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CEPAL propõe 10 áreas prioritárias para América Latina e Caribe

24 outubro 2022

Começa nesta segunda-feira (24), o 39º período de sessões da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a reunião bienal mais importante desta comissão regional das Nações Unidas. O evento que está acontecendo em Buenos Aires, na Argentina, segue até o próximo dia 26.

Na ocasião a CEPAL apresenta o documento institucional “Rumo à transformação do modelo de desenvolvimento na América Latina e no Caribe: produção, inclusão e sustentabilidade”, relatório no qual o organismo apresenta aos países sua proposta de recuperação e desenvolvimento sustentável no novo contexto global e regional.

O documento propõe aos seus 46 Estados-membros e 14 países associados, 10 áreas prioritárias de política para transformar o modelo de desenvolvimento da região e identifica possíveis setores impulsores do crescimento sustentável e inclusivo.

Esses setores são: energia (transição energética), eletromobilidade, economia circular, bioeconomia, indústria manufatureira da saúde, transformação digital, economia do cuidado, turismo sustentável, as micro, pequenas e médias empresas (MPME) e a economia social e solidária.

 Rumo à transformação do modelo de desenvolvimento na América Latina e no Caribe: produção, inclusão e sustentabilidade.
Legenda: A América Latina e o Caribe devem redobrar esforços para transformar os modelos de desenvolvimento e colocar no centro políticas de transformação e diversificação produtiva.
Foto: © Reprodução/CEPAL

Em seu 39º período de sessões, que começa nesta segunda-feira (24), em Buenos Aires, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentará aos países da região sua proposta para impulsionar um crescimento mais alto e sustentado e um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

A América Latina e o Caribe precisam de políticas públicas ambiciosas para superar a profunda crise que viveu nos últimos dez anos. A região, que está passando por uma crise de desenvolvimento em meio a uma década perdida, não pode transformar os modelos de desenvolvimento fazendo o mesmo ou aquilo que funciona em pequena escala. O momento não é para mudanças graduais e tímidas, mas para políticas transformadoras e audazes que realmente impulsionem o desenvolvimento. Por isso, a CEPAL propõe 10 áreas prioritárias de política para transformar o modelo de desenvolvimento da região e identifica possíveis setores impulsores do crescimento sustentável e inclusivo.

Esta é a proposta que a CEPAL apresenta a seus 46 Estados-membros e 14 países associados durante o 39º período de sessões, a reunião bienal mais importante desta comissão regional das Nações Unidas, que começa hoje (24) e segue até  26 de outubro em Buenos Aires, Argentina.

No evento, que reúne altas autoridades da região, além de pesquisadores, acadêmicos de renome mundial, representantes da sociedade civil e funcionários internacionais, o secretário executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, divulgará o documento institucional “Rumo à transformação do modelo de desenvolvimento na América Latina e no Caribe: produção, inclusão e sustentabilidade”, no qual o organismo apresenta aos países sua proposta de recuperação e desenvolvimento sustentável no novo contexto global e regional.

Em seus cinco capítulos o relatório analisa, entre outros temas, o presente e o futuro da globalização e a heterogeneidade produtiva própria da região e discute políticas para o desenvolvimento produtivo sustentável. Além disso, aborda a dinâmica entre o emprego e a proteção social e a importância dos impulsos setoriais para reativar o crescimento econômico. Também examina outras temáticas, como a economia circular, a economia do cuidado e a transformação digital, e apresenta um conjunto de recomendações de política para o desenvolvimento sustentável no novo panorama internacional e regional.

Crises - Segundo o documento, em 2022 os países da região enfrentam os efeitos de uma série de crises em cascata: climática, de saúde, de emprego, social, educativa, de segurança alimentar, energética e de custo de vida; todas elas impactam com diversa intensidade e variadas características muitos países, inclusive os da América Latina e do Caribe.

Na região, a combinação de fatores externos e internos reduziu a capacidade de crescimento econômico e de geração de empregos de qualidade e dificultou sua luta contra a pobreza e a pobreza extrema. Suas estruturas econômicas e sociais se enfraqueceram e ingressaram em situações que reforçam a inércia de um fraco desempenho econômico.

A esse respeito, a publicação assinala que, após a baixa taxa média anual de crescimento econômico de 0,6% registrada no período 2014-2019, uma contração histórica de 6,9% em 2020 e uma recuperação de 6,5% em 2021, a CEPAL estima que as economias da América Latina e do Caribe crescerão 3,2% em 2022 e se espera uma forte desaceleração com um crescimento projetado de 1,4% em 2023.

Inflação - Além disso, recentemente o menor crescimento da atividade econômica esteve acompanhado de um significativo aumento na taxa de inflação. Em junho de 2022 a média regional foi de 8,4%, mais de duas vezes a média observada entre janeiro de 2005 e dezembro de 2019 (de 4,1%). Por outro lado, a situação fiscal dos países da região deteriorou- se devido aos grandes esforços fiscais para combater os piores momentos da crise da COVID-19 e suas consequências sociais. 

Paralelamente a isso, a situação social na região também se deteriorou, com aumentos consideráveis nos níveis de pobreza, refletindo os efeitos da pandemia e da recessão econômica que a acompanhou. Em 2020, a CEPAL calculou que a pobreza e a pobreza extrema alcançaram, respectivamente, 33% e 13,1% da população. Em 2021, a incipiente recuperação das economias se traduziu numa queda muito modesta da pobreza para 32,1% e num aumento marginal, mas contínuo, da pobreza extrema para 13,8%.

“Neste contexto os países da região devem adotar políticas que permitam dinamizar o crescimento sustentável, atenuar as pressões inflacionárias, gerar empregos de qualidade e mitigar os custos sociais, além de reduzir a pobreza e a desigualdade. Tudo isto representa sérios desafios para os sistemas políticos e de governança e para as capacidades técnicas, operacionais e políticas das instituições públicas”, assinala o documento da CEPAL.

Proposta - Ao longo de sua história, a Comissão sempre insistiu que as políticas macroeconômicas importam, e muito, para a dinâmica da mudança estrutural e o desenvolvimento produtivo, mas também que as políticas microeconômicas e setoriais são essenciais. Em outras palavras, são necessárias políticas de desenvolvimento produtivo tanto transversais como setoriais.

Nesta linha de pensamento, a CEPAL propõe para a região uma série de setores que podem dinamizar a transformação produtiva e estrutural, bem como o investimento e a criação de empregos. Esses setores são: energia (transição energética), eletromobilidade, economia circular, bioeconomia, indústria manufatureira da saúde, transformação digital, economia do cuidado, turismo sustentável, as micro, pequenas e médias empresas (MPME) e a economia social e solidária.

Em suas propostas o organismo regional das Nações Unidas ressalta a urgência de se atuar para recuperar o investimento e o crescimento, reconhece o papel central do Estado na formulação e execução de políticas para a transformação do modelo de desenvolvimento e argumenta sobre a importância de avançar no fortalecimento das parcerias público-privadas.

Para articular um universo tão amplo de problemas e alternativas de política, a CEPAL sublinha a necessidade de avançar nos pactos fiscais, produtivos, sociais e ambientais para superar os problemas da conjuntura atual e no longo prazo transitar para sociedades sustentáveis, coesas e resilientes, características que implicam avançar na concretização de Estados de bem-estar no contexto de uma sociedade do cuidado.

Painel - O documento está sendo comentado nesta segunda-feira, 24 de outubro, desde às 9h50 (hora da Argentina, GMT-3) por um painel de alto nível no âmbito do 39º período de sessões da Comissão, moderado pelo ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina, Santiago Cafiero, no qual participam o Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, a professora de Economia da Inovação e Valor Público na University College London, Mariana Mazzucato, o ministro da Fazenda e Crédito Público da Colômbia, José Antonio Ocampo, e a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), Rebeca Grynspan.

Tanto o painel como a reunião da CEPAL estão sendo transmitidos integralmente on-line pela internet através de diferentes do site da CEPAL e suas contas de Twitter e Facebook:



 

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UN ECLAC
United Nations Economic Commission for Latin America
CEPAL
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe

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