Palestina deixa território de guerra para ensinar idiomas e ajudar imigrantes em São Paulo

No Brasil há 6 anos por conta da guerra que assola a Síria há uma década, Nour ensina inglês e árabe e troca experiências de vida.

A palestina refugiada prefere não ter a identidade revelada. Ela ensina árabe e inglês, agora online por conta da COVID-19
A palestina refugiada ensina árabe e inglês, agora online por conta da COVID-19

Nour tem ascendência palestina e deixou a Síria por conta da guerra, que persiste há exatamente uma década. Desde que chegou ao Brasil, em 2015, ela integra a ONG Abraço Cultural, em São Paulo, que oferece experiências de trocas culturais através de aulas de diferentes idiomas com professores refugiados.

“Eu tenho formação acadêmica como tradutora e já atuava parcialmente como professora de idiomas na Síria. Quando eu comecei a trabalhar no Abraço Cultural, fiquei apaixonada pelo propósito da organização de ensinar como forma de promover experiências de vida”, afirma a professora de inglês e árabe. Antes de vir para o Brasil, Nour planejava ter uma ONG na Síria para dar consultorias de gestão de negócios para o terceiro setor. O projeto foi adiado pelo conflito.

Em terras brasileiras, além de ensinar idiomas, ela trabalha no Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI), que oferece acolhimento e atendimento especializado aos demais refugiados e migrantes da cidade de São Paulo. Ela também é voluntária no Conselho Municipal de Imigrantes. Atualmente, com a complexa nova realidade imposta pela pandemia da COVID-19, a preocupação inicial sobre o remanejamento das aulas para garantia da renda e dos aprendizados deu lugar a um novo modelo de gestão, que reforçou a solidariedade entre todos os envolvidos. “Tivemos que adaptar as aulas presenciais para as virtuais. Mas essa experiência vai nos ajudar a crescer profissionalmente e melhorar nossas habilidades técnicas. Os coordenadores da ONG se esforçaram para rapidamente implementar uma infraestrutura adequada,” explica a palestina.

Nour conta que os alunos mantiveram o interesse pelas aulas e os professores ampliaram as referências de ensino, compartilhando mais conteúdos e desenvolvemos novas capacidades.

“Nesse momento, nossos esforços individuais devem ser para o bem coletivo. Se por meio da minha aula eu conseguir fazer com que alguém alcance seus sonhos, será uma realização para mim”, completa a palestina, que prefere não ter a identidade ou foto divulgadas porque teme represálias à família, que continua morando na Síria.

A história de Nour está na plataforma Refugiados Empreendedores, que dá visibilidade aos negócios liderados por empresários refugiados e foi desenvolvida pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados).

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados