Remdesivir e interferon têm pouco ou nenhum efeito para prevenir morte por Covid-19

  • Resultados provisórios de um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que os medicamentos remdesivir e interferon têm pouco ou nenhum efeito na prevenção da morte por COVID-19 ou na redução do tempo no hospital. 
  • A iniciativa, conhecida como Ensaio Solidariedade, é o maior estudo clínico do mundo sobre tratamentos contra o novo coronavírus, envolvendo quase 13 mil pacientes em 500 hospitais em 30 países. 
  • Em junho, a OMS já tinha interrompido estudos sobre hidroxicloroquina. Até o momento, corticosteroide dexametasona é o único medicamento com eficácia comprovada em pacientes com a forma grave da doença. 
Enfermeira que se recuperou do COVID-19 está de volta ao trabalho ajudando pacientes em um hospital em Malaui.
Enfermeira que se recuperou do COVID-19 está de volta ao trabalho ajudando pacientes em um hospital em Malaui.

Resultados provisórios de um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que os medicamentos remdesivir e interferon têm pouco ou nenhum efeito na prevenção da morte por COVID-19 ou na redução do tempo no hospital. 

A iniciativa, conhecida como Ensaio Solidariedade, é o maior estudo clínico do mundo sobre tratamentos contra o novo coronavírus, envolvendo quase 13 mil pacientes em 500 hospitais em 30 países. A agência revelou que os resultados completos serão publicados em breve em uma revista científica. 

Em junho, a OMS já tinha interrompido estudos sobre hidroxicloroquina.  No mês seguinte, anunciou que não aceitaria mais pacientes para receber a combinação de lopinavir e ritonavir. Até o momento, corticosteroide dexametasona é o único medicamento com eficácia comprovada em pacientes com a forma grave da doença. 

O Ensaio Solidariedade continua recrutando cerca de 2 mil pacientes por mês e irá avaliar outros tratamentos, incluindo anticorpos monoclonais e novos antivirais. 

Esforços - Falando a jornalistas, em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que a agência “acolhe todos os esforços para expandir o acesso aos testes, tratamentos e vacinas.” Tedros destacou a recente proposta da África do Sul e da Índia à Organização Mundial do Comércio (OMC) de renunciar às patentes de produtos médicos para o vírus até o fim da pandemia. 

 

À medida que o inverno do hemisfério norte se aproxima, os casos estão aumentando globalmente, especialmente na Europa. Na semana passada, as notificações na Europa foram quase três vezes maiores do que durante o primeiro pico em março. 

Tedros disse que os países estão ampliando as medidas de contenção do vírus, mas lembrou que “muitas pessoas estão compreensivelmente cansadas da interrupção que a pandemia está causando em suas vidas e meios de subsistência.” 

Embora o número de mortes ocorridas na Europa na semana passada seja muito menor do que em março, as hospitalizações aumentam e muitas cidades relatam que atingirão o limite de leitos de cuidados intensivos nas próximas semanas. 

O chefe da OMS afirmou que “cada leito hospitalar ocupado por um paciente com CVODI-19 é um leito indisponível para outra pessoa com outra condição ou doença, como a gripe.” 

Gripe - Todos os anos, ocorrem até 3,5 milhões de casos graves de influenza sazonal - conhecida como gripe - em todo o mundo. No mesmo período são registradas até 650 mil mortes relacionadas a doenças do sistema respiratório. Durante o inverno deste ano do hemisfério sul, o número de casos e mortes de gripe sazonal foi menor do que o normal por causa das medidas implementadas para conter a COVID-19. 

Tedros afirma, no entanto, que não se pode presumir que o mesmo acontecerá no hemisfério norte. Ele lembra que muitas das medidas eficazes na prevenção do novo coronavírus também são eficazes na prevenção da gripe, incluindo distanciamento físico, higiene das mãos, cobertura de tosse, ventilação e máscaras. 

Além disso, embora ainda não exista uma vacina para a COVID-19, existem vacinas seguras e eficazes contra a gripe. A OMS recomenda a vacinação para cinco grupos-alvo: mulheres grávidas, pessoas com problemas de saúde preexistentes, idosos, profissionais de saúde e crianças. 

 

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
OMS
Organização Mundial da Saúde