Sistemas agroalimentares devem estar no centro da recuperação da pandemia, recomendam ministros da agricultura das Américas
19 abril 2021
- Nesta quinta-feira (15), os ministros, ministras e secretários da Agricultura das Américas realizaram a III Reunião Hemisférica, com a participação de 31 países da América Latina e Caribe, Estados Unidos e Canadá. O encontro permitiu compartilhar o andamento das políticas, planos e ações para conter os efeitos da COVID-19 nas Américas, bem como as iniciativas de recuperação com transformação dos sistemas agroalimentares.
- O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, elogiou a contribuição da região para evitar que a crise sanitária da COVID-19 se transforme em uma crise alimentar. “Agora eles devem ser os arquitetos da recuperação, uma recuperação com transformação”.
Nesta quinta-feira (15), os ministros, ministras e secretários da Agricultura das Américas realizaram a III Reunião Hemisférica, com a participação de 31 países da América Latina e Caribe, Estados Unidos e Canadá. O encontro permitiu compartilhar o andamento das políticas, planos e ações para conter os efeitos da COVID-19 nas Américas, bem como as iniciativas de recuperação com transformação dos sistemas agroalimentares.
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, elogiou a contribuição da região para evitar que a crise sanitária da COVID-19 se transforme em uma crise alimentar. “Agora eles devem ser os arquitetos da recuperação, uma recuperação com transformação”. Segundo ele, esta transformação exigirá inovação e digitalização, maior produtividade agrícola e um sistema agroalimentar sustentável que garanta dietas seguras e saudáveis.
O diretor-geral da FAO disse ainda que serão necessários investimentos públicos e privados para criar sistemas agroalimentares com menor pegada de carbono, que protejam e conservem o meio ambiente e a biodiversidade, promovendo maior equidade para pequenos agricultores, povos indígenas, mulheres e jovens rurais.
“Nas últimas décadas, nossos países deram forte impulso ao agronegócio e à agroexportação. Depois da pandemia, devemos complementar esses esforços com políticas públicas para garantir a nutrição sustentável de nossas populações”, disse o Ministro do Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru, Federico Tenorio.
Tenorio destacou o papel que os sistemas agroalimentares têm desempenhado no desenvolvimento das Américas nas últimas décadas: “Se antes contribuíam para dar respostas à pobreza e à desigualdade, hoje devem enfrentar a pandemia e seu impacto na segurança alimentar, dando acesso a dietas saudáveis e produtos variados no mundo rural e urbano".
O diretor geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Manuel Otero, acolheu com satisfação a discussão sobre os sistemas agroalimentares durante a reunião. “O prefixo agro é fundamental: com ele se reconhece que, sem produção agrícola, não há matérias-primas que depois se transformam em alimentos e, portanto, seria uma utopia alcançar a segurança alimentar”.
Otero acrescentou ainda que os sistemas agroalimentares já estão em um processo de mudança irreversível, que deve continuar a evoluir por meio de uma aliança sinérgica com o meio ambiente. "Estamos diante de uma grande oportunidade de desenvolver sistemas mais maduros, com respeito irrestrito ao meio ambiente e ênfase na qualidade nutricional”.
O diretor geral do IICA renovou o seu apoio à Cúpula de Sistemas Alimentares convocada pela ONU, destacando que é necessário aumentar a representação da América Latina e do Caribe e seus agricultores.
O representante regional da FAO, Julio Berdegué, também instou aos ministros, ministras e secretários da Agricultura, “a colocarem sobre a mesa os objetivos de seus países e as condições para alcançar essa transformação, no período anterior à Cúpula de Sistemas Alimentares. A América Latina e o Caribe devem desempenhar um papel fundamental e ser um exemplo em nível global. A transformação dos sistemas agroalimentares já está em andamento e é imparável”, disse.
É preciso enfrentar o impacto da pandemia
O impacto da pandemia foi sentido mais forte na América Latina e no Caribe do que em quase qualquer outro lugar do mundo: a região sofreu 27,8% das mortes globais por COVID-19.
Durante a III Reunião Hemisférica, o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, explicou que a região terá uma queda de 7,7% no PIB, um retrocesso de 20 anos nos níveis de extrema pobreza e um retrocesso de 12 anos na pobreza. “O maior declínio econômico do mundo como resultado da COVID-19 será visto na América Latina e no Caribe. Cerca de 2,7 milhões de empresas fecharam. Pode levar uma década para a região retornar ao nível pré-pandêmico”, disse.
Perante este impacto, Torero apelou ao aumento da resiliência do sistema agroalimentar regional, com investimentos em sistemas de alerta precoce, a abordagem de Saúde Única; melhorias nos sistemas de proteção social e redirecionamento de subsídios e apoios produtivos.
Sobre a reunião
A reunião – convocada pelos ministros e secretários da Agricultura das Américas – foi presidida pelo Ministro de Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru, Federico Tenorio Calderón; com o apoio, como secretaria técnica, da FAO e do Instituto Interamericano de Cooperação para a agricultura (IICA).
Na primeira reunião hemisférica, em abril de 2020, ministros e secretários de 34 países abriram um espaço de diálogo para comparar políticas e ações destinadas a prevenir o colapso dos sistemas alimentares.
No segundo encontro, em julho de 2020, eles compartilharam informações atualizadas sobre as ações que estão sendo realizadas para sustentar o comércio agroalimentar internacional, a segurança alimentar, os fluxos comerciais, as cadeias produtivas e para garantir o acesso dos agricultores familiares aos mercados de insumos e produtos em meio à pandemia.
Contatos para Imprensa:
- FAO: Benjamín Labatut / oficial de imprensa e conteúdo / email: benjamin.labatut@fao.org
- Instituto Interamericano de Cooperação para a agricultura (IICA): comunicacion.institucional@iica.int