Redes de terroristas se adaptam a novas tecnologias e se movimentam online, observa especialista
20 agosto 2021
- Às vésperas do Dia Internacional de Memória e Homenagem às Vítimas do Terrorismo, celebrado anualmente em 21 de agosto, o chefe de contraterrorismo da ONU, Vladimir Voronkov, apresentou um relatório ao Conselho de Segurança.
- Entre as principais ameaças representadas por grupos terroristas, Voronkov destacou a "implacável expansão" do grupo autodenominado Estado Islâmico ou Da'esh pelo continente africano, que matou civis em países como Mali, Burkina Faso, Níger e Moçambique.
- O alto funcionário da ONU também manifestou preocupação com movimentação online de grupos terroristas, que têm se mostrado capazes de se adaptar rapidamente às novas tecnologias.
- No momento em que o mundo volta seus olhos para situação no Afeganistão, Voronkov frisou que é importante que garantir que o país nunca mais seja usado como "plataforma de lançamento para o terrorismo global”.
Duas décadas após os ataques terroristas de 11 de setembro em Nova Iorque, as redes terroristas Al-Qaeda e o Estado Islâmico - também conhecido como Da'esh - continuam a representar uma grave ameaça à paz e à segurança, adaptando-se a novas tecnologias e entrando em algumas das regiões mais frágeis, disse o chefe de contraterrorismo da ONU, Vladimir Voronkov, ao Conselho de Segurança na quinta-feira (20).
Voronkov apresentou o último relatório do secretário-geral sobre as ameaças representadas por grupos terroristas, dizendo que o Da'esh continua a explorar a disrupção, ressentimentos e retrocessos no desenvolvimento causados pela pandemia para se reagrupar, recrutar novos seguidores e intensificar suas atividades - tanto online como no terreno.
Ameaça em desenvolvimento - “Hoje, enfrentamos ameaças terroristas transnacionais como Da'esh e Al-Qaeda, que são duradouras e capazes de se adaptar a novas tecnologias, mas também se expandem para incluir indivíduos e grupos que cometem ataques terroristas ligados à xenofobia, racismo e outras formas de intolerância” , disse o funcionário da ONU.
A arquitetura antiterrorismo da ONU, em grande parte criada após o ataque de 11 de setembro, ajuda os Estados-membros a implementar estruturas eficazes para prevenir, abordar, investigar e processar atos de terrorismo. Ela também está aumentando os esforços para ajudar os países a se adaptarem à natureza em mudança da ameaça, que se tornou mais digital e descentralizada nos últimos anos.
Observando que o mundo está testemunhando uma situação em rápida evolução no Afeganistão "que poderia ter implicações de longo alcance" no mundo todo, ele citou a presença ampliada do Da'esh naquele país e apontou que vários membros do Talibã foram designados como terroristas pelo Conselho de Segurança.
“Precisamos garantir que o Afeganistão nunca mais seja usado como plataforma de lançamento para o terrorismo global”, frisou o funcionário da ONU.
O relato ao Conselho antecedeu a quarta comemoração do Dia Internacional de Memória e Homenagem às Vítimas do Terrorismo, celebrado anualmente em 21 de agosto.
Da’esh na África - Enquanto o Da'esh continua focado na reconstituição de suas capacidades no Iraque e na Síria, Vornkov disse que o acontecimento mais alarmante nos últimos meses é a implacável expansão do grupo pelo continente africano.
O chamado "Estado Islâmico no Grande Saara" matou centenas de civis desde o início de 2021 em Mali, Burkina Faso e Níger, enquanto a "Província da África Ocidental" do grupo provavelmente ganhará com o enfraquecimento do Boko Haram, com mais espalhamento de terroristas e combatentes estrangeiros da Líbia.
Enquanto isso, a expansão do Da'esh na África Central - e especialmente no norte de Moçambique - pode ter implicações de longo alcance para a paz e segurança na região.
“Uma resposta global é urgentemente necessária para apoiar os esforços dos países africanos e organizações regionais para combater o terrorismo e abordar a sua interação com o conflito, com o crime organizado, a governança e as lacunas de desenvolvimento”, disse Voronkov.
Repatriando mulheres e crianças - Juntamente com a expansão do Da'esh na África e sua rápida mudança online, Voronkov também citou a detenção contínua de milhares de indivíduos com supostos vínculos com grupos terroristas como outro fator que exacerba a ameaça.
A deterioração das condições em centros de detenção e campos de deslocados no nordeste da Síria, em particular, está servindo como um grito de guerra para atividades terroristas. Essas condições já alimentaram casos de radicalização terrorista, arrecadação de fundos, contrabando de armas, treinamento e incitação ao terror.
Contra esse pano de fundo, o especialista em contraterrorismo ecoou os apelos de funcionários de toda a ONU para que os Estados-membros repatriassem voluntariamente todos os indivíduos em questão, com foco especial nas crianças.
Em setembro, o Escritório da ONU de Contraterrorismo (UNOCT) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançarão em conjunto uma estrutura global para apoiar os países que solicitam assistência com proteção, repatriação voluntária, processo judicial, reabilitação e reintegração de indivíduos com ligações suspeitas com grupos designados como terroristas voltando do Iraque e da Síria. A estrutura já foi implantada no Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão.