Dia Internacional da Mulher: como elas podem aumentar a liderança em diversas áreas
08 março 2021
Photo: © Apenas 25% dos assentos parlamentares nacionais são ocupados por mulheres
No Dia Internacional da Mulher, a ONU Mulheres celebra a liderança feminina lembrando que mulheres e feministas em todo o mundo devem reivindicar mais espaço na tomada de decisões. Em todos os setores, comunidades e sociedades, as mulheres têm contribuições importantes para a liderança - uma liderança diversificada beneficia a todas as pessoas e comunidades.
Saiba, a seguir, como as mulheres têm atuado em nove áreas e como é possível aumentar a liderança de mulheres em negócios e empreendedorismo, esporte, ciência e resposta à COVID-19, ação climática, política e vida pública, movimentos e espaços cívicos, mídia e entretenimento, agricultura e construção da paz.
Negócios e empreendedorismo: Mesmo com uma nova alta recorde de CEOs mulheres em empresas, dados da Fortune 500, que lista as maiores empresas norte-americanas, apontam que apenas 7,4% das companhias são dirigidas por mulheres. A ONU Mulheres estima que as mulheres têm menos probabilidade de serem empresárias e têm mais desvantagens ao iniciar negócios. Elas também enfrentam formas cruzadas e múltiplas de práticas discriminatórias no local de trabalho, como assédio sexual, disparidade salarial de gênero e falta de políticas favoráveis à família. Isto as impedem de progredir na carreira e reivindicar posições de liderança.
Cinco maneiras para que mais mulheres possam reivindicar cargos de liderança no mundo do trabalho:
- Exigir salário igual para trabalho de igual valor.
- Solicitar políticas de licença parental que apoiem mães e pais.
- Exigir políticas de tolerância zero para o assédio sexual e a violência no local de trabalho.
- Dividir igualmente o trabalho doméstico e o os cuidados em casa.
- Exigir representação igual de mulheres nas salas de reuniões.
Esporte: De atletas a executivas, mulheres líderes no esporte inspiram mulheres e meninas de todas as esferas da vida a se empenharem por seus sonhos. Elas desafiam os estereótipos de gênero e mudam as atitudes sobre os papeis de gênero, fornecem espaços seguros e justos para mulheres e meninas e as ensinam sobre o trabalho em equipe e a perseverança. Sem a liderança feminina, os Jogos Olímpicos de Tóquio 2021 nunca se tornariam os primeiros Jogos Olímpicos com igualdade de gênero, com participação de atletas femininas em quase 49%. Apesar do progresso e de muitos recordes quebrados, as mulheres continuam a ser excluídas de certos esportes e recebem muito menos do que os homens em salários e prêmios.
Cinco maneiras de ajudar mulheres a reivindicar posições de liderança no esporte:
- Aumentar a consciência, mudar as percepções – qualquer esporte é um esporte para mulheres e meninas.
- Exigir pagamento igual e prêmio em dinheiro para eventos femininos e masculinos.
- Informar-se e apoiar atletas e equipes femininas.
- Usar o esporte como uma plataforma para falar pela igualdade e como uma ferramenta para empoderar mulheres e meninas.
- Denunciar o sexismo em eventos esportivos e celebrar os sucessos das mulheres atletas.
Ciência e resposta COVID-19: Para superar a pandemia da COVID-19 e se recuperar da crise global em curso, o mundo precisa da ciência e a ciência precisa das mulheres. Na linha de frente da resposta, elas são profissionais de saúde e inovadoras, pesquisando vacinas, tratamentos pioneiros e inspirando meninas a serem forças em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. As mulheres representam 70% entre profissionais de saúde e de assistência social. No entanto, elas permanecem sub-representadas na tomada de decisões e liderança, pois representam apenas 30% das lideranças no setor de saúde global. Barreiras sistêmicas, preconceito de gênero, discriminação e estereótipos de gênero continuam a impedir que as mulheres cresçam nas carreiras de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, o que limita a diversidade de inovadores que estão tentando encontrar soluções para os desafios mais urgentes, das mudanças climáticas à crise da COVID-19.
Cinco maneiras de ajudar mulheres a reivindicar liderança na ciência:
- Aumentar a conscientização entre crianças, educadores e pais para rejeitar o preconceito de gênero – qualquer carreira em ciência, tecnologia, engenharia e matemática é uma carreira de mulher.
- Encontrar e elevar mulheres e meninas nos campos da ciência.
- Ouvir a experiência de mulheres e confiar em suas pesquisas.
- Dar mentoria para mulheres e meninas em ciência e tecnologia, incentivando-as a ter objetivos elevados.
- Defender a inclusão de mulheres na resposta e recuperação da pandemia COVID-19 em nível nacional e local.
Ação Climática: As mulheres em todo o mundo são desproporcionalmente afetadas pelas mudanças climáticas. Os desastres humanitários induzidos pelo clima costumam piorar as desigualdades de gênero existentes, deixando mulheres e meninas sujeitas a taxas mais altas de violência e desnutrição. Sem mulheres líderes no movimento climático, as soluções e a resposta à emergência climática continuarão a excluir as necessidades das mulheres e a minar seus direitos. Segundo a ONU Mulheres, os homens ocupam 67% dos papeis de tomada de decisão relacionados ao clima.
Cinco maneiras de apoiar a liderança das mulheres na ação climática:
- Apoiar e eleger mulheres que estão pressionando por políticas ambientais.
- Exigir ação governamental para um mundo zero carbono.
- Ouvir a ampliar as vozes de mulheres e meninas no movimento climático.
- Exigir representação igual das mulheres em forças-tarefa de ação climática, equipes, comitês, etc. em nível local e nacional.
- Ler e compartilhar histórias de mulheres na vanguarda da ação climática em todo o mundo.
Política e vida pública: As mulheres são chefes de estado ou de governo em apenas 22 países, e 119 países nunca tiveram uma líder mulher. Apenas 25% dos assentos parlamentares nacionais são ocupados por mulheres e os dados de 133 países indicam que as mulheres representam apenas 36% dos membros eleitos dos órgãos deliberativos locais. Quando as mulheres estão sub-representadas nas tomadas de decisão públicas, as políticas podem não refletir suas necessidades e prioridades.
Cinco maneiras de ajudar as mulheres a reivindicar liderança política:
- Apoiar candidatas feministas.
- Apoiar o alcance da comunidade e o treinamento de capacitação para mulheres que enfrentam formas múltiplas e cruzadas de discriminação para participar da vida pública e da política.
- Pedir que cotas de gênero sejam adotadas e aplicadas e pedir metas mais ousadas de representação igual.
- Exigir que a violência contra as mulheres na vida política e pública, tanto on-line como offline, seja criminalizada e prevenida.
- Incentivar partidos políticos para financiar campanhas de candidatas e promover sua liderança
Movimentos e espaços cívicos: Movimentos feministas fortes são a base para democracias prósperas e um catalisador de mudanças positivas. As mulheres são líderes em todas as formas de engajamento cívico, desde sindicatos e universidades até a mídia e movimentos por justiça social. Esses movimentos desempenham um papel essencial na responsabilização de governos e na promoção de mudanças sociais. Em todo o mundo, o espaço para o discurso e os movimentos civis estão diminuindo. Existem mais leis que restringem a liberdade de reunião, criando obstáculos para que organizações e movimentos de mulheres se registrem, se envolvam em advocacy, recebam financiamento externo e relatem e monitorem questões de direitos humanos em alguns países. Mulheres defensoras dos direitos humanos enfrentam campanhas de difamação, ataques físicos, assédio e intimidação. Desde 2008, a repressão da sociedade civil se aprofundou em 26 países, enquanto as condições melhoraram em apenas 17. Apesar dessas ameaças, as novas gerações de jovens feministas continuam a trazer energia e estratégias inovadoras para a luta pelos direitos das mulheres.
Cinco maneiras de ajudar as mulheres a reivindicar liderança em espaços e movimentos cívicos:
- Usar a voz e plataformas nas mídias sociais e engajamentos pessoais para levantar a voz das mulheres líderes.
- Financiar organizações feministas e organizações de direitos das mulheres.
- Ouvir e amplificar as vozes e experiências das mulheres, especialmente as de comunidades minoritárias ou marginalizadas.
- Exigir que as mulheres defensoras dos direitos humanos, membros de organizações de mulheres e movimentos feministas sejam protegidos da violência.
- Ensinar à próxima geração a importância da igualdade de gênero e apoiar o ativismo de mulheres e meninas.
Mídia e entretenimento: A mídia desempenha um papel crítico na amplificação das vozes e histórias das mulheres e chamando a atenção para questões-chave. Mas, com as mulheres ocupando apenas 27%dos cargos de alta administração em organizações de mídia, segundo dados da ONU Mulheres, filmes, livros, jornais, podcasts e outros meios poderosos continuam a ser dominados por histórias, perspectivas e narrativas masculinas, escritas, produzidas e hospedadas por homens.
Uma análise de filmes populares em 11 países feita em 2014 descobriu que 31% de todos os personagens falantes eram mulheres e que apenas 23% apresentavam uma protagonista feminina – um número que espelhava de perto a porcentagem de cineastas (21%). Quando as mulheres são retratadas, muitas vezes são personagens unidimensionais ou objetos sexuais devido à perspectiva machista. Nos meios de comunicação, apenas 24% das pessoas ouvidas, lidas ou vistas nos jornais, na televisão e no rádio são mulheres (dados do Projeto de Monitoramento Global de Mídia, 2015). Na cobertura de notícias globais da COVID-19, apenas uma em cada cinco fontes especializadas consultadas eram mulheres.
Cinco maneiras de ajudar as mulheres a reivindicar papeis de liderança na mídia:
- Denunciar estereótipos e sub-representação das mulheres na mídia e no entretenimento.
- Consumir mídia criada por e sobre mulheres.
- Exigir representação igual e diversa na tela e nos bastidores.
- Ler, assistir e ouvir artigos sobre igualdade de gênero.
- Ser ativa e ativo em plataformas on-line para amplificar a voz das mulheres e enfrentar a violência e o assédio às mulheres criadoras.
Agricultura: Uma vez que mais de um terço do emprego feminino está na agricultura, aumentar o acesso das mulheres à terra e fornecer melhor apoio às agricultoras é essencial. As mulheres garantem a segurança alimentar de suas comunidades e criam resiliência climática. Mas quando se trata de possuir terras, acessar insumos agrícolas, financiamento e tecnologias para resiliência climática, elas ficam para trás dos homens. Essas agricultoras geralmente são as guardiãs do conhecimento tradicional e as administradoras dos recursos naturais em suas comunidades. Sua experiência e percepções valiosas podem levar a uma melhor compreensão da gestão de recursos escassos e mitigação de riscos climáticos.
Cinco maneiras de apoiar a liderança das mulheres na agricultura:
- Defender o aumento de dados sobre mulheres rurais e mulheres na agricultura.
- Exigir que as mulheres tenham controle igualitário e propriedade da terra, inclusive por meio de direitos de herança, em todos os países do mundo.
- Comprar de fazendas locais administradas por mulheres ou empresas relacionadas.
- Apoiar organizações de mulheres que treinam e empoderam mulheres na agricultura.
- Amplificar as vozes das mulheres rurais enquanto elas clamam pela igualdade de gênero.
Construção da paz: A liderança das mulheres é a chave para a paz sustentável. Ela é necessária com urgência à medida que os conflitos e as crises humanitárias se tornam cada vez mais complexos, violentos e prolongados. Embora as mulheres frequentemente enfrentem maiores níveis de violência e desigualdade em tempos de guerra e instabilidade, elas estão na linha de frente dos esforços para liderar suas comunidades em direção a soluções pacíficas. Quando grupos e lideranças de mulheres estão envolvidos em negociações de paz, é mais provável que um acordo seja alcançado e implementado. No entanto, a maioria dos negociadores, mediadores e signatários em processos de paz ainda são homens.
Cinco maneiras de ajudar as mulheres a reivindicar liderança em processos de paz:
- Insistir para que as mulheres tenham assento na mesa de paz como mediadoras, negociadoras, signatárias e testemunhas dos acordos de paz.
- Exigir que a experiência em gênero esteja disponível em todo o processo de paz e os direitos das mulheres e uma perspectiva de gênero sejam incluídos nas disposições do acordo de paz.
- Acreditar no poder da solidariedade das mulheres e fortalecer as redes e coalizões de mulheres.
- Apoiar e financiar organizações de mulheres que operam na linha de frente da construção da paz local e da resposta humanitária.
- Solicitar serviços que respondam e previnam a violência de gênero em ambientes de conflito e pós-conflito e protejam as mulheres construtoras da paz e defensoras dos direitos humanos.