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Relatório da ONU mostra como a "armadilha" da dependência de commodities pode ser superada

05 julho 2021

  • Um relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) destaca a correlação entre baixa capacidade tecnológica e alta dependência de commodities. 
  • Os autores defendem que os países em desenvolvimento devem aumentar suas capacidades tecnológicas para escapar da "armadilha" que deixa a maioria de suas populações pobres e vulneráveis.
  • O recado se estende a cerca de dois terços das economias em desenvolvimento no mundo, que dependem da exportação de bens primários. 
  • “A dependência de commodities é um estado difícil de mudar”, avalia a secretária-geral em exercício da UNCTAD, “mas não deve ser vista como uma sina”.
  • Para reverter esse quadro e desenvolver um modelo de comércio mais lucrativo e especializado, a saída apontada pelos especialistas da UNCTAD é o investimento em tecnologia e inovação. 
Legenda: O relatório mostra que um país que depende de commodities obtém pelo menos 60% de suas receitas de exportação de mercadorias de bens primários
Foto: © v2osk/Unsplash

O novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), liberado nesta quarta-feira (7), faz uma análise voltada para as possibilidades dos países em desenvolvimento cujas economias dependem do comércio de commodities. Os autores defendem que essas nações devem aumentar suas capacidades tecnológicas para escapar da "armadilha" que deixa a maioria de suas populações pobres e vulneráveis, limitada ao comércio de bens primários.

O relatório destaca a correlação entre baixa capacidade de tecnologia e alta dependência de commodities. Os autores advertem que a maioria dos países em desenvolvimento dependentes da comercialização de produtos primários permanecerá limitada à exportação desses bens no futuro próximo, a menos que usem tecnologia para transformar suas economias. Cerca de 95% dos países cujas economias eram dependentes de commodities em 1995 permaneceram assim em 2018. 

Com base nos indicadores levantados, a UNCTAD conclui que países em desenvolvimento dependentes de commodities precisam passar por um processo de transformação estrutural habilitado pela tecnologia, por meio do qual novos setores como manufatura e serviços de alto valor ganham importância, tornando as commodities menos centrais para a economia. 

Na perspectiva dos autores, "a armadilha da dependência de commodities pode ser superada". Um dos exemplos de diversificação tardia, mas efetiva, é a Costa Rica, que foi muito dependente de produtos primários agrícolas até a década de 1980, e diversificou sua economia nos setores agrícola e não agrícola. A Indonésia, por sua vez, usou as receitas inesperadas do petróleo para investir na agricultura e em outros setores que não as commodities. 

“Se os países em desenvolvimento adotarem novas tecnologias e inovação e receberem o apoio certo da comunidade internacional, eles podem transformar e usar sua riqueza de recursos para obter melhores resultados", disse a secretária-geral em exercício da UNCTAD, Isabelle Durant. “Caso contrário, essas nações e suas populações ficarão tão vulneráveis ​​ao próximo choque quanto estavam aos efeitos da pandemia do novo coronavírus”, alertou Durant.

O recado da secretária-geral da UNCTAD se estende a cerca de dois terços das economias em desenvolvimento no mundo, que dependem da exportação de bens primários. O relatório mostra que um país que depende  de commodities obtém pelo menos 60% de suas receitas de exportação de mercadorias de bens primários, como cacau, café, algodão, cobre, lítio ou petróleo. Para reverter esse quadro e desenvolver um modelo de comércio mais lucrativo e especializado, a saída apontada pelos especialistas é o investimento em tecnologia e inovação. 

UNCTAD - A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento apoia os países em desenvolvimento para que tenham acesso aos benefícios de uma economia globalizada de forma mais justa e eficaz. O seu objetivo geral é ajudar a equipá-los para lidar com as desvantagens potenciais de uma maior integração econômica. Para isso, fornece análises, facilita a construção de consensos e oferece assistência técnica. Isso os ajuda a usar o comércio, o investimento, as finanças e a tecnologia como veículos para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Para ler o relatório em inglês, acesse aqui.

Para ler a matéria completa, acesse aqui.

 

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