Iniciativa em Lisboa dá exemplo de desperdício zero de alimentos
01 junho 2022
Uma empreendedora em Lisboa, Portugal, criou uma marca especializada em reaproveitar sobras de peixe no preparo de biscoitos para animais de estimação.
Daria Demidenko recolhe cerca de 25 quilos por semana de sobras que iriam parar no lixo.
A iniciativa é elogiada pelo especialista-sênior de Pesca da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Márcio Castro de Souza, pelo alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Restaurantes de culinária japonesa não podem utilizar todas as partes do peixe para produzir sushi e sashimi. Por isso, todos os dias, quilos e mais quilos de cabeças, espinhas e peles de peixes vão parar literalmente no lixo.
Mas uma iniciativa em Lisboa, cidade que será sede da Conferência dos Oceanos, em junho, está diminuindo este desperdício alimentar. A empreendedora Daria Demidenko teve a ideia de reaproveitar sobras de peixe fresco para criar petiscos para animais de estimação.
A marca, chamada de Sancho Pancho, comercializa biscoitos feitos com sobras e ossos triturados de peixe branco cozido, misturados com farinha. Além disso, a pele de salmão e outros peixes também é desidratada e transformada em outra variedade de petisco crocante.
Dono do Sekai Sushi Bar, um restaurante japonês em Lisboa, Édson Neves explica que, em média, 30% dos peixes não podem ser utilizados. “A espinha dorsal, parte do rabo, as arestas, as laterais, a parte que tem ligação com o estômago, algumas partes do peixe que são mais duras, que têm mais fibras e pele também, nós acabamos não utilizando. Estes 30% a 40% que iriam para o lixo, nós acabamos reutilizando através do Sancho Pancho.”
Além de pegar as sobras no restaurante Sekai, Daria tem parcerias com outros restaurantes e peixarias de Lisboa. Ela recolhe cerca de 25 quilos de sobras de peixe por semana, que iriam parar no lixo. A marca também produz biscoitos a partir de restos de carne desidratada de coelho e de porco.
“Alguns clientes nos dizem que com o nosso exemplo, estão agora indo às peixarias, aos talhos (açougues) aqui em Portugal e também levam algumas sobras. Não fazem produção, não fazem petiscos para venda, mas conseguem fazer alguma comida para os seus cães, gatos, ou para si mesmo.”
Conscientização - A iniciativa é elogiada pelo especialista-sênior de Pesca da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Márcio Castro de Souza, que explica que já existem países europeus que aplicam uma política de desperdício zero de pescado.
“É muito interessante essa iniciativa e de fato nós temos visto, não só na escala industrial, mas também pequenos exemplos de como reduzir o desperdício de pescado. Existem já várias indústrias produtoras de salmão nos países escandinavos que atingiram o patamar de utilizar 100% do pescado. Eles não perdem nada. Eles fazem filé, utilizam o olho para fazer adubo ou para gerar óleos essenciais, então já existe toda uma produção voltada para zero desperdício.”
Reduzir pela metade o desperdício de alimentos a nível mundial até 2030 é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Outra meta envolve gerir de forma sustentável a vida marinha, sendo que Salvar os Oceanos e Proteger o Futuro é o lema da Conferência dos Oceanos da ONU, que acontece na capital portuguesa entre 27 de junho a 1 de julho.