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Variantes da COVID-19 estão “vencendo a corrida" contra as vacinas, adverte OMS

08 julho 2021

  • “Atualmente as variantes estão ganhando a corrida contra as vacinas por causa da produção e distribuição desigual das vacinas. Não precisava ser assim e não tem que ser assim daqui para frente”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante sua conferência quinzenal em Genebra.
  • Segundo Tedros, a disseminação de variantes também ameaça a recuperação econômica global. Para ele, "do ponto de vista moral, epidemiológico ou econômico", agora é a hora de o mundo se unir.
  • Ao lamentar o "marco trágico" de 4 milhões de mortos, o chefe da OMS alertou que muitos países estão vendo picos acentuados de casos e hospitalizações, enquanto as nações ricas com altas taxas de imunização estão abandonando as medidas de saúde pública “como se a pandemia já tivesse acabado”.
Um homem espera para ser testado para Covid do lado de fora de um hospital em Mumbai, Índia
Legenda: Um homem espera para ser testado para COVID-19 do lado de fora de um hospital em Mumbai, Índia
Foto: © Murgesh Bandiwadekar/UNICEF

Variantes como a delta estão “atualmente vencendo a corrida contra as vacinas”, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na quarta-feira, culpando diretamente a falta de produção e distribuição equitativa de vacinas.

Durante sua conferência quinzenal em Genebra, Tedros também demonstrou seu pesar pelo "marco trágico" de 4 milhões de mortes registradas em todo o mundo por COVID-19, acrescentando que o dado, no entanto, provavelmente subestima o número total de vítimas do vírus mortal.

O chefe da OMS alertou que muitos países estão vendo picos acentuados de casos e hospitalizações, enquanto as nações ricas com altas taxas de imunização estão abandonando as medidas de saúde pública “como se a pandemia já tivesse acabado”.

Uma onda de morte - A situação está levando a uma aguda escassez de oxigênio e tratamentos, além de gerar uma “onda de morte” em partes da África, Ásia e América Latina.

“Nesta fase da pandemia, o fato de milhões de profissionais da saúde ainda não terem sido vacinados é abominável”, acrescentou.

Tedros afirmou que o “nacionalismo das vacinas”, onde um punhado de nações ficou com a maior fatia, é “moralmente indefensável” e uma estratégia de saúde pública ineficaz contra um vírus respiratório que está se transformando rapidamente e se tornando cada vez mais bem-sucedido em infectar novos hospedeiros.

“Atualmente as variantes estão ganhando a corrida contra as vacinas por causa da produção e distribuição desigual das vacinas. Não precisava ser assim e não tem que ser assim daqui para frente”, ressaltou.

Ele disse que a disseminação de variantes também ameaça a recuperação econômica global, observando que do ponto de vista moral, epidemiológico ou econômico, agora é a hora de o mundo se unir.

Tedros pediu aos líderes das economias do G20, que se reunirão no final desta semana, para tomarem medidas urgentes para acabar com a fase aguda da pandemia, fornecendo o financiamento necessário para aumentar a produção e distribuição equitativas de ferramentas de saúde.

Legenda: De acordo com a OMS, variante delta já foi detectada em 104 países; a variante alfa em 173; a beta em 122; e a variante gama em 74.
Foto: © OMS

Curvas crescentes - O diretor executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan, disse aos jornalistas que embora tenha sido bom ver uma queda nas hospitalizações em países com altos níveis de vacinação, este ainda deve ser um momento de "extrema cautela" para os países.

“Quase todas as regiões tiveram um aumento de casos na última semana. Esta não é uma curva plana; é uma curva crescente. Fazer suposições de que a transmissão não aumentará por causa das vacinas é uma suposição falsa”, disse Ryan.

“A transmissão aumenta quando você abre porque não temos vacinas (para todos) e ainda não temos certeza até que ponto a vacinação protege contra a capacidade de ser infectado ou ter transmissão progressiva”, explicou.

O líder de emergências da OMS acrescentou que com o aumento da transmissão comunitária, os mais vulneráveis ​​- os mais velhos e as pessoas com doenças subjacentes - estarão em risco, especialmente em países onde os programas de vacinação ainda não os alcançaram.

Variantes prosperando - A chefe técnica da OMS para à COVID-19, Maria Van Kerkhove, alertou que existem mais de duas dezenas de países com curvas epidêmicas “quase verticais" neste momento. "Esta não é a situação em que deveríamos estar, quando temos ferramentas agora”, afirmou.

A epidemiologista disse que a variante delta já foi detectada em 104 países; a variante alfa em 173; a beta em 122; e a variante gama em 74.

“Alguns países têm todas essas quatro variantes de preocupação em circulação. A variante delta tem transmissibilidade ainda maior do que a variante alfa. Se esse vírus se instalar, vai se espalhar”, alertou.

Ela lembrou que o vírus continua a sofrer mutações e mudanças, incluindo a variante delta, mas disse que “ainda podemos ter a vantagem”.

“Vamos usar as ferramentas de que já dispomos para manter a transmissão baixa. Se cuide, seja esperto. O vírus está nos dominando agora e precisamos retomar o controle”, destacou Van Kerkhove.

Números mais recentes - Na semana passada, o número de novos casos de COVID-19 aumentou ligeiramente, enquanto o número de novas mortes continuou a diminuir, com mais de 2,6 milhões de novos casos e pouco menos de 54 mil novas mortes relatadas globalmente.

Este é o menor número de mortalidade semanal desde o início de outubro de 2020, de acordo com a atualização epidemiológica semanal da OMS.

O número acumulado de casos relatados globalmente agora ultrapassa 183 milhões.

Na semana passada, todas as regiões relataram um aumento de novos casos, exceto nas Américas. A região europeia relatou um aumento acentuado na incidência (30%), enquanto a região africana relatou um aumento acentuado na mortalidade (23%) em comparação com a semana anterior. Todas as regiões, exceto as Américas e o Sudeste Asiático, relataram aumento no número de mortes.

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