ACNUR: na linha de frente da crise global de deslocamento
31 dezembro 2021
Conflitos novos e antigos, somados aos impactos cada vez mais desastrosos das mudanças climáticas, levaram a um aumento devastador no número de pessoas deslocadas à força em 2021. Muitas enfrentaram dificuldades adicionais resultantes da pandemia de COVID-19 e políticas de fronteira cada vez mais restritivas.
Em um ano que marcou o 70º aniversário da histórica Convenção sobre Refugiados de 1951, os princípios de cooperação internacional para proteger e preservar os direitos das pessoas forçadas a fugir nunca foram tão relevantes, nem estiveram sob tamanha ameaça.
A equipe e os parceiros do ACNUR estiveram na linha de frente de novas emergências e crises em curso em 135 países ao redor do mundo este ano.
Conflitos novos e antigos, somados aos impactos cada vez mais desastrosos das mudanças climáticas, levaram a um aumento devastador no número de pessoas deslocadas à força em 2021. Milhares de pessoas deixaram tudo para trás para escapar de violência, perseguição e violações dos direitos humanos. Muitas enfrentaram dificuldades adicionais resultantes da pandemia de COVID-19, condições meteorológicas extremas e leis de asilo e políticas de fronteira cada vez mais restritivas.
Em um ano que marcou o 70º aniversário da histórica Convenção sobre Refugiados de 1951, os princípios de cooperação internacional para proteger e preservar os direitos das pessoas forçadas a fugir nunca foram tão relevantes, nem estiveram sob tamanha ameaça.
A equipe e os parceiros do ACNUR estiveram na linha de frente de novas emergências e crises em curso em 135 países ao redor do mundo este ano. Saiba mais sobre algumas das situações que marcaram o mundo em 2021:
Afeganistão - O Afeganistão enfrentava várias crises antes mesmo da retirada das tropas estrangeiras desencadear uma escalada nos combates entre o Taleban e as antigas forças do governo. Quando o Taleban assumiu o poder em agosto, cerca de meio milhão de pessoas haviam sido recentemente deslocadas. A suspensão da ajuda externa e o congelamento de ativos governamentais, combinados com uma prolongada seca, mergulharam o país em uma grave crise econômica que em dezembro estava causando fome generalizada. Cerca de 9 milhões de afegãos estão em risco de fome.
Etiópia - O conflito que começou na região norte de Tigré, na Etiópia, em novembro de 2020, aumentou neste ano, espalhando-se para as regiões vizinhas de Amhara e Afar em outubro. Milhares de refugiados eritreus em dois campos em Tigré se viram em meio a conflitos em julho e foram forçados a fugir. Mais de 3 milhões de pessoas foram deslocadas internamente e outros milhões precisam urgentemente de alimentos e outros tipos de ajuda, que as agências humanitárias têm lutado para entregar devido à falta de acesso e à instável situação de segurança.
Bangladesh - Quatro anos depois de fugir de Mianmar para Bangladesh, os refugiados de rohingya enfrentaram um dos anos mais difíceis. A pandemia de COVID-19 trouxe mais restrições de movimento nos campos de Cox’s Bazar, enquanto um grande incêndio em março reduziu quase 10 mil abrigos a cinzas e matou 11 refugiados. Logo depois, uma temporada severa de monções desencadeou inundações extremas, forçando cerca de 24 mil refugiados a abandonar suas casas, deixando em evidência a ameaça representada por ciclones mais frequentes e intensos como resultado das mudanças climáticas.
Apatridia - Embora 4,2 milhões de pessoas em todo o mundo sejam conhecidas como apátridas, o número real provavelmente é muito maior. Sem cidadania, muitas vezes elas carecem da proteção de qualquer governo. Como resultado, apátridas podem cair no esquecimento durante as situações de conflito e deslocamento e se verem excluídos do acesso ao emprego legal e aos serviços governamentais. No entanto, cada vez mais países estão aderindo à Convenção das Nações Unidas para a Redução da Apatridia, que completou 60 anos neste ano. Com a recente adesão de Islândia e Togo, o número total de países signatários subiu para 77.
Iêmen - Após mais de seis anos de conflito, a sobrevivência é uma luta diária para milhões de iemenitas deslocados. Este ano, o conflito mudou para Marib, uma região que por muito tempo foi um refúgio para pessoas que fugiram dos combates em outras partes do país. À medida que as linhas de frente de combate se aproximam cada vez mais de áreas densamente povoadas, incluindo campos para deslocados internos, dezenas de milhares de pessoas tiveram que fugir. Para muitos, foi o terceiro ou o quarto deslocamento desde o início da guerra.
O Sahel Central - Na África, grupos extremistas continuaram a impulsionar o deslocamento na volátil região do Sahel Central, que inclui Mali, Níger e Burkina Faso. Só em Burkina Faso, mais de 1,4 milhão de pessoas foram deslocadas internamente nos últimos dois anos e os ataques a civis e forças de segurança continuaram ao longo do ano. Mali e Níger também experimentaram um aumento acentuado de violência e deslocamento em 2021.
COVID-19 - Enquanto o mundo luta contra as novas variantes da COVID-19 e novas ondas de infecção, o impacto da pandemia nas pessoas deslocadas à força tem sido particularmente devastador. Em países de baixa renda que acolhem a maioria dos refugiados, o acesso desigual às vacinas e os sistemas de saúde frágeis os deixaram expostos a doenças e morte. Além dos riscos para a saúde, os deslocados que dependiam fortemente do trabalho informal foram os primeiros a perder seus empregos e casas, aumentando o sofrimento e o risco de exploração.
Emergência climática - Em 2021, em todas as regiões do mundo, as mudanças climáticas continuaram a impulsionar o deslocamento e a tornar a vida ainda mais precária para aqueles que já eram forçados a fugir. Desde seca no Afeganistão até inundações no Sudão do Sul e a luta entre comunidades pelos escassos recursos hídricos em Camarões, a mudança climática contribuiu para aumentar a pobreza, a instabilidade, o conflito e o movimento humano. Na conferência da ONU sobre mudança climática (COP26) em Glasgow, em novembro, a questão do deslocamento relacionado ao clima estava na agenda, mas pouco acordo foi alcançado sobre as ações para proteger os deslocados das mudanças climáticas.
Norte de Moçambique - Em março, um ataque brutal perpetrado por um grupo armado na cidade costeira de Palma, no norte de Moçambique, deslocou cerca de 70 mil pessoas, elevando o número total de deslocados na província de Cabo Delgado para quase 800 mil. Milhares fugiram para Pemba, a capital da província, enquanto outros tentaram cruzar a fronteira próxima com a Tanzânia para buscar proteção, mas foram impedidos.
Mianmar - A tomada militar em 1º de fevereiro gerou protestos em massa e confrontos entre as Forças Armadas de Mianmar e organizações armadas étnicas. Em dezembro, cerca de 284 mil pessoas haviam sido deslocadas em todo o país. Outras 22 mil pessoas cruzaram a fronteira, principalmente rumo à Índia, mas também para a Tailândia. Para agravar a situação, severas enchentes afetaram grandes áreas do país em julho.
República Democrática do Congo - Vários surtos de conflito e violência afetaram várias partes da República Democrática do Congo em 2021, forçando milhares a fugir em um país onde 5,6 milhões de pessoas estão agora deslocadas internamente. As províncias orientais de Ituri, Kivu do Norte e do Sul ficaram especialmente voláteis e caracterizadas por atrocidades contra civis perpetradas por dezenas de grupos armados que disputavam o controle. Em maio, a erupção do vulcão Monte Nyiragongo deixou milhares de pessoas desabrigadas perto da cidade de Goma.
Paquistão - Seleema Rehman teve que superar vários obstáculos como uma refugiada afegã que vivia no Paquistão para seguir na escola e realizar o sonho de estudar medicina. Depois de ganhar uma bolsa de estudos universitária e se formar como ginecologista em 2020, ela se viu na linha de frente da resposta à COVID-19, tratando mulheres com o vírus que estavam dando à luz. Este ano, ela realizou outro sonho e abriu sua própria clínica em Attock, onde oferece cuidados de saúde a preços acessíveis para refugiadas e moradoras locais. Por seu compromisso com a comunidade, Seleema foi escolhida como a vencedora regional para a Ásia para o Prêmio Nansen do ACNUR de 2021.