Secretário-geral pede investigação pelas mortes em Bucha, na Ucrânia
04 abril 2022
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste domingo (3) uma investigação independente sobre as mortes de civis na cidade ucraniana de Bucha, no subúrbio da capital Kyiv.
Segundo a mídia internacional, foram encontradas imagens de corpos nas ruas depois da retirada russa da área após semanas de intensos combates.
"Estou profundamente chocado com as imagens de civis mortos em Bucha, na Ucrânia", disse Guterres.
A alta-comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que a descoberta de civis mortos na cidade de Bucha levanta questões sobre possíveis crimes de guerra.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste domingo (3) uma investigação independente sobre as mortes de civis na cidade ucraniana de Bucha, no subúrbio da capital Kyiv.
Segundo a mídia internacional, foram encontradas imagens de corpos nas ruas depois da retirada russa da área após semanas de intensos combates.
"Estou profundamente chocado com as imagens de civis mortos em Bucha, na Ucrânia", disse Guterres em uma declaração concisa, que também foi postada em sua conta oficial no Twitter.
“É essencial que uma investigação independente leve a uma responsabilização efetiva”, completou o chefe da ONU.
A coordenadora humanitária da ONU para a Ucrânia, Osnat Lubrani, compartilhou no Twitter: "Os ucranianos estão enfrentando um inferno por mais de um mês, milhares de civis morreram", escreveu. "Esta guerra horrível precisa parar".
A ONU continua a pressionar pelo fim da guerra na Ucrânia, que o secretário-geral descreveu como “invencível”.
O conflito começou em 24 de fevereiro, quando a Rússia invadiu o país. Desde então, 3.455 vítimas civis foram registradas, de acordo com a última atualização do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), publicada no domingo.
Deste número, 1.417 pessoas morreram e 2.038 ficaram feridas, embora considera-se que os números reais sejam bem maiores.
A maioria das mortes foi causada pelo uso de armas explosivas com uma ampla área de impacto, incluindo bombardeios de artilharia pesada e sistemas de foguetes de lançamento múltiplo, mísseis e ataques aéreos.
Possíveis crime de guerra - A alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, disse que os relatos de Bucha e de outras áreas levantam questões sérias e perturbadoras sobre possíveis crimes de guerra, graves violações do direito humanitário internacional e da lei internacional dos direitos humanos.
Em um comunicado, Bachelet afirmou estar horrorizada com as imagens de civis mortos nas ruas e em sepulturas improvisadas e pediu investigações independentes e eficazes sobre o tema, a fim de garantir a verdade, a justiça e a responsabilidade, bem como reparações e soluções para as vítimas e suas famílias
"É fundamental que todos os corpos sejam exumados e identificados para que as famílias das vítimas sejam informadas e as causas exatas da morte sejam esclarecidas. Todas as medidas devem ser tomadas para preservar as provas", disse a alta-comissária.
Acesso humanitário crítico - Guterres postou no Twitter na sexta-feira (1) que a ONU "está fazendo tudo ao seu alcance para apoiar as pessoas cujas vidas foram reviradas pela guerra na Ucrânia".
Os profissionais de ajuda humanitária encontraram mais de 1,4 milhão de pessoas, principalmente no leste, “mas isso não é suficiente”, disse ele. “Precisamos de acesso livre e seguro a todas as áreas”.
O conflito deslocou mais de 10 milhões de pessoas, tanto dentro do país quanto fora de suas fronteiras.
“A velocidade do deslocamento e o grande número de pessoas afetadas nunca foi visto na história recente da Europa”, disse o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, ao concluir uma visita à Ucrânia na semana passada.
Para responder às crescentes necessidades humanitárias, a ONU e seus parceiros lançaram um apelo de emergência de US$ 1,7 bilhão no mês passado para apoiar as pessoas na Ucrânia e aqueles que fugiram para o exterior.
Mais de 4,1 milhões encontraram abrigo em países vizinhos na Polônia, Eslováquia, Hungria, Romênia e Moldávia, entre outros.
O Conselho de Segurança da ONU deve realizar sua próxima reunião sobre a Ucrânia na terça-feira (05).