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2,9 bilhões de pessoas nunca acessaram a internet

02 dezembro 2021

O número estimado de pessoas que se conectaram à internet aumentou para 4,9 bilhões em 2021, em parte devido às medidas de restrição, trabalho e estudo durante a pandemia. A descoberta faz parte do novo relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT), divulgado nesta semana.

Entretanto, 2,9 bilhões de pessoas ficaram para trás, sem nunca terem usado a internet. Destas, 96% vivem em países em desenvolvimento. Na África, apenas um terço da população possui acesso à internet. Em contrapartida, na Europa, 90% da população está conectada. 

A desigualdade no acesso à internet possui múltiplas faces. Jovens, homens e moradores urbanos são mais propensos a usarem a internet do que adultos mais velhos, mulheres e pessoas em áreas rurais. Pobreza, analfabetismo, acesso limitado à eletricidade e falta de habilidades digitais continuam a ser fatores que impulsionam a exclusão digital.

Uma adolescente se prepara para participar de uma aula virtual em casa em Monte Sinaí, no Equador
Legenda: Uma adolescente se prepara para participar de uma aula virtual em casa em Monte Sinaí, no Equador
Foto: © Santiago Arcos/UNICEF

Um novo relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT), divulgado na terça-feira (30), revela que cerca de 2,9 bilhões de pessoas nunca usaram a internet, sendo que 96% destas vivem em países em desenvolvimento. Ainda assim, o número estimado de pessoas que se conectaram neste ano aumentou para 4,9 bilhões, em parte por causa de um aumento da conectividade devido às medidas pandêmicas entre os países.   

Esse aumento é uma boa notícia para o desenvolvimento global, mas segundo a UIT a capacidade das pessoas de se conectar continua profundamente desigual. Principalmente porque centenas de milhões podem ficar online com pouca frequência, usando dispositivos compartilhados ou enfrentando velocidades de conexão que dificultam o uso da Internet. 

“Embora quase dois terços da população mundial esteja online, há muito mais a fazer para que todos se conectem à internet ”, disse o secretário-geral da UIT, Houlin Zhao. 

Aumento de conectividade - O relatório da agência da ONU aponta que o crescimento acentuado no número de pessoas online sugere que as medidas tomadas durante a pandemia contribuíram para o "aumento da conectividade em tempos de COVID-19". 

Estima-se que 782 milhões de pessoas a mais acessaram a internet desde 2019, um aumento de 17% devido a medidas como confinamentos, fechamento de escolas e necessidade de acesso a serviços como banco remoto.  

Crescimento desigual - De acordo com o documento, os usuários de serviços de internet cresceram globalmente mais de 10% no primeiro ano da crise da COVID-19, o maior aumento anual em uma década. Mas o crescimento tem sido desigual. 

A internet costuma ser inacessível nos países mais pobres e quase três quartos das pessoas nunca estiveram online nos 46 países menos desenvolvidos.  

Um abismo de conectividade - Falando em Genebra, Doreen Bogdan-Martin, diretora da ITU disse: “O abismo de conectividade é profundo entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Apenas um terço da população da África usa a Internet. Na Europa, quase 90% das pessoas possuem acesso, representando um grande abismo de conectividade entre as duas regiões, uma diferença de quase 60%".

"É isso que o secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou no seu plano, a Agenda Comum para o futuro, de um 'Grand Canyon de conectividade”', completou. 

Digitalmente excluídos - O relatório evidencia que pessoas mais jovens, homens e moradores urbanos são mais propensos a usar a internet do que adultos mais velhos, mulheres e pessoas em áreas rurais, com a diferença de gênero mais pronunciada nas nações em desenvolvimento. Pobreza, analfabetismo, acesso limitado à eletricidade e falta de habilidades digitais continuam a prejudicar as comunidades “digitalmente excluídas”. 

2,9 bilhões de pessoas nunca acessaram a internet

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UIT
União Internacional das Telecomunicações

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