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Cidades estão na "linha de frente" contra mudança climática, defende Guterres

19 abril 2021

  • ​​​​​O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou o papel das cidades no combate à mudança climática e recuperação da pandemia de COVID-19 no encontro virtual do Grupo C40 de Grandes Cidades para a Liderança Climática, na sexta-feira (19). 
  • De acordo com Guterres, as cidades e centros urbanos estão “na linha da frente” da crise climática, emitindo mais de 70% dos gases de efeito estufa globais, bem como enfrentando riscos que vão desde a elevação do nível do mar até tempestades mortais.
  • O secretário-geral destacou a importância de acabar com o uso do carvão como “o passo mais importante” que o mundo pode dar para garantir que o aumento da temperatura seja limitado a 1,5 grau Celsius.
  • “As cidades têm mais a ganhar com a eliminação do carvão: ar limpo, espaços verdes ao ar livre, pessoas mais saudáveis”, disse ele. Em 2030, pelo menos 80% da geração de energia nas cidades deve ser proveniente de fontes renováveis.  
São Paulo
Legenda: Mais de metade da população mundial vive em cidades. Até 2050, quase sete em cada dez pessoas vão residir em zonas urbanas.
Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou o papel das cidades no combate à mudança climática e recuperação da pandemia de COVID-19 no encontro virtual do Grupo C40 de Grandes Cidades para a Liderança Climática, na sexta-feira (19). O grupo já inclui mais de 90 centros urbanos, entre eles Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. 

De acordo com Guterres, as cidades e centros urbanos estão “na linha da frente” da crise climática, emitindo mais de 70% dos gases de efeito estufa globais, bem como enfrentando riscos que vão desde a elevação do nível do mar até tempestades mortais.

Mas as cidades também podem impulsionar a ação climática, a energia limpa e o desenvolvimento sustentável, por meio de estratégias e políticas mais eficazes, especialmente à medida que se recuperam dos impactos da pandemia do coronavírus, acrescentou.

“O investimento em recuperação é uma oportunidade geracional para colocar a ação climática, a energia limpa e o desenvolvimento sustentável no centro das estratégias e políticas das cidades”, disse o secretário-geral.

Mais de metade da população mundial vive em cidades. Até 2050, quase sete em cada dez pessoas vão residir em zonas urbanas. Mais de 90% desse crescimento deve ocorrer em países em desenvolvimento.

Atualmente, 50 milhões de residentes urbanos já enfrentam efeitos do aumento do nível do mar e de tempestades frequentes ou severas. Até meados do século, mais de 3,3 bilhões de moradores de cidades poderão ficar sob risco de impactos climáticos severos.

“A forma como projetamos geração de energia, transporte e edifícios nas cidades - como projetamos as próprias cidades - será decisiva para entrar no caminho para alcançar o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”,

 

António Guterres, secretário-geral da ONU

Três frentes de atuação - O chefe da ONU pediu uma ação urgente em três áreas principais. Em primeiro lugar, instou prefeitos a trabalhar com os líderes nacionais para desenvolver e apresentar Contribuições Nacionalmente Determinadas ambiciosas antes da 26ª sessão da Conferência das Partes (COP26) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre o Clima Mudança (UNFCCC), em novembro deste ano em Glasgow, no Reino Unido.

Em outra frente, Guterres também apelou aos líderes locais para comprometer suas cidades com as emissões líquidas zero até 2050 e fazer planos ambiciosos para a próxima década.

Por último, pediu que usassem a recuperação da pandemia de coronavírus para acelerar o investimento e a implementação em infraestrutura e sistemas de transporte limpos e verdes.

Fim do uso de carvão -  O secretário-geral destacou a importância de acabar com o uso do carvão como “o passo mais importante” que o mundo pode dar para garantir que o aumento da temperatura seja limitado a 1,5 grau Celsius.

“As cidades têm mais a ganhar com a eliminação do carvão: ar limpo, espaços verdes ao ar livre, pessoas mais saudáveis”, disse ele. Em 2030, pelo menos 80% da geração de energia nas cidades deve ser proveniente de fontes renováveis.  

Guterres também observou que as inovações no transporte urbano e no planejamento urbano ajudariam ainda mais a reduzir as emissões e a melhorar o bem-estar. As redes de transporte lançam 14% das emissões globais na atmosfera. 

Exemplos - Guterres deu alguns exemplos de como as cidades já estão tendo sucesso na ação climática. Desde as novas linhas de teleférico na Cidade do México, à promessa de Johanesburgo de ter emissões líquidas zero para todos os edifícios até 2030 ou o objetivo de Lisboa de multiplicar a produção de energia solar 50 vezes.

Para ele, o desafio é acelerar e aumentar a escala. As principais áreas de ação são a eliminação progressiva do carvão e o investimento em edifícios e sistemas de transporte inteligentes.

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