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Prática ancestral boliviana de tingimento natural foi tema de workshop

03 maio 2022

Na cidade de San Antonio de Lomerío, na Bolívia, aconteceu o II Workshop para a troca de experiências sobre o tingimento natural do fio de algodão.

O evento reuniu representantes de instituições argentinas e do projeto +Algodão, programa executado em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e sete países parceiros.

A técnica da cultura indígena Chiquitana, para tingir fios de algodão usando somente elementos encontrados na natureza, foi dividida com os participantes da formação, que ocorreu nos dias 22 e 23 de abril. 

O tingimento com elementos naturais é uma herança entre gerações na cultura Chiquitana.
Legenda: O tingimento com elementos naturais é uma herança entre gerações na cultura Chiquitana.
Foto: © Zulma Soto/FAO

Nos dias 22 e 23 de abril aconteceu, em San Antonio de Lomerío, na Bolívia, o II Workshop para a troca de experiências sobre o tingimento natural do fio de algodão. Esta segunda edição promovida pela prefeitura local contou com a presença de representantes de entidades internacionais tais como do projeto +Algodão, programa executado em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e sete países parceiros, incluindo a Bolívia. 

Também participaram do encontro membros do Instituto Tecnológico Agrário Nacional (INTA) e da Secretaria de Agricultura Familiar, Camponesa e Indígena, ambas instituições argentinas.

Saberes ancestrais -  O workshop foi ministrado pela artesã María Posiva, acompanhada por outras 14 artesãs do Centro Madre del Niño e da associação APIASERTUR, sigla que reúne cerca de 50 integrantes de San Antonio de Lomerío e cujo trabalho é focado no artesanato com o fio de algodão. "Nossa cultura é o fio de algodão e o tingimento natural", disse Posiva, que é presidente da APIASERTUR. 

As artesãs bolivianas dividiram seus conhecimentos sobre a técnica ancestral de tingir fios de algodão com elementos encontrados na natureza, 100% natural, uma herança da cultura indígena Chiquitana. Foi uma oportunidade para o artesanato da Bolívia e da Argentina se conectarem, trocando conhecimentos e práticas desenvolvidas nos dois países, numa perspectiva de revalorização do algodão e de respeito à natureza, valorizando o papel fundamental desempenhado pelas mulheres cotonicultoras e empreendedoras na manutenção do saber ancestral. 

Na opinião da artesã Julia Chuve, da Bolívia, o trabalho de tingimento não é tão simples, pois é necessário o acesso à água, à lenha e aos 'ingredientes' extraídos da natureza como raízes, caules, frutos, folhas e sementes. Trata-se de uma técnica transmitida entre gerações que, segundo a artesã, “graças ao conhecimento e à cultura deixados pelos nossos antepassados, é possível dar continuidade a este trabalho. Os aprendizados que nos deixaram como netas”, destacou. 

Trocas - Os representantes do INTA, Doriana Feulliade, e Federico Pognante, da Secretaria de Agricultura Familiar, também compartilharam o trabalho realizado em seu país com mulheres artesãs e produtoras, por meio da Rede Argentina de Mulheres Algodoeiras. A Rede é formada por 12 organizações de famílias agricultoras, fiandeiras e tecelãs. Aspectos de gestão organizacional da produção têxtil e sua comercialização foram temas compartilhados. 

Doriana Feulliade avaliou a experiência como muito importante: “Aprendemos passo a passo a técnica de tingimento natural desde a preparação das tinturas a partir de folhas, cascas, frutos, sementes e folhas colhidas do meio natural local, até a sua secagem à sombra”. Segundo o extensionista rural, foram encontradas semelhanças entre os dois países, como as práticas de tingimento semelhantes e os desafios nos aspectos organizacionais e mercadológicos, processos históricos comuns entre os povos indígenas. “Encontramo-nos no comum do feminino, a situação da mulher na sua tríplice função de cuidado reprodutivo, desempenho produtivo e papel fundamental na participação comunitária”, sublinhou o extensionista que concluiu: “Individual e coletivo. Nós nos capacitamos porque construímos confiança.” 

Aplicação - Na 'volta para casa', Federico Pognante, da Secretaria de Agricultura Familiar, Camponesa e Indígena, explicou que todo esse conhecimento ancestral da cultura Chiquitana será compartilhado com as 120 mulheres integrantes da Rede Argentina. 

A equipe também levou para seu país amostras de fibras de algodão de diferentes variedades de cores para realizar uma análise de qualidade no laboratório do INTA para que, posteriormente, os resultados sejam entregues à equipe do projeto +Algodão. 

+Algodão - Na Bolívia, o projeto + Algodão foi implementado entre 2017 e 2021, quando uma série de ações foi desenvolvida em conjunto com os ministérios de Desenvolvimento Rural e Terra (MDRyT) e Desenvolvimento Produtivo e Economia Plural (MDPEP). O projeto ajudou a fortalecer o artesanato boliviano, em San Antonio de Lomerío e outras organizações departamentais e nacionais. 

Em 2021, apoiou o I Workshop de tingimento natural do algodão para técnicos e técnicas da Empresa Nacional de Serviços Têxteis (SENATEX), e promoveu a participação de artesãs em feiras nacionais para divulgar seus tecidos de algodão com identidade.

Mais informações para imprensa:

Palova Brito (Cooperação Internacional Brasil-FAO)

palova.souzabrito@fao.org

FAO

Aline Czezacki Kravutschke

FAO

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

FAO
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa