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Agências da ONU reforçam assistência humanitária no Haiti para ajudar sobreviventes do terremoto

27 agosto 2021

  • As agências da ONU estão reforçando sua assistência humanitária no Haiti, após o terremoto de magnitude 7.2 que atingiu a região sul do país na manhã de 14 de agosto.
  • O Programa Mundial de Alimentos (WFP) planeja fornecer ajuda alimentar para cerca de 215.000 pessoas nos departamentos de Sud, Grand'Anse e Nippes, as três áreas mais afetadas. Isso representa um aumento em relação às 138.000 pessoas que a agência apoiava antes do terremoto.
  • Enquanto isso, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) irá fortalecer a capacidade de mais de 40 instalações de saúde e hospitais, para garantir o atendimento à saúde sexual e reprodutiva de mulheres e meninas atingidas. Estimativas iniciais sugerem que mais de 22 mil mulheres devem dar à luz nos próximos três meses.
  • A ONU e seus parceiros lançaram esta semana um apelo de 187,3 milhões de dólares para fornecer abrigo, água e saneamento, cuidados emergenciais de saúde, alimentação, proteção e assistência de recuperação precoce para cerca de meio milhão de pessoas no país.
Legenda: O Programa Mundial de Alimentos da ONU está acelerando a entrega de assistência alimentar às pessoas afetadas pelo terremoto no Haiti
Foto: © Alexis Masciarelli/WFP

As agências da ONU estão reforçando sua assistência humanitária no Haiti, após o terremoto de magnitude 7.2 que atingiu a região sul do país na manhã de 14 de agosto. Segundo relatos, mais de 2.100 pessoas morreram e 12 mil ficaram feridas, tendo hospitais, escolas, igrejas, pontes e estradas reduzidas a escombros. Estima-se que mais de 130.000 casas foram danificadas ou destruídas.

Dias depois do tremor, as condições em campo se deterioraram ainda mais conforme a furacão Grace atravessou o sul do Haiti, trazendo ventos e chuvas fortes, causando inundações e deslizamentos de terra. As necessidades humanitárias das áreas afetadas são agudas na medida que os serviços foram interrompidos - ao menos 24 estabelecimentos de saúde foram completamente destruídos ou sofreram danos.

Alimentando famílias - O Programa Mundial de Alimentos (WFP) está intensificando o apoio aos haitianos que agora enfrentam casas destruídas, meios de subsistência perdidos e pouco ou nenhum acesso a alimentos, informou a agência da ONU na quinta-feira (26). A agência planeja fornecer ajuda alimentar para cerca de 215.000 pessoas nos departamentos de Sud, Grand'Anse e Nippes, as três áreas mais afetadas. Isso representa um aumento em relação às 138.000 pessoas que a agência apoiava antes do terremoto por meio de alimentos e assistência em dinheiro.

Nas últimas duas semanas, o WFP alcançou 48.000 pessoas e distribuiu mais de 15.000 refeições quentes, principalmente para pacientes em hospitais, suas famílias e equipe médica. A agência também forneceu alimentos para 13.000 pessoas em duas áreas remotas no departamento de Sud, onde os residentes disseram aos funcionários que haviam recorrido à colheita de frutas de árvores devido ao acesso limitado a alimentos.

A diretora regional do WFP para a América Latina e o Caribe, Lola Castro, que estava na cidade de Les Cayes, descreveu a cena como de partir o coração, com famílias dormindo nas ruas. “Suas casas foram reduzidas a pó. Prédios públicos como escolas, igrejas e hotéis onde poderiam encontrar abrigo temporário também foram destruídos”, disse.

“O terremoto sacudiu as pessoas que já lutavam para alimentar suas famílias devido aos choques econômicos e climáticos e à insegurança. Os efeitos combinados de múltiplas crises estão devastando comunidades no sul, que enfrentam alguns dos mais altos níveis de insegurança alimentar do país”, contou.

Legenda: A violência das gangues, junto com a agitação política recorrente e bloqueios de estradas, dificultaram o acesso ao sul. Danos em estradas e pontes e chuvas fortes criaram desafios adicionais
Foto: © Alexis Masciarelli/WFP

Ajuda às mulheres e meninas - O Fundo de População da ONU (UNFPA) está particularmente preocupado com as milhares de mulheres, adolescentes e meninas sem abrigo que permanecem com necessidades urgentes e vitais de saúde, proteção e serviços de apoio.

“Nós nos colocamos em solidariedade com o povo do Haiti, que está sofrendo com um terremoto devastador”, disse a diretora Executiva do UNFPA, Natalia Kanem. “Mulheres e meninas são desproporcionalmente afetadas durante as crises, e nós vamos trabalhar com o governo, parceiros locais e a comunidade internacional para garantir que a saúde sexual e reprodutiva e as necessidades de proteção sejam garantidas para elas, assim como a segurança e dignidade sejam preservadas”.

Para se manter serviços de saúde em meio a crise, equipes móveis de saúde serão implantadas e o UNFPA irá fortalecer a capacidade de mais de 40 instalações de saúde e hospitais, para garantir que prestadores de serviços possam administrar complicações relacionadas à gravidez, entregar serviços de planejamento reprodutivo e garantir apoio para sobreviventes de violência sexual e baseada em gênero, incluindo aconselhamento psicosocial e referenciamento para os serviços apropriados.

Kits de Saúde Reprodutiva Interagenciais, contendo suprimentos hospitalares e não-hospitalares, medicamentos para saúde materna e contraceptivos, também serão distribuídos em conjunto com equipamentos de proteção pessoal para as trabalhadoras e os trabalhadores da linha de frente.

Estimativas iniciais sugerem que mais de 22 mil mulheres devem dar à luz nos próximos três meses. Dentre essas, cerca de 3.700 terão indicação para cesariana ou sofrerão algum tipo de complicação, com consequências potencialmente fatais se o acesso a cuidados obstétricos de emergência não estiverem disponíveis.

“Como parte da resposta humanitária conjunta da ONU, nós estamos trabalhando em estreita coordenação com o governo do Haiti e com parceiros, apoiando avaliações nas áreas mais afetadas usando dados do Censo Populacional e Habitacional”, disse a representante do UNFPA no Haiti, Yves Sassenrath.

A agência já administrou emergências de saúde materna e distribuiu kits preposicionados, contendo itens de higiene básica como absorventes, sabonetes e roupas íntimas, para mulheres e meninas em Les Cayes, sul do Haiti. "Nós planejamos distribuir mais 3.500 kits nos próximos dias”, afirmou Sassenrath Como uma resposta imediata para garantir que mulheres possam dar à luz com segurança, o UNFPA também irá distribuir e equipar oito tendas de parto temporárias.

Pouco mais de uma década se passou desde o último terremoto e Furacão Matthew em 2016, e muitas das mesmas pessoas estão mais uma vez se esforçando para reconstruir suas casas e suas vidas em meio à instabilidade política, aumento da violência de gangues e uma pandemia global, que pode dificultar os esforços de alívio. Com milhares de pessoas desalojadas e dormindo nas ruas, o UNFPA está preocupado que com a interrupção de serviços, mulheres e meninas encontrem maiores riscos de violência.

“Serviços de apoio de saúde e proteção precisam ser priorizados para mulheres e meninas, assim como outros grupos vulneráveis como pessoas vivendo com deficiência”, ressaltou a representante do UNFPA no país. “Nós temos interagido com dezenas de pessoas nas comunidades afetadas desde o terremoto e gravamos suas preocupações e medos, em um esforço para garantir apoio vital adequado e imediato. Nossa tarefa mais urgente é garantir que sua saúde, bem-estar mental e direitos, permaneçam na frente e no centro de nossa resposta humanitária no Haiti”.

Apelo por financiamento - A ONU e seus parceiros lançaram esta semana um apelo de 187,3 milhões de dólares para fornecer abrigo, água e saneamento, cuidados emergenciais de saúde, alimentação, proteção e assistência de recuperação precoce para cerca de meio milhão de pessoas.

O vice-coordenador de ajuda de emergência da ONU, Ramesh Rajasingham, estava entre as autoridades que lançaram o apelo de financiamento no Haiti na quarta-feira (25), ao lado do primeiro-ministro Ariel Henry. Falando na quinta-feira na capital, Porto Príncipe, Rajasingham disse que os sobreviventes listaram o acesso à saúde, água, saneamento, abrigo, educação e proteção como as necessidades mais críticas. 

“O Haiti obviamente, como você sabe, tem sofrido ano após ano com desastres e extrema pobreza. Ocupa a 170ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano agora. Isso só incapacita a população civil de lá”, disse ele a jornalistas em coletiva na sede da ONU, em Nova Iorque.

Desafios para ajudar na entrega - O coordenador humanitário da ONU para o Haiti, Bruno Lemarquis, acrescentou que o financiamento também é necessário para ajudar as pessoas deslocadas por um aumento acentuado na violência de gangues na capital desde junho.

Aproximadamente um terço da população da grande área metropolitana foi afetada. No total, cerca de 20.000 pessoas estão deslocadas e 7.000 vivem em campos. A ONU está trabalhando com o governo para tentar realocá-los. 

A violência das gangues, junto com a agitação política recorrente e bloqueios de estradas, dificultaram o acesso ao sul. Danos em estradas e pontes e chuvas fortes criaram desafios adicionais. 

O governo haitiano negociou para permitir a passagem segura de comboios de ajuda durante o dia, e a ONU também estabeleceu meios para transportar caminhões por mar. Um helicóptero do Serviço Aéreo Humanitário da ONU (UNHAS), administrado pelo WFP, está voando com suprimentos médicos e humanitários, além de funcionários da linha de frente.

Priorizar a redução do risco de desastres - Lemarquis enfatizou a importância de aplicar as lições aprendidas com o devastador terremoto de 2010, que matou cerca de 200.000 pessoas, incluindo 102 funcionários da ONU. Ele elogiou a liderança nacional na coordenação de esforços de socorro e destacou a necessidade de os parceiros de ajuda confiarem na experiência e conhecimento local e de comprar produtos de fornecedores locais para apoiar a recuperação econômica.

O Haiti está atualmente no meio da temporada de furacões no Atlântico. Como um dos países mais propensos a desastres do mundo, Lemarquis afirmou que "obstáculos estruturais" devem ser resolvidos antes que ocorra a próxima crise. Ele apontou medidas como a aplicação de códigos de construção, bem como zoneamento e planejamento, que ajudam os países a absorver os choques.

“O Haiti, a esse respeito, não fez um trabalho muito bom, nem seus parceiros internacionais (fizeram). Muito está indo para o Haiti para a resposta, e muito pouco para evitar desastres”, afirmou ele.

Lemarquis instou os líderes e o povo do Haiti, assim como os parceiros de ajuda, a priorizar a redução do risco de desastres e a adaptação às mudanças climáticas "para que da próxima vez haja um perigo natural, em vez da perda massiva de vidas, impacto massivo no PIB e impacto massivo no desenvolvimento humano, o Haiti, como alguns de seus vizinhos, possa suportar esses riscos naturais”.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU
Organização das Nações Unidas
UNFPA
Fundo das Nações Unidas para a População
WFP
Programa Mundial de Alimentos

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa