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Estudo da Queen’s University e OIM mapeia violência contra venezuelanas

04 agosto 2022

Em parceria com a Agência da ONU para as Migrações (OIM), a Queen’s University, do Canadá, apresentou dados preliminares de uma análise que está fazendo no Brasil, Equador e Peru, sobre os riscos associados ao gênero para meninas e mulheres refugiadas e migrantes venezuelanas.

Desde janeiro foram ouvidas cerca de 9,3 mil pessoas migrantes nos três países. No Brasil, o levantamento ocorreu na região Norte, nas cidades de Boa Vista, Pacaraima e Manaus. Somente em Pacaraima foram coletadas mais de duas mil histórias.  

Além de investigar os impactos de ameaça de gênero para meninas e mulheres venezuelanas, a pesquisa também está obtendo informações sobre acesso a serviços para a população LGBTQIA+, mulheres grávidas dentro desse processo migratório, exploração sexual e laboral. 

O estudo ouviu pessoas migrantes em três países. O Brasil foi citado como o país que mais ofereceu suporte para essa população.
Legenda: O estudo ouviu pessoas migrantes em três países. O Brasil foi citado como o país que mais ofereceu suporte para essa população.
Foto: © OIM

A Queen’s University, do Canadá, apresentou dados preliminares de pesquisa iniciada em janeiro deste ano para identificar os riscos associados ao gênero para meninas e mulheres refugiadas e migrantes venezuelanas. Aplicado em parceria com a Agência da ONU para as Migrações (OIM), o estudo coletou quase 10 mil relatos no Brasil, Equador e Peru, países onde foi realizado. 

Em território brasileiro, o levantamento ocorreu na região Norte, nas cidades de Boa Vista, Pacaraima e Manaus, e teve parceria com a organização da sociedade civil Venezuela Global, que ficou responsável pelas entrevistas. Das 9.339 respostas ao questionário, 48% foram recebidas no Brasil. Somente em Pacaraima, foram mais de duas mil histórias.  

O Brasil apresentou ainda uma amostra significativa de pessoas menos jovens que nos outros locais, que estavam em grupos familiares, de comunidades indígenas e de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexo, assexuais e mais (LGBTQIA+). 

A apresentação ocorreu nos três países com grupos de atores humanitários e representantes governamentais com participação no desenvolvimento de políticas públicas. Refugiados e migrantes também validaram as informações através de rodas de conversas sobre as temáticas levantadas na pesquisa. No Brasil, as atividades ocorreram durante três dias no mês de julho em Boa Vista e Pacaraima. 

Políticas públicas - Tratando do contexto do estado de Roraima, a defensora pública Jeanne Xaud, que participou da rodada de apresentação e validação de dados, enfatizou a necessidade de políticas públicas para combater casos de violência, uma vez que meninas e mulheres refugiadas e migrantes estão mais expostas e vulneráveis a situações de violações de direitos, principalmente levando em consideração a demografia do estado, que possui duas fronteiras internacionais.  

“Quanto mais informações estiverem disponíveis, mais clareza teremos em relação às necessidades das ações para evitar situações relatadas na pesquisa. Um destaque desses dados é que foram feitos a partir de histórias. Acolheram e ouviram migrantes, não apenas apresentaram um questionário frio e perguntas fechadas. Isso foi fantástico”, relatou.  

Contexto migratório - O estudo visa entender por quais situações meninas e mulheres venezuelanas passam dentro do contexto migratório. Dessa forma, o objetivo é compreender as tendências relacionadas à migração, mitigar as vulnerabilidades, melhorar a segurança e fomentar a aplicação de estratégias de proteção para a prevenção de violências baseadas em gênero de forma ágil. 

Puderam participar refugiados e migrantes maiores de 14 anos, possibilitando que homens e meninos respondessem ao questionário, desde que relatassem histórias de migração de mulheres. 

Por meio do aplicativo SenseMaking, o questionário permitia que os participantes contassem, de forma anônima, por gravação de áudio ou escrita, a vivência da migração. Depois, deveriam interpretar as histórias utilizando um triângulo que aparecia na tela e buscava responder qual era a temática da história contada, dentre três opções: a) perigo/violência; b) necessidades econômicas; e c) menor acesso a direitos, serviços e oportunidades. Por fim, deveriam mover uma barra de nivelamento, indicando se o país e cidade de migração forneciam apoio e serviços para os refugiados e migrantes. O Brasil foi citado como o país que mais oferece suporte para essa população. 

“É uma pesquisa inovadora em diversos sentidos. Porque as perguntas não são diretas, ela permite que os indivíduos falem mais abertamente o que é importante para eles e isso flui de forma mais natural. Outro benefício desse tipo de metodologia é que podemos ter dados em grande quantidade de forma rápida, assim a análise é mais ágil. Nesse contexto humanitário, onde as coisas mudam rapidamente, a tomada de decisões com dados mais atuais é a melhor resposta para meninas e mulheres”, explicou a coordenadora da pesquisa, Susan Bartles. 

Próximos passos - A análise dos relatos e das informações coletadas durante a validação dos dados nos países seguirá até o fim do ano, quando está prevista a publicação dos dados coletados.  

“O levantamento foi muito abrangente e permite apresentar perfis populacionais diferentes. Apesar de investigarmos os impactos de ameaça de gênero para meninas e mulheres venezuelanas, fizemos recortes muito específicos, como acesso a serviços para a população LGBTQIA+, mulheres grávidas dentro desse processo migratório, exploração sexual e laboral também”, destacou a coordenadora de Proteção da OIM, Giulia Camporez. “É importante termos essa outra perspectiva para beneficiarmos a comunidade a partir de projetos, identificando as lacunas de ação e construirmos respostas baseadas em evidência”, complementou.  

O estudo conta com o apoio financeiro do Fundo de Inovação Humanitária da Elrha. 

Estudo da Queen’s University e OIM mapeia violência contra venezuelanas

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

OIM
Organização Internacional para as Migrações

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa