ONU Energia lança plano de ação e plataforma de networking
04 maio 2022
Como forma de acelerar o cumprimentos dos Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7, o mecanismo interagencial ONU Energia lançou nesta quarta-feira (4) um Plano de Ação de uma plataforma rede de contatos (networking) para governos, empresas e organizações da sociedade civil.
O plano contém sete áreas de trabalho fundamentais para atingir, até 2025, metas como facilitar o acesso à energia elétrica para 500 milhões de pessoas, eliminar novas plantas de usinas a carvão e gerar 30 milhões de empregos nas áreas de energia renovável e eficiência energética.
Já a plataforma pretende conectar e direcionar cerca de US$ 600 bilhões em investimentos e recursos para ajudar a cumprir os Pactos de Energia.

Levando em consideração a atual crise energética global agravada pela guerra na Ucrânia e a emergência climática, a Organização das Nações Unidas lançou, nesta quarta-feira (4), um plano para acelerar a transição rumo à produção de energia limpa e acessível, bem como a eliminar as emissões líquidas de carbono. O chamado Plano de Ação é uma iniciativa das 30 organizações que fazem parte da ONU Energia, um mecanismo interagencial criado em 2004 para atender as demandas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7 (ODS7).
O novo plano representa um passo importante para obter o apoio em larga escala necessário para cumprir os compromissos assumidos em setembro de 2021, durante o Diálogo de Alto Nível da ONU sobre Energia convocado pelo secretário-geral, António Guterres.
Além do Plano de Ação, também foi anunciada nesta quarta-feira uma plataforma de rede de contatos (networking) para governos e empresas cumprirem seus Pactos de Energia, chamada de Energy Compact Action Network. Os pactos são compromissos voluntários, com metas e cronogramas específicos para impulsionar o progresso na realização do ODS7.
A rede de contatos reúne cerca de 200 governos, empresas e outros parceiros da sociedade civil que deverão direcionar cerca de US$ 600 bilhões em investimentos, recursos e experiência para ajudar a cumprir os Pactos de Energia. Já como os primeiros resultados desta rede foram formadas coalizões de transição energética na Nigéria e na cidade de Santiago, no Chile, além de iniciativas nas áreas de hidrogênio verde e ampliação da participação feminina neste setor.
O subsecretário-geral do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA) e secretário-geral do Diálogo de Alto Nível sobre Energia de 2021, Liu Zhenmin, disse que a plataforma de contatos é resultado dos esforços exigidos do sistema ONU a partir do Diálogo de Alto Nível em Energia. Ele também comemorou o lançamento do Plano de Ação da ONU Energia. “Isso nos ajudará a manter o clamor por ações concretas para energia limpa e acessível e emissões líquidas zero”.
Trabalho coletivo - O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e co-presidente da ONU Energia, Achim Steiner, disse no evento de lançamento que o contexto do mundo atualmente nos leva a uma compreensão ampla de como a energia sustenta toda a Agenda 2030. “É fundamental que os compromissos assumidos no Diálogo de Alto Nível sobre Energia e na COP26 sejam traduzidos em ações no terreno-- especialmente em apoio aos mais vulneráveis", disse.
"O Plano de Ação da ONU Energia é nossa resposta coletiva aos desafios globais de energia e clima que enfrentamos hoje. Como parte disso, o PNUD está intensificando seu trabalho para apoiar os países a alcançarem uma transição energética justa, ajudando-os a progredir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ao mesmo tempo em que enfrentam a crise climática."
Objetivos - O Plano de Ação estabelece um método de trabalho coletivo para todas as agências da ONU que integram a ONU Energia, além das duas parceiras internacionais: a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês) e a SEforALL (Energia Sustentável para Todos, em tradução livre).
Até 2025, estas organizações deverão alcançar as promessas estabelecidas no Diálogo de Alto Nível sobre Energia. Entre estes compromissos está a disponibilização de soluções energéticas sustentáveis para cozinha para um bilhão de pessoas, bem como o apoio e facilitação do acesso à energia elétrica para outros 500 milhões. Também constam entre os compromissos um aumento de 100% na capacidade de energias renováveis globalmente, eliminação de novas plantas de usinas a carvão, geração de 30 milhões de empregos nas áreas de energia renovável e eficiência energética, além da duplicação do orçamento anual global para investimentos em energia limpa.
Para enfrentar esses desafios, o novo plano aponta sete áreas de trabalho. A primeira é intensificar a ação coletiva da ONU Energia para fechar a lacuna no acesso à energia e garantir transições justas e inclusivas que não deixem ninguém para trás. A segunda é catalisar parcerias multissetoriais por meio da ampliação dos Pactos de Energia, inclusive por meio da nova plataforma de contatos. Outro foco de trabalho é em aumentar o clamor popular, liderando uma campanha global para a promoção do ODS7. O quarto objetivo é liderar pelo exemplo, tornando mais verdes as operações das organizações da ONU Energia. Em seguida, convocar um Fórum de Ação Global ODS7 anual, paralelo à Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, em setembro. Em sexto definir e divulgar a agenda global, fornecendo insumos analíticos e orientação política para os principais processos intergovernamentais. Por fim, alavancar o poder dos dados, fortalecendo a digitalização, o monitoramento, rastreamento, prestação de contas e comunicação de resultados.
O Plano de Ação reconhece que a ONU Energia deve explorar profundamente o potencial das atividades desempenhadas e dos contatos das suas organizações membros como método essencial para operacionalizar a agenda estabelecida. O plano também destaca que as organizações da ONU Energia precisarão sensibilizar uma grande rede de agentes interessados para que as ações sejam realmente transformadoras e alcancem o nível de impacto necessário no terreno.
Parcerias -A representante especial do secretário-geral da ONU e co-presidente da ONU Energia, Damilola Ogunbiyi, disse que a Energy Compact Action Network desempenhará um papel importante como a única plataforma global que reúne no mesmo lugar ofertas e pedidos de apoio ao ODS7 de todas as partes interessadas e em diferentes áreas da transição energética, inclusive desenvolvimento de tecnologia. “Ao criar oportunidades de colaboração, a plataforma transformará os bilhões de dólares em investimentos prometidos nos Pactos de Energia em ações locais para o futuro da energia sustentável de que precisamos urgentemente”, comentou.
O lançamento de hoje contou com anúncios de várias coalizões novas ou expandidas para demonstrar como países, cidades, empresas, fundações e outros parceiros podem unir forças por meio da plataforma.
Um grupo liderado pela SEforALL, PNUD e Husk Power Systems, por exemplo, anunciou que está respondendo ao Pacto de Energia feito pela Nigéria de levar eletricidade a 25 milhões de pessoas até 2023– usando sistemas solares domésticos e mini-redes, eletrificando cinco milhões de casas, escolas, hospitais e criando 250 mil novos empregos nesta área. Como parte de seus próprios Pactos de Energia, a SEforALL apoiará a implementação do Plano de Transição Energética da Nigéria. O PNUD também identificou a Nigéria como um de seus países parceiros para seu projeto de iluminação Africa Mini-grid Programme. Representando a iniciativa privada, a Husk Power Systems calcula construir até 2026, 500 mini-redes operacionais no país.
O governo da Região Metropolitana de Santiago, a multinacional de energia Enel e a Universidad del Desarollo também anunciaram que trabalharão juntos para atender o Pacto de Energia chileno, que pretende, até 2030, aumentar o uso de eletricidade sustentável para aquecimento e transporte, deixando de lado os combustíveis mais poluentes. Para cumprir esta meta é preciso aumentar a participação da energia solar na geração de eletricidade da região e a mudar 100% da frota de ônibus da cidade para versões elétricas, expandindo também a rede de estações de recarga.
Outro anúncio feito foi o do estabelecimento de um plano de trabalho para fortalecer o papel das mulheres em uma transição energética justa e inclusiva. A iniciativa é liderada pelos governos do Canadá e do Quênia, em parceria com as organizações Student Energy e ENERGIA e coordenada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO). Esta Coalizão de Gênero e Energia visa acelerar a ação para dar às mulheres oportunidades iguais de liderar, participar e se beneficiar da transição energética e igualdade de acesso e controle sobre produtos e serviços de energia sustentável.
O governo da Namíbia e a multinacional Acciona Energia também anunciaram que estão se juntando ao grupo de governos, empresas e outras organizações que assumiram o Pacto de Energia de desenvolver o hidrogênio verde como fonte de energia renovável. O Green Hydrogen Compact Catalogue, apresentado pelo diretor-geral da IRENA servirá como plataforma para colaboração entre os setores público e privado, expandindo todas as partes da cadeia de valor do hidrogênio verde, desde o financiamento e produção de energia renovável até a produção de hidrogênio verde e seus derivados.
Destacando a crise tripla nas áreas de energia, alimentos e finanças decorrentes da guerra na Ucrânia, o secretário-geral tem defendido que “podemos maximizar este momento para impulsionar a mudança transformacional que nosso mundo precisa” e que esta “é a hora de transformar essa crise em uma oportunidade”, trabalhando para eliminar progressivamente o carvão e outros combustíveis fósseis e acelerar a transição justa para energia renovável.
Contatos para mídia:
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