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COVID-19: Não subestimem a Ômicron, alerta o chefe da OMS

15 dezembro 2021

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante Ômicron já foi detectada em 77 países e provavelmente está presente na maioria dos países do mundo. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que não podemos subestimar o vírus e seria um erro descartar a cepa como "leve”.

Tedros reafirmou que a recomendação da agência é que os países se preparem usando todas as ferramentas disponíveis ao mesmo tempo: vacinas, distanciamento, lavagem de mãos e ventilação. “As vacinas por si só não tirarão nenhum país desta crise. Os países podem - e devem - prevenir a disseminação da Ômicron com medidas que funcionam hoje”, salientou.

A desigualdade vacinal segue sendo uma grande preocupação. Cerca de 41 países ainda não conseguiram vacinar nem mesmo 10% de suas populações, e 98 países ainda não chegaram a 40%. No continente africano, que vê os casos subirem em ritmo acelerado, apenas 20 país atingiram 10% de sua população vacinada. No ritmo atual, meta de alcançar 70% da população vacinada só deve ser alcançada em agosto de 2024.

Para responder a este desafio, o presidente Assembleia Geral da ONU anunciou uma resolução de Ano Novo sobre a igualdade das vacinas. Abdulla Shahid convocou uma reunião de alto-nível para debater o tema no dia 13 de janeiro de 2022, com a meta de levar vacinas “para todos, em todos os lugares, no menor prazo".

Comunidades indígenas na Colômbia estão sendo vacinadas contra COVID-19
Legenda: Comunidades indígenas na Colômbia estão sendo vacinadas contra COVID-19
Foto: © Karen González Abril/OPAS

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante Ômicron já foi detectada em 77 países e provavelmente está presente na maioria dos países do mundo e, para o diretor-geral da agência, seria um erro descartar a cepa como "leve”. Tedros Adhanom Ghebreyesus falou a repórteres da sede da OMS em Genebra, na terça-feira (14).

“A Ômicron está se espalhando a uma taxa que não vimos em nenhuma variante anterior. Estamos preocupados que as pessoas estejam descartando a Ômicron como sendo leve”, disse ele. “Certamente, já aprendemos que subestimamos esse vírus por nossa conta e risco.”

Segundo Tedros, mesmo que a Ômicron cause doenças menos graves, o grande número de casos pode mais uma vez sobrecarregar os sistemas de saúde despreparados. “Preciso ser muito claro: as vacinas por si só não tirarão nenhum país desta crise. Os países podem - e devem - prevenir a disseminação da Ômicron com medidas que funcionam hoje”, alertou.

Medidas combinadas - O principal conselheiro de saúde do Reino Unido alertou na terça-feira que as infecções por Ômicron no país poderiam chegar a um milhão por dia, até o final deste mês, acrescentando que o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) enfrentaria uma pressão significativa se apenas uma fração dos recém-infectados precisasse ser hospitalizada - um cenário preocupante em um país onde cerca de 70% da população está totalmente vacinada.

Tedros alertou que fazer escolhas sobre estratégias para deter a pandemia era a abordagem errada. “Não se trata de vacinas em vez de distanciamento. Não são vacinas em vez de ventilação ou higiene das mãos. Faça tudo. Faça isso de forma consistente. Faça isso bem”, apelou.

Nas últimas 10 semanas, a iniciativa internacional de distribuição de vacinas, COVAX, despachou mais vacinas do que nos primeiros 9 meses do ano combinados, com a maioria dos países usando vacinas tão rápido quanto elas chegam.

“Um pequeno grupo de países está enfrentando desafios para distribuir vacinas e aumentar a escala de vacinação rapidamente. A OMS e nossos parceiros estão trabalhando em estreita colaboração com esses países para superar os gargalos”, relatou Tedros. “Embora esperemos mais melhorias no fornecimento, não há garantias e os ganhos que conquistamos com dificuldade são frágeis”, acrescentou.

Reforços, para alguns - Tedros disse que "a evolução das evidências sugere um pequeno declínio na eficácia das vacinas contra doenças graves e morte", observando que as implementações de reforço para todos os maiores de 18 anos para combater a variante em alguns países já começaram apesar da falta de evidências de que seriam eficazes.

“A OMS está preocupada que tais programas repitam a acumulação de vacinas que vimos este ano e exacerbem a desigualdade. Deixe-me ser muito claro: a OMS não é contra os reforços. Somos contra a desigualdade. Nossa principal preocupação é salvar vidas, em todos os lugares”, afirmou.

O chefe da OMS explicou que dar reforços a grupos de baixo risco, simplesmente põe em risco a vida daqueles que enfrentam maior risco, que ainda não receberam suas doses primárias, devido às restrições de abastecimento. Por outro lado, dar doses adicionais a pessoas de alto risco pode salvar mais vidas do que dar doses primárias a pessoas de baixo risco.

Priorize os mais vulneráveis - “Juntos, salvaremos o máximo de vidas garantindo que profissionais de saúde, idosos e outros grupos de risco recebam suas primeiras doses de vacinas”, defendeu Tedros.

Ele explicou que, na maioria dos países, aqueles que estão hospitalizados e morrendo são aqueles que não foram vacinados. “Portanto, a prioridade deve ser vacinar os não vacinados, mesmo em países com maior acesso às vacinas”, argumentou.

Para o líder da OMS, a prioridade em todos os países, em prol do esforço global para deter a pandemia, deve ser “proteger os menos protegidos, não os mais protegidos”.

Cerca de 41 países ainda não conseguiram vacinar nem mesmo 10% de suas populações, e 98 países ainda não chegaram a 40%.

“Se acabarmos com a desigualdade, acabamos com a pandemia. Se permitirmos que a desigualdade continue, permitiremos que a pandemia continue.”

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS

Casos aumentam na África – A OMS informou ainda que o continente africano teve um aumento de 83% dos casos na semana passada, impulsionado pelas variantes Delta e Ômicron.

A África registrou mais de 196.000 novos casos na semana passada, contra cerca de 107.000 na semana anterior, com o número de novos casos dobrando a cada cinco dias - a taxa mais rápida deste ano. O número mortes, no entanto, ainda é menor do que nos picos anteriores, o que pode mudar nas próximas semanas.

“Estamos cautelosamente otimistas de que as mortes e doenças graves permanecerão baixas na onda atual, mas a distribuição lenta da vacina na África significa que ambas serão muito maiores do que deveriam ser”, disse o diretor regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti.

mulher é vacinada contra COVID-19
Legenda: Apenas 20 países africanos vacinaram pelo menos 10% de sua população e apenas seis países atingiram a meta de final de ano de vacinar totalmente 40% de sua população.
Foto: © OMS

Meta não será alcançada até 2024 - A cobertura da vacinação permanece altamente variável em toda a região. Os dados atuais mostram que apenas 20 países africanos vacinaram pelo menos 10% de sua população, uma meta que a OMS havia estabelecido para setembro de 2021. E apenas seis países atingiram a meta de final de ano de vacinar totalmente 40% de sua população. Maurício e Seychelles lideram a vacinação no continente e alcançaram 70% de sua população.

No ritmo atual, a OMS estima que a África só alcançará 40% de cobertura em maio de 2022. A meta de alcançar 70% da população vacinada, essencial para controlar a pandemia, só deve ser alcançada em agosto de 2024.

Vacinação como resolução de ano novo – Ainda na terça-feira, o presidente da Assembleia Geral da ONU anunciou uma resolução de Ano Novo sobre a igualdade das vacinas, conclamando os governos a se unirem sobre esta questão. Abdulla Shahid marcou um evento de alto-nível para debater o tema no dia 13 de janeiro de 2022, com a meta de levar vacinas “para todos, em todos os lugares, no menor prazo".

“A menos que possamos vacinar o mundo, não há saída. Vemos diferentes tipos de variantes surgindo e isso vai continuar”, disse Shahid a jornalistas em Nova Iorque.

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