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Chefe da OMS alerta para um “fracasso moral” da vacinação contra COVID-19

19 janeiro 2021

  • O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS),  Tedros Ghebreyesus,  alertou nesta segunda-feira (18) para a necessidade de se distribuir a vacina contra a COVID-19 de forma equitativa.   
  • O chefe da agência discursou ao Conselho Executivo da OMS dizendo que “o mundo está à beira de um fracasso moral catastrófico e o preço desse fracasso será pago com vidas e meios de subsistência nos países mais pobres do mundo”. 
  • Até o momento, mais de 39 milhões de doses da vacina foram administradas em pelo menos 49 países de alta renda. Segundo Tedros, na Guiné-Equatorial, um país de baixa renda, apenas 25 doses foram distribuídas até o momento. 
Diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou o aumento de casos e a lotação de hospitais em diversas parte do mundo.
Legenda: Diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou o aumento de casos e a lotação de hospitais em diversas parte do mundo.
Foto: © Evan Schneider/ONU

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira (18) para a necessidade de se distribuir a vacina contra a COVID-19 de forma equitativa.   

O chefe da agência discursou ao Conselho Executivo da OMS dizendo que “o mundo está à beira de um fracasso moral catastrófico e o preço desse fracasso será pago com vidas e meios de subsistência nos países mais pobres do mundo”.  

Até o momento, mais de 39 milhões de doses da vacina foram administradas em pelo menos 49 países de alta renda. Segundo Tedros, na Guiné-Equatorial, um país de baixa renda, apenas 25 doses foram distribuídas até o momento. 

Ao lembrar as pandemias de HIV e H1N1, Tedros afirmou que a comunidade internacional tem a oportunidade de mudar a história desta vez. 

Para ele, “é certo que todos os governos desejam priorizar a vacinação de seus profissionais de saúde e idosos, mas não é certo que adultos jovens e saudáveis em países ricos sejam vacinados antes de profissionais de saúde e idosos em países mais pobres”. 

Segundo ele, “haverá vacina suficiente para todos”, mas agora é o momento de “trabalhar como uma família global para priorizar os que correm maior risco de doenças graves e morte, em todos os países”. 

Solução 

Nos últimos nove meses, o Acelerador ACT e o COVAX criaram as bases para a distribuição e implantação equitativas de vacinas. 

As iniciativas compraram 2 bilhões de doses, de cinco produtores, e têm opções para adquirir mais 1 bilhão de doses. A OMS pretende iniciar as entregas em fevereiro. 

Tedros afirmou, no entanto, a promessa de acesso equitativo corre sério risco. Alguns países e empresas continuam priorizando negócios bilaterais, elevando os preços. No ano passado, 44 acordos bilaterais foram assinados e pelo menos 12 já foram firmados este ano. E a maioria dos fabricantes deu prioridade à aprovação nos países ricos, em vez de enviar dossiês completos à OMS.  

Tedros disse que essa situação “cria exatamente o cenário que a COVAX foi projetada para evitar um mercado caótico, uma resposta descoordenada e uma contínua interrupção social e econômica”. 

O chefe da agência afirmou que “a equidade da vacina não é apenas uma obrigação moral, mas sim uma obrigação estratégica e econômica”. 

Segundo um estudo recente, a alocação equitativa cria pelo menos US$ 153 bilhões em benefícios econômicos para os 10 maiores países de alta renda. Até 2025, esse valor sobe para US$ 466 bilhões, mais de 12 vezes o custo total do Acelerador ACT. 

Esse ano, o tema do Dia Mundial da Saúde, marcado em 7 de abril, é desigualdade em saúde.  

Tedros Ghebreyesus pediu que, até essa data, a vacinação tenha começado em todos os países.  

Chefe da OMS alerta para um “fracasso moral” da vacinação contra COVID-19

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