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OMS alerta que desigualdade na vacinação está levando a uma “pandemia de duas vias”

08 junho 2021

  • Embora os casos e mortes pela COVID-19 tenham diminuído nas últimas semanas no mundo, regiões na África, nas Américas e no Pacífico Ocidental tiveram aumento nas mortes na última semana, destacou o principal oficial de saúde da ONU na segunda-feira (7).
  • “A vacinação desigual é uma ameaça para todas as nações, não apenas para aquelas com menos vacinas”, alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus chamando a atenção para o risco de surgimento de novas variantes.
  • O diretor-geral da OMS reforçou seu apelo para que os países contribuam com a meta da OMS de vacinar ao 10% da população mundial até setembro e 30% até dezembro.  Até agora, quase 44% das doses de vacinas foram administradas em países ricos. Nas nações mais pobres, o número é de apenas 0,4%.
  • Tedros também aconselhou cautela aos países que estão suspendendo suas restrições, dado o aumento da transmissão global de variantes de preocupação que podem ter consequências desastrosas para aqueles que ainda não foram inoculados.
Indígena recebe a vacina contra a COVID-19 no Brasil
Legenda: Indígena recebe a vacina contra a COVID-19 no Brasil
Foto: © OPAS

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a distribuição desigual de vacinas permitiu que o vírus continuasse se espalhando, aumentando assim as chances de uma variante emergente que poderia tornar esses imunizantes ineficazes.

“A vacinação desigual é uma ameaça para todas as nações, não apenas para aquelas com menos vacinas”, alertou ele em seu último comunicado feito na sede da OMS em Genebra, na segunda-feira (7).

“Uma imagem mista” - Até segunda-feira, havia mais de 173 milhões de casos confirmados de COVID-19 em todo o mundo, incluindo 3,7 milhões de mortes.

Tedros relatou que os novos casos diminuíram por seis semanas e as mortes por cinco semanas. Apesar desses "sinais encorajadores", ele disse que o progresso continua "um quadro misto", já que na semana passada, as mortes aumentaram na África, nas Américas e no Pacífico Ocidental.

“Cada vez mais, vemos uma pandemia de duas vias: muitos países ainda enfrentam uma situação extremamente perigosa, enquanto alguns dos que têm as maiores taxas de vacinação começam a falar em acabar com as restrições”, disse ele a jornalistas.

Tedros aconselhou cautela ao suspender as restrições, dado o aumento da transmissão global de variantes de preocupação, já que as consequências podem ser desastrosas para aqueles que ainda não foram inoculados.

Enquanto isso, muitos países ainda não têm vacinas suficientes. Até agora, quase 44% das doses foram administradas em países ricos. Nas nações mais pobres, o número é de apenas 0,4%.

A ONU tem pressionado os governos para que compartilhem as doses excedentes com a iniciativa global de vacinas igualitárias COVAX . Vários países prometeram doações, que Tedros espera que logo sejam cumpridas.

Apelo aos líderes do G7 - O chefe da OMS recentemente pediu um esforço global para vacinar pelo menos 10% da população mundial até setembro e 30% até dezembro. Alcançar a meta de setembro exigirá 250 milhões de doses adicionais, com 100 milhões necessárias apenas em junho e julho.

Com a cúpula do G7 ocorrendo neste fim de semana, Tedros fez um apelo aos líderes. 

“Essas sete nações têm o poder de cumprir essas metas. Peço ao G7 que não se comprometa apenas com a distribuição das doses, mas que se comprometa a compartilhá-las em junho e julho”, disse.

“Também peço a todos os fabricantes que concedam à COVAX o direito de recusa em um novo volume de vacinas, ou que comprometam 50% de seus volumes com a COVAX este ano”, acrescentou.

Investir na produção - O líder da OMS também destacou a importância de investir na produção de vacinas em países de baixa renda, inclusive para imunizações de rotina.  

Ele observou que várias nações estão fazendo progressos nesta área, após o lançamento de uma parceria da União Africana para a fabricação de vacinas.

Da mesma forma, várias empresas e países expressaram interesse em participar de um plano da OMS para estabelecer um centro de transferência de tecnologia para facilitar a produção global de vacinas de mRNA. Uma avaliação técnica está em andamento.

“A maior barreira para acabar com a pandemia continua sendo o compartilhamento: de doses, de recursos, de tecnologia”, disse Tedros.

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Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

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