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Museu Nacional completa 203 anos em meio a avanços na reconstrução e chegada de novos acervos

09 junho 2021

  • Em resposta ao desafio de reconstrução do Museu Nacional, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e o Instituto Cultural Vale firmaram um acordo de cooperação técnica para implementação do Projeto Museu Nacional Vive.
  • Desde o trágico incêndio de setembro de 2018, as organizações comprometidas com a restauração do espaço anunciam novidades sobre a reconstrução da mais antiga instituição científica do Brasil. Os avanços incluem a chegada de 27 peças greco-romanas, datadas entre os séculos 550 a.C. e 550 d.C. 
  • O Museu Nacional completou 203 anos no último dia 6 de junho.
Legenda: O museu foi atingido por incêndio de grandes proporções no dia 2 de setembro de 2018
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

O Museu Nacional/UFRJ completou 203 anos no último dia 6 de junho. Em meio às celebrações, a direção do Museu, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e demais parceiros do Projeto Museu Nacional Vive anunciam, nesta quarta-feira (9), novidades sobre a reconstrução da mais antiga instituição científica do Brasil. Os avanços incluem a chegada de 27 peças greco-romanas, datadas entre os séculos 550 a.C. e 550 d.C.  

Desde o trágico incêndio de setembro de 2018, as organizações comprometidas com a restauração do espaço relatam avanços. Em julho, serão finalizados os trabalhos de higienização e proteção dos bens integrados do Paço de São Cristóvão e do Jardim das Princesas. Em agosto, terão início as obras nas fachadas e coberturas do Bloco 1 (histórico) do Paço. 

Ainda no segundo semestre deste ano, começam as obras nos jardins históricos e o desenvolvimento do projeto de museografia. Em novembro, por fim, termina a reforma da Biblioteca Central do Museu Nacional/UFRJ, uma das mais importantes do Brasil, com um acervo de 500 mil livros, sendo 1.500 peças raras. 

Conquistas e desafios - De acordo com a diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, “os trabalhos avançam sob a orientação de um conjunto de especialistas em preservação e recuperação do patrimônio, reforçando o compromisso do Projeto Museu Nacional Vive de respeitar a trajetória histórica e cultural do palácio e de seu entorno".

Com ações importantes da comunidade brasileira e da comunidade internacional, vamos progredindo para reabrir as portas desta importante instituição bicentenária que representa tanto para o patrimônio científico e cultural do Brasil e do mundo”, avalia a representante da UNESCO no Brasil.   

Para o diretor do Museu Nacional/UFRJ, Alexander Kellner, “um dos maiores desafios atuais da instituição é a recomposição de seus acervos. Por isso, temos a alegria de anunciar o recebimento de uma coleção greco-romana bastante significativa, que vai enriquecer a futura exposição de longa duração do Museu e contribuir com pesquisas científicas na área”. 

“Celebramos esta data com muita alegria, pois são 203 anos de vida e compromisso com a produção científica e a formação cultural do povo brasileiro. Em conjunto com toda a comunidade da UFRJ e os parceiros nacionais e internacionais, temos a certeza de que vamos reconstruir e devolver o nosso mais antigo museu de história natural à sociedade”, aponta a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Pires de Carvalho.  

“Celebrar os 203 anos do Museu Nacional é celebrar também a ciência, a história natural, a antropologia, a educação. E, este ano, a data ganha um valor ainda mais especial ao vermos os avanços dessa reconstrução e o engajamento de tantos parceiros e organizações da sociedade que se uniram em torno do Projeto Museu Nacional Vive. A Vale está comprometida em devolver este museu para a sociedade brasileira, apoiando, não apenas com recursos financeiros, mas também com a expertise do Instituto Cultural Vale”, afirma Luiz Eduardo Osorio, vice-presidente executivo de relações institucionais e comunicação da Vale e presidente do Painel de Especialistas do Instituto Cultural Vale. 

Sobre o projeto museu nacional vive - Em resposta ao enorme desafio de reconstrução do Museu Nacional, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e o Instituto Cultural Vale firmaram um acordo de cooperação técnica para implementação do Projeto Museu Nacional Vive que, atualmente, conta com o patrocínio platina do BNDES, Bradesco e Vale; apoio do Ministério da Educação (MEC), Bancada Federal do Rio de Janeiro, Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e do Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Para saber mais sobre a iniciativa, acesse aqui.  

Confira, abaixo, os principais avanços da restauração.

Coleção greco-romana - Foram recebidas 27 peças datadas dos períodos clássicos grego e romano. No acervo doado pelo diplomata aposentado e escritor gaúcho Fernando Cacciatore de Garcia, figuram peças em mármore, cerâmica, vidro, bronze, prata e terracota de importante valor histórico e científico. A peça mais antiga (550 a.C.) é um tijolo arquitetônico que ornamentava um templo na Grécia Oriental, território que, atualmente, pertence à Turquia. A mais recente é um copo de vidro ainda transparente e com design absolutamente contemporâneo que data de 550 d.C. “Assim, a coleção cobre mil anos da história da Antiguidade Clássica. Conscientemente, escolhemos exemplos dos três estilos da arte no período: o Arcaico, o Clássico e o Helenístico”, comenta de Garcia.  

Restauração do palácio - Com a intenção de proteger e recuperar os elementos históricos e artísticos que resistiram ao incêndio, seguem até o mês de julho de 2021 os trabalhos de higienização e proteção dos bens integrados do Paço de São Cristóvão e do Jardim das Princesas. Pisos, tronos, fontes, guirlandas, pinturas murais, ornamentos de salas e jardins históricos são alguns dos elementos que estão sendo protegidos. 

Biblioteca Central - Fundada em 1863, a Biblioteca Central do Museu Nacional/UFRJ é uma das mais importantes do Brasil e conta com um acervo de 500 mil livros, incluindo 1.500 obras raras. A maior obra de reforma e ampliação de sua história avança com os serviços de recuperação estrutural, impermeabilização, reforma do auditório, ampliação e modernização das salas de guarda, aulas e leituras. A obra, que será entregue em novembro de 2021, contempla ainda a instalação de rede de dados, segurança, câmeras e um moderno sistema de prevenção e combate a incêndio. 

Arquitetura e restauro - A realização de diagnósticos e estudos interdisciplinares entre estrutura, restauração e paisagismo marcam a etapa atual de desenvolvimento do projeto de arquitetura e restauro do Paço de São Cristóvão e seu prédio anexo. Especialistas contratados e servidores da UFRJ seguem dedicados à elaboração do projeto, que vai embasar as intervenções no edifício-monumento, respeitando a legislação e contemplando premissas internacionalmente referenciadas nas áreas de sustentabilidade, circulação, acessibilidade, segurança e conforto ambiental.  

Em maio, foi formado um Grupo Técnico de Gestão de Riscos, agregando especialistas de instituições como o Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais (ICCROM). Além de identificar possíveis riscos ao acervo e ao monumento, outro objetivo do GT é definir diretrizes e técnicas para o restauro, a gestão ambiental e a conservação preventiva.  

Projeto de paisagismo - Em março deste ano, também teve início o desenvolvimento do projeto de Paisagismo para o Jardim Terraço, Pátio do Chafariz, Jardim das Princesas, entorno da estátua de Dom Pedro II e o jardim contemporâneo na ala norte do Paço de São Cristóvão. Contando com a atuação de especialistas como Carlos Fernando de Moura Delphim, importante referência na área de jardins históricos, o projeto está sendo elaborado por meio de contrato firmado com o escritório EMBYÁ — Paisagens & Ecossistemas e será concluído em agosto de 2021.  

Promoção do acervo e transparência - Com o incentivo do Projeto Museu Nacional Vive, está no ar a exposição virtual “Os Primeiros Brasileiros”, apresentando a coleção do Museu Nacional que registra a diversidade e as narrativas dos povos indígenas. A plataforma disponibiliza ainda um Guia Didático, que incentiva e orienta a abordagem dos conteúdos em salas de aula. Foi lançado também o site do Projeto para conectar ainda mais os diversos públicos do Museu à sua reconstrução. O novo ambiente oferece conteúdo multimídia sobre o andamento das obras, dos projetos e outras atividades  

* Informações adicionais sobre a coleção recebida pelo Museu Nacional  

Os acervos recebidos foram doados pelo diplomata aposentado e escritor gaúcho Fernando Cacciatore de Garcia. Entre os 27 objetos, estão peças em mármore, cerâmica, vidro, prata, bronze e terracota de importante valor histórico e científico. A peça mais antiga (550 a.C.) é um tijolo arquitetônico que ornamentava um templo na Grécia Oriental, território que, atualmente, pertence à Turquia. A mais recente é um copo de vidro ainda transparente e com design absolutamente contemporâneo que data de 550 d.C.  

“É uma pequena coleção que cobre muitos aspectos da Antiguidade Clássica, com peças de grande valor artístico, como o Baco Menino e o deus Lar, em bronze dourado, produzidas por artistas talentosos, alguns deles integrantes das oficinas imperiais”, explica Garcia. No caso das peças gregas, a coleção cobre 1000 anos da história da Antiguidade Clássica, com exemplos de três estilos: o Arcaico, o Clássico e o Helenístico. A coleção foi montada, entre 1974 e 2004, a partir da aquisição de peças no Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Iorque, Londres, Paris, Amsterdã e Berlim.  

“A peça foi descoberta a partir de uma escavação em Nápoles, em 1835, e comprada pelo Cônsul-Geral da Suíça no Reino de Nápoles. O Baco menino ficou com a família até ser adquirido por mim, em 2001. Outro destaque é a parte de uma frisa que ornava um templo de cerca de 550 a.C. na Grécia Oriental, hoje Turquia. Nela está retratado um cavalo a galope com seu cavaleiro”, conta Garcia.   

No estilo arcaico estão a frisa com seu cavalo e cavaleiro, uma imagem da Grande Mãe (500 a.C.), as pinturas de figuras negras em uma pequena ânfora (vaso antigo com duas alças). No estilo clássico, uma cabeça de mármore romana de uma princesa contemporânea de Cristo, um kylix àtico (modelo de taça comum da Grécia antiga) com pinturas nas bordas inferiores, de 420/430 a.C. Do período helenístico, há uma cratera (antigo vaso utilizado para misturar vinho e água) com pinturas que mostram um casamento, com uma bacante tocando pandeiro; o torso em terracota de um jovem à maneira do escultor grego Scopas; o muito realista retrato romano de um militar do séc. III d.C., com expressão severa e preocupada com a decadência do Império Romano que já estava em andamento.  

“A coleção representa a importância do legado de Baco-Dionísio para o mundo de hoje. Por isso estão reunidas as vasilhas usadas para beber vinho. É importante lembrar que eram misturados uma porção de vinho da ânfora com água. Afinal, tomar vinho puro era sinônimo de barbarismo, tal como fazia o ciclope morto por Ulisses”, conta Garcia.

 

Museu Nacional completa 203 anos em meio a avanços na reconstrução e chegada de novos acervos

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNESCO
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa