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"Não afoguem o mundo", pede Gueterres aos líderes mundiais

14 setembro 2022

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14), o secretário-geral usou o exemplo das inundações devastadoras no Paquistão para pedir aos líderes mundiais para não "afogarem" o mundo por falta de ação climática.

As declarações foram feitas aos jornalistas como uma forma de antecipação do discurso de abertura da semana de alto nível, agendada para começar no próximo dia 20.

Ele também afirmou que deverá abordar as consequências do conflito na Ucrânia, as múltiplas crises de fome e o agravamento dos discursos de ódio e desinformação em seu discurso da semana que vem.

O secretário-geral António Guterres informa a mídia antes da semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU.
Legenda: O secretário-geral António Guterres em coletiva de imprensa antes da semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU.
Foto: © Evan Schneider/ONU

Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14), Guterres prometeu abordar as muitas questões desafiadoras que o planeta enfrenta, em seu discurso na próxima semana à Assembleia Geral, que também conterá recomendações concretas para soluções duradouras e um chamado à ação. 

Aos jornalistas, o chefe da ONU começou lembrando a devastação que testemunhou em sua recente viagem ao Paquistão, que ele descreveu como uma janela para um “futuro de caos climático permanente e onipresente em uma escala inimaginável”.

Guterres, que é português, observou que a inundação cobre uma área três vezes maior do que a sua terra natal. Ele criticou a resposta global à crise climática classificando como inadequada, injusta e, em sua essência, uma traição. “Seja o Paquistão, o Chifre da África, o Sahel, pequenas ilhas ou países menos desenvolvidos, os mais vulneráveis ​​do mundo – que nada fizeram para causar esta crise – estão pagando um preço terrível por décadas de intransigência dos grandes emissores”.

G20 - Visando os líderes das nações mais ricas do mundo, o chefe da ONU lembrou-lhes que eles são responsáveis ​​pela grande maioria das emissões relacionadas ao clima e, embora também sejam fortemente impactados por secas, incêndios e inundações recordes, a ração climática em resposta, parece não estar à altura.

Ele se perguntou em voz alta se a reação seria diferente se um terço dos países do G20, em vez do Paquistão, estivesse atualmente submerso.

Todos os países precisam reduzir as emissões todos os anos - com o G20, como os principais emissores, liderando o caminho, disse Guterres a correspondentes em Nova Iorque.

Voltando ao exemplo do Paquistão, Guterres insistiu que o país, e outros regiões vulneráveis precisam de infraestrutura resistente a enchentes agora, argumentando que pelo menos metade de todo o financiamento climático deve ir para adaptação e resiliência climática.

Esse financiamento, disse ele, deve vir das principais economias.

“Abaixe a temperatura – agora”, disse ele. “Não inunde o mundo hoje; não o afogue amanhã.”

Múltiplas fomes - A ONU elogiou o sucesso da Iniciativa de Grãos do Mar Negro , que permitiu que os suprimentos de alimentos e fertilizantes finalmente deixassem os portos ucranianos devastados pela guerra e desempenhou um papel na redução dos preços globais dos alimentos, pois atingiram recordes após a invasão da Rússia. 

No entanto, ainda há um risco real de fome múltipla este ano, alertou Guterres.

A fome global já estava aumentando antes da pandemia do COVID-19 , disse ele, e nunca se recuperou. Muitos países estão lidando com uma crise de custo de vida, que atinge com mais força as pessoas e comunidades mais pobres, e os direitos de mulheres e meninas em todo o mundo estão sendo revertidos.

O secretário-geral destacou que, em um momento de altas tensões geopolíticas, a falta de ação para deter a crise climática terá efeitos colaterais graves, como migração em massa e aumento da instabilidade.

Guterres criticou as ações de políticos populistas que, segundo ele, estão mostrando “ um desrespeito chocante pelos mais pobres e vulneráveis ​​em nosso mundo", colocando as pessoas umas contra as outras, empregando discriminação, desinformação e discurso de ódio.

“O Debate Geral deste ano deve ser sobre dar esperança”, concluiu Guterres. “Essa esperança só pode vir através do diálogo e do debate que são o coração pulsante das Nações Unidas ”.

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