Redes sociais têm sido mais usadas por traficantes de mulheres e meninas durante a pandemia

  • O Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) afirmou nesta quarta-feira (11) que mulheres e meninas continuam sendo as principais vítimas do tráfico. 
  • Em documento publicado, o CEDAW explicou que com o desenvolvimento das redes sociais e de aplicativos de bate-papo o acesso a potenciais vítimas por traficantes aumentou durante os bloqueios da COVID-19, já que não podiam usar os meios tradicionais para recrutar mulheres e meninas para exploração sexual.  
  • O CEDAW pede aos governos que busquem todos os meios apropriados para eliminar este tipo de tráfico, com destaque ao “uso crescente da mídia social para recrutar vítimas de tráfico durante a pandemia”. 
Devido às restrições impostas pelas pandemia, traficantes procuraram vítimas na internet.
Devido às restrições impostas pelas pandemia, traficantes procuraram vítimas na internet.

O Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) afirmou nesta quarta-feira (11) que mulheres e meninas continuam sendo as principais vítimas do tráfico.

O CEDAW publicou um documento com recomendações sobre a realidade do tráfico agora, que vai “muito além do mundo off-line, ressaltando tendências recentes do tráfico no ciberespaço”.  

A pandemia global revelou a necessidade urgente de abordar o uso da tecnologia digital no e contra o tráfico”, disse a líder do grupo do CEDAW que produziu as recomendações, Dalia Leinarte. Para ela, “combater o tráfico também é desestimular a demanda”.

Com o desenvolvimento das redes sociais e de aplicativos de bate-papo foi alarmante o acesso a potenciais vítimas por traficantes que, durante os bloqueios da COVID-19, não podiam usar os meios tradicionais para recrutar mulheres e meninas para exploração sexual.  

O CEDAW pede aos governos que busquem todos os meios apropriados para eliminar este tipo de tráfico, com destaque ao “uso crescente da mídia social para recrutar vítimas de tráfico durante a pandemia”.  

Para o Comitê, as autoridades também devem abordar as causas profundas que levam mulheres e meninas a enfrentar situações de vulnerabilidade.  

Esses desafios vão desde a discriminação baseada no sexo, as injustiças socioeconômicas nos países de origem, as políticas de migração com preconceito de gênero e sistemas de asilo em países estrangeiros, bem como conflitos e emergências humanitárias. 

O pedido feito às empresas de redes sociais e de mensagens de bate-papo é que criem mecanismos de controle para mitigar o risco de expor mulheres e meninas ao tráfico e à exploração sexual. Outra recomendação é que estas companhias usem seus grandes dados para identificar traficantes e as partes envolvidas na demanda. 

Proteção e ajuda 

De acordo com a representante, “o tráfico é um crime de gênero, intimamente ligado à exploração sexual”. Ela acrescentou que os Estados-membros devem criar condições adequadas para garantir que as vítimas de sexo feminino estejam livres do perigo do tráfico.  

Uma das principais sugestões é a criação de novas políticas públicas que garantam autonomia as mulheres, a igualdade de acesso à educação e oportunidades de trabalho. Outra recomendação é que seja criada uma estrutura de migração segura com perspectiva de gênero para proteger mulheres e meninas migrantes.  

O CEDAW ressalta ainda a importância de sistemas abrangentes de proteção e assistência para ajudar as deslocadas em situações como conflitos e emergências. 

Para o órgão, combater este tipo de tráfico no contexto da migração global requer o engajamento da estrutura de proteção mais ampla já prevista em leis internacionais humanitárias, de refugiados e no direito penal, direito do trabalho e no direito internacional privado.  

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
UNIC
Centro de Informação das Nações Unidas