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OMS alerta para o avanço da varíola dos macacos em países não endêmicos

09 junho 2022

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na quarta-feira (8) que as infecções por varíola dos macacos em países não endêmicos ultrapassaram a marca de mil e o risco do vírus se estabelecer é "real".

A fim de apoiar os países, a OMS emitiu orientações sobre vigilância e rastreamento de contato, além de testes e diagnósticos laboratoriais. Na semana passada, aconteceu uma reunião com mais de 500 pesquisadores para revisar o que se sabe sobre a doença e também para identificar prioridades de pesquisa.

Em relação à COVID-19, o diretor-geral da OMS advertiu que, embora os casos em declínio sejam motivadores, visto que muitas vidas estão sendo salvas com o aumento da taxa de vacinação, a agência da ONU continua pedindo cautela, pois "não há testes e vacinação suficientes no mundo e essas taxas são muito mais baixas em países de baixa renda". 

Imagem ampliada de um pedaço de tecido da pele, colhido de uma lesão de um macaco que foi infectado com o vírus da varíola dos macacos.
Legenda: Imagem ampliada de um pedaço de tecido da pele, colhido de uma lesão de um macaco que foi infectado com o vírus da varíola dos macacos.
Foto: © CDC

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse, na quarta-feira (8) durante uma coletiva de imprensa em Genebra sobre o atual surto de varíola dos macacos e COVID-19, que as infecções por varíola dos macacos em países não endêmicos ultrapassaram a marca de mil e o risco do vírus se estabelecer é "real". Além disso, ele observou que 29 países onde o vírus da varíola dos macacos não costuma circular tiveram casos confirmados.

A especialista da OMS e líder técnica do surto de varíola dos macacos, Rosamund Lewis, disse que os casos relatados até agora, principalmente no cenário não endêmico, ainda eram "majoritariamente de homens que têm relações sexuais com homens".

"Agora há alguns relatos de casos entre mulheres. No momento, ainda é possível impedir a propagação da varíola nas pessoas que estão em maior risco".

Passando despercebida – O chefe da OMS  reiterou que o aparecimento "repentino e inesperado" da varíola dos macacos nesses países sugere que ela pode ter passado despercebida por algum tempo. No entanto, ele acrescentou que o vírus pode ser impedido de se estabelecer em países não endêmicos, se os infectados se isolarem em casa e evitarem contato próximo com outras pessoas.

Para apoiar os países, a OMS emitiu orientações sobre vigilância e rastreamento de contato, além de testes e diagnósticos laboratoriais. Nos próximos dias, a agência emitirá orientações sobre cuidados clínicos, prevenção e controle de infecções, vacinação e orientações adicionais sobre proteção da comunidade.

Na semana passada, a OMS organizou uma reunião com mais de 500 pesquisadores para revisar o que se sabe sobre a varíola dos macacos, e também para identificar prioridades de pesquisa.

"Também estamos trabalhando com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), organizações da sociedade civil e comunidades de homens que mantêm relações sexuais com homens para ouvir suas perguntas e fornecer informações sobre o que é a varíola dos macacos e como evitá-la", disse Tedros.

Casos na África – Neste ano, até o momento, a África, onde a varíola dos macacos é endêmica em alguns países, teve mais de 1.400 casos suspeitos e 56 mortes.

O diretor-geral da OMS disse que "esse vírus circula e mata na África há décadas. É lamentável que a comunidade internacional só esteja dando atenção à varíola dos macacos agora porque ela apareceu em países de alta renda. As comunidades que convivem diariamente com a ameaça desse vírus merecem a mesma preocupação, os mesmos cuidados e o mesmo acesso a ferramentas para se proteger".

COVID-19: Ainda sem testes e vacinação suficientes – O número de casos e mortes relatados por COVID-19 continua diminuindo, mas ainda não há testes suficientes e vacinação em massa para dizer que a pandemia terminará em breve, disse o chefe da OMS.

Tedros apontou que os casos em declínio podem ser bem motivadores, visto que muitas vidas estão sendo salvas com o aumento da taxa de vacinação, mas a agência da ONU continua pedindo cautela.

"Não há testes e vacinação suficientes no mundo. Em média, cerca de três quartos dos profissionais de saúde e pessoas com mais de 60 anos foram vacinados, mas essas taxas são muito mais baixas em países de baixa renda".

O chefe da OMS explicou que 68 países ainda não atingiram 40% de cobertura, embora a oferta de vacinas já seja suficiente, e paradoxalmente falta demanda em muitos países com as menores taxas de vacinação.

"A OMS e nossos parceiros estão trabalhando com os países para aumentar a aceitação, levando vacinas para as pessoas, por meio de unidades móveis, campanhas de porta em porta, e mobilizando líderes comunitários", afirmou Tedros.

Percepção equivocada – O diretor-geral da OMS alertou que "a percepção de que a pandemia acabou é compreensível, mas equivocada", lembrando que 7 mil pessoas morreram devido à COVID-19 na semana passada.

"Uma nova variante ainda mais perigosa pode surgir a qualquer momento, e um grande número de pessoas permanece desprotegido. A pandemia não acabou e continuaremos dizendo que não acabou até que termine'’, advertiu ele.

OMS alerta para o avanço da varíola dos macacos em países não endêmicos

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