Estudo apoiado pela ONU expõe elo entre drogas ilícitas e redes sociais
11 março 2022
Publicado nesta quinta-feira (10), o relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) faz uma série de recomendações a governos e ao setor privado para tentar reduzir os efeitos que mídias sociais podem ter no aumento do consumo de drogas, especialmente por jovens.
O relatório também expõe que ferramentas digitais, como criptomoedas, pagamentos pelo telefone e carteiras digitais estão sendo exploradas pelo crime organizado para facilitar transferências de dinheiro e ocultar origens de pagamentos.
A JIFE pede que os fluxos de dinheiro ilícitos sejam combatidos mais veemente e calcula que, somente na África, o custo do crime organizado representa 3,7% do PIB do continente, o equivalente a 88,6 bilhões de dólares.
O relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), publicado nesta quinta-feira (10), mostrou um aumento das evidências comprovando a ligação entre exposição às redes sociais e uso de drogas. Esta conexão afeta diretamente os mais jovens, que representam tanto o grupo que mais usa mídias sociais, quanto o que ostenta as maiores taxas de abuso de drogas.
Por este motivo, a JIFE, um órgão independente apoiado pela ONU, está pedindo aos governos ações mais efetivas para regulamentar plataformas online que incentivam direta ou indiretamente o consumo de drogas e tentam aumentar vendas de substâncias controladas. O documento também pede ao setor privado para moderar e regulamentar suas plataformas e limitar a publicidade e a promoção do uso de drogas para fins não-medicinais.
Segundo a Junta, criminosos também estão explorando várias ferramentas digitais, como criptomoedas, pagamentos pelo telefone e carteiras digitais, a fim de facilitar a transferência de dinheiro e ocultar as origens de fundos ilegais, ampliando assim os lucros.
Outro ponto abordado pelo relatório é a capacidade do crime organizado continuar fazendo milhões de dólares com o tráfico de drogas e as consequências nefastas deste acúmulo. O documento mostra que sociedades e o desenvolvimento econômico são diretamente afetadas por isso, uma vez que grandes quantias deste montante são direcionadas para corrupção e suborno, além de servir para financiar o aumento da violência, da pobreza e das desigualdades.
Ações - Para conter os impactos negativos, a entidade recomenda que os governos ajam contra todos os estágios do tráfico de drogas – desde a produção e cultivo até a venda e ocultamento dos lucros ilegais – e compartilhe as investigações sobre crime organizado a nível internacional.
A presidente da JIFE, Jagjit Pavadia, reforça que “esses grupos dependem dos fluxos ilícitos de dinheiro para ampliar e manter as atividades criminosas”, fluxos estes que acabam tirando recursos de iniciativas para reduzir a pobreza e promover desenvolvimento econômico e social. O resultado é um efeito desproporcional em nações em desenvolvimento, que são as que mais precisam de financiamento para isto.
Em países africanos, por exemplo, o custo do crime organizado é especialmente alto: 3,7% do PIB do continente (88,6 bilhões de dólares) são perdidos, todos os anos, para fluxos financeiros ilícitos. Este volume é praticamente o mesmo obtido anualmente com investimento estrangeiro direto para assistência ao desenvolvimento.
Cannabis - O relatório nota ainda que a legalização da cannabis em vários países é motivo de preocupação, sendo que a presidente do JIFE afirma que permitir o uso para fins não-medicinais “contradiz as convenções de controle de drogas”.
O documento também destaca a necessidade de entendimento coletivo sobre os conceitos de legalização, descriminalização e fim da penalização de acordo com as convenções para o controle de drogas e enfatiza a importância de uma resposta equilibrada sobre crimes ligados às drogas, com respeito aos direitos humanos.
Os criminosos continuam com acesso fácil, no mercado legal, aos produtos químicos necessários para a fabricação de narcóticos. A JIFE sugere mais controle e regulamentação sobre a venda desses químicos, citando uma pesquisa de 2021, que mostrou falhas significativas no controle da fabricação doméstica, comércio e distribuição dessas substâncias.