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Indígena brasileiro vence concurso de fotografia sobre crise climática

28 abril 2022

Um brasileiro ficou em primeiro lugar no concurso de fotografia Povos Indígenas e Comunidades Locais, realizado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).

Joanderson Gomes de Almeida, de 30 anos, é um indígena Pankararu do estado de Pernambuco e venceu o prêmio com a imagem “Puxamento do Cipó”, retratando parte da tradicional festa da Corrida do Imbu.

As imagens finalistas estão em exposição na sede da OMPI, em Genebra, na Suíça, até 6 de maio. 

A foto “Puxamento do Cipó” foi a vencedora do Prêmio de Fotografia Povos Indígenas e Comunidades Locais.
Legenda: A foto “Puxar da Videira” foi a vencedora do Prêmio de Fotografia Povos Indígenas e Comunidades Locais, realizado pela OMPI.
Foto: © Joanderson Gomes de Almeida

O brasileiro Joanderson Gomes de Almeida, de 30 anos, venceu o concurso de fotografia Povos Indígenas e Comunidades Locais, realizado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Joanderson é um indígena Pankararu do estado de Pernambuco e venceu o prêmio com a imagem “Puxamento do Cipó”, retratando um ritual parte da tradicional festa da Corrida do Imbu. O primeiro lugar do concurso ganha equipamento fotográfico no valor de até US$ 3,5 mil. 

O tema do prêmio este ano foi “Mudanças Climáticas e Ação Climática: Mãe Terra através de nossas lentes”, um incentivo do OMPI para que jovens indígenas expressem suas visões sobre proteção ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que aumenta a conscientização sobre como os direitos autorais podem ser usados ​​para proteger sua criatividade.

“Esses jovens criadores, cujo trabalho é protegido por direitos autorais, podem usar todo o poder da fotografia para expressar melhor suas preocupações com o mundo e compartilhar as melhores práticas em suas comunidades”, comenta o diretor-geral do OMPI, Daren Tang.

Exposição - Entre as centenas de inscrições recebidas, um total de 30 fotos entraram na fase final do concurso. Um painel independente de jurados constituído por quatro fotógrafos internacionais indígenas e de comunidades locais selecionou três vencedores para os prêmios que foram entregues durante um evento na OMPI para celebrar o Dia Internacional da Mãe Terra, no dia 22 de abril. As trinta fotografias finalistas agora estão sendo exibidas na sede da OMPI, em Genebra, na Suíça, até 6 de maio.

Ficou em segundo lugar com a foto “Mar de lixo”, a jovem líder do povo Subanen, das Filipinas, Prince Loyd Besorio, de 22 anos. Em terceiro, a queniana Verine Ogutu, 24, membro da comunidade Luo, com o retrato “O lado severo das mudanças climáticas na natureza”.

A foto “Mar de lixo”, da jovem filipina Prince Loyd Besorio, ficou em segundo lugar no concurso.
Legenda: A foto “Mar de lixo”, da jovem filipina Prince Loyd Besorio, ficou em segundo lugar no concurso.
Foto: © Prince Loyd Besorio

Pankararu - Atualmente estudante de mestrado na Universidade de Brasília, Joanderson venceu o concurso ao mostrar o rito de puxar a videira, uma tradição dos indígenas Pankararu que ajuda a prever se o próximo ano será de boas colheitas, abundância e boas chuvas. “Nesse momento, os seres cosmológicos nos dão o caminho, a orientação de como será o clima naquele período”, explica o estudante. A tradição também faz com que cada membro da comunidade reflita sobre o que poderia ter sido feito de forma diferente e como eles podem melhorar sua atitude em relação à Mãe Natureza.

“O povo Pankararu tem uma característica muito forte de preservar a cultura e as tradições indígenas”, diz Joanderson. “Nossa relação com a natureza é de respeito e não mercantil, pois é da terra que tiramos nossos alimentos de forma consciente e sustentável”.

Futuro - Devido à sua estreita relação com o meio ambiente e a dependência de seus recursos, as comunidades indígenas e locais estão entre as primeiras a enfrentar as consequências diretas das mudanças climáticas, como aumento da seca, perda da diversidade biológica, pobreza e deslocamento, temperaturas mais quentes e o aumento do nível dos oceanos, entre muitos outros. Ao mesmo tempo, essas comunidades são os principais detentores do conhecimento tradicional, que pode desempenhar um papel importante na avaliação do impacto e na promoção da adaptação às mudanças climáticas. 

“Os jovens têm o maior interesse no futuro do nosso planeta, e é por isso que estou satisfeito que o primeiro Prêmio de Fotografia da OMPI esteja oferecendo aos jovens membros de comunidades indígenas e locais a oportunidade de se expressarem através da fotografia sobre a crise climática e outras desafios relacionados ao que estão enfrentando”, acrescentou o diretor-geral do OMPI.

“O lado severo das mudanças climáticas na natureza”, foto que ficou em terceiro lugar no concurso.
Legenda: “O lado severo das mudanças climáticas na natureza”, foto que ficou em terceiro lugar no concurso.
Foto: © Verine Ogutu

Indígena brasileiro vence concurso de fotografia sobre crise climática

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

OMPI
Organização Mundial de Propriedade Intelectual

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