Guterres: “A COP30 terminou, mas o nosso trabalho não”
22 novembro 2025
Declaração do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o acordo final da COP30.
Agradeço ao Presidente Lula da Silva, ao Presidente da COP 30 André Corrêa do Lago e sua equipe, ao Governo do Brasil, ao povo de Belém e ao Secretariado da UNFCCC pela hospitalidade e pelos incansáveis esforços para tornar esta COP possível.
Legenda: O secretário-geral da ONU, António Guterres, participa de coletiva de imprensa na COP30, em Belém do Pará, em 20 de novembro de 2025.
Na porta de entrada da Amazônia, as partes chegaram a um acordo.
Isso demonstra que o multilateralismo está vivo e que as nações ainda podem se unir para enfrentar os desafios decisivos que nenhum país consegue resolver sozinho.
A COP30 trouxe avanços – incluindo:
Um apelo para triplicar o financiamento da adaptação até 2035 como um primeiro passo para diminuir a lacuna de adaptação;
Um Mecanismo de Transição Justa para apoiar os países na proteção dos trabalhadores e das comunidades durante a transição para energias limpas;
Um novo diálogo com o objetivo de reforçar a cooperação internacional em matéria de comércio;
O reconhecimento de que estamos agora caminhando para uma ultrapassagem temporária de 1,5 grau Celsius;
O lançamento de um Acelerador de Implementação Global para reduzir as lacunas de ambição e implementação e acelerar a concretização das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs);
E o reconhecimento de que se deve levar adiante os resultados do Consenso dos Emirados Árabes Unidos, que inclui uma transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis.
Mas as COPs são baseadas em consenso – e em um período de divisões geopolíticas, chegar a um consenso é cada vez mais difícil.
Não posso fingir que a COP30 entregou tudo o que era necessário.
A lacuna entre onde estamos e o que a ciência exige continua perigosamente grande.
Compreendo que muitos possam se sentir desapontados – especialmente as juventudes, os povos indígenas e as pessoas que vivem em meio ao caos climático.
A realidade da ultrapassagem é um alerta claro: estamos nos aproximando de pontos de inflexão perigosos e irreversíveis.
Manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5 graus até o final do século deve continuar sendo a linha vermelha da humanidade.
Isso exige cortes profundos e rápidos nas emissões, com planos claros e confiáveis para a transição dos combustíveis fósseis para a energia limpa.
Isso exige justiça climática e um aumento massivo na adaptação e resiliência – para que as comunidades na linha de frente possam sobreviver e se recuperar dos desastres climáticos que estão por vir.
E isso exige muito mais financiamento climático para que os países em desenvolvimento reduzam as emissões, protejam suas populações e lidem com perdas e danos.
A COP30 terminou, mas o nosso trabalho não.
Continuarei a lutar por ambições mais elevadas e maior solidariedade.
A todas as pessoas que marcharam, negociaram, aconselharam, relataram e se mobilizaram: não desistam.
A história está do seu lado – e as Nações Unidas também.