Guerra na Ucrânia já forçou o deslocamento de 100 mil famílias
25 fevereiro 2022
Dois dias após o início da chamada “operação militar especial” da Rússia na Ucrânia, as diversas agências humanitárias da ONU divulgaram comunicados informando a situação no país.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) informou que oficialmente 127 civis foram vítimas dos bombardeios. Destes, 25 estão mortos e outros 102 feridos. A agência acredita que o dado esteja subnotificado.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) também informou que ao menos 100 mil famílias já foram obrigadas a deixar suas casas no país e os países vizinhos, como Moldávia, Polônia e Romênia já estão recebendo refugiados do conflito.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também se pronunciou sobre as operações, chamando atenção para a sobrecarga das equipes médicas na Ucrânia e a escassez de kits médicos na região.
A situação dentro da Rússia é outro motivo de preocupação para as Nações Unidas. Lá, oficialmente 1,8 mil pessoas foram detidas por participarem de protestos anti-guerra.
Em meio a inúmeros relatos de mortos e feridos pelos ataques com mísseis em diversas cidades da Ucrânia, inclusive na capital Kyiv, destacam-se as histórias de famílias aterrorizadas que foram forçadas a procurar abrigo no subsolo, buscando escapar das consequências mortais da chamada “operação militar especial” da Rússia no país vizinho. A Organização das Nações Unidas chamou atenção para o relato dessas famílias nesta sexta-feira (25), lembrando que ao menos 100 mil pessoas foram deslocadas de suas residências por conta dos ataques.
“Houve grandes ataques em Kyiv que criaram medo e pânico entre a população, com famílias realmente assustadas, movendo-se com seus filhos em direção ao metrôs e abrigos. Este é claramente um momento aterrorizante para crianças em todo o país”, disse em Genebra, a diretora regional para Europa e Ásia Central do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Afshan Khan.
A ONU segue condenando a ação russa na região. O secretário-geral, António Guterres, voltou a fazer um apelo pela paz nesta quinta-feira (24) e alocou 20 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF) para atender às necessidades urgentes geradas pelo conflito.
O uso da força de um país contra outro é uma mostra de “repúdio aos princípios que todos os países se comprometeram a defender", disse Guterres, frisando que a ofensiva militar na Ucrânia é um exemplo disto. "Está errado. É contra a Carta. É inaceitável. Mas não é irreversível”, insistiu o secretário.
Mortes - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) já confirmou que nesses dois primeiros dias de operações militares russas, muitos civis foram mortos ou feridos.
“Recebemos relatos de pelo menos 127 vítimas civis na Ucrânia. Destes, 25 estão mortos e outros 102 feridos por bombardeios e ataques aéreos. É muito provável que estes números estejam subnotificados”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani.
O escritório da ONU também alertou para o fato das comunidades já estarem precisando de ajuda humanitária.
Estoques - “Quando falamos em escassez, estamos nos referindo a combustível, que foi bem divulgado pela mídia, mas também estamos falando de dinheiro, porque muitas vezes em situações humanitárias a ajuda em dinheiro seria nosso primeiro apoio às famílias, e obviamente houve um declínio nos fundos bancários”, disse a diretora regional do UNICEF.
Ecoando a mensagem humanitária e apelando para que seja garantido o acesso dos indivíduos mais vulneráveis a recursos médicos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também se pronunciou sobre as operações, mostrando-se preocupada com a sobrecarga das equipes médicas no país.
“Ainda não temos relatórios dos hospitais sobre lesões específicas e detalhes médicos”, disse o representante da OMS na Ucrânia, Jarno Habicht. “Nosso foco agora tem estado nos kits médicos. Vamos ficar sem eles em breve, então atualmente o que é importante é garantir que novos suprimentos cheguem e que corredores humanitários estejam disponíveis nos países vizinhos”.
Prioridades - As agências da ONU estão ativas na Ucrânia há muitos anos, principalmente desde a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 – um movimento em grande parte rejeitado pela comunidade internacional.
As prioridades imediatas incluem avaliar o que as comunidades já vulneráveis precisam nas regiões orientais de Donetsk, Luhansk e outros distritos. “Ainda estamos tentando monitorar qual é a situação em relação à infraestrutura civil”, disse a diretora regional do UNICEF.
“Como vocês sabem, infraestruturas críticas no leste, particularmente em Donbass, sofreram ataques por anos e alguns serviços foram suspensos – daí a necessidade de operações do UNICEF com caminhões-pipa. No cenário atual, ainda estamos tentando identificar qual infraestrutura civil foi atingida e onde”, relatou Khan.
Ao anunciar a alocação de recursos dos fundos de emergência para a crise na Ucrânia, Guterres ressaltou que a ONU e seus parceiros humanitários estão “comprometidos em servir e apoiar as pessoas na Ucrânia em seu momento de necessidade”.
Vidas despedaçadas- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) confirmou que já está ocorrendo na região o fenômeno de deslocamento forçado em massa.
“Estimamos que mais de 100 mil pessoas perderam suas casas e estão deslocados dentro do país e também estamos cientes que outros milhares cruzaram as fronteiras internacionais na região. Vimos isso realmente acontecendo desde o início da situação”, disse a porta-voz do ACNUR, Shabia Mantoo.
“Estamos vendo esses relatórios e também exemplos, como o de ontem, quando cinco mil refugiados chegaram à Moldávia. Outros relatos com movimento de refugiados também estão chegando de países como Polônia, Romênia, Eslováquia e Federação Russa”, contou Mantoo.
Protestos - Ao mesmo tempo que o Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH) alertou que o povo da Ucrânia estava “aterrorizado com uma nova escalada”, a porta-voz da agência Ravina Shamdasani também mostrou preocupação com movimentos dentro da Rússia.
"Oficialmente cerca de 1,8 mil pessoas foram presas, mas é impossível neste momento saber exatamente quantas pessoas foram detidas", disse, referindo-se aos manifestantes anti-guerra.
“Não está claro se alguns deles já foram liberados. O que entendemos é que entre aqueles que foram presos também estavam alguns jornalistas, e que as detenções foram feitas em mais de 50 cidades em toda a Rússia”, finalizou.