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Coletivo de meninas de São Luís organiza ato contra o abuso sexual

23 maio 2022

Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Coletivo Menina Cidadã–  formado por meninas de São Luís, no Maranhão– liderou uma série de atividades comunitárias na macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica.

As atividades foram apoiadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundação Justiça e Paz se Abraçarão (FJPA).

O evento contou com revoada de pipas, oficinas de amarração de cabelo e participação de artistas locais como Célia Sampaio, Dira Silva e Gisele Padilha, além de apresentação do baião de seis com o Gamar.

 

O Coletivo Menina Cidadã reúne meninas afrodescendentes vindas da macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica que debatem suas realidades e buscam assegurar direitos para suas comunidades. Cerca de 250 meninas já participaram do do grupo.
Legenda: O Coletivo Menina Cidadã reúne meninas afrodescendentes vindas da macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica que debatem suas realidades e buscam assegurar direitos para suas comunidades. Cerca de 250 meninas já participaram do do grupo.
Foto: © Coletivo Menina Cidadã

O Coletivo Menina Cidadã, liderado por meninas da macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica, realizou ato em alusão ao dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundação Justiça e Paz se Abraçarão (FJPA), a atividade ocorreu no Viva Cidade Operária e contou com a presença de artistas locais, revoada de pipas, oficinas de amarração de cabelo e música autoral. Cerca de três mil pessoas estiveram no local.

“O dia 18 de maio é um marco na proteção contra as violências contra crianças e adolescentes no Brasil. É importante que toda a sociedade brasileira aprenda quais são os sinais dos diferentes tipos de violência, incluindo a violência sexual. Ao mesmo tempo, é fundamental que os serviços públicos se preparem para atender aos casos [de violência] e para prestar a assistência adequada às crianças e aos adolescentes vítimas e testemunhas de violência”, comenta a chefe do escritório do UNICEF em São Luís, Ofélia Silva.”O Coletivo Menina Cidadã, em São Luís, é um parceiro exemplar nessa jornada de mudança dos serviços e na cultura da sociedade para fortalecer a responsabilidade de todos e de cada um em proteger meninos e meninas”.

O dia 18 de maio teve ainda o lançamento da música “Menina Cidadã”, de autoria do Coletivo em parceria com artistas convidados, como Célia Sampaio, Dira Silva e Gisele Padilha e, também, apresentação do baião de seis com o Gamar. Para Júlia Nabate, menina líder do Coletivo, o dia pretende ser uma oportunidade de lutar pelos direitos de meninos e meninas e de assegurar que todos sejam ouvidos. “Este dia ressalta uma pauta que a gente luta diariamente. Sabemos que crianças e adolescentes são expostos a diversas formas de violência. Eles, muitas das vezes, relatam o que aconteceu e não são levados a sério. A gente, como Coletivo Menina Cidadã, investe em rodas de conversas para que essas crianças e adolescentes sejam ouvidos e levados a sério”, reforça.

Ato comunitário - Escolas municipais, estaduais, igrejas e comunidades em torno do Viva Cidade Operária foram mobilizadas para o dia 18 de maio. Durante o ato, as meninas líderes realizaram panfletagem com mensagens de alerta sobre como prevenir e combater as violências e os preconceitos, publicadas em panfletos marcados com as cores fortes da luta das meninas, produzida pelo próprio Coletivo. A distribuição foi também acompanhada de rodas de conversa sobre empoderamento feminino, dignidade menstrual, violência com base no gênero e racismo. 

Uma revoada de pipas liderada por meninos do próprio bairro, com as mesmas cores e mensagens, também marcou os céus do Viva Cidade Operária, simbolizando o quão alto as meninas cidadãs de São Luís querem levar suas mensagens de proteção de crianças e adolescentes contra violências.

“O projeto Menina Cidadã está na sua segunda etapa, em uma parceria com a Fundação JPA e o UNICEF, envolvendo parceiros da macrorregião da Cidade Operária, especialmente, Cras, Creas, Conselho Tutelar, escolas públicas ligadas às Secretarias Municipais e Estaduais de Educação. O projeto visa atender meninas em idade fértil trazendo temas como saúde menstrual, competências para a vida, violência de gênero e combate ao racismo” lembra o diretor presidente da Fundação Justiça e Paz se Abraçarão, Paulo Sérgio Filho. “Essa é uma oportunidade de fazer com que as meninas do nosso território encontrem o seu lugar dentro da sua comunidade para protagonizar a vida, defendê-la e resgatar valores ancestrais”.

Coletivo - O Coletivo Menina Cidadã reúne meninas afrodescendentes vindas da macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica que debatem suas realidades e buscam assegurar direitos para suas comunidades. Cerca de 250 meninas já participaram do grupo, que hoje conta com 30 meninas líderes que se dividem entre oficinas, distribuição de absorventes e rodas de conversa sobre saúde menstrual, violência de gênero, racismo e empoderamento feminino.

A carta-demanda é um instrumento de solicitação de políticas públicas escrito pelo Coletivo Menina Cidadã, demandando os tomadores de decisão nas esferas do poder público para melhorias, reparos e ações concretas na macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica. A carta escrita em 2020 teve a participação de centenas de meninas, que realizaram pesquisa nos bairros, escutaram as demandas locais, fizeram treinamento intensivo com a Escola Superior do Ministério Público em defesa de direitos humanos e reuniram essas informações em uma carta. Em 2022, a carta demanda se tornou uma música, gravada pela dama do reggae maranhense, Célia Sampaio.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa