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“O tempo está se esgotando”, diz chefe da ONU sobre ação climática

05 outubro 2021

  • Em uma reunião ministerial antecedendo a COP26, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou sobre a falta de compromisso dos Estados-membros com ações climáticas.
  • O chefe da ONU insistiu que o tempo está se esgotando e que a sociedade civil segue impaciente e preocupada com a falta de empenho de líderes políticos em reverter a crise climática que assola o mundo. 
  • Guterres incentivou que os ministros presentes trabalhassem por metas mais ambiciosas e ações imediatas. Segundo ele, se os países não atualizarem as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o que nos espera é um futuro "catastrófico" de 2,7º C de aquecimento global, quase o dobro da meta ideal de 1,5º C.
  • O secretário-geral também lamentou que apenas 25% do orçamento climático estabelecido em 2015 tenha sido arrecadado, e, o fato de que dentro dessa porcentagem, insignificantes 0,1% correspondem ao financiamento privado esperado.
  • Por último Guterres defendeu que além do risco da necessidade de apoio financeiro quadruplicar, atingindo 300 bilhões de dólares por ano até o final desta década, o não cumprimento do compromisso orçamentário pode causar mortes e o fim de meios de subsistência de muitos.
Legenda: Comunidades agrícolas no arquipélago Vanuatu, no Oceano Pacífico, estão se adaptando a padrões climáticos mais secos
Foto: © Josh Estey/UNICEF

Faltando apenas um mês para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), o secretário-geral da ONU, António Guterres fez um apelo para que os países reduzam as emissões de gases estufa e dediquem-se ao financiamento de ações climáticas e ao apoio a mitigação dos danos ambientais. Guterres fez esta declaração na última reunião ministerial oficial em Milão, na Itália, na quinta-feira (30).

“Não consigo enfatizar o suficiente que o tempo está se esgotando. O ponto onde os danos climáticos tornam-se irreversíveis está assustadoramente próximo. A sociedade civil está observando de perto e está ficando impaciente”, alertou Guterres em um pronunciamento virtual sobre o tema.

O chefe da ONU pediu aos governos que intensifiquem os esforços para cumprir com o Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. O acordo de 2015 ainda exige que os países se comprometam com ações climáticas cada vez mais ambiciosas, por meio de planos conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). 

Guterres alertou que as atuais NDCs levarão a um aumento "catastrófico" de 2,7ºC e clamou por mais ambição e dedicação imediatas dos Estados-membros.

Ação imediata- “Só podemos cumprir a meta de 1,5ºC se todos os países do G20, que são responsáveis ​​por 80% das emissões globais, se comprometerem a ações mais decisivas com NDCs novas ou atualizadas”, insistiu Guterres ainda esperançoso que com o apoio das grandes economias do G20, as metas permanecerão alcançáveis.

Além disso, o chefe da ONU, ao mesmo tempo que estimulou os países desenvolvidos a assumirem a liderança, também pediu que as economias emergentes reduzissem ainda mais as emissões.

Enfatizando que "todos os líderes devem reconhecer que estamos no meio de uma emergência climática", o secretário-geral encorajou os governos a melhorarem suas metas NDCs e políticas domésticas "sempre que necessário e sem demora, até que estejamos coletivamente no caminho certo.” 

Carvão - Sobre as emissões, Guterres afirmou que a eliminação do carvão é o passo mais eficaz para limitar o aumento da temperatura global, e alertou que, apesar do progresso global alcançado no ano passado, ainda existe uma longa jornada para a exclusão completa do mineral.

Ele elogiou o recente anúncio da China sobre o fim do financiamento internacional de energia baseada no carvão e pediu que os bancos comerciais e outros financiadores privados fizessem o mesmo.

“E peço que coalizões de governos e instituições financeiras públicas e privadas se unam para ampliar os mecanismos financeiros existentes para retirar o carvão e financiar uma transição justa para o acesso universal à energia renovável”, insistiu o secretário-geral, ressaltando o papel fundamental de instituições financeiras para uma transição para energia limpa.

Orçamento- Ao abordar o tema do financiamento para ações climáticas,  o secretário-geral fez uma alusão à importância do compromisso firmado durante o Acordo de Paris. “Todos nós sabemos o que precisa ser feito. Os países desenvolvidos têm a responsabilidade de aumentar suas contribuições individuais e honrar seu compromisso coletivo de entregar os 100 bilhões de dólares prometidos por ano. Esta é uma questão essencial de confiança”, insistiu o chefe da ONU.

Enquanto isso, o apoio à adaptação “continua sendo a metade negligenciada da equação climática”, alertou Guterres, dando ênfase ao fato de que apenas 25% do financiamento climático foi alcançado, e, dentro dessa porcentagem, insignificantes 0,1% correspondem ao financiamento privado esperado.

Ele também pediu novamente aos doadores e bancos de desenvolvimento que depositem pelo menos metade de suas cotas para adaptação e resiliência climáticas, acrescentando que as necessidades estão aumentando a cada ano.

“Os países em desenvolvimento já precisam de 70 bilhões de dólares para adaptação, e esse número pode mais do que quadruplicar, atingindo 300 bilhões de dólares por ano até o final desta década. O não cumprimento do compromisso de financiamento significa uma perda massiva de vidas e meios de subsistência ”, lamentou.

Justiça climática - O secretário-geral incentivou os países a usarem a reunião ministerial para reconstruir a confiança necessária para tornar a COP26, em Glasgow, um sucesso.“Os jovens, em particular, continuam a liderar os apelos crescentes por mais ambição. Eles nos responsabilizarão. A justiça climática exige que deixemos a eles um planeta habitável”, destacou o chefe da ONU sobre o papel dos jovens na reversão da emergência climática.

Guterres continuou sua fala lembrando que os países devem ter uma visão de longo prazo e assumirem uma posição moral elevada “para que esta e as futuras gerações possam alcançar paz, oportunidade e dignidade para todos em um planeta saudável”, finalizou.

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