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ONU-Habitat e Prefeitura de Juiz de Fora promovem escuta de mulheres para melhorar segurança urbana
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“Desenvolvimento, direitos humanos e paz não são ambições separadas”
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Discurso
03 setembro 2026
Paz e Tolerância nas Eleições 2026
Bom dia a todas e todos e muito obrigado pelo convite. Muito me engrandece representar o Sistema das Nações Unidas no Brasil neste evento. Em nome de nosso secretário-geral, cumprimento:Senhor Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal;Senhor Ministro Nunes Marques, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Senhor Ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Alexandre Espinosa, da Procuradoria-Geral Eleitoral;Sidney Neves, do Conselho Federal da OAB;Autoridades presentes;Representantes das instituições religiosas, da sociedade civil e das organizações parceiras. Senhoras e senhores,É uma honra para as Nações Unidas participar deste momento em que instituições tão diversas se reúnem para firmar um compromisso com a paz, com o diálogo e com a democracia.Estive recentemente em outros eventos promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral em preparação para as eleições e fiquei muito impressionado com o preparo, a seriedade e a inovação do sistema eleitoral do país. Gostaria de deixar registrado um reconhecimento ao papel fundamental desta Corte na construção e na proteção da democracia brasileira.O Brasil possui uma das maiores democracias eleitorais do mundo. Ao longo de décadas, o país construiu instituições eleitorais sólidas, um sistema de votação reconhecido internacionalmente e uma capacidade extraordinária de organizar eleições de grande escala, de forma segura, transparente e eficiente.As eleições brasileiras são, portanto, motivo de orgulho não apenas para o Brasil, mas também para todos aqueles que, no mundo, trabalham pela democracia e pelo Estado de Direito.E é justamente porque a democracia brasileira é forte que iniciativas como esta são tão importantes.A democracia não se restringe ao ato de votar. Democracia é também conviver, ouvir, respeitar. É aceitar a diversidade de opiniões e construir caminhos a partir da divergência. Para isso, precisamos reconhecer no outro — inclusive naquele que pensa diferente de nós — um cidadão ou uma cidadã com os mesmos direitos.É nesse espírito que a iniciativa “Paz e Tolerância nas Eleições” ganha um significado especial. A democracia precisa de instituições fortes, mas também precisa de uma cultura democrática. E essa cultura é construída todos os dias — nas escolas, nas famílias, nas comunidades, nas redes sociais, nas igrejas e organizações religiosas, nos espaços públicos e nas relações entre cidadãos.Por isso, o pacto que hoje será celebrado tem um valor que vai muito além do período eleitoral. Ele reafirma que divergência não precisa significar hostilidade e que convicções diferentes podem e devem coexistir, sem animosidade ou violência. É daí que sai a riqueza do debate político, que deve, sempre, ser um espaço para que possamos desenhar coletivamente o nosso futuro comum.A visão das Nações Unidas sobre democracia parte exatamente dessa premissa.Para a ONU, a democracia é um princípio universal, indivisível e interdependente dos direitos humanos, do desenvolvimento e da paz. A democracia pertence aos povos, e seu fundamento está na vontade livremente expressa das pessoas. Como estabelece o artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: a vontade do povo deve ser a base da autoridade do governo, expressa por meio de eleições legítimas e periódicas.Mas, para que essa vontade possa ser verdadeiramente manifestada, é preciso garantir as condições que tornam a democracia possível. Cito aqui algumas: liberdade de expressão; liberdade de reunião e associação; participação; igualdade; acesso à informação.E para alcançarmos tudo isso, precisamos de instituições com condições e coragem de proteger os direitos de todas as pessoas, especialmente daquelas que historicamente enfrentam maiores barreiras para participar plenamente da vida pública.Por isso, a democracia e os direitos humanos caminham juntos.Da mesma forma, democracia e paz também caminham juntas. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável traduz essa conexão de maneira muito clara no ODS 16, que nos convoca a promover sociedades pacíficas, garantir acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.Eleições são, por definição, momentos em que precisamos administrar a diferença. É natural — e até saudável — que existam projetos políticos distintos, visões diferentes sobre o futuro do país e debates intensos sobre as escolhas que precisam ser feitas.O desafio democrático é garantir que essas diferenças possam ser expressas, debatidas e decididas de maneira pacífica e harmoniosa, afinal, ninguém possui o monopólio da verdade e ninguém deve ser privado do direito de participar porque pensa diferente.O secretário-geral das Nações Unidas tem enfatizado essa dimensão da democracia. Como ele afirmou:“A democracia é movida pela vontade do povo — pelas suas vozes, pelas suas escolhas e pela sua participação. Prospera quando os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todas as pessoas são respeitados — especialmente das mais vulneráveis.”E essa mensagem é particularmente importante no momento que vivemos.Ainda nas palavras do secretário-geral: “Num momento em que a democracia e o Estado de Direito estão sob ataque através da desinformação, da divisão e da redução do espaço cívico, estes esforços são mais vitais do que nunca.”Hoje, uma das grandes ameaças à convivência democrática não está apenas nos conflitos que acontecem no mundo físico. Ela também se manifesta no ambiente digital.A desinformação pode corroer a confiança nas instituições, a manipulação pode aprofundar divisões, e o discurso de ódio pode transformar adversários políticos em inimigos. Sabemos ainda que a violência verbal pode, em determinadas circunstâncias, abrir espaço para a violência física.Por isso, defender eleições pacíficas é também defender um ambiente público em que as pessoas possam receber informação confiável, formar suas próprias opiniões e participar do debate sem medo, intimidação ou violência.É uma responsabilidade que cabe às instituições, mas que também exige a participação de toda a sociedade. E é exatamente por isso que a presença das instituições religiosas e das organizações da sociedade civil nesta iniciativa é tão significativa.Essas instituições têm uma presença profunda e capilarizada nas comunidades brasileiras. Elas estão próximas das pessoas, conhecem suas realidades e podem desempenhar um papel fundamental na promoção do diálogo, da solidariedade e da não violência.É também nesse espírito que as Nações Unidas trabalham no Brasil. Nosso papel não é escolher candidatos, partidos ou projetos políticos. Nosso papel é apoiar os princípios que permitem que os cidadãos façam suas próprias escolhas livremente, promover os direitos humanos, fortalecer a participação, e combater a discriminação, sempre respeitando plenamente a soberania nacional. Senhoras e senhores,Às vésperas de mais um processo eleitoral, talvez a mensagem mais importante que possamos transmitir seja simples: a democracia não exige que concordemos uns com os outros; ela exige que sejamos capazes de conviver uns com os outros.Que possamos fazer deste período eleitoral uma celebração da participação cidadã e do diálogo, para lembrarmos que, acima de nossas diferenças políticas, existe algo que compartilhamos: o compromisso com uma sociedade em que todas as pessoas tenham o direito de participar e de ajudar a decidir o futuro do seu país.As Nações Unidas estão honradas em estar ao lado do Tribunal Superior Eleitoral e de todas as instituições aqui presentes nesta jornada.Muito obrigado.Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre democracia.
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História
24 julho 2026
Haitiana empreende com culinária multicultural em Boa Vista
Foi no dia de seu aniversário que a haitiana Guerlande recebeu o diploma pela conclusão do curso de panificação junto ao projeto Mujeres Fuertes – ou Mulheres Fortes – que formava mais uma turma de empreendedoras na capital roraimense Boa Vista. O auditório do Senai estava cheio, outras 49 mulheres comemoravam a conquista após quatro meses de aulas teóricas e práticas sobre o universo do empreendedorismo gastronômico. Um dia antes de se formar, Guerlande e as colegas de curso preparavam os quitutes que seriam servidos na formatura. O trabalho em equipe rendeu um cardápio variado: bolos, salgados, doces, pasteis. A convivência com mulheres venezuelanas, fez com que a haitiana aprendesse a preparar as famosas “empanadas”, típicas da Venezuela. “Eu já vendo pastel e empanadas, tenho um carrinho. Meu plano é ter uma padaria para fazer salgados e doces. Quero alugar um local e ter meu negócio”, planeja.No curso oferecido pelo Senai como parte do projeto Mulheres Fortes, ela aprendeu também sobre técnicas de vendas, marketing e gestão de negócios. Do Haiti ao Brasil: uma história sendo escritaEm sua terra natal, Guerlande trabalhou em bares e restaurantes. Morava com os pais e as duas filhas. Ela comenta que a vida no país estava muito complicada e não podia seguir vivendo lá. “Para não perder minha vida no Haiti eu resolvi sair. As coisas estavam muito difíceis. Quando eu falo difícil, é difícil mesmo. Às vezes eu não conto tudo porque é muita tristeza que eu passei. Tenho marcas no meu corpo. É difícil falar”, compartilha. Guerlande chegou no Brasil em 2018, por Foz do Iguaçu, cidade que faz fronteira com a Argentina e o Paraguai. Conseguiu uma vaga de trabalho no Mato Grosso do Sul, em uma empresa do setor de alimentos. Na persistência de se estabilizar no país, ela se mudou para Chapecó (SC). Parte desta trajetória foi marcada por inúmeros episódios de violência que ela não gosta de relembrar. Apesar dos avanços em políticas para acolhimento e inclusão, o estudo Análise de dados secundários sobre a integração socioeconômica da população haitiana no Brasil, conduzido pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o ACNUR, indica que pessoas haitianas permanecem em situação de maior vulnerabilidade quando comparadas a outros grupos de refugiados, devido a barreiras como idioma, perfil socioeconômico, discriminação, xenofobia e racismo. “As condições de trabalho dessa população continuam marcadas por vulnerabilidades estruturais, incluindo rendimentos inferiores aos de outros refugiados, jornadas excessivas, ausência de pagamento de horas extras, barreiras linguísticas e episódios recorrentes de discriminação. O empreendedorismo tem sido um caminho para mulheres buscarem sua autonomia econômica, valendo-se de habilidades que são valorizadas no Brasil”, destaca o oficial de inclusão socioeconômica do ACNUR, Paulo Sérgio de Almeida. No oeste catarinense, Guerlande fez amizades venezuelanas e uma delas contou sobre a cidade de Boa Vista. Em 2025, decidiu se mudar com os filhos para o norte do Brasil.“Uma mulher me disse que se eu fosse para Boa Vista eu ia poder reconstruir a minha vida sozinha com meus filhos. Assim que cheguei, conheci o Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados. Nunca vou me esquecer, me ajudaram muito. Acreditaram em mim. Diziam que sou uma pessoa muito forte e conseguiria seguir adiante. Ajudaram a colocar meu filho na escola, a conseguir o Bolsa Família, me matricularam em curso de português. Fizeram muito para mim”, conta.Depois dos primeiros passos de adaptação em Boa Vista, Guerlande também conheceu o projeto Mulheres Fortes, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Instituto Hermanitos e Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR), com apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região.“Eu cheguei aqui em Boa Vista e muita coisa maravilhosa começou a acontecer para mim. Deus começou a abrir portas. Aqui conheci o ACNUR e o Hermanitos. E consegui um incentivo financeiro para meu negócio”, comemora. “A trajetória de Guerlande mostra que a inclusão socioeconômica acontece quando reconhecemos a coragem e a capacidade que cada mulher já possui. O Mulheres Fortes oferece formação, ferramentas e conexões para que mulheres refugiadas e migrantes possam transformar suas experiências em autonomia, renda e novas perspectivas para suas famílias. Ao mesmo tempo, o projeto cria redes de confiança entre mulheres de diferentes nacionalidades, fortalecendo a integração e a convivência nas comunidades onde vivem”, explica o diretor presidente do Instituto Hermanitos, Tulio Silva.“Eu nunca vou esquecer o Mulheres Fortes. Conheci muitas pessoas boas que estão perto de mim. Foi uma experiência muito boa para me fazer mais forte, dar conselhos. Foi maravilhoso para mim, aprendi muito. Na vida você pode ter dinheiro, mas sem conhecimento você não faz nada. Abriu minha cabeça, me deu sabedoria. Vai me levar longe”, projeta Guerlande.Além dos planos para o negócio, a haitiana quer se naturalizar brasileira junto aos dois filhos. A naturalização é o processo pelo qual uma pessoa nascida em outro país adquire voluntariamente a nacionalidade brasileira, desde que cumpra os requisitos previstos na legislação. “Meu plano é ser exitosa. Tenho fé que vou ficar aqui para ter minha casa própria, criar meus filhos, comprar meu carro. Quero fazer minha vida aqui em Boa Vista. Aqui é meu lugar. Tenho planos grandes”, celebra.Para saber mais, siga @acnurbrasil nas redes e visite a página do ACNUR no Brasil.
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História
14 setembro 2026
Cooperação Sul-Sul: como as soluções viajam
E se uma solução que funciona em um país também pudesse funcionar em outro? Essa é a premissa da Cooperação Sul-Sul. Em 12 de setembro, as Nações Unidas celebram o dia dedicado a essa forma de cooperação.“Em uma época de divisão e conflito, a Cooperação Sul-Sul pode ser um catalisador para reviver a solidariedade global e um forte lembrete de que, juntos, somos sempre mais fortes.” - António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, 12 de setembro de 2026Descubra nesta história como a Cooperação Sul-Sul se manifesta: soluções que viajaram a países transformando intercâmbio em práticas permanentes. Acesse a versão original na página do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG). O que é Cooperação Sul-Sul?Cooperação Sul-Sul é a prática de países do Sul Global compartilharem entre si conhecimentos, capacidades e soluções comprovadas para enfrentar desafios comuns.Experiências e conhecimentos circulam entre países que enfrentam restrições semelhantes, têm condições climáticas comparáveis ou instituições com características parecidas – fatores que ajudam a explicar por que essas soluções podem ser adaptadas e aplicadas com sucesso em outros contextos. Como a Cooperação Sul-Sul funciona na prática? O Brasil oferece um bom exemplo.Em 2025, a ONU Brasil apoiou 12 iniciativas de Cooperação Sul-Sul e Triangular, envolvendo 25 países e US$ 7 milhões em recursos executados. Participaram 18 países africanos e seis países latino-americanos, enquanto Colômbia e Peru concentraram o maior número de iniciativas. Outras cinco iniciativas foram implementadas em âmbito regional na América Latina e no Cone Sul.Uma amostra da potência de Cooperação Sul-Sul que é o Brasil vem do Programa Mundial de Alimentos (WFP). No ano passado, o Centro de Excelência contra a Fome, escritório do WFP dedicado exclusivamente à Cooperação Sul-Sul, fortaleceu seu papel como referência global em alimentação escolar, segurança alimentar e cooperação técnica.O Centro apoiou a 2ª Cúpula Global da Coalizão para a Alimentação Escolar, realizada no Ceará, reunindo autoridades governamentais de cerca de 80 países.Também ampliou a cooperação técnica do Brasil com países da África, Ásia e América Latina por meio de missões, visitas de estudo e ações de capacitação em nutrição e agricultura familiar. Além disso, tecnologias sociais para fortalecer programas de alimentação escolar foram implementadas em Benin, São Tomé e Príncipe e República do Congo.Diversas instituições do Estado brasileiro aportam conhecimentos e experiências para viabilizar esse tipo de ação, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A Cooperação Sul-Sul assumiu outros exemplos concretos ao redor do mundo em 2026: um especialista agrícola chinês trabalhando em uma plantação de arroz em Uganda ou um método de análise da qualidade da água desenvolvido em comunidades rurais da Índia sendo ensinado em uma aldeia Miskito, em Honduras.Uganda e China: técnicas agrícolasDurante anos, agricultores ugandenses produziram muito menos alimentos por área cultivada do que poderiam.Desde 2012, pelo menos 56 especialistas agrícolas chineses viajaram para Uganda para ajudar a mudar essa realidade, trabalhando lado a lado com agricultores ugandenses e especialistas locais.Eles compartilharam técnicas práticas para o cultivo de arroz, milheto, sorgo e pimenta, além de conhecimentos sobre criação de gado e piscicultura.Os resultados foram expressivos. Em uma região, a produção de arroz por hectare quadruplicou. Em outras, a produção de leite das vacas passou de 2 para 7 litros por dia.A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estruturou e coordenou a parceria, articulando a demanda de Uganda com a expertise chinesa, oferecendo apoio técnico e acompanhando a implementação das atividades.A fase final foi concluída em abril de 2026, tendo alcançado mais de 100 mil agricultores.Mas o aspecto mais significativo não está em um número relacionado à produção agrícola. Na última fase, Uganda cofinanciou a iniciativa, contribuindo com US$ 1,6 milhão, ao lado de US$ 3 milhões aportados pela China.Uganda não apenas recebeu uma solução. Investiu para mantê-la. Honduras e Índia: métodos de análise da qualidade da águaGracias a Dios, um departamento no leste de Honduras, é uma das regiões de mais difícil acesso da América Central. Não há estradas para chegar até lá: é preciso viajar de pequeno avião ou pelo rio.Para as comunidades Miskito que vivem na região, o acesso à água potável e ao saneamento seguro sempre foi um desafio. Muitos moradores não tinham banheiro e quase metade da população não tinha acesso a água potável segura.A Índia passou anos enfrentando problemas semelhantes em suas comunidades rurais: desenvolveu formas de baixo custo para tratar a água, métodos de análise que não dependem de laboratórios e capacitou moradores locais para monitorar a qualidade da água.Foram esses métodos que chegaram a La Mosquitia, levados pelo UNICEF e adaptados à realidade das comunidades Miskito.Profissionais de saúde foram capacitados em tratamento e análise da qualidade da água, materiais sobre higiene foram traduzidos para a língua Miskito e 185 voluntários locais agora visitam as famílias para ajudá-las a manter as novas práticas.A atuação das Nações Unidas envolve dois escritórios. O Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul (UNOSSC) administra o financiamento, proveniente do Governo da Índia. O UNICEF Honduras coordena o trabalho em campo, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, o município e os conselhos indígenas locais.Até o início de 2026, 12.199 pessoas haviam sido alcançadas por ações de capacitação em higiene e água. IndonésiaA Indonésia também vem adotando uma abordagem mais explicitamente institucional para a Cooperação Sul-Sul e Triangular.Em 2025, a ONU Indonésia desenvolveu uma estratégia de Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST) para apoiar o Governo na elaboração de seu futuro Grande Plano de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e formalizar parcerias, especialmente com a Indonesia AID.Desde 2021, as Nações Unidas na Indonésia apoiaram 75 iniciativas de cooperação Sul-Sul e triangular, envolvendo 18 agências da ONU e utilizando a experiência de desenvolvimento da Indonésia e as redes globais das Nações Unidas para responder à crescente demanda pela expertise indonésia e posicionar o país como um parceiro regional e global mais forte na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.Como a ONU ajuda a fazer a Cooperação Sul-Sul acontecer?Por trás de muitos desses intercâmbios existe um esforço de coordenação que nem sempre é visível.Por meio das Equipes Nacionais e dos Escritórios de Coordenação Residente, as Nações Unidas ajudam os países a identificar conhecimentos e experiências relevantes, conectar-se aos parceiros certos e adaptar soluções comprovadas aos seus próprios contextos, tornando mais fácil que ideias que funcionam possam viajar de um país para outro.Para saber mais, siga @unsdg nas redes e acesse o portal do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG).
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História
10 julho 2026
“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida”
Enquanto aguarda o embarque, Kenny Rebolledo observa uma rotina que conhece bem. Durante mais de um ano, acompanhou pessoas surdas em cada etapa da interiorização. Agora, pela primeira vez, é ele quem segue nesse percurso, rumo a uma nova cidade onde pretende trabalhar, reconstruir sua vida e apoiar a família. Kenny Rebolledo, 38 anos, pessoa surda, nasceu em Ocumare del Tuy, no estado de Miranda, na Venezuela. Ainda adolescente, aos 15 anos, começou a aprender a língua de sinais com o apoio do primo, também surdo. Dois anos depois, já dominava a comunicação e participava ativamente da comunidade surda, incluindo atividades esportivas. Em fevereiro de 2024, tomou a decisão de sair da Venezuela. Atravessou a fronteira e chegou ao Brasil poucos dias depois.“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida.” Como pessoa surda, o recomeço exigiu adaptação a uma nova língua de sinais e a um novo idioma. Usuário da Língua de Sinais Venezuelana (LSV), em apenas três meses, aprendeu também a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A partir disso, passou a se conectar com a comunidade surda local, frequentar espaços coletivos e reconstruir, com autonomia, sua rede no Brasil. No dia a dia, também utiliza recursos como a leitura labial para se comunicar em outros contextos. Foi nesse processo de adaptação e aproximação com a comunidade local que Kenny passou a atuar com a Agência da ONU para as Migrações (OIM). Apoiando pessoas surdas na Estratégia de Interiorização, participou do programa da Operação Acolhida que leva voluntariamente pessoas venezuelanas de Boa Vista para integração em outras cidades do Brasil. Na agência, durante mais de um ano, trabalhou como intérprete, auxiliando em entrevistas, orientações e no acesso à comunicação para outras pessoas surdas, utilizando a Língua de Sinais Venezuelana e Libras. Ao longo desse período, passou a conhecer de perto cada etapa do processo de interiorização, o mesmo que agora se prepara para vivenciar. “Muitas pessoas não sabem português nem Libras, então eu ajudava”, conta. Mais do que um trabalho, foi uma experiência de troca, de escuta, de reconhecimento e de identificação com histórias que, muitas vezes, se pareciam com a sua. Atendido pelos colegas com quem costumava trabalhar, ele se despede de Roraima para iniciar seu processo de interiorização. O destino é Tijucas, estado de Santa Catarina, no sul do país, onde pretende começar uma nova etapa de vida. “Quero ajudar minha mãe, meu primo surdo… e seguir em frente”, diz. Ele conta que se sente ansioso, mas também confiante. Depois de mais de um ano vivendo em Roraima, acredita que aprendeu muito. Em seu novo caminho, quer trabalhar, se estabelecer e criar condições para apoiar sua família. Entre seus planos estão conseguir um emprego, ter sua própria casa para receber a família e construir novas relações. “Quero que seja um futuro com responsabilidade, esforço e esperança.” Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM Brasil.
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17 agosto 2026
ONU News entrevista novo coordenador residente da ONU no Brasil
A prioridade do novo líder da ONU Brasil, Igor Garafulic, é construir pontes entre a sociedade e o setor público para garantir um futuro mais justo e verde. Liderando 3,5 mil profissionais nas 25 entidades das Nações Unidas que atuam no Brasil, o novo coordenador residente aposta na força das parcerias multissetoriais para acelerar o desenvolvimento sustentável. Com quase 30 anos de experiência na ONU, Igor Garafulic já serviu em países como Azerbaijão, Honduras, Guatemala, Paraguai e Peru. Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Garafulic foi governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores.Garafulic substitui a engenheira uruguaia Silvia Rucks, que liderou o trabalho da ONU no Brasil até o início deste ano e foi o ponto focal para a realização da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Belém do Pará.Em entrevista exclusiva à ONU News, o novo líder do Sistema da ONU no Brasil destacou a atuação estratégica da organização no país, priorizando o desenvolvimento sustentável e a proteção da região amazônica. Para saber mais, leia a matéria completa da ONU News e siga @ONUNews e @ONUBrasil nas redes sociais!
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História
09 setembro 2026
“Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito”
Há sete anos, Glaiddys deixou a Venezuela em busca de novas oportunidades. Os caminhos no Brasil convergiram em Pacaraima, cidade fronteiriça entre o Brasil e o país vizinho, onde encontrou no trabalho a possibilidade de recomeçar. Natural de Ciudad Bolívar, no estado de Bolívar, Glaiddys começou a trabalhar como cabeleireira aos 18 anos. Após ter experiência em diferentes salões, realizou o sonho de abrir o próprio negócio na Venezuela. Porém, as dificuldades no país a levaram a deixar para trás o salão, a casa e a família para uma nova vida. Ao chegar a Pacaraima, em Roraima, ela contou com o apoio da irmã e do cunhado para dar os primeiros passos. Enquanto conhecia a cidade e construía uma nova rede de contatos, trabalhou em dois salões de beleza até perceber que era hora de voltar a empreender. O desejo de ter um espaço próprio voltava a ganhar forma. Hoje, aos 50 anos, atende clientes em um salão montado em sua própria casa. Entre o ambiente acolhedor e o cuidado com cada detalhe, reencontrou na profissão a felicidade que sempre a acompanhou. “Eu sou feliz. Quando estou trabalhando, sou feliz. Amo este trabalho e não o trocaria por outro.” Mais do que estabilidade, Glaiddys busca aperfeiçoamento constante. Desde que chegou ao Brasil, aprendeu um novo idioma, participou de cursos e segue investindo em sua formação.Em 2025, Glaiddys recebeu apoio da iniciativa “Empreendedores em Movimento”, promovida pela Agência da ONU para as Migrações (OIM). Com a doação de equipamentos e insumos, como cadeiras, lavatórios, gaveteiros e outros materiais de trabalho, foi possível ampliar a estrutura do negócio e aprimorar o atendimento. “Comecei a estudar para me preparar melhor, porque para mim isso não é apenas um trabalho. É uma forma de transformar, cuidar e ajudar outras pessoas. Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito.” Hoje, o som do secador, as conversas que envolvem o espaço e a confiança das clientes seguem marcando a rotina de Glaiddys, que demonstra como os acessos a oportunidades para pessoas migrantes fortalecem a integração e autonomia. Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes!
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História
31 agosto 2026
No campo, a educação também semeia futuros
Filhas de agricultores familiares, as irmãs Maria Eduarda, de 19 anos, e Maria Clara, de 17 cresceram no campo e compartilham o sonho de, por meio da educação, construir um futuro melhor para suas famílias e comunidade. A equipe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) conheceu mais de perto as irmãs durante uma visita ao município de Grajaú, no Maranhão. O encontro ocorreu durante a missão de revisão de meio termo do Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), financiado pelo FIDA com recursos do Governo da Alemanha, por meio do Programa de Adaptação para a Agricultura Familiar (ASAP+).Maria Eduarda é egressa da Escola Família Agrícola de Grajaú (EFAGMA) e atualmente é primeira secretária da associação da escola. Está cursando Licenciatura em Ciências Naturais - Química na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Grajaú, onde pretende ampliar seu conhecimento técnico para aplicar nos investimentos produtivos da sua comunidade. Maria Clara está no terceiro ano do ensino médio na mesma escola. A EFAGMA adota a metodologia da Pedagogia da Alternância, que combina períodos de quinze dias de internato, dedicados à formação da base curricular comum e à formação técnica agrícola, com quinze dias de permanência junto às famílias. Essa dinâmica aproxima teoria e prática e permite que os conhecimentos adquiridos na escola sejam aplicados à realidade do campo e contribuam para o aprimoramento das práticas agroecológicas nas comunidades.Mas a realidade nem sempre foi essa.Maria Eduarda compartilhou que, antes do PAGES, a escola funcionava em condições muito precárias. Nem sempre havia garantia das três refeições diárias e os estudantes muitas vezes dormiam em redes ou colchonetes no chão da própria sala de aula, por falta de uma estrutura adequada de alojamento.Hoje, a realidade começa a ser transformada.Por meio do PAGES, foram realizados investimentos na infraestrutura dos alojamentos, com instalação de ar-condicionado, aquisição de beliches, colchões e móveis. Também foram reativados tanques para a produção de peixes e introduzidas tecnologias e investimentos produtivos, como técnicas de revolvimento do solo e kits de irrigação. Para Maria Eduarda, uma das maiores alegrias é ver sua irmã, Maria Clara, vivenciando uma realidade diferente daquela que ela própria encontrou quando estudava na escola. Nas palavras de Maria Eduarda:“Levantar a bandeira da educação do campo é ter força, é necessário ter coragem para levantar essa bandeira e seguir unidos na representação da educação no campo, pois na EFA de Grajaú teoria se torna prática e prática educação.”São histórias como a de Maria Eduarda e Maria Clara que nos emocionam, nos inspiram e reforçam o propósito de seguir trabalhando para que o desenvolvimento sustentável também signifique mais oportunidades, dignidade e esperança para quem vive e produz no campo.Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (espanhol).Sobre o FIDAO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.org
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História
27 agosto 2026
“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar”
“Meu país começou a sofrer uma crise muito forte e isso fez com que muitos indígenas saíssem de seus contextos deixando tudo, em muitos casos deixando comunidades vazias e eu também tive que migrar”.De origem Warao, a venezuelana está há três anos no estado de Roraima, se adaptando e traçando novos planos para sua vida e sua família, sem deixar de pensar no desenvolvimento de sua comunidade.Aos 44 anos, atualmente ela mora com seus pais e um de seus três filhos na comunidade Warao Janoko, localizada no município de Cantá (RR). Nesse contexto, Rosmery assumiu, assim como tantas outras mulheres refugiadas e migrantes, a responsabilidade de cuidar dos familiares que vivem com ela, já que seus pais são pessoas idosas. A comunidade, que é formada por famílias das etnias Warao e Kariña, sobrevive da agricultura, embora considerem que a terra não esteja apta para isso. Da produção familiar, Rosmery garante os alimentos diários e parte do sustento financeiro.Rosmery expressa o que significou essa mudança: “Para migrar você tem que aceitar sua realidade e deixar tudo o que você era para trás. Na Venezuela fui professora com 25 anos de serviço. Cobri todos os níveis de educação, desde educação inicial até a etapa universitária. Chegar ao Brasil foi uma mudança muito profunda e brusca”, afirma.“Busco que a minha vida no Brasil seja ativa e criativa. Por isso desde que cheguei, realizo alguns cursos e isso me ajudou a começar o meu próprio negócio, que é uma padaria”, conta. Rosmery foi aluna em cursos de Português, confeitaria, ajudante de cozinha, gastronomia e panificação, ofertados por projetos implementados por diferentes organizações, entre elas a ONU Mulheres, o ACNUR e o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). O pequeno negócio de Rosmery começou a funcionar este ano, após dois anos de planejamento e organização financeira. “Meu principal objetivo é fazer com que a minha comunidade, a comunidade Warao a Janoko, se desenvolva e seja vista como um lugar turístico. Começamos com essa padaria familiar e logo ela apoiará outras oportunidades de desenvolvimento”, explica. O fortalecimento da sua comunidade no Brasil é uma das principais motivações de Rosmery. A importância do seu engajamento para esse objetivo, fez com que ela estivesse em Brasília (DF), ao lado de outras 15 mulheres indígenas venezuelanas de diferentes etnias, durante o Acampamento Terra Livre (ATL). Durante o acampamento, Rosmery foi uma das vozes que levantou as demandas e necessidades das mulheres refugiadas e migrantes em diferentes agendas de articulação com organizações indígenas brasileiras e com representantes do governo federal. A participação do grupo de mulheres indígenas refugiadas e migrantes no ATL foi possível através do programa conjunto realizado por ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, com o apoio do Governo de Luxemburgo, que visa o desenvolvimento de políticas públicas sensíveis aos direitos humanos e ao gênero, que atendam as necessidades diferenciadas de mulheres refugiadas e migrantes e de outros grupos de pessoas que enfrentam múltiplas formas de discriminação.Para Rosmery, representar sua comunidade e desenvolver formas para que ela prospere em outro território é uma forma de garantir seus direitos individuais e coletivos:“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar, porque é um direito internacional. Ao ser migrante, não é possível que nos coíbam de muitos direitos que nos correspondem como humanos”, ressalta.Para saber mais, acompanhe a série #BrasilAcolhedor nas redes sociais da @onubrasil!
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História
24 agosto 2026
Juventude transforma realidades no UNOPS
A quatro mil quilômetros de casa, a jovem arquiteta Talia Fernandes, de 25 anos, encontrou seu verdadeiro propósito. Nascida em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, ela atravessou o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul para cursar o mestrado em Planejamento Urbano. Longe da família e da terra natal, a vontade de aplicar seu conhecimento em cidades devastadas por catástrofes climáticas falou mais alto e a levou a seu primeiro posto no Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). A jovem, que ingressou na organização como estagiária, hoje ocupa uma vaga regular e ajuda a monitorar de perto a recuperação de 101 unidades de saúde que foram afetadas pelas enchentes no RS no ano passado. Anteriormente, Talia sentiu a frustração com o trabalho em escritórios de arquitetura tradicionais, mas, na ONU, descobriu o valor real e prático da sua profissão. “Não é porque eu sou jovem que a minha opinião não importa. Aqui, eu me sinto muito valorizada como profissional”, destaca a arquiteta.A história de Talia reflete o tema do Dia Internacional da Juventude de 2026: “Contextos diferentes, aspirações comuns”. No UNOPS, escritório da ONU especializado em infraestrutura, 45 jovens atuam nas equipes espalhadas em todo o Brasil. Para alguns deles, a trajetória exigiu ainda mais superação. É o caso da engenheira Kércia dos Santos, 30 anos. Aos 17, ela deixou a zona rural no interior da Bahia e desembarcou em Brasília com apenas uma cesta básica e muitos sonhos. Aluna de escola pública e beneficiária de políticas públicas para acesso a transporte e alimentação, ela superou muitos obstáculos. Tornou-se a primeira pessoa da sua família inteira a conquistar um diploma de curso superior e, ao escolher a Engenharia Civil, abriu seu próprio espaço, construindo um legado em uma área tradicionalmente masculina. Hoje, atua como coordenadora de obras em um dos projetos mais complexos do UNOPS, a finalização das obras de escolas em comunidades indígenas e quilombolas afastadas dos grandes centros urbanos.“Se a minha trajetória puder fazer com que outra menina do interior olhe para a Engenharia e pense 'eu também posso chegar lá', isso já tem um significado enorme para mim”, declara a coordenadora.Por trás de cada obra monitorada por Kércia e Talia, existe uma outra frente essencial para que todo o trabalho do escritório aconteça: a área de operações. Sem o suporte técnico e o cuidado humano nos bastidores, nenhum projeto sai do papel. Gabriel Bezerra, de 26 anos, atua diariamente de forma essencial para que esse processo aconteça. Morador de uma área periférica de Brasília, o jovem cresceu longe de qualquer incentivo e atuar na ONU parecia restrito às telas de televisão.“Eu nunca iria imaginar que teria um escritório da ONU aqui em Brasília. Vindo de escola pública, isso nunca foi uma conversa que eu tive”, confessa Gabriel.Há quatro anos atrás, ele ingressou como estagiário de Tecnologia da Informação (TI) e sofreu um enorme choque cultural em um ambiente tão multicultural. O convívio transformou sua visão de mundo de maneira profunda. Ele relata que os debates sobre gênero, diversidade e inclusão dentro do escritório o auxiliaram a ter uma nova visão de mundo. Profissionalmente, apesar da insegurança, teve a oportunidade de inovar. Gabriel, mesmo tão jovem, desenvolveu um aplicativo capaz de automatizar as demandas de trabalho de uma tarde inteira em apenas 15 minutos e, com dedicação, assumiu a liderança de TI para os escritórios do UNOPS no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Inspirado na trajetória dos colegas, Gabriel iniciou um mestrado, um plano antes inexistente em sua vida. “Saber que o seu trabalho faz a diferença, desde a troca de um mouse até a compra de computadores para uma escola indígena, traz uma motivação, uma vontade de acordar com um propósito”, expressa o especialista em TI. Na operação dos Recursos Humanos, Amanda Louize, com 25 anos, apoia a seleção das equipes responsáveis por transformar vidas em todo o Brasil. Formada em Relações Internacionais, ela sofreu com rejeições sucessivas em processos seletivos na época da pandemia. O sonho de integrar as Nações Unidas parecia um objetivo distante, que somente aconteceria após anos de experiência. No entanto, esse sonho não demorou tanto quanto ela imaginava para ser realizado. Amanda entrou no UNOPS como estagiária e encontrou no setor de RH o fim das incertezas. Hoje, ela trabalha em todas as etapas dos processos de seleção de equipes do escritório e encontrou a sua vocação no trabalho: ter contato com pessoas.“Eu vivo a realidade que a Amanda de 17 anos sonhava. É uma baita responsabilidade, pois a gente lida com o sonho das pessoas”, destaca a assistente.A determinação de Talia, a força de Kércia, a superação de Gabriel e a vocação de Amanda ilustram a essência e as aspirações dos jovens profissionais que trabalham na ONU no Brasil. Mais do que um brilho no olhar, eles compartilham a mesma vontade incansável de deixar um legado no que constroem cotidianamente. Com passados e realidades tão distintas, esses jovens profissionais contribuem, cada um a seu modo, com a mudança, com a promoção da igualdade e com a superação de desafios. São as pessoas que ajudam a construir o Brasil do futuro, no presente.Para saber mais, siga @onubrasil e @unops_official nas redes sociais!
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História
17 agosto 2026
“O diagnóstico não define a criança”
A Jade (Jogos de Aprendizagem para Desenvolvimento Educacional), iniciativa de aprendizagem baseada em jogos digitais para crianças neurodivergentes, foi reconhecida pelo Prêmio Global da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) de 2026. Fundada em 2018, no Espírito Santo, a iniciativa utiliza tecnologia e acompanhamento individualizado para apoiar o desenvolvimento cognitivo e a inclusão pedagógica de crianças e adolescentes neurodivergentes.Tecnologia e inclusão: acompanhamento individualizadoA ideia surgiu quando Ronaldo Cohin, ao acompanhar o crescimento do filho, percebeu a escassez de especialistas e o alto custo do atendimento voltado a crianças neurodivergentes. Em 2018, fundou a Jade App, com a proposta de utilizar jogos digitais para compreender melhor as necessidades de cada criança e apoiar seu desenvolvimento.“Nosso intuito é usar as decisões da criança durante os jogos para entendermos as funções executivas e onde estão causando um atraso na educação. A partir dessa verificação, geramos uma série de atividades especificamente para aquela criança”, contou Ronaldo Cohin em entrevista ao Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).O aplicativo utiliza uma metodologia de ensino voltada ao desenvolvimento cognitivo de pessoas neurodivergentes, por meio de associações entre palavras, objetivos e figuras. Durante as atividades, a ferramenta coleta dados sobre o que a criança faz, por quanto tempo e de que maneira realiza cada tarefa. Essas informações permitem mensurar aspectos relacionados às funções executivas e identificar possíveis fatores associados a dificuldades no desenvolvimento escolar. A proposta não substitui o diagnóstico nem o acompanhamento de profissionais especializados. Em vez disso, busca oferecer informações que contribuam para uma compreensão mais individualizada das necessidades de cada aluno e orientar atividades voltadas ao desenvolvimento de suas habilidades cognitivas.“O olhar individualizado precisa existir. O diagnóstico não define a criança”, afirma Ronaldo.A partir desses recursos, a Jade ND busca aproximar famílias, educadores e crianças de uma compreensão mais ampla e individualizada das dificuldades de aprendizagem. “Muitas vezes as famílias não têm suporte mínimo”, afirma Ricardo. As soluções desenvolvidas pela iniciativa apoiam crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, discalculia, deficiência intelectual, síndrome de Down e dislexia. Também podem ser utilizadas por crianças e adolescentes que precisam desenvolver habilidades como atenção, flexibilidade mental, memória auditiva, controle de impulsos, raciocínio lógico, reconhecimento emocional e velocidade de processamento.Além da Jade App, a iniciativa reúne atualmente outras soluções, como a Jade Edu, Jade Academy e Jade Astea. Juntas, elas ampliam a atuação da empresa na inclusão pedagógica e na avaliação cognitiva, conectando diferentes espaços de aprendizagem– da sala de aula ao ambiente familiar. Atualmente, a Jade apoia mais de 220 mil crianças em mais de 179 países.“Colher os frutos que a tecnologia nos dá, respeitando as recomendações médicas, da ciência e da proteção de dados, é um ganho muito grande”, disse Ronaldo ao UNIC Rio. Sobre o Prêmio Global da OMPIO Prêmio Global da OMPI reconhece, anualmente, pequenas e médias empresas (PMEs) e startups que demonstram excelência no uso da propriedade intelectual para levar produtos ao mercado, melhorar vidas e gerar empregos.“As PMEs constituem a maioria das empresas em todos os países, impulsionando o crescimento, gerando empregos e, muitas vezes, promovendo as inovações mais disruptivas. No entanto, a maioria ainda não tem consciência do poder da propriedade intelectual como ferramenta de negócios”, disse o diretor-geral da OMPI, Daren Tang. A iniciativa da OMPI busca contribuir para um mundo em que os direitos de propriedade intelectual apoiem a inovação e a criatividade em qualquer lugar, para o benefício de todas as pessoas. Os prêmios são definidos por um júri independente e reconhecem empresas de menor porte que contribuem para o progresso e para a melhoria da vida das pessoas.Em 2026, um júri internacional selecionou onze vencedores entre 1.300 inscrições de 126 países. A avaliação considera planos de negócios, estratégias e cultura interna de propriedade intelectual, além da contribuição das iniciativas para o enfrentamento de desafios sociais.O diretor-geral da OMPI, Daren Tang, entregou, em julho, os prêmios aos representantes dos vencedores em uma cerimônia realizada durante a Assembleia Geral dos Estados-membros da OMPI, em Genebra, na Suíça. As iniciativas vencedoras também recebem um programa de mentoria personalizado para ajudá-las a utilizar a propriedade intelectual em prol do crescimento da empresa, além de apoio para facilitar o acesso a financiamento e oportunidades de negócios. Para saber mais, siga @wipo nas redes e acesse a página da OMPI para o Brasil: https://www.wipo.int/pt/web/office-brazil
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Notícias
25 setembro 2026
ONU-Habitat e Prefeitura de Juiz de Fora promovem escuta de mulheres para melhorar segurança urbana
Como mulheres e meninas se deslocam, utilizam e percebem os espaços públicos de seus bairros? Para responder a essa pergunta a partir da experiência de quem vive e circula pelo território, 78 participantes foram parte das oficinas Cidade Mulher, realizadas entre março e agosto na região de Nova Era, na Zona Norte de Juiz de Fora.
A iniciativa ouviu diferentes públicos sobre segurança, mobilidade, cuidado e uso dos espaços públicos e, a partir dessa escuta, será elaborado um diagnóstico de segurança urbana com recomendações para qualificar o território.Realizadas pela Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), as atividades abrangeram os territórios de Nova Era I, Nova Era II, Jardim Santa Isabel, Santa Lúcia e Jardim dos Alfineiros.“É importante falar sobre a escolha desse território. A Zona Norte, pelas estatísticas, concentra um número significativo de casos de violência contra as mulheres, o que é triste e, ao mesmo tempo, nos chama a atenção. O Cidade Mulher nos permite escutar mulheres de diferentes idades, entender o que elas vivenciam e identificar como essas violências aparecem no território. A partir desse conhecimento, podemos pensar em políticas públicas que tornem a cidade mais segura para as mulheres, olhando para toda a jornada: desde o momento em que elas entram no ônibus até a iluminação das ruas, os escadões e os demais espaços por onde circulam", explica a Secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Cidinha Louzada.Ao longo do processo, foram realizadas oficinas em diferentes equipamentos públicos e com públicos diversos, além de visitas de campo para observar os pontos identificados pelas participantes e encaminhar demandas de zeladoria. A proposta foi compreender como as características do território influenciam a segurança, a autonomia, a mobilidade e o acesso das mulheres e meninas aos espaços públicos, incorporando suas experiências ao processo de planejamento urbano.O Cidade Mulher tem como referência as Auditorias de Segurança das Mulheres, metodologia adaptada pelo ONU-Habitat a partir do Programa Global Cidades Mais Seguras. A abordagem parte do reconhecimento de que mulheres e meninas vivenciam situações de insegurança de maneira particular nos espaços urbanos e, por isso, coloca suas experiências no centro do processo de planejamento. A escuta das participantes permite identificar barreiras, riscos e oportunidades presentes nos caminhos e espaços do cotidiano, contribuindo para orientar ações que tornem a cidade mais segura, acessível e acolhedora para todas as pessoas.Nas oficinas, esse processo foi organizado em diferentes momentos: conhecer, sensibilizar, territorializar, reconhecer e comunicar. As participantes foram convidadas a compartilhar suas experiências, mapear trajetos e lugares de uso cotidiano, identificar pontos de maior ou menor segurança e construir recomendações para o território.Da escuta ao diagnósticoA primeira atividade foi realizada na Escola Municipal Cecília Meireles, com foco nas mães dos estudantes, incluindo mães atípicas. Nesse encontro, o mapeamento dos caminhos do cuidado permitiu identificar trajetos realizados para levar e buscar crianças na escola, acompanhar pessoas à Unidade Básica de Saúde (UBS), ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e à farmácia, além dos deslocamentos de ônibus necessários para cumprir essas atividades. A ferramenta ajudou a revelar como as responsabilidades de cuidado também organizam a mobilidade das mulheres e influenciam a forma como elas utilizam e se deslocam pela cidade.Na UBS Nova Era, participaram mulheres que realizam atividades de educação física, incluindo algumas com mobilidade reduzida. Já com as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), profissionais que acompanham famílias diretamente nos bairros e percorrem diariamente o território, foi realizada uma caminhada exploratória pelos trajetos utilizados no trabalho.Durante a caminhada, foram identificados escadões, ruas mal iluminadas e outros pontos percebidos como inseguros ou que dificultam a circulação. A atividade incorporou ao processo o conhecimento de mulheres que conhecem o território a partir da experiência cotidiana de percorrê-lo. Afinal, poucas pessoas conhecem melhor os caminhos de um bairro do que quem caminha por eles todos os dias.“A caminhada foi muito legal porque, ao andar pelo bairro, conseguimos enxergar as áreas de risco de uma forma diferente. A dinâmica de olhar o mapa de cima também foi muito interessante, porque permitiu identificar os pontos e pensar em coisas que não costumamos pensar no dia a dia, como: se acontecer alguma coisa comigo, onde eu posso pedir ajuda? Conversar com outras mulheres também foi importante para pensarmos juntas onde podemos buscar proteção. Eu acho que esse projeto deveria acontecer em todos os bairros, porque a gente vai criando ideias e percebendo coisas que antes não enxergava. Eu achei a ideia maravilhosa", conta a participante Patrícia da Silva Santos. A escuta também incluiu adolescentes de 13 a 15 anos, em oficina realizada na Escola Municipal Professora Thereza Falci, e uma atividade específica, adaptada para mulheres idosas que participam das atividades de convivência da Associação de Apoio a Crianças e Idosos (AACI). Também foram realizadas ações de sensibilização sobre segurança urbana com perspectiva de gênero na Cecília Meireles, na Thereza Falci e no CRAS Santa Cruz.Além das oficinas, foram realizadas visitas de campo aos pontos identificados pelas participantes, permitindo observar diretamente as condições dos locais e encaminhar demandas relacionadas à zeladoria urbana. A etapa aproximou a escuta realizada nas oficinas das condições concretas encontradas no território, contribuindo para qualificar a leitura dos desafios apontados pelas participantes.“A oficina também é muito importante porque, além de contribuir para a construção de políticas públicas, trabalha a conscientização sobre a violência urbana de gênero. Isso vira educação e gera transformação. É um trabalho que vai trazer frutos no futuro e nos ajudar a pensar políticas públicas para as mulheres em diferentes territórios. O ONU-Habitat está fazendo um trabalho muito importante para Juiz de Fora, e acredito que uma cidade governada por mulheres e que pensa políticas públicas para mulheres pode transformar muito essa realidade", finaliza Cidinha Louzada. Próximas etapasCom a conclusão das atividades participativas e das visitas de campo, a próxima etapa vai sistematizar os relatos, mapas, caminhos do cuidado, caminhadas exploratórias, observações e recomendações produzidos durante o processo.“É justamente essa conexão entre a experiência de quem vive o território e o planejamento urbano que orienta o trabalho do ONU-Habitat. O diagnóstico vai sistematizar as percepções de mulheres e meninas, articulando essas informações à leitura do território para produzir evidências e recomendações que possam apoiar o município nas decisões de planejamento urbano”, afirma a coordenadora de programas do ONU-Habitat Natália Oliveira.O diagnóstico deverá identificar aspectos do território que interferem na segurança, na autonomia e no acesso das mulheres aos espaços públicos e orientar recomendações a partir das características e dos desafios identificados. A proposta é que as experiências de quem vive e circula pelo bairro sejam incorporadas ao planejamento, transformando o conhecimento cotidiano em informação para a tomada de decisão.“Vale ressaltar que nós, que estamos participando da concepção do projeto, somos mulheres, compartilhamos de alguns desses medos e também desejamos uma cidade mais segura, onde possamos andar com tranquilidade. A intenção agora é, a partir dessa escuta, analisar os programas e ações já existentes na Prefeitura, para pensar em como podemos levá-los para o bairro e também em novas iniciativas que possam somar e atender aos desejos das meninas e mulheres da região de Nova Era”, reforça Julia Daibert, coordenadora do Departamento de Intervenções Urbanas (DIURB) da SEDUPP e da iniciativa Tecendo a Cidade por parte da Prefeitura de Juiz de Fora.Todo o processo desenvolvido em Juiz de Fora também será sistematizado em um caderno metodológico, reunindo as etapas, ferramentas e aprendizados da experiência de aplicação do Cidade Mulher em escala de bairro. Tecendo a Cidade: planejando com um viés participativoO “Tecendo a Cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)Amanda Andrade (amanda.andrade@un.org)
A iniciativa ouviu diferentes públicos sobre segurança, mobilidade, cuidado e uso dos espaços públicos e, a partir dessa escuta, será elaborado um diagnóstico de segurança urbana com recomendações para qualificar o território.Realizadas pela Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), as atividades abrangeram os territórios de Nova Era I, Nova Era II, Jardim Santa Isabel, Santa Lúcia e Jardim dos Alfineiros.“É importante falar sobre a escolha desse território. A Zona Norte, pelas estatísticas, concentra um número significativo de casos de violência contra as mulheres, o que é triste e, ao mesmo tempo, nos chama a atenção. O Cidade Mulher nos permite escutar mulheres de diferentes idades, entender o que elas vivenciam e identificar como essas violências aparecem no território. A partir desse conhecimento, podemos pensar em políticas públicas que tornem a cidade mais segura para as mulheres, olhando para toda a jornada: desde o momento em que elas entram no ônibus até a iluminação das ruas, os escadões e os demais espaços por onde circulam", explica a Secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Cidinha Louzada.Ao longo do processo, foram realizadas oficinas em diferentes equipamentos públicos e com públicos diversos, além de visitas de campo para observar os pontos identificados pelas participantes e encaminhar demandas de zeladoria. A proposta foi compreender como as características do território influenciam a segurança, a autonomia, a mobilidade e o acesso das mulheres e meninas aos espaços públicos, incorporando suas experiências ao processo de planejamento urbano.O Cidade Mulher tem como referência as Auditorias de Segurança das Mulheres, metodologia adaptada pelo ONU-Habitat a partir do Programa Global Cidades Mais Seguras. A abordagem parte do reconhecimento de que mulheres e meninas vivenciam situações de insegurança de maneira particular nos espaços urbanos e, por isso, coloca suas experiências no centro do processo de planejamento. A escuta das participantes permite identificar barreiras, riscos e oportunidades presentes nos caminhos e espaços do cotidiano, contribuindo para orientar ações que tornem a cidade mais segura, acessível e acolhedora para todas as pessoas.Nas oficinas, esse processo foi organizado em diferentes momentos: conhecer, sensibilizar, territorializar, reconhecer e comunicar. As participantes foram convidadas a compartilhar suas experiências, mapear trajetos e lugares de uso cotidiano, identificar pontos de maior ou menor segurança e construir recomendações para o território.Da escuta ao diagnósticoA primeira atividade foi realizada na Escola Municipal Cecília Meireles, com foco nas mães dos estudantes, incluindo mães atípicas. Nesse encontro, o mapeamento dos caminhos do cuidado permitiu identificar trajetos realizados para levar e buscar crianças na escola, acompanhar pessoas à Unidade Básica de Saúde (UBS), ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e à farmácia, além dos deslocamentos de ônibus necessários para cumprir essas atividades. A ferramenta ajudou a revelar como as responsabilidades de cuidado também organizam a mobilidade das mulheres e influenciam a forma como elas utilizam e se deslocam pela cidade.Na UBS Nova Era, participaram mulheres que realizam atividades de educação física, incluindo algumas com mobilidade reduzida. Já com as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), profissionais que acompanham famílias diretamente nos bairros e percorrem diariamente o território, foi realizada uma caminhada exploratória pelos trajetos utilizados no trabalho.Durante a caminhada, foram identificados escadões, ruas mal iluminadas e outros pontos percebidos como inseguros ou que dificultam a circulação. A atividade incorporou ao processo o conhecimento de mulheres que conhecem o território a partir da experiência cotidiana de percorrê-lo. Afinal, poucas pessoas conhecem melhor os caminhos de um bairro do que quem caminha por eles todos os dias.“A caminhada foi muito legal porque, ao andar pelo bairro, conseguimos enxergar as áreas de risco de uma forma diferente. A dinâmica de olhar o mapa de cima também foi muito interessante, porque permitiu identificar os pontos e pensar em coisas que não costumamos pensar no dia a dia, como: se acontecer alguma coisa comigo, onde eu posso pedir ajuda? Conversar com outras mulheres também foi importante para pensarmos juntas onde podemos buscar proteção. Eu acho que esse projeto deveria acontecer em todos os bairros, porque a gente vai criando ideias e percebendo coisas que antes não enxergava. Eu achei a ideia maravilhosa", conta a participante Patrícia da Silva Santos. A escuta também incluiu adolescentes de 13 a 15 anos, em oficina realizada na Escola Municipal Professora Thereza Falci, e uma atividade específica, adaptada para mulheres idosas que participam das atividades de convivência da Associação de Apoio a Crianças e Idosos (AACI). Também foram realizadas ações de sensibilização sobre segurança urbana com perspectiva de gênero na Cecília Meireles, na Thereza Falci e no CRAS Santa Cruz.Além das oficinas, foram realizadas visitas de campo aos pontos identificados pelas participantes, permitindo observar diretamente as condições dos locais e encaminhar demandas relacionadas à zeladoria urbana. A etapa aproximou a escuta realizada nas oficinas das condições concretas encontradas no território, contribuindo para qualificar a leitura dos desafios apontados pelas participantes.“A oficina também é muito importante porque, além de contribuir para a construção de políticas públicas, trabalha a conscientização sobre a violência urbana de gênero. Isso vira educação e gera transformação. É um trabalho que vai trazer frutos no futuro e nos ajudar a pensar políticas públicas para as mulheres em diferentes territórios. O ONU-Habitat está fazendo um trabalho muito importante para Juiz de Fora, e acredito que uma cidade governada por mulheres e que pensa políticas públicas para mulheres pode transformar muito essa realidade", finaliza Cidinha Louzada. Próximas etapasCom a conclusão das atividades participativas e das visitas de campo, a próxima etapa vai sistematizar os relatos, mapas, caminhos do cuidado, caminhadas exploratórias, observações e recomendações produzidos durante o processo.“É justamente essa conexão entre a experiência de quem vive o território e o planejamento urbano que orienta o trabalho do ONU-Habitat. O diagnóstico vai sistematizar as percepções de mulheres e meninas, articulando essas informações à leitura do território para produzir evidências e recomendações que possam apoiar o município nas decisões de planejamento urbano”, afirma a coordenadora de programas do ONU-Habitat Natália Oliveira.O diagnóstico deverá identificar aspectos do território que interferem na segurança, na autonomia e no acesso das mulheres aos espaços públicos e orientar recomendações a partir das características e dos desafios identificados. A proposta é que as experiências de quem vive e circula pelo bairro sejam incorporadas ao planejamento, transformando o conhecimento cotidiano em informação para a tomada de decisão.“Vale ressaltar que nós, que estamos participando da concepção do projeto, somos mulheres, compartilhamos de alguns desses medos e também desejamos uma cidade mais segura, onde possamos andar com tranquilidade. A intenção agora é, a partir dessa escuta, analisar os programas e ações já existentes na Prefeitura, para pensar em como podemos levá-los para o bairro e também em novas iniciativas que possam somar e atender aos desejos das meninas e mulheres da região de Nova Era”, reforça Julia Daibert, coordenadora do Departamento de Intervenções Urbanas (DIURB) da SEDUPP e da iniciativa Tecendo a Cidade por parte da Prefeitura de Juiz de Fora.Todo o processo desenvolvido em Juiz de Fora também será sistematizado em um caderno metodológico, reunindo as etapas, ferramentas e aprendizados da experiência de aplicação do Cidade Mulher em escala de bairro. Tecendo a Cidade: planejando com um viés participativoO “Tecendo a Cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)Amanda Andrade (amanda.andrade@un.org)
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24 setembro 2026
Congresso da ONU reúne líderes para fortalecer o enfrentamento ao crime transnacional
O 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, principal encontro mundial dedicado à prevenção do crime e à justiça criminal, será realizado em Abu Dhabi, de 26 de setembro a 1º de outubro. O evento, que acontece a cada cinco anos, discutirá novas formas de ameaças e a atuação de redes criminosas transnacionais.A diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma, alerta que o uso das novas tecnologias digitais pelo crime “está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo”. Em entrevista à ONU News, Juma também ressaltou a importância do Congresso das Nações Unidas para a promoção da justiça criminal. Crimes cibernéticos, tráfico e golpes online estarão entre os temas do evento global, que buscará fortalecer a cooperação internacional para aprimorar respostas rápidas, inteligentes e coordenadas diante de ameaças que se expandem com o uso da tecnologia. Confira a entrevista da chefe do UNODC à ONU News: ONU News: O Congresso da ONU sobre Crime, realizado a cada cinco anos, oferece uma plataforma para que o mundo se reúna para fazer a seguinte pergunta: como o crime mudou?Monica Juma: O fator determinante hoje é, obviamente, a tecnologia. Há cinco anos, a tecnologia evoluía de maneira muito diferente. Agora, ela está possibilitando uma infinidade de crimes em diversos setores. O que estamos vendo é uma convergência de tipos de crimes que está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo. Com a tecnologia, milhões de pessoas podem se tornar alvos em uma fração de segundo. Não há necessidade de intermediários nem de cruzar fronteiras. ONU News: Como o Congresso sobre Crime pode ajudar a garantir que os sistemas de justiça e de aplicação da lei nos países em desenvolvimento não fiquem para trás em meio a uma crescente exclusão digital global?Monica Juma: A tecnologia, na verdade, não está deixando ninguém para trás. Países considerados muito avançados em termos de tecnologia são tão vulneráveis quanto os mais fracos. Os criminosos organizados não têm inibições em relação às fronteiras. Os traficantes não dependem mais apenas de pessoas que transportam outras pessoas através das fronteiras em barcos. Agora, eles também estão usando tecnologia e desinformação para criar empregos falsos e, às vezes, acabam se infiltrando em cadeias de suprimentos de negócios legítimos, incluindo serviços bancários.É exatamente por isso que o Congresso das Nações Unidas sobre Crime é tão importante. Esse é o valor da ONU. Temos a capacidade de reunir todos à mesa, e é isso que veremos em Abu Dhabi. Haverá representantes de todas as partes do mundo.No UNODC, estamos criando cada vez mais plataformas para a interação entre fronteiras e setores, por exemplo: investigadores, promotores, agentes de segurança pública, autoridades judiciais e até mesmo jornalistas investigativos. O objetivo é criar uma convergência de competências que possa ser rapidamente utilizada para transmitir informações, provas ou suspeitas a alguém que possa agir com base nelas quase imediatamente.Estamos incentivando os países a cooperarem mais, inclusive nas áreas de compartilhamento de inteligência e análise forense, entre outras, mas a capacidade de concretizar essa cooperação ainda não foi totalmente viabilizada, até o momento, por parte dos Estados-membros. Para isso, são necessárias políticas, trocas de experiências e mecanismos adequados.ONU News: Por que a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético é tão importante?Monica Juma: A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético foi adotada por unanimidade pela Assembleia Geral em 2024, e já contamos com mais de 80 signatários. A Convenção oferece um conjunto completo de ferramentas que facilita a cooperação entre os países e estabelece padrões semelhantes que permitirão respostas mais rápidas e ágeis a ameaças comuns.Estamos convocando e incentivando os países a ratificá-la para que ela possa entrar em vigor, pois, até que isso aconteça, sua plena utilização será limitada.A ratificação é um processo legislativo interno, mas muitos países com os quais conversei pessoalmente indicaram que esse processo está em andamento. Esperamos que ela possa entrar em vigor em breve. ONU News: Centenas de milhares de vítimas de tráfico são forçadas a cometer crimes cibernéticos em centros de golpes em grande escala e em constante expansão. Como o Congresso sobre Crime pode lidar com essa situação?Monica Juma: Em primeiro lugar, esses centros de golpes representam realmente uma crise global. Nosso último relatório sobre centros de golpes no Sudeste Asiático indicou que as vítimas eram de mais de 80 nacionalidades de todo o mundo. Trata-se de uma situação global que está se expandindo exponencialmente. Esses centros de golpes são uma verdadeira pandemia, se pensarmos bem.Muitas vezes, eles se apresentam como oportunidades genuínas para jovens curiosos — que querem trabalhar e conhecer o mundo. É muito importante que eles sejam vistos como vítimas, e não como culpados, e que identifiquemos os verdadeiros autores do crime. São as pessoas que os estão enganando, recrutando e induzindo ao erro.Também é importante proteger os direitos das vítimas e apoiá-las por meio de reabilitação e tratamento. Algumas delas passaram por experiências muito traumáticas, incluindo tortura e abuso, e essas experiências permanecerão com elas por muito tempo. De nossa parte, o UNODC vem apoiando o fortalecimento das capacidades dos sistemas de justiça criminal para lidar de forma eficaz com vítimas e grupos vulneráveis.ONU News: O que pode ser feito para garantir que o Congresso sobre Crime apresente soluções reais em um momento de crescente polarização geopolítica e tensões globais?Monica Juma: É verdade que o mundo está em uma situação muito preocupante, mas também é verdade que a ameaça do crime é algo que as pessoas sentem todos os dias em todo o mundo.É impossível alcançar qualquer nível de produtividade ou sustentabilidade se houver insegurança no âmbito pessoal, local ou comunitário – e é exatamente isso que as drogas e o crime estão causando. Isso afeta as pessoas em todos os níveis, e essa realidade facilita a cooperação e a busca por soluções.Assim, temos uma situação em que há uma convergência, tanto no nível da ameaça quanto no desejo de buscar soluções. Ao chegarmos a Abu Dhabi, não há debate sobre se isso é importante ou não.Esperamos poder fortalecer as soluções apresentadas em Kyoto (sede do Congresso das Nações Unidas sobre o Crime de 2021) para agora analisar as ameaças atuais que estão sendo aceleradas por novas variáveis intervenientes, como a tecnologia.Contamos com o papel da tecnologia para nos ajudar a responder de maneira ágil e mais eficaz, para que possamos restaurar ambientes mais seguros, proteger as comunidades e, assim, alcançar maior prosperidade para o mundo.Para saber mais, siga @unodcprt nas redes e visite a página do 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal.
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Notícias
23 setembro 2026
Sertão Vivo fortalece escolas rurais e protagonismo juvenil no Semiárido
As escolas rurais desempenham um papel que vai além da sala de aula: conectar educação, comunidade e desenvolvimento dos territórios. Essa foi uma das principais ideias discutidas durante encontro do projeto Sertão Vivo, realizado nos dias 2 e 3 de setembro, na Escola Família Agrícola (EFA) de Sobradinho, na Bahia.A atividade reuniu representantes dos cinco estados atendidos pelo projeto Sertão Vivo — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe —, a Unidade de Monitoramento, Avaliação e Aprendizagem do Projeto (PMEL), organizações da sociedade civil, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), representantes do Projeto Dom Hélder Câmara III (PDHC III), equipes territoriais e outros parceiros para construir uma estratégia comum de atuação junto às escolas rurais. O objetivo foi articular diferentes experiências e realidades territoriais em torno de uma visão compartilhada. Um dos principais eixos da discussão foi o papel das juventudes. O projeto Sertão Vivo, cofinanciado pelo FIDA e pelo BNDES, com apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF), estabelece como referência que 50% das pessoas beneficiárias sejam jovens. A proposta discutida no encontro é que essa participação não se limite à preparação de uma futura geração, mas que os jovens sejam protagonistas/sujeitos ativos do se próprio desenvolvimento e contribuam, já no presente, para as transformações de suas comunidades.A partir dessa perspectiva, estudantes podem atuar como multiplicadores, mobilizando famílias, participando de organizações locais e contribuindo para a construção de novas oportunidades de trabalho, renda, educação e qualidade de vida no campo. “Escutar os jovens” foi um dos princípios destacados durante as discussões. As estratégias deverão considerar diferentes interesses, conhecimentos, identidades e projetos de vida, e considerar abordagens e atividades concretas que respondam a diversidade de vocações existentes no meio rural, que não se restringem à agropecuária.Educação conectada ao território As Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) foram identificadas como espaços importantes para a implementação dessa estratégia, devido à experiência acumulada com educação contextualizada, formação técnica, alternância entre escola e comunidade e valorização dos conhecimentos do Semiárido. A proposta também considera a articulação com escolas públicas de ensino médio, buscando alcançar a rede educacional dos territórios atendidos.Uma das possibilidades discutidas foi fortalecer as escolas como espaços comunitários de conhecimento, cultura, formação e convivência, aproximando estudantes, famílias, associações e conselhos da definição de prioridades e estratégias.A ideia é que questões concretas dos territórios também possam fazer parte dos processos pedagógicos. Entre os exemplos debatidos estão mudança climática, queimadas, alimentação, agroecologia, infraestrutura, preconceito e direitos sociais. A pesquisa-ação foi apontada como uma abordagem possível para conhecer a realidade local, analisá-la coletivamente e construir respostas com a participação das comunidades. Próximos passosO encontro também resultou em uma agenda de trabalho que inclui o mapeamento de escolas e territórios em cada estado, a definição de critérios para sua participação, a elaboração de objetivos, metas, indicadores e metodologias e o fortalecimento das equipes de assistência técnica e extensão rural (ATER).Entre as propostas está ainda a criação de um grupo de trabalho com pontos focais de juventude nos estados e nas equipes envolvidas, para promover o intercâmbio de experiências, acompanhar desafios e apoiar a construção de soluções comuns. A estratégia deverá considerar as especificidades de cada território, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a coordenação entre os cinco estados e as instituições parceiras. A expectativa é que a atuação conjunta contribua para aproximar educação, participação juvenil e desenvolvimento rural sustentável no Semiárido.Assista ao vídeo e conheça mais sobre o encontro e as perspectivas para fortalecer a participação das escolas e das juventudes nos territórios do Sertão Vivo. Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube e siga FIDA na América Latina e o Caribe no X (espanhol).Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.orgSobre o FIDAO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.
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22 setembro 2026
ONU oferece oportunidades de estágio em comunicação no Rio de Janeiro
O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) está com inscrições abertas para uma nova fase do Programa de Estágio em Informação Pública do Departamento de Comunicação Global da ONU. Principais atividades:Apoiar o desenvolvimento de conteúdos digitais para as redes sociais da ONU Brasil (@onubrasil), incluindo cards, vídeos e textos explicativos;Apoiar o planejamento e execução de parcerias institucionais, com foco nas celebrações dos 80 anos do UNIC Rio; Produzir legendas para vídeos curtos para mídias sociais e sites institucionais das Nações Unidas;Apoiar o planejamento e condução de entrevistas e a preparação de matérias e histórias para a página da ONU Brasil (onu.org.br); Auxiliar na organização de eventos, coletivas de imprensa e atividades de engajamento com o público. Colaborar no planejamento de campanhas digitais sobre as prioridades do Departamento de Comunicação das Nações Unidas. Requisitos:Estar matriculado(a) no último ano de curso de graduação ou pós-graduação nas áreas de Comunicação, Jornalismo, Publicidade, Relações Internacionais, Relações Públicas ou áreas afins; ou ter concluído recentemente curso de graduação ou pós-graduação; e Boa familiaridade com ferramentas de design, incluindo Canva, Adobe Première, Adobe Photoshop e CapCut.Fluência em português e nível avançado de inglês.Prazo para candidaturas:As inscrições vão até 30 de setembro de 2025. Acesse o edital completo e inscreva-se pelo portal de carreiras da ONU: https://careers.un.org/jobSearchDescription/284893?language=en Após a conclusão satisfatória do estágio, certificado oficial de reconhecimento é emitido pelas Nações Unidas. Sobre o UNIC Rio:Estabelecido em 1947, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) foi o primeiro escritório da rede de UNICs na América Latina.Os UNICs são um elo ativo entre as pessoas, os meios de comunicação, as instituições educacionais, organizações não-governamentais e a ONU. Eles oferecem informações atualizadas sobre o trabalho da ONU e promovem campanhas e oportunidades de engajamento das pessoas no trabalho das Nações Unidas. Visite a página do UNIC Rio para mais informações: https://www.un.org/pt/rio
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21 setembro 2026
Iniciativa endossada pela ONU abre chamada para projetos de conservação e restauração de manguezais
O Fundo Blue Catalyst (BCF) foi criado para enfrentar obstáculos que podem dificultar o avanço de projetos de carbono azul, como custos elevados de desenvolvimento, necessidades técnicas especializadas, incertezas regulatórias e acesso limitado a recursos financeiros. A iniciativa busca apoiar projetos desde a avaliação de viabilidade até etapas mais avançadas de desenvolvimento e preparação para investimentos.Formas de apoioO BCF oferece diferentes modalidades de apoio, adaptadas ao estágio de desenvolvimento de cada projeto.Apoio técnico e desenvolvimento do projeto: os projetos receberão de 8 a 16 meses de apoio estruturado. Esse apoio tem como objetivo estabelecer a viabilidade ou avançar na elaboração e validação do projeto, rumo à preparação para o investimento;Assessoria financeira e transacional: os projetos também poderão contar com apoio especializado para a elaboração de modelos financeiros, orçamentos e projeções, além da análise de indicadores financeiros e demonstração de resultados;Financiamento baseado em marcos: no início do programa, cada projeto selecionado elaborará, em conjunto com o BCF, um plano de trabalho com atividades e resultados esperados para cada etapa. Quem pode se candidatarA chamada busca projetos de conservação e/ou restauração de manguezais com potencial para gerar impactos positivos para o clima, a biodiversidade e os meios de subsistência das comunidades. Os projetos devem estar localizados em contextos com condições legais e regulatórias que permitam seu desenvolvimento.São considerados dois estágios de desenvolvimento:Pré-viabilidade: destinado a projetos que apresentam uma oportunidade relacionada à conservação ou restauração de manguezais, mas ainda não concluíram uma avaliação robusta de viabilidade. Nessa modalidade, os projetos recebem até oito meses de apoio para estabelecer sua viabilidade.Pós-viabilidade: voltado a projetos que já demonstraram sua viabilidade e estão prontos para avançar para as etapas de concepção, validação e preparação para investimentos. Nessa modalidade, são previstos até 16 meses de apoio.Processo de seleçãoO processo de candidatura e seleção está dividido em quatro etapas. Primeiro, os interessados devem preencher um Questionário de Elegibilidade, que leva aproximadamente 15 a 20 minutos. Após o envio, os candidatos serão informados, em até três dias úteis, se atendem aos critérios para avançar.Os projetos considerados elegíveis serão convidados a preencher uma Avaliação Completa, com informações sobre o estágio de desenvolvimento, a preparação para investimentos, o perfil de risco e a atratividade comercial da iniciativa.Na etapa seguinte, os projetos pré-selecionados serão convidados para uma entrevista de aproximadamente 75 minutos com a equipe do BCF. Também serão realizadas etapas de due diligence e verificação de informações cadastrais e de conformidade.Os projetos selecionados seguirão para a contratação. Nessa fase, a equipe do BCF, o parceiro técnico responsável e os desenvolvedores trabalharão conjuntamente na elaboração de um plano de trabalho personalizado. Sobre o Fundo Blue CatalystO Fundo Blue Catalyst é liderado pela Fair Carbon e pela Finance Earth e reúne especialistas em desenvolvimento de projetos de carbono azul, assessoria financeira e transações. A iniciativa busca reduzir barreiras técnicas e financeiras para que projetos de conservação e restauração de ecossistemas costeiros alcancem condições para receber investimentos.O BCF é reconhecido como uma Contribuição da Década do Oceano, iniciativa coordenada pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO no âmbito da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. A iniciativa integra os esforços da Década relacionados à proteção e restauração de ecossistemas e à promoção de uma economia oceânica sustentável.Saiba maisAs informações completas sobre os critérios de elegibilidade, as etapas de candidatura e as modalidades de apoio estão disponíveis no site do Fundo Blue Catalyst e no documento de informações para pessoas interessadas.
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