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De altas temperaturas à infraestrutura nos municípios: Relatório aponta principais desafios e oportunidades para a agenda ambiental no Brasil

19 novembro 2025

Lançado nesta terça (18) em Belém, o relatório GEO Brasil 2025: Estado e Perspectivas do Meio Ambiente apresenta dados inéditos e análises científicas sobre os principais desafios e oportunidades para a agenda ambiental brasileira. 

Entre os destaques, o relatório revela que os investimentos em proteção do meio ambiente representaram apenas 0,26% do orçamento federal entre 2001 e 2022 e que cerca de 30% dos municípios não possuem infraestrutura básica para gestão ambiental. 

Iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o estudo conta com apoio técnico e financeiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), coordenação executiva da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e colaboração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). 

O rio não está morto: Ato de manifestação indígena Guarani no rio Tietê, em São Paulo - SP, em setembro de 2024. Foto finalista no concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Legenda: O rio não está morto: Ato de manifestação indígena Guarani no rio Tietê, em São Paulo - SP, em setembro de 2024. Foto finalista no concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Foto: © UNU/Cassia Fernandes.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lança nesta terça-feira, 18, o relatório GEO Brasil 2025: Estado e Perspectivas do Meio Ambiente. A iniciativa conta com apoio técnico e financeiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), coordenação executiva da Fundação Getulio Vargas (FGV) e colaboração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O documento apresenta dados inéditos e análises científicas sobre os principais desafios e oportunidades para a agenda ambiental brasileira, oferecendo subsídios estratégicos para políticas públicas e negociações internacionais.

Entre os destaques, o relatório revela que: 

  • Gastos com meio ambiente representaram apenas 0,26% do orçamento federal entre 2001 e 2022.
  • Cerca de 30% dos municípios não possuem infraestrutura básica para gestão ambiental.
  • Biomas como Pantanal e Cerrado registraram aumento histórico de temperatura, chegando a 3 °C e 4 °C a mais respectivamente.
  • A poluição do ar causa cerca de 51 mil mortes prematuras por ano.
  • Apenas 52,2% do esgoto é tratado - índice que cai para menos de 20% na região Norte.
Mudas de mangue na lha de Deus
Legenda: Mudas de mangue na Ilha de Deus: Crianças participam de uma ação de replantio de mudas de mangue em uma área urbana de Recife chamada Ilha de Deus. Foto finalista do concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Foto: © UNU/Rafael Martins.

O documento também aponta a expansão agropecuária sobre ecossistemas nativos, que elevou a área ocupada de 187,3 para 282,5 milhões de hectares entre 1985 e 2022, acompanhada pelo aumento de 108% na comercialização de agrotóxicos. Apesar da liderança brasileira em energia renovável, o setor de energia tornou-se mais carbono-dependente, passando de 11,3% para 18,3% das emissões nacionais entre 2002 e 2023.

Baseado na metodologia DPSIR (Forças Motrizes, Pressões, Estado, Impacto e Respostas) do PNUMA, o GEO Brasil 2025 oferece um diagnóstico robusto das inter-relações entre sistemas sociais e ambientais, apontando desafios históricos e emergentes, bem como oportunidades para uma transição em direção a uma economia mais sustentável. A publicação visa fortalecer a governança, orientar políticas públicas e subsidiar negociações internacionais.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destaca que o lançamento do GEO Brasil 2025 reflete o momento crítico da discussão ambiental: 

“O documento mostra os conflitos e as oportunidades de um mundo que caminha para enfrentar os desafios da transformação ecológica, e que precisa garantir um futuro de baixo carbono, resiliente e eficiente, baseado na natureza e no uso sustentável dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos.”

Para o pesquisador da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), José Antônio Puppim, o GEO Brasil 2025 é mais do que um diagnóstico ambiental; é um chamado à ação: “O documento mostra, com base científica, onde estamos e quais caminhos precisamos seguir para integrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental. Essa visão é essencial para que o Brasil cumpra suas metas climáticas e aproveite seu enorme potencial de liderar a transição para uma economia mais sustentável”, destacou o pesquisador, que também coordena o centro de estudos FGV Earth.

“O GEO-Brasil 2025 mostra que a combinação entre mudanças climáticas e desmatamento já está agravando a insegurança hídrica em diversas regiões do país. A demanda por água, por exemplo, deve saltar de 188,7 m³/s em 1970 para 1.553,5 m³/s em 2040 - um aumento de oito vezes. São dados como esses – e vários outros – que revelam a importância deste relatório para o Brasil e ressaltam a urgência de fortalecer a gestão integrada dos nossos recursos naturais”, ressalta a representante interina do PNUMA no Brasil, Beatriz Martins Carneiro. 

Lançamento do relatório GEO Brasil 2025 no pavilhão da ONU Brasil na COP30, em 18 de novembro de 2025.
Legenda: Lançamento do relatório GEO Brasil 2025 no pavilhão da ONU Brasil na COP30, em 18 de novembro de 2025.
Foto: © PNUMA.

Para saber mais, siga @unep_pt nas redes e visite a página do relatório GEO Brasil 2025: https://geobrasil2025.org/

NOTAS AOS EDITORES:

Sobre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)

Criado em novembro de 1992, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - MMA é órgão que compõe a estrutura administrativa da República Federativa do Brasil cuja missão é formular e implementar políticas públicas ambientais visando proteger o meio ambiente e promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal autoridade ambiental global que define a agenda ambiental global, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável dentro do sistema das Nações Unidas e atua como um defensor autorizado do meio ambiente global.

Sobre o Centro de Inovação, Pesquisa e Difusão (CEPID) em Governança das Mudanças Ambientais Globais (FGV EARTH)

O FGV Earth, Centro de Inovação, Pesquisa e Difusão (CEPID) em Governança das Mudanças Ambientais Globais, é um centro de estudos da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O centro tem como missão desenvolver soluções práticas e baseadas em evidências científicas para os desafios ambientais que afetam o planeta.

Sobre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.

Contato para a imprensa: 

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

Renata Chamarelli

PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

PNUMA
Programa das nações Unidas para o Meio Ambiente

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa