Rússia concorda que ONU lidere evacuações em Mariupol
26 abril 2022
Durante um encontro em Moscou com o presidente russo Vladimir Putin, o secretário-geral da ONU, António Guterres, conseguiu que as autoridades russas concordassem com o envolvimento das Nações Unidas e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em operações de evacuação na cidade ucraniana de Mariupol.
Milhares de pessoas estão cercadas no complexo siderúrgico e metalúrgico de Azovstal, na cidade portuária, uma das mais atingidas pelo conflito.
O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric informou que a partir de agora as discussões para efetivar essa evacuação serão conduzidas pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e pelo Ministério da Defesa da Rússia.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteve nesta terça-feira (26) em Moscou, para conversar pessoalmente com o presidente Vladimir Putin e com o ministro das Relações Exteriores do país, Sergey Lavrov. Como resultado do encontro, as autoridades russas concordaram que a ONU envolva-se na evacuação de civis que ainda estão na cidade ucraniana de Mariupol– uma das mais atingidas pelo conflito e onde milhares de pessoas e tropas ucranianas permanecem cercadas no complexo siderúrgico e metalúrgico de Azovstal.
“O presidente concordou, em princípio, com o envolvimento das Nações Unidas e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na evacuação de civis da fábrica de Azovstal, em Mariupol”, informou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. Ele também acrescentou que a partir de agora as discussões para efetivar essa evacuação serão conduzidas pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e pelo Ministério da Defesa da Rússia.
Como forma de garantir que os corredores de evacuação funcionem, o secretário-geral também propôs a criação de um Grupo de Contato Humanitário - composto por Rússia, Ucrânia e ONU - “para buscar oportunidades para a abertura de corredores seguros, com cessação local das hostilidades"
Conversa franca - Após conversar primeiramente com o ministro das relações exteriores russo, Guterres fez um balanço do encontro para a imprensa dizendo que teve "uma discussão muito franca" com Lavrov e que deixou claro que, para as Nações Unidas, a invasão de 24 de fevereiro é uma violação da integridade territorial da Ucrânia e vai contra a Carta da ONU. O secretário-geral também mencionou a “violenta batalha” em curso em Donbas, no leste da Ucrânia, observando que os muitos relatos de violações, bem como possíveis crimes de guerra, exigirão investigação independente para uma responsabilização eficaz.
Guterres também disse que estava na Rússia como um “mensageiro da paz”, reiterando que a ONU tem repetidamente apelado ao cessar-fogo para proteger os civis, bem como ao diálogo político para uma solução. “Estou profundamente convicto que quanto mais cedo terminarmos esta guerra, melhor. Tanto para o povo da Ucrânia, como para o povo da Federação Russa todos os outros”, disse o secretário-geral.
Na próxima quinta-feira (28), Guterres estará na Ucrânia, onde terá uma reunião de trabalho com o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, e será recebido pelo presidente Volodymyr Zelenskyy.