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Conflito na Ucrânia deve limitar abastecimento de alimentos e aumentar fome

04 março 2022

Em meio a invasão russa na Ucrânia, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) chamou atenção para uma possível limitação no abastecimento de alimentos na região nos próximos dias e como consequência, o aumento da fome. 

Muito além dos prejuízos locais, o conflito na região representa uma ameaça global, já que a Ucrânia é responsável por 12% das exportações de calorias alimentares globais e 40% da produção do país abastece nações que enfrentam problemas de insegurança alimentar.

Exportações ucranianas de diversos produtos, como trigo e milho, vão para o Oriente Médio e a África, que já sofrem com a fome. Com o conflito pode haver aumento de preços e dificuldade de acesso à comida nesses locais.

Bombardeio atingiu parquinho infantil em Kiev, capital da Ucrânia.
Legenda: Bombardeio atingiu parquinho infantil em Kiev, capital da Ucrânia.
Foto: © Andrii Marienko/UNICEF/UNIAN

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) alertou em um comunicado nesta quinta-feira (3), que o conflito na Ucrânia pode limitar o abastecimento de alimentos básicos, como trigo, milho e óleo de girassol. O órgão explicou que a crise no país pode causar aumento de preços e escalada da fome em todo o mundo. A região é responsável por 12% das exportações de calorias alimentares globais e 40% da produção ucraniana abastece países com graves problemas de fome.

O presidente do FIDA, Gilbert Houngbo, afirma que o problema pode levar a um aumento de preço dos insumos e gerar uma escalada da fome, ameaçando a segurança alimentar mundial.

No alerta, ele explica que o Mar Negro possui um importante papel no sistema alimentar global, exportando pelo menos 12% das calorias alimentares comercializadas no globo.

Ainda de acordo com o presidente do FIDA, 40% das exportações de trigo e milho da Ucrânia vão para o Oriente Médio e a África, que já sofrem com a fome. Ali, “mais escassez de alimentos ou aumentos de preços podem levar à agitação social”.

Ele também frisou que atualmente 10% da população mundial não tem o suficiente para comer. Além disso, os impactos de eventos climáticos extremos e da pandemia de COVID-19 levaram outros milhões à pobreza e à insegurança alimentar.

Catástrofe - Para ele, a continuação do conflito na Ucrânia além de uma tragédia para os diretamente envolvidos, será catastrófica para o mundo inteiro e “particularmente para aqueles que já lutam para alimentar suas famílias”.

A agência da ONU afirma que está empenhada em continuar trabalhando para aumentar a autossuficiência alimentar e a resiliência dos países mais pobres do mundo, mas destaca que será difícil mitigar os impactos globais desta crise. O chefe do FIDA acredita que o fim do conflito é a única solução.

Usina - Outra consequência global do conflito que chamou atenção da comunidade internacional foi um incêndio, na noite desta quinta-feira (3), na Usina Nuclear de Zaporizhzhia, localizada no sudeste da Ucrânia.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, relatou em um comunicado que durante a tomada da usina por forças russas um projétil atingiu um prédio de treinamento nas proximidades de um reator, causando um incêndio localizado que foi posteriormente extinto. O episódio não resultou na liberação de material radioativo e, apesar da tomada do prédio, a equipe regular de funcionários continua operando a usina. Duas pessoas ficaram feridas nesta ação. 

“Os sistemas de segurança dos seis reatores da maior usina nuclear da Europa não foram afetados nem houve liberação de material radioativo. Os sistemas de monitoramento de radiação no local permanecem totalmente funcionais”, assegurou o alto funcionário.

Ainda assim, o diretor-geral disse estar extremamente preocupado com a situação da usina. Das unidades de reatores, a número 1 está desligada para manutenção, as unidades 2 e 3 sofreram um desligamento controlado, a 4 está operando com 60% de potência e as unidades 5 e 6 estão sendo mantidas “em reserva”, no modo de baixa potência.

“Disparar projéteis na área de uma usina nuclear viola o princípio fundamental de que a integridade física das instalações nucleares deve ser preservada e mantida em segurança o tempo todo”, disse o chefe da AIEA. “A principal prioridade é garantir a segurança da usina, seu fornecimento de energia e das pessoas que a operam”.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

AIEA
Agência Interncional de Energia Atómica
FIDA
Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola

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