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No Paquistão, Guterres diz que guerra contra natureza é suícidio coletivo

09 setembro 2022

Em visita ao Paquistão nesta sexta-feira (9), o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo por aumento de doações humanitárias às vítimas das inundações que arrasaram o país nos últimos dias. A organização solicita ao menos 160 milhões de dólares para ajudar as vítimas.

Entre 33 milhões e 35 milhões de pessoas foram afetadas, tanto pela perda de vida quanto pelos danos aos meios de sobrevivência. Pelas atuais estimativas, os danos causados pelo evento climático extremo chegam a 30 bilhões de dólares.

O secretário-geral lembrou que o Paquistão é um dos países que está sendo injustamente prejudicado pela crise climática e destacou que as emissões de gases estufa seguem em alta à medida que as pessoas morrem em inundações e fome, o que ele considerou “loucura” e “suicídio coletivo”.

Nos próximos dias, o secretário-geral deve estar em contato com famílias deslocadas em território paquistanês e acompanhar a atuação humanitária no socorro às vítimas.

Mais de 420 mil refugiados afegãos vivem nas áreas do Paquistão mais afetadas pelas chuvas torrenciais e inundações repentinas.
Legenda: Mais de 420 mil refugiados afegãos vivem nas áreas do Paquistão mais afetadas pelas chuvas torrenciais e inundações repentinas.
Foto: © Humera Karim/ACNUR

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu ao mundo que contribua com fundos em larga escala para ajudar o Paquistão.

Falando nesta sexta-feira (9) da capital Islamabad, o líder da ONU disse que o país precisa de apoio financeiro de grande dimensão para responder à crise provocada pelas inundações.

As declarações foram feitas ao lado do ministro paquistanês dos Negócios Estrangeiros, Bilawal Bhutto Zardari, com quem Guterres visitará as áreas afetadas neste fim de semana.

O secretário-geral declarou que uma importante razão da visita é chamar a atenção da comunidade internacional para a catástrofe climática em curso.  Ele pediu ajuda financeira urgente para que o país realize ações de assistência e recuperação. Para Guterres, a questão não é de solidariedade ou generosidade, mas sim de justiça.

Baseado nesse argumento, o ministro Bhutto Zardari afirmou que um em cada sete cidadãos paquistaneses foi afetado pelas chuvas de monção. Para o chefe da diplomacia paquistanesa, a solidariedade internacional ajudará o país a retornar à normalidade.

Ele lembrou que um terço do país está submerso. Entre 33 milhões e 35 milhões de pessoas foram arrasadas pela perda de vidas, bem como pelos danos aos meios de sobrevivência. Atualmente, estas enfrentam o que o chefe da ONU chamou de “ameaça real de fome, doenças e danos avultados”.

António Guterres disse que o país precisa de apoio financeiro de grande dimensão
Legenda: António Guterres disse que o país precisa de apoio financeiro de grande dimensão.
Foto: © Eskinder Debebe/ONU

Emissões - Antes, o líder das Nações Unidas se reuniu com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. Ambos lembraram que o país não contribuiu para a mudança climática, mas é um dos mais impactados pela crise.

Estima-se que as inundações tenham desalojado mais de meio milhão de pessoas e destruído plantações comerciais e infraestrutura de comunicação.

Guterres destacou que o Paquistão e outros países em desenvolvimento, do Chifre da África ao Sahel, pagam um preço terrível pela intransigência de grandes emissores, “que continuam apostando nos combustíveis fósseis, em confrontação à ciência, ao bom senso e à decência humana básica”.

O secretário-geral destacou que as emissões seguem em alta à medida que as pessoas morrem em inundações e fome o que considerou “loucura” e “suicídio coletivo”.

Compromisso - Falando ao mundo ele disse que o apelo global é que se pare com a loucura, a guerra contra a natureza e que se invista de imediato em energia renovável.

Numa realidade em que a crise aumenta e se observa que a maioria dos países ainda não está preparada, ele pediu aos países desenvolvidos que ofereçam ao Paquistão e a outras nações na linha de frente os recursos financeiros e técnicos necessários para  sobreviver a eventos climáticos extremos como as atuais inundações.

Na ocasião, o chefe da ONU pediu que metade de todo o financiamento climático seja para a adaptação e resiliência no mundo em desenvolvimento.

Ele pediu que os países desenvolvidos criem um roteiro confiável para sustentar o compromisso de dobrar o apoio financeiro.

Crianças afetadas por inundações no Paquistão sendo examinadas por especialistas em saúde.
Legenda: Crianças afetadas por inundações no Paquistão sendo examinadas por especialistas em saúde.
Foto: © Sami Malik/UNICEF

Saúde e alimentos - Para abordar as perdas e danos causados pela crise climática, o apelo lançado aos governos é que dediquem a seriedade que o tema merece na próxima Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP 27.

Pelas atuais estimativas, os danos causados ​​pelas inundações no Paquistão chegam a 30 bilhões de dólares.

Em apelo urgente, a ONU solicitou 160 milhões de dólares para ajudar as vítimas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta sobre dezenas de milhares de pacientes com diarreia, malária e várias infecções agudas nas regiões afetadas.

No terreno, cerca de 400 mil pessoas receberam assistência do Programa Mundial de Alimentos (WFP). 

A agência está ampliando sua resposta de emergência para alcançar 1,9 milhão de afetados que sofrem após terem perdido casas, gado, alimentos, infraestrutura, terras agrícolas e colheitas.  O apoio foi canalizado às províncias de Baluquistão, Khyber Pakhtunkhwa e Sindh.

Nos próximos dias, o secretário-geral deve estar em contato com famílias deslocadas em território paquistanês e acompanhar a atuação humanitária no socorro às vítimas.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU
Organização das Nações Unidas
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados
UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância
WFP
Programa Mundial de Alimentos
OMS
Organização Mundial da Saúde

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa