Na Ucrânia, Guterres discute esforços para acabar com a guerra
19 agosto 2022
Em coletiva de imprensa na cidade de Lviv, na Ucrânia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um balanço do primeiro mês desde a assinatura da Iniciativa de Grãos do Mar Negro.
Ao lado do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, Guterres explicou que foi até a cidade para debater os esforços para alcançar a paz e pediu, novamente, o fim do conflito que já dura quase seis meses.
O líder da ONU também argumentou em favor de um acordo urgente para restabelecer a usina nuclear de Zaporizhzhia como uma infraestrutura civil, impedindo novos ataques nesta região.

O líder das Nações Unidas, António Guterres, voltou a pedir o fim da guerra na Ucrânia. Para ele, as pessoas precisam da paz de acordo com o preconizado pela Carta da ONU e a lei internacional. Guterres falou a jornalistas, na cidade de Lviv, na Ucrânia, ao lado do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Segundo Guterres, os três líderes reuniram-se para debater os esforços para alcançar a paz.
Na coletiva de imprensa, o secretário-geral comemorou o que chamou de vitória da diplomacia e do multilateralismo, ao citar a Iniciativa de Grãos do Mar Negro, acordo que possibilitou a saída de embarcações carregadas com cereais dos portos da Ucrânia e a retomada da comercialização de fertilizantes russos no mercado internacional.
Em menos de um mês desde a assinatura do acordo, 21 navios já deixaram os portos da Ucrânia e 15 embarcações zarparam de Istambul para a Ucrânia transportando grãos e outros itens alimentares. Uma das áreas beneficiadas pela medida e que poderá continuar recebendo os cereais da Ucrânia é o Chifre da África.
“Enquanto falamos, mais de 560 mil toneladas métricas de grãos e outros alimentos produzidos por agricultores ucranianos estão chegando aos mercados em todo o mundo”, disse ele, incluindo o primeiro navio fretado pela ONU transportando trigo ucraniano para pessoas que sofrem no Chifre do África da pior seca em décadas.
Apesar do sucesso do acordo, o líder da ONU lamentou o fato do conflito ainda estar em curso. Guterres voltou a dizer que a invasão da Rússia é uma violação da integridade territorial da Ucrânia e que viola a Carta da ONU.
O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, está levando a inúmeras mortes, destruição massiva e ao deslocamento de milhões de pessoas, além de violações dos direitos humanos.
Para o secretário-geral, a paz ansiada pelos ucranianos reflete as aspirações das pessoas de todo o mundo, principalmente dos jovens que querem um futuro de oportunidades e sem violência.
Usina - António Guterres afirmou que está gravemente preocupado com a situação na usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa. Ele disse que o bom senso deve prevalecer para evitar qualquer ação que possa colocar em perigo a integridade física e a segurança da instalação.
Para o chefe da ONU, é necessário um acordo urgente para restabelecer Zaporizhzhia como uma infraestrutura puramente civil levando segurança à área.
Os arredores da usina foram alvos de vários bombardeios na última semana. E, em um deles, um dos reatores foi desligado.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), está em contato com Ucrânia e Rússia e já informou que está pronta para enviar uma missão técnica ao local para avaliar a situação da segurança nuclear.