de planejamento e implementação podem ser aprimorados, promovendo espaços públicos de qualidade que funcionem melhor para todas as pessoas. A Chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti Moraes, reforça a importância de incorporar essas experiências para qualificar decisões, ampliar a participação social e gerar soluções mais eficazes para os desafios das cidades. “Mulheres e meninas vivem o espaço urbano de maneira diferente — seja no acesso ao transporte, à moradia, ao trabalho ou aos espaços públicos. Mesmo assim, muitas vezes ficam de fora dos processos de planejamento das cidades onde vivem. O Guia Cidade Delas mostra que, quando incorporamos suas vozes desde o início, alcançamos espaços mais seguros, inclusivos e resilientes para toda a população. Integrar a perspectiva de gênero no planejamento urbano é uma condição básica para o direito à cidade”Metodologia participativa
O Cidade Delas orienta atores urbanos na implementação de projetos por meio de uma metodologia estruturada e acessível que prioriza a participação ativa. A plataforma digital é aberta e reúne ferramentas práticas que apoiam processos colaborativos de planejamento e design urbano.Dividido em cinco fases, o conjunto de ferramentas acompanha todo o processo de desenvolvimento urbano. Iniciando na preparação, ele avança pelas etapas de avaliação, design e implementação, finalizando com a fase de acompanhamento. Cada fase é estruturada em blocos que orientam atividades específicas e oferecem um passo a passo detalhado para apoiar a execução de projetos no âmbito do Cidade Delas. Ao longo do percurso, são disponibilizadas ferramentas digitais como listas de verificação, agendas, manuais, formulários, quadros, aplicativos, modelos, questionários e recursos de visualização, que ajudam a alcançar os resultados esperados.O processo articula esses recursos com a cocriação e o diálogo contínuo entre todas as partes envolvidas, fortalecendo a participação de meninas e mulheres. O objetivo é garantir que as intervenções sejam sustentáveis, inclusivas e alinhadas às necessidades reais desses grupos. Ao tornar o Guia Cidade Delas acessível em português, o ONU-Habitat amplia o alcance de uma metodologia que coloca meninas e mulheres no centro do planejamento urbano e convida governos, profissionais e comunidades a repensarem coletivamente a forma como as cidades são concebidas. Comunidades lusófonas poderão ter acesso completo ao conteúdo, fortalecendo capacidades locais e iniciativas e projetos em contextos do Sul Global, reafirmando o compromisso do ONU-Habitat com o desenvolvimento urbano inclusivo e com a implementação da Agenda 2030. Acesse aqui o Guia Cidade Delas em portuguêsContato para a imprensa:Flávia Scholz: flavia.scholz@un.orgAléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.org
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