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Agremiações da América Latina e África debatem relevância mundial do algodão em evento da FAO

14 outubro 2021

Representantes de países da América Latina e África se reuniram em um evento virtual para comemorar o Dia Mundial do Algodão de 2021 no âmbito do projeto +Algodão.

A data internacional foi instituída em 2019 pela Organização Mundial do Comércio com o objetivo de dar visibilidade global à cultura. 

O algodão é responsável pela subsistência de milhões de pessoas, gerando cerca de 350 milhões de empregos em todo o mundo. Ele representa entre 75% e 80% da produção de fibras naturais no mundo.

O projeto +Algodão é implementado desde 2013 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a ABC/MRE e sete países parceiros: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti, Paraguai e Peru; com recursos financeiros do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

Legenda: Um grupo de refugiados trabalha com confecção de uniformes em algodão em um campo em Kiziba, em Ruanda
Foto: © F. Noy/ACNUR

No Dia Mundial do Algodão, comemorado em 7 de outubro, o projeto +Algodão, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), promoveu um evento virtual com representantes da América Latina e África no âmbito da Cooperação Sul-Sul. A data internacional foi instituída em 2019 pela Organização Mundial do Comércio (OMC) com o objetivo de dar visibilidade global a esta importante cultura. 

“Por meio do amplo portfólio de projetos que englobam o programa de cooperação brasileiro para o fortalecimento da cotonicultura em países em desenvolvimento, alcançamos resultados de grande importância para o setor, dando visibilidade internacional ao algodão”, disse o diretor-adjunto da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), embaixador Demétrio Carvalho

O Representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala, destacou a importância do algodão para a subsistência de milhões de pessoas, gerando cerca de 350 milhões de empregos em todo o mundo. 

“Em nossa região latino-americana, significa uma renda vital para as famílias agricultoras, gerando empregos e renda, além de contribuir muito para a segurança alimentar, principalmente nos países em desenvolvimento”, afirmou o representante da FAO. 

O projeto +Algodão é implementado desde 2013 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a ABC/MRE e sete países parceiros: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti, Paraguai e Peru; com recursos financeiros do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). 

Algodão latino-americano - Moderado pela oficial de Cooperação Sul-Sul da FAO, Dina Lopez, o primeiro painel do evento contou com apresentações do economista sênior da organização da ONU, ElMamoun Amrouk, e da Economista do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), Lorena Ruiz. 

Segundo Amrouk, o algodão representa entre 75% e 80% da produção de fibras naturais no mundo. Para a construção de um setor de algodão sustentável, ele apontou elementos como inovação para competir com as fibras sintéticas; a mobilização de tecnologias e recursos inovadores; o aumento da produção de algodão e a diminuição do uso de recursos, ou seja, investimentos. Amrouk destacou a necessidade de coerência política e maior coordenação entre os segmentos da cadeia de valor: "Devemos trabalhar lado a lado", disse ele

Lorena Ruiz destacou a crescente demanda por algodão orgânico. No entanto, ela apontou desafios, como o fornecimento de sementes para a produção orgânica e a questão da certificação. Ruiz acrescentou que o cultivo de algodão sustentável exige mais esforços e que não há oferta suficiente para essa demanda. Nesse sentido, ela destacou que as grandes marcas devem apoiar os agricultores desde o início da produção. “Muitos consumidores estão mais conectados com questões de sustentabilidade”. 

Fortalecimento do setor - O segundo painel abriu espaço para ouvir as agremiações algodoeiras da América Latina e da África. Cesar Pardo, representante da Confederação Colombiana do Algodão (CONALGODÓN), comentou que atualmente um dos temas importantes para esses grupos é a competitividade do algodão. 

“Estamos trabalhando para voltar aos bons tempos do algodão no país, atender a demanda nacional e exportar para alguns países da América Latina. Pensamos com esperança no futuro do algodão na Colômbia”, disse o representante da Confederação.

Já Celso Muchut, da Associação para a Promoção da Produção de Algodão na Argentina (APPA), comentou que no mundo há 350 milhões de pessoas que trabalham com algodão e mais de 7 milhões de pessoas compram roupas feitas com essa fibra. “A qualidade da fibra vem da parte produtiva; por isso, trabalhamos muito com produtores e técnicos, nos capacitando para a qualidade do cultivo”. 

Representando o Brasil, Marcio Portocarrero, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), explicou que a retomada da cotonicultura no Brasil se deu em 2000, com base no cooperativismo, no associativismo e na tecnologia de ponta. “Hoje, somos o segundo maior exportador do mundo e o quarto maior produtor de algodão do mundo. É a segunda cadeia produtiva que mais gera empregos no país”, afirmou. 

Do continente africano, o representante do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão de Moçambique (FONPA), José Domingos, apresentou a organização criada em 2005 pelos produtores de algodão com o objetivo de defender os interesses dos 25 mil associados, que representam mais de 280 mil produtores no país. “O novo plano estratégico do FONPA visa facilitar a organização dos produtores de algodão, fortalecer suas capacidades de prestação de serviços, melhorar a rentabilidade, entre outros”. 

Algodão: a fibra que une - Durante o evento foi lançada a animação 'Algodão: a fibra que nos une', produzida no âmbito do projeto +Algodão. Na narrativa animada, as personagens Ruan, Rosa e Alessandra explicam de forma simples e pedagógica os ciclos da cadeia algodoeira, desde o cultivo, passando pela transformação e a chegada ao consumidor. 

Organismos internacionais - A coordenadora do projeto +Algodão, Adriana Gregolin, falou sobre a iniciativa. Segundo Gregolin, foram necessários ajustes ao longo dos anos para uma visão mais abrangente da cadeia produtiva, com a inclusão de temas como inovação social, mercados inclusivos, entre outros. 

“Hoje estamos na terceira fase até 2024, onde buscamos construir a sustentabilidade dos resultados alcançados e da cadeia de valor do algodão”, afirmou. 

Gregolin acrescentou que este projeto também contribuirá para um modelo de produção sustentável validado por cinco países, com o apoio de todas as instituições brasileiras e nacionais: 

“Tudo isso para um sistema de produção onde tenhamos algodão e alimentos. Porque esta é a realidade em nossos países. Oitenta por cento dos cotonicultores dos países onde atuamos são pequenos produtores e exigem ações diferenciadas”, disse a coordenadora. 

O projeto Além do Algodão, executado pelo Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e pela ABC/MRE, foi apresentado por Albaneide Peixinho, Coordenadora do projeto. A iniciativa busca apoiar a vinculação de subprodutos do algodão e culturas afins e diversificadas, como milho e feijão, a mercados seguros, incluindo programas de alimentação escolar. 

Peixinho ressaltou que a principal missão é melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares por meio do fortalecimento dos canais de comercialização e do escoamento da produção sustentável certificada. “Não se trata apenas de plantar, é preciso oferecer educação alimentar e nutricional aos agricultores para que eles possam vender seus produtos para gerar renda e comprar outros alimentos que serão a base de sua dieta”. 

A coordenadora do projeto Promoção do Trabalho Decente nos países produtores de algodão, Fernanda Barreto, apresentou a iniciativa de cooperação Sul-Sul realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em conjunto com a ABC/MRE. 

Para a construção das ações do projeto, Barreto explicou que o primeiro passo foi a “identificação de fragilidades, como uso de agrotóxicos, falta de capacitação e mão de obra infantil”. 

A segunda etapa foi a identificação de soluções baseadas na cooperação Sul-Sul, como a promoção da associatividade, ações contra o trabalho infantil, promoção da segurança no trabalho, metodologias de formação e formação e qualificação profissional, entre outros. 

O evento foi encerrado por Haroldo Cunha, representando o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), que destacou as vantagens do algodão em termos de sustentabilidade em comparação a outras matérias-primas, como espaço de oportunidade para a fibra. Sobre o trabalho de cooperação, ele comentou que é uma iniciativa que respeita as características de cada país. 

“As experiências brasileiras são adaptadas de acordo com a realidade e as diferenças entre os países, potencializando assim o conhecimento de cada região”. Cunha destacou, ainda, a importância da organização dos agricultores para a sustentabilidade das ações e continuidade do fortalecimento do setor

Agremiações da América Latina e África debatem relevância mundial do algodão em evento da FAO

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

FAO
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
OIT
Organização Internacional do Trabalho
WFP
Programa Mundial de Alimentos

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa